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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Cláudio Assis choca com novo filme

Categoria: Cinema

FELIPE BRANCO CRUZ

O mais novo filme do diretor pernambucano Cláudio Assis, Febre do Rato, que encerrou anteontem a mostra competitiva do Paulínia Festival de Cinema, ajudou a alimentar ainda mais fama de polêmico que ele cultivou desde o longa Amarelo Manga (2003), no qual dava um close nas partes íntimas da personagem Lígia, de Leona Cavalli. Assis foi convidado a subir ao palco para apresentar o filme e, aos berros, disse ser um cineasta que não faz concessões e mandou os medíocres irem tomar naquele lugar. Depois agradeceu a todos que participaram do longa. Nas atrizes, atores e produtores que o acompanharam no palco, distribuiu selinhos na boca. Inclusive nos mestres de cerimônias Rubens Ewald Filho e Marina Person.

O filme, todo em preto e branco, é ambientado no Recife, às margens do Rio Capibaribe. Irandhir Santos (o Fraga, de Tropa de Elite 2) interpreta o poeta anarquista Zizo, dono de um jornalzinho chamado Febre do Rato. O nome remete a uma expressão popular do Nordeste usada para designar quem está fora de controle. O longa será distribuído pela Imovision, mas ainda não tem data de estreia no circuito comercial. “Pra mim, poesia foi e sempre será em preto e branco. É uma questão de atitude e unanimidade entre todos da equipe”, justificou o diretor.

Verborrágico, Zizo é um poeta nato que sempre tem versos na ponta da língua para declamar em qualquer situação. Cercado por pessoas que estão à margem da sociedade, circula pelas decadentes ruas do Recife Antigo, munido de um carro de som, gritando para quem quiser ouvir palavras de ordem contra tudo e contra todos. Os amigos de Zizo são interpretados por Matheus Nachtergaele, Juliano Cazaré e Vitor Araújo, entre outros.

Repleta de cenas de nudez, sexo e palavrões, a história mostra uma turma desprendida de amarras sociais e familiares. Zizo, por exemplo, é conhecido entre os amigos por só transar com mulheres velhas dentro de uma caixa d’água. Sua vida muda depois que ele conhece e se apaixona pela jovem Eneida (Nanda Costa). A estudante passará a frequentar o círculo de amizades de Zizo e, consequentemente, sua vida. “Acho que o filme foi uma forma de traduzir o Recife, com todo seu sentimento”, disse Assis.

A exibição no festival desencadeou uma espécie de catarse coletiva, potencializada pela ótima fotografia, em preto e branco, dos lugares mais pobres e feios da capital pernambucana. Mas que, nas lentes de Walter Carvalho, diretor de fotografia, ganharam uma dimensão épica e bela. Algumas canções da trilha sonora são assinadas por Jorge Du Peixe (integrante do Nação Zumbi), dando um clima de mangue beat.

Depois de uma cena forte em que três homens aparecem nus, se entrelaçando na cama com uma mulher, Cláudio Assis soltou um berro durante a projeção, dizendo: “Isso que é cinema, p…!”. E arrancou aplausos da plateia.

Tabu

Forte, intenso e chocante. Talvez essas três palavras resumam bem o que se viu anteontem no Theatro Municipal de Paulínia. “A nudez foi tratada com tanta naturalidade durante as filmagens que foi tranquilo fazer o longa”, disse a atriz Mariana Nunes. “A partir do momento em que eu vesti a roupa da personagem, não tive nenhum problema em tirar a roupa”, completou a outra atriz, Nanda Costa.

“É muito bobo e medíocre. Ficamos aqui discutindo a nudez. Quase fomos presos porque estávamos gravando nus. Todo mundo acha legal ver a nudez na televisão e no cinema não?”, questionou o diretor, referindo-se a um episódio que ocorreu durante as filmagens. “Pagamos para a prefeitura para que fechassem as ruas durante as filmagens e mesmo assim veio a polícia para nos prender”.

A Febre do Rato, sem sombra de dúvidas, foi o longa que mais chamou atenção, seja por seu apuro estético ou por sua vocação nata para chocar. (O repórter viajou a convite da organização do festival)

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