‘Estou feliz independentemente da guerra entre as emissoras’
- 15 de abril de 2012 |
- 21h38 |
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Categoria: Arte, Celebridades, Espetáculo, TV
MAIARA CAMARGO
Ele é neto de Silvio Santos, mas foi outra grande figura nacional que o alçou ao estrelato. Em cartaz como o síndico Tim Maia, em Tim Maia – Vale Tudo, o Musical, no Teatro Procópio Ferreira (SP), o ator paulistano Tiago Abravanel, de 24 anos, estrela seu oitavo musical, o primeiro como protagonista. O sucesso em cena extrapolou os palcos e agora ele se prepara para um papel na próxima novela das 9, Salve Jorge, na TV Globo. O convite foi feito pela autora Gloria Perez.
Indiferente a brigas entre emissoras, ele é só sorrisos. Enquanto se maquiava para ganhar a cor de Tim, recebeu o JT.
Antes da estreia em São Paulo, você estava com medo da recepção do público. Como está sendo? Estamos muito felizes. Entendemos que o Tim Maia é um artista de alcance nacional.
Você tem medo de ficar marcado pelo personagem?
Não, é um trabalho no teatro, que nem todo mundo vai assistir. Não é TV ou cinema. O teatro fica na memória, mas não marca eternamente. Agora, o que eu mais agradeço é estar tendo esse reconhecimento por um papel no teatro, que normalmente não é reconhecido no Brasil. Quantos atores são conhecidos nacionalmente por um trabalho no teatro?
Verdade que já sentiu a presença do Tim no musical?
Um dia, eu estava estudando e me peguei pensando alto: ‘Que responsabilidade fazer você, hein, seu Tim?’ Daí, eu ouvi uma voz na janela: ‘Segura, meu querido’. Quase me caguei. Liguei para a minha mãe, liguei para o João Fonseca (diretor do musical), que falou: ‘Se você ouviu isso, relaxa’. Eu lá, sozinho, no Rio. Teve uma vez também que eu senti um peso durante a apresentação.
Você tem religião?
Tenho várias crenças. Acredito que, pelo fato de trabalhar com teatro, música e, no caso, com alguém que se foi, estou trabalhando com energias fortes. Acredito que, às vezes, ele está presente.
Sua primeira novela foi Amor e Revolução, do SBT, e agora você estará no elenco da próxima novela das 9. O que pensa disso?
Estou feliz independentemente da guerra entre as emissoras. O meu trabalho é independente do meu sobrenome. Mas eu não imaginava que eles me chamariam. Agora, acho que, para a Rede Globo, pode ser interessante ter o neto do Silvio Santos também. E para o meu avô também, né? Quer mais marqueteiro do que ele? Sabe lá o que é que ele vai aprontar.
De alguma forma, você é herdeiro do SBT. Pensou nisso na hora de aceitar ir para o concorrente?
Passar pela cabeça, passou, mas isso não me limita. Eu nunca tive ligação profissional com o SBT, além da novela.
Verdade que será um turco em Salve Jorge?
Sim, eu sei que vai ter sotaque e tudo. Vai ser diferente de tudo o que eu já fiz.
Sua mãe (Cintia Abravanel, a mais velha das seis filhas de Silvio Santos) não queria que você começasse cedo na profissão?
Ela queria que eu aproveitasse a minha infância como infância. Não que ela me impedisse de fazer teatro. Pelo contrário, ela acredita que o teatro na infância ajuda na formação humana.
E você nunca pediu ao seu avô para fazer uma novela?
Não, nunca houve essa liberdade. Nunca fui de pedir. Sempre fui caxias, queria correr atrás das minhas próprias coisas.
Desde pequeno queria ser ator?
Sempre, desde muito pequeno. Quando a minha mãe se tornou administradora do Teatro Imprensa, eu tinha 7, 8 anos. Antes, eu já fazia teatro no colégio. Eu gostava muito dos desenhos da Disney. Quando fui ao parque, eu via as performances e pensava: “Meu Deus, quero fazer isso”.
Como você era na infância?
Sempre fui tranquilo e divertido. Eu gostava de brincar, contar piada. Agora, quando íamos para a Disney, eu e minhas irmãs usávamos uma espécie de coleira no pulso. A minha mãe segurava, tipo um fio de telefone com dois de um lado e um do outro. E íamos brincando até onde dava (risos).
Como era na escola?
Sempre tinha essa coisa: ‘Meu Deus, ele é neto do homem’. As pessoas o imitavam, mas eu nunca tive problema com isso. A minha irmã mais nova (Vivian) tinha. Eu falava: ‘Não liga’. Eu tenho muito orgulho de tê-lo como avô, mas não sei como é não ser neto do Silvio Santos.
Ele trabalha muito. Vocês conseguem se ver com frequência?
Olha, é muito difícil. A minha relação familiar com a parte do meu avô não é uma propaganda de margarina. Não é que não nos damos bem, mas é que não temos proximidade, convivência. Agora, não temos problemas de passado ou coisa parecida.
Quando seu avô vai vê-lo?
Boa pergunta! Ele me falou que quando vier não vai contar para ninguém e vai vir disfarçado.
Verdade que você foi reprovado em um teste para uma peça que era produzida por sua mãe?
Sim, foi para A Flauta Mágica, em 2006. Eu tinha 18 anos. Foi uma experiência que, na verdade, só me fez bem. Aprendi muito. Não que tenha sido consciente, mas acredito que, na minha cabeça, tenha passado a ideia de que se a minha mãe era a produtora, eu entraria com tranquilidade.
Algumas pessoas podem pensar que, por ser neto de um homem rico, você não precisaria trabalhar, não?
Eu acho que, se tem gente que fica surpresa por eu estar trabalhando, essa é a oportunidade de mostrar que a vida é igual para todo mundo. Isso é uma questão de criação. A minha mãe sempre valorizou muito mais a relação humana do que qualquer outra coisa. Para mim, vale mais juntar dinheiro e pagar uma festa, um jantar para as pessoas que eu amo, do que comprar uma coisa qualquer. E essa é a minha licença como artista. O que fazemos é bacana, mas somos iguais a todo mundo.
Você tem medo de se perder por causa da fama?
Sim, é o que mais me dá medo, porque é enlouquecedor. As pessoas te colocam em um lugar que não existe. Aliás, existe porque criaram, mas se você acredita nisso, se perde. Veja a maneira como o meu avô, por exemplo, trata as colegas de trabalho dele, como ele diz. Ele precisa dessas pessoas para trabalhar. Assim como eu preciso de você para divulgar o meu trabalho, você precisa de mim para fazer o seu. É uma troca.
Tem alguma coisa que já fez com seu próprio dinheiro?
Guardar. Coisa que nunca fiz. Estou planejando comprar um apartamento no Rio para montar a minha vidinha por lá. Como eu já tenho lugar aqui, na casa da minha mãe, é uma forma de ter um lugar aqui e um lá.
Com a fama, aumentou o assédio? Está namorando?
É diferente, né? Eu nunca fui uma pessoa conhecida. Agora, sou. Eu não estou namorando. Estou solteiro, mas aproveitando a vida. Estou muito feliz.
O pessoal do elenco estava falando que você emagreceu muito. Já fez regime?
Acho que, do começo do espetáculo para cá, eu já perdi uns dez quilos. Só não posso perder muito porque perco o personagem, né (risos)? Estou num limite, ainda dá para emagrecer mais. Já fiz muitos regimes. O mais maluco deles era um em que eu só comia coisa verde. Podia comer até arroz, mas tinha de ser verde.
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