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Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
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De volta para o “Vingador do Futuro”

Categoria: Cinema

FERNANDA BRAMBILLA
Cancún (México)*

Doug Quaid, um homem sem memória, está dividido entre duas beldades. Uma é sua mulher. A outra, sua amante. A mulher quer matá-lo. A outra precisa, a todo custo, protegê-lo. Da bancada onde conversa com a imprensa, o ator Colin Farrell se vê, por um instante, como seu personagem no remake de Total Recall – O Vingador do Futuro, que chega hoje aos cinemas.

De um lado está Kate Beckinsale, a bela atriz britânica famosa pela saga Underworld – Anjos da Noite. Do outro, a americana Jessica Biel, atriz na lista das mais sexies. “Em seis meses de filmagens, eu constantemente tinha esses momentos de olhar para elas e esfregar os olhos para ver se era mesmo verdade”, diz o ator irlandês, virando a cabeça de um lado para o outro, olhando para as duas.

Em 1990, o diretor Paul Verhoeven apoiou o filme original, misto de ficção científica e suspense, nos músculos de Arnold Schwarzenegger. Lá, O Vingador do Futuro era um trabalhador braçal que se descobre ter uma vida de faz de conta. Sua mulher é uma agente secreta que o vigia. Ele mesmo também é treinado e tem a missão de liderar rebeldes contra um governo opressor. Mas em Marte.

As realidades se confundem e Doug se dá conta de sua verdadeira identidade ao buscar memórias de mentira – um recurso de entretenimento futurista em que lembranças falsas são implantadas na memória. A inspiração vem de um conto de Philip Dick.

A proposta medular do longa se manteve ativa em outra memória, real, do jovem diretor Len Wiseman. É dele a nova versão de Total Recall, cujo cenário apocalíptico parece prestar tributo a Blade Runner. “Fiquei fascinado por aquela história quando assisti ao filme”, conta Wiseman. Em seu mundo, Marte foi deixado de lado e o planeta Terra só dispõe de dois territórios habitáveis e opostos geograficamente: o primeiro, um cenário altamente tecnológico; o outro, uma superpopulosa e suja metrópole.

A polaridade separa também os ricos dos pobres, que atravessam o planeta em grandes naves. Os policiais são robóticos, sintéticos. O distanciamento da trama de Verhoeven só não foi total por um encontro acidental. “Encontrei Arnold (Schwarzenegger) em um evento. Ele me derrubou com um golpe só”, brinca Wiseman, aos risos, simulando uma queda. “Ele ficou muito entusiasmado com a ideia do remake. Conversamos longamente sobre o filme e o que os atores pensavam dessa oscilação constante entre realidade e fantasia.”
A temática que parece perfeita para 3D, porém, não cativa o cineasta, que abriu mão da tecnologia. “Não sou fã de filme 3D e acho que existem poucos que fizeram uso do recurso de uma maneira inteligente e que me deixaram boquiaberto, como Avatar”, diz.

Com músculos menos favorecidos, mas ainda assim com fôlego para sequências de lutas corporais e fugas, Colin Farrell assumiu o papel do protagonista, que teve o perfil adaptado a um tipo de Jason Bourne. Quando questionado sobre sua interação com o intérprete original, ele balança a cabeça e nega, veementemente, um tanto sem graça. Prefere ater-se a seu momento. “É uma decisão estúpida a de se envolver em um filme de US$ 170 milhões. Fazia tempo que eu não fazia isso, um filme de orçamento tão grandioso, mas foi irresistível a partir da primeira conversa que tive com Len”, conta ele.

Além dos efeitos especiais impactantes, o ator, fã do filme original, lembra que o tom de seu personagem é bem diferente. “O filme dos anos 90 é hilário. O nosso, nem tanto. Mas eu adorei o questionamento que propõe, esse embate constante entre a consciência e o que seria a alma.”

E o ator está bem acompanhado em cena. Kate Beckinsale é Lori, a mulher de Doug Quaid, que se revela uma agente destinada a matá-lo – papel que foi de Sharon Stone no filme anterior. Já Jessica Biel é Melina, uma rebelde que servirá de guardiã para Quaid e com quem ele, em sua outra identidade, tem um caso.
Uma das cenas mais esperadas, aliás, é quando as duas se enfrentam em um elevador em movimento. Kate e Jessica se golpeiam em uma bela coreografia. “Admito que fiquei nervosa. Li a cena, olhei para Jessica Biel e pensei: ‘Vou dar 17 socos nesse nariz perfeito dela? Vou ser processada até o fim da vida!’”, brinca Kate. “Eu e Kate estamos acostumadas a lutar contra homens mais fortes ou, no caso dela, monstros e vampiros”, completa Jessica. Wiseman, entre risos, concorda: “Acho que essa foi a luta violenta mais educada que já vi”. ::

* Repórter viajou a convite da Sony

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