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Terça-feira, 18 de Junho de 2013
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Gil fecha Virada eclética

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JOTABÊ MEDEIROS

Pouca política, muita marra. Pouca comida, muita farra. Apesar dos banners colocados pelo chef Alex Atala em seu estande (“Veta, Dilma”, alusão ao desejo de ver refutado o texto do Código Florestal aprovado no Congresso Nacional), a oitava edição da Virada Cultural não foi marcada por grandes arroubos da vontade política.

É mais a avidez e a pressa que deixam lembranças. A fila de três quilômetros que se estendeu pelo Minhocão na madrugada salivando em busca de pratos populares de grandes chefs da gastronomia estava em busca de diversão e arte, é claro, mas principalmente de comida e novas experiências.

Apresentações antológicas dos grupos Suicidal Tendencies e Titãs deflagraram, ontem, a fome de rebelião. O público, às 9h30, rompeu as grades de proteção dos Suicidal e juntou-se ao grupo no palco, em mergulhos temerários rumo à multidão, em uma dança frenética e sem regras. Os Titãs revisitaram uma fase em que arremetiam furiosamente contra o “sistema”.

A fome cultural, ao contrário da estomacal, podia ser aplacada em diversas vertentes. A Virada foi marcada por uma mais ampla diversidade de gêneros do que em anos anteriores – rap, carimbó, hardcore, blues, surf music, teatro alternativo, teatrão, pole dance, erudito, psicodelia, pop, brega.

Com uma estimativa de público de quatro milhões de pessoas, a segurança foi reforçada para a Virada. Quase cinco mil homens, entre policiais militares, guardas civis metropolitanos e seguranças particulares trabalharam no evento. Mesmo assim, houve brigas, arrastões, furtos e roubos.

Segundo a Polícia Militar, 1,2 mil pessoas foram abordadas pelos policiais e oito presas em flagrante. Além disso, 16 crianças e adolescentes foram apreendidos, a maioria por furto e roubo. Na noite de sábado, o agente da Polícia Federal, Luiz Carlos Colussi de Oliveira, de 31 anos, se desentendeu com outras pessoas na Avenida Prestes Maia. Durante a briga, ele sacou a arma e tentou disparar contra um taxista. O tiro acabou acertando um jovem de 18 anos que passava pelo local.

Mas os tumultos mais significativos ocorreram perto da Avenida São João. Também no sábado, cerca de 100 adolescentes começaram uma briga e derrubaram barreiras de proteção.Uma adolescente de 17 anos, identificada como Juliana, morreu na madrugada de domingo. Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa de Misericórdia, para onde a jovem foi levada, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória causada por uma overdose. Sessenta gramas de cocaína foram encontradas com ela.

‘Tira o pé do chão’ – Foi do cantor, compositor e ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil a responsabilidade de fechar a Virada Cultural, no Palco Júlio Prestes. E, quem melhor que ele para representar um evento tão eclético? Gil é, sim, rock, samba, baião, afoxé, afrobeat. Como bom veterano, Gil sabe como os grandes públicos funcionam. Às 18h, lá estava ele, ao lado da sua banda.

A estrutura do palco, infelizmente, não ajudou. Faltou potência e equalização no som. Nas canções mais lentas, como A Paz, toda a emoção de Gil ficava escondida pelo alto volume do baixo e percussão. Contudo, quando colocou o povo para dançar, o músico foi bem-sucedido. Gil fechou sua apresentação às 19h35, com Toda Menina Baiana. Saltitando, ele pediu para o público tirar os pés do chão, no melhor estilo de Ivete Sangalo. Quem diria, Gil também é axé.

Colaboraram Pedro Antunes, Juliana Deodoro e Luciele Velluto

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