Justin Bieber recicla fórmulas gastas do pop
- 9 de outubro de 2011 |
- 22h00 |
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Categoria: Música
PEDRO ANTUNES
Justin Bieber pega uma garrafa d’água e dá alguns goles. As meninas, grande maioria entre as 58 mil pessoas presentes no estádio do Morumbi, na noite de anteontem, gritam com todas as forças. O astro teen tira os óculos escuros de estilo futurista e ganha mais uma efusiva ovação. A impressão que se tem é que, nesta turnê brasileira, com passagem pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, o cantor canadense de 17 anos não precisava cantar para agradar ao seu (jovem) público.
A primeira apresentação de Justin em São Paulo – a segunda seria ontem, no mesmo local – mostrou que o garoto é mais do que um músico para aquelas meninas: é uma espécie de príncipe encantado, com sua franja meticulosamente arrumada, rosto delicado, voz infantil e jeito de bom moço. A música, o que deveria ser mais importante, fica em segundo plano.
A apresentação do cantor fechou uma tarde de shows de bandas teen, iniciada às 16h20 – um atraso de vinte minutos que se estendeu até a entrada de Justin, última atração. A brasileira e colorida Cine, a boyband inglesa The Wanted e o pop sintetizado do Cobra Starship esquentaram um público animado, formado pelas já citadas meninas, alguns garotos e seus acompanhantes (pais, mães, irmãos, primos), grande parte de cara amarrada. Nem mesmo a forte chuva no meio da tarde esfriou os ânimos.
Antes do show de Justin começar, os alto-falantes do estádio executavam um repertório apenas com canções de Michael Jackson. Uma tentativa do canadense de imitar o Rei do Pop? Tudo ficou descarado quando o garoto entrou no palco, às 20h18, com uma roupa vermelha e um colete preto, uma espécie de figurino atualizado de MJ no videoclipe de ‘Thriller’. Abusando das coreografias, das batidas eletrônicas e do playback, o astro iniciou seu show com ‘Love Me’ e ‘Bigger’. Todas a cantadas efusivamente pelos fãs.
Mas falta simpatia a Justin Bieber. Seus gestos e suas frases soaram falsas e ensaiadas. Logo na primeira vez em que se dirigiu ao público, isso ficou escancarado. Gostaria de agradecer a todos os meus fãs que vieram aqui. Eu quero fazer vocês felizes. Porque, quando vocês sorriem, eu sorrio”, disse. Era só a deixa para emplacar a melosa ‘U Smile’. Todos os seus discursos, sempre aplaudidos, só serviam como uma ponte para a próxima canção.
Moonwalk
No set acústico, só com voz e violão, cantando ‘Never Let You Go’ e ‘Favorite Girl’, ele mostrou que tem algum talento. Sua voz parece que não passou pela mudança natural da puberdade. Mesmo que já tenha alcançado os 17 anos, canta como se ainda estivesse com 13, como nos vídeos amadores do Youtube que o levaram ao estrelato. Cantando sempre sobre corações mirins partidos, Justin não exalta a sexualidade, diferentemente de qualquer outro ídolo pop, como Rihanna, Katy Perry e Beyoncé. Ele sintetiza o oposto de todas elas: quer mostrar que é um bom moço.
Ele entrou e saiu do palco diversas vezes, sempre voltando com um figurino diferente, mas mantendo as cores padrão, variando só entre o vermelho e o preto. Após outra frase feita, “Existe alguma menina solitária aqui? Hoje vou fazer uma não se sentir assim”, emplacou outro hit meigo, ‘One Less Lonely Girl’. Uma fã foi levada para o palco e deixada sentada em um banquinho. Ela recebeu carícias no rosto e ganhou um buquê de rosas do jovem astro.
Seguindo a proposta de tentar se tornar uma espécie de novo Michael Jackson, Justin fez um cover mambembe de ‘Wanna Be Starting Something’ e arriscou um vergonhoso moonwalk, passo de dança eternizado pelo verdadeiro Rei do Pop. O cantor teen finalizou o show com seu maior hit, a grudenta ‘Baby’ às 21h51.
Para os mais jovens, talvez tenha parecido um show original. Mas tudo não passou de uma grande repetição de fórmulas gastas, com coreografias, frases de efeito, letras melosas e até um coraçãozinho feito com as mãos, ligando os dedos, que até os brasileiros do Restart fazem. Falta ao canadense mais personalidade, algo que sobrava no pop genuíno daquele garoto negro que cresceu e se tornou Rei.
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