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Sábado, 25 de Maio de 2013
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Chega ao fim hoje a saga do Cavaleiro das Trevas

Categoria: Cinema

PEDRO ANTUNES

Então nomeado chefe de policia de Gotham City, Gordon (vivido por um renascido Gary Oldman) diz ao misterioso herói mascarado : “Nos armamos com semiautomáticas, eles (bandidos) aparecem com armas automáticas; nos protegemos com material à prova de balas, eles usam munição perfurante. Agora temos você.”

Sete anos se passaram desde a simbólica cena de Batman Begins, hoje a saga chega ao fim com O Cavaleiro das Trevas Ressurge, e a frase não poderia ser mais verdadeira. Nesse jogo de ação e reação, a cidade tem Batman como única arma em seu duelo mais temível.

O inesquecível Coringa, último rival e vivido com uma excelência tão insana que rendeu ao ator Heath Ledger o Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante, queria o caos, anarquia, desordem. Bane, um irreconhecível Tom Hardy, é a personificação da dor em um brutamontes, da força física extrema usada para a destruição. Bane não testa a racionalidade de Batman, não o ameaça com a loucura. Ele o leva ao desespero.

O aguardado grand finale, contudo, foi manchado de luto por um episódio catastrófico, conhecido como o Massacre de Aurora, no Colorado (EUA). Na pré-estreia local, um jovem abriu fogo na sala de cinema, deixando 12 mortos e 59 feridos.

A onda de pesar levou ao cancelamento da première em Paris. Christian Bale, ator protagonista, visitou os feridos no hospital; os estúdios Warner doarão parte da arrecadação às famílias das vítimas.  Envolto nessa triste sombra, O Cavaleiro das Trevas Ressurge estreou nos EUA com a terceira maior bilheteria da história, US$ 161 milhões (R$ 325 milhões), aquém do esperado e atrás de blockbusters em 3D – Batman não faz uso da tecnologia – Os Vingadores, com US$ 207 milhões (R$ 419 milhões), e Harry Poter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (2011), que arrecadou US$ 169 milhões (R$ 342milhões).

O fim de um ciclo
Desde 2004, Christopher Nolan já sabia que teria uma trilogia nas mãos. “Tenho certeza de que o estúdio adoraria que continuássemos para sempre, mas acho que entenderam a minha vontade determinar nossa história; ao final, teremos contado uma grande história em três partes”, disse o cineasta na divulgação do derradeiro longa.

Começo, meio e fim estão amarrados num ciclo vicioso que seu Homem Morcego percorre, abatendo vilões como o Espantalho e seu próprio treinador, Ra’s Al Ghul (Liam Neeson), em 2005, o Coringa em 2008, e enfim Bane. Medo, caos, dor. Bruce Wayne (Christian Bale) e sua persona os encaram um a um e, assim, Batman doma seus próprios medos; supera suas perdas e, diante de um cenário de sofrimento e destruição, teme por Gotham City.

No ano em que encapuzados divertidinhos pipocaram na telona, como em Os Vingadores e O Espetacular Homem-Aranha, Nolan distingue seu herói ambientando-o em um universo sombrio e perturbador. Batman, ou Bruce Wayne, é só um homem, com fraquezas, mágoas e o corpo dilacerado na constante luta contra o mal.

Christopher Nolan põe a dicotomia em juízo. O que é o bem e o mal? Quem determina a divisão? Gotham é uma cidade cujos alicerces estão corroídos pelos vermes da ambição e da corrupção; aos olhos de todos, Wayne é um playboy, um milionário esbanjador em meio a um lugar devastado pela pobreza e assolado pela violência. Sob o capuz, propõe-se um vingador mascarado, símbolo da ordem e da paz. Mas o preço é alto demais e o cobrador dessa aposta, impiedoso e cruel.

O fardo de Batman atingiu logo o ator Christian Bale, intérprete do herói na trilogia. Na primeira vez que vestiu o traje, para Batman Begins, teve um ataque de pânico e claustrofobia. Em O Cavaleiro das Trevas Ressurge, a sensação foi diferente. “Eu percebi que nunca mais usaria esse capuz”, conta ele. “ Eu pedi a todos no estúdio: ‘Vocês podem me deixar sozinho por 20 minutos?’” Foi a única vez que interpretei um personagem por três vezes seguidas e os filmes mudaram a minha vida. Eu queria apreciar aquele momento um pouco mais.”

Na Gotham de Nolan, todos são imperfeitos, mesmo sob os melhores disfarces – como astros de cinema. E aí está a força do herói humano. “Quando criamos o personagem, sabíamos do simbolismo que ele representaria”, diz o diretor. “Criamos o mito, oferecemos Batman como um símbolo de esperança em uma cidade corrupta. Ele também busca seu ponto de retorno, uma volta para o bem. Esse sempre foi o coração da história de Bruce Wayne.”

*Com material cedido pela Warner

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