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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Entre retalhos e linhas

Categoria: Antenado, TV

A equipe do reality show 'Projeto Fashion' (Foto: Thiago Monteiro/Divulgação)

ALINE NUNES

Num ateliê de São Paulo, 12 aspirantes a estilista terão de conviver sob o mesmo teto todos os dias, durante 24 horas. O objetivo? Um lugar ao sol no universo da moda. Entre os acessórios domésticos, nada de TV, computadores ou celulares. Os candidatos, originários de São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia, vão acordar e dormir entre tesouras, linhas e retalhos de tecidos.
Uma espécie de BBB em versão fashionista, o reality show Projeto Fashion, que estreia no dia 17, às 22h45, na Band, quer revelar um novo talento entre esses 12 participantes – e alçá-lo às passarelas e vitrines do País. O elenco de jurados e o mentor, ao menos, têm influência para isso. No júri, estarão o estilista Reinaldo Lourenço, a editora de moda Susana Barbosa, da revista Elle, e um convidado da área, que pode ser fotógrafo, modelo ou jornalista. No confinamento, o estilista Alexandre Herchcovitch fará o papel de mentor.
Quem se sair melhor nos 16 episódios levará um carro novo, um curso de um mês em Milão, no Istituto Europeo di Design, R$ 100 mil para desenvolver uma coleção exclusiva para as lojas Marisa, além de ver sua criação estampada na capa da revista Elle.
Segundo a diretora da atração, Fernanda Telles, tudo seguirá os moldes do Project Runway, exibido em 14 países e sucesso nos EUA – lá, o programa é apresentado pela modelo e atriz alemã Heidi Klum. “Mas a nossa versão terá o jeitinho brasileiro”, garante Fernanda. “Vou tentar fazer tão bem quanto a Heidi Klum. Depois do nascimento do Vittorio, o programa é o meu maior presente”, diz a apresentadora Adriane Galisteu, que, há um ano e meio, estava sem atração fixa na emissora.
Reinaldo Lourenço, como jurado, auxiliará os concorrentes na construção de uma imagem. “Na avaliação, tenho valorizado quem traz mais identidade brasileira nas criações”, diz. Já a editora Susana Barbosa tem aproveitado para mostrar suas garras. “Tenho fama de boazinha e aqui não dá para passar a mão na cabeça.”
O trabalho mais pesado, segundo a diretora do reality, fica para Herchcovitch. Ele, no entanto, diz tirar de letra. “Sou diretor artístico do Senac. Estou sempre com os estudantes”, afirma o estilista. Desde 2004, ele também acompanha a atração americana, mas diz que em nada se assemelha ao consultor de moda Tim Gunn, o mentor da versão original. “Minha função, por enquanto, tem sido questionar o trabalho deles, para que encontrem um foco.” No exterior, o júri conta com o estilista Michael Kors, a jornalista Nina Garcia e a própria Heidi Klum.
Coincidências com o TV Xuxa
Mas para ser o melhor, não basta entender só de desenho. “No Brasil, acham que estilista só precisa saber desenhar. Aqui, eles vão ter de costurar e modelar”, diz Herchcovitch. Apesar dos desafios, o mentor conta que, ao contrário das outras adaptações, a nacional tem uma concorrência amistosa. “Nas provas, eles até se ajudam”, conta. As peças produzidas nessas provas, aliás, serão doadas para o Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Para a formação desse elenco, a produção analisou 2 mil inscritos. Na seleção, Herchcovitch diz que nem sexo, cidade e idade foram levados em consideração. Porém, dos 12 selecionados, um já é figurinha repetida da televisão. Acácio Mendes, de 22 anos, morador de Guarapuava (PR), foi o vice-campeão do Estilista Revelação 2010 – quadro apresentado no TV Xuxa, semelhante ao reality da Band. O rapaz tem como referências na moda Raf Simons e Alexandre Herchcovitch. Na Globo, ele disse que, aos 13 anos, já desenhava e, aos 15, fez um curso de moda. Recentemente, ele entrou numa faculdade de moda.
A emissora sabia da passagem do jovem pela Globo, mas não viu problema em aceitá-lo no reality. Para Hélio Vargas, diretor de programação do canal, a atração é a “cereja do bolo da Band”. Galisteu, em coletiva, aproveitou para pedir ao ‘chefe’ um dia de reprise para o programa, que vai ao ar aos sábados. Ele aceitou, mas ainda não definiu qual dia. É esperar para ver se a animação do telespectador será recíproca. Ou se “vai passar a tesoura” na versão nacional.  ::

Entrevista Adriane Galisteu

Você tem algum lado cafona?
Hoje em dia, tudo está na moda, todas as texturas, todos os comprimentos. É uma questão de estilo mesmo. Estar na moda é uma questão de moda e bolso. A coisa do cafona pode ser brega para mim e chiquérrimo para você. Tenho minhas cafonices e não abro mão. Tenho um sapato com salto trator. Não saio usando, mas está no armário. Tenho síndrome de árvore de Natal, sabe? (referindo-se a pessoas que usam muitos acessórios)

Tem algo que compra muito?
Sim! Fusô preta e bota. Tenho loucura por botas. A (calça) fusô é maravilhosa para viajar. Você coloca uma blusa, um salto e está linda. É prático.

Quantas botas você tem?
Não sei, mas sei dos biquínis. Como coleciono, tenho mais de 1,7 mil. Eu uso numa estação, fecho, lacro e vai para uma mala na casa da minha mãe. Eu tenho desde o meu primeiro, quando eu tinha 11 anos. Tem asa-delta, enroladinho, fio-dental, amarradinho.

A família Iódice (ela é casada com Alexandre Iódice) estará no ‘Projeto Fashion’?
Não, mas quero uma parceria, mesmo que seja com alguma aula ou prova. A Iódice tem fábrica aqui perto! (o programa está sendo produzido nos Estúdios Quanta, na Vila Leopoldina)

Entrevista Alexandre Herchcovitch

Você assiste à TV?
Eu vejo pouco TV, porque fico pouco em casa. Mas eu chego umas 20h e assisto ao Jornal da Band, alguns realities, programas de animais e culinária. Só as novelas que não têm me atraído. Elas não estão boas.

Qual a última que assistiu?
As duas últimas que assisti inteiras foram Celebridade (2003) e Belíssima (2005).

Tem alguma peça que você adora comprar? Qual?
Tricô de cashmere é um vício, sempre compro. Dura muito e é um produto que eu não encontro no Brasil. Os últimos 100% cashmere que eu comprei foram da loja Uniqlo, de vários países.

Com o reality, o que mudou na sua rotina?
Como gravo de manhã, eu tenho ido para o escritório no meio do dia. Mas também serão 40 dias de gravação, não a vida inteira. Assim que acabar, volto a desenhar a coleção.

Qual a deficiência dos candidatos que você notou?
Então, o que eu vejo é que na Austrália, Portugal e EUA os candidatos são extremamente preparados. Lá, eles já chegaram a produzir uma alfaiataria masculina, que é a mais difícil, enquanto aqui a maioria acha que, para ser estilista, só é preciso saber desenhar.

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