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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Fresno: contra tudo e contra todos

Categoria: Música

Fresno lança o disco 'Revanche'. com som bem mais pesado

Fresno lança o disco 'Revanche'. com som bem mais pesado (Foto: Gustavo Mara/Divulgação)

Pedro Antunes

É batata: coloque o novo disco da Fresno e tenha uma surpresa. Vale até tirar o disco e conferir se está ouvindo o CD certo. Tenha calma. Sim, “Revanche” é mesmo o segundo disco dos gaúchos por uma gravadora, a Arsenal Music. Mas o som que vem dos alto-falantes é maduro, agressivo. O discurso também: “O título remete a uma revanche pessoal. Uma superação, mesmo, de uma banda de rock que acabou sendo reduzida a algumas músicas que tocam nas rádios”, explica Lucas Silveira, vocalista do grupo, ao JT.

Esqueça os rótulos. O som da Fresno transcende cada um deles com o passar das 13 faixas do disco. Costumeiramente, é fácil ouvir uma letra que fale de um amor perdido e predispor tal banda como emocore. Mas rotular a Fresno exige mais. O rock deles é assim, desde sempre: infeliz. Em “Revanche”, por exemplo, não se encontra músicas alegres. “Até as faixas mais alegres são tristes. Isso faz parte do nosso estilo”, explica o gaúcho Lucas Silveira, vocalista da Fresno. Mais do que isso. No novo disco, as letras são raivosas.

O estilo também soa maduro. Pudera: hoje a banda tem status de gente grande do rock brasileiro. Principalmente depois de um 2009 recheado de prêmios – Artista do Ano do Multishow e Melhor Banda Pop e Artista do Ano no Vídeo Music Brasil, da MTV – e um início de ano com o lançamento do excelente disco solo de Lucas, o “The Rise and Fall of Beeshop”.
 
Com moral, a Fresno agora pode arriscar. Em “Revanche”, eles tiveram abertura suficiente para isso. Depois de “Redenção”, álbum bem pop, lançado em 2008 e que levou o disco de ouro, as guitarras ganharam mais ruído. O que então era contido, dessa vez extravasa numa sucessão de riffs pesados. “Esse nosso som me faz lembrar o disco “Ciano” (de 2006), lançado de maneira independente”.
 
De fato, a primeira faixa, que dá nome ao CD, é um tapa na cara de tão surpreendente. Enquanto “Deixa o Tempo” e “Esteja Aqui” são mais leves e dão um tempo aos ouvidos, “Die Lüge” é outra porrada. Das boas. Influenciada pelos riffs da banda alemã Rammstein, faixa até pouco antes de finalizarem as gravações do disco não tinha um nome definido. “Queríamos colocar Rammstein. Como não poderíamos, fizemos uma brincadeira nossa. Colocamos ‘Die Lüge’, que significa ‘a mentira’, em alemão”, conta Lucas que, na música, arrisca até alguns falsetes para contrastar com o peso sonoro da faixa.
 
Maduro, Lucas se vê à vontade para esbravejar contra o mercado fonográfico: “O Brasil tem ficado menos roqueiro. Não se ouve mais rock nas rádios. Essa molecada que está começando precisa de referências nacionais. Hoje rock é para os alternativos. Isso não pode ser assim. Com “Revanche”, tentamos mudar um pouco isso”. Disso, ele pode ficar tranquilo: depois do susto inicial com o peso do disco, é fácil constatar: trata-se de rock’n’roll de qualidade.

Download Ouça um trecho de Deixa o Tempo, do novo disco Revanche

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