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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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‘Filha do Mal’ decepciona mas rende bons sustos

Categoria: Cinema

Por Felipe Branco Cruz
De Nova York

Num certo momento de Filha do Mal, um dos padres exorcistas diz para Isabela (vivida pela brasileira Fernanda Andrade): “Como padre, eu já tive contato mais vezes com os demônios do que com Deus. Isso não é certo. Não deveria ser assim”. Explorando questões religiosas e possessões demoníacas, o longa, em cartaz nos EUA desde 6 de janeiro, custou apenas US$ 1 milhão (valor baixo até para os padrões brasileiros) e já arrecadou mais de US$ 53 milhões nas salas americanas e também no Canadá.

Parte dos motivos que levaram um filme de baixo orçamento a fazer tanto sucesso pode ser explicado pela capacidade que o diretor William Brent Bell teve de misturar diversos elementos já experimentados em outros filmes e usar isso a favor de sua produção. A ideia dele, junto com a Paramount, foi transformar Filha do Mal no novo Atividade Paranormal, que também custou pouco e teve grande retorno. Como peça cinematográfica, no entanto, Filha do Mal não é boa.

No início da projeção, um anúncio avisa que o longa não é aprovado pelo Vaticano. Ora, a doutrina moral do Vaticano não aprova nem sexo com camisinha e vai aprovar filme de terror com esse tema? No enredo, Isabela viaja para Roma para encontrar sua mãe, que está internada num hospital psiquiátrico. Ela quer descobrir se pode desenvolver os mesmos problemas mentais que levaram a mãe a matar três pessoas durante uma sessão de exorcismo há 20 anos. Para entender o que aconteceu, Isabela passa a frequentar uma escola de exorcismo do Vaticano que ensina até jornalistas. Depois de conhecer dois padres exorcistas, um deles lhe diz que ela só entenderá um exorcismo se ver um de verdade.

O que se vê, a partir de então, é uma série de corpos retorcidos ou escalando paredes como se fossem aranhas. É assustador, mas não é original. O enredo é desconexo e, ao final, fica-se sem saber o propósito daquilo tudo. Sobre o final, o site americano Rotten Tomatoes, especializado em cinema, considerou um dos piores da história.

Exibir cenas bizarras de exorcismo e criar uma certa fantasia em cima do Vaticano, mostrando padres que fazem o ritual à revelia da Igreja, já foi feito em filmes como O Ritual (2011), com Anthony Hopkins e a brasileira Alice Braga, e até o clássico O Exorcista (1973).

Outro elemento de Filha do Mal é dar a sensação de que se trata de um filme amador que foi parar no cinema. Essa estratégia já foi usada desde a Bruxa de Blair (1999) até Atividade Paranormal (2007). O Último Exorcismo (2010) é outro que foi realizado como se fosse um falso documentário.

Filha do Mal não é um fenômeno cinematográfico e, sim, a comprovação de que os estúdios insistem na fórmula sobre como fazer filmes baratos com alto retorno financeiro. E se o tema for assustador, tanto melhor.

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