Vaccines faz show em velocidade máxima
- 20 de abril de 2012 |
- 0h43 |
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PEDRO ANTUNES
Mais rápidos do que uma bala. Na noite de anteontem, no Cine Joia, os ingleses Vaccines pareciam não conseguir conter a ansiedade que impulsiona os jovens a apressar demais as coisas. Assim foi a apresentação em São Paulo: um show curto, elétrico, desesperado. Tudo em 50 minutos.
Mas não se pode dizer que era falta de vontade do quarteto de 20 e poucos anos, porque o que eles mostraram em cima do palco foi garra e vontade de provar que, sim, eles podem ser sua nova banda favorita. Mas ainda precisam de mais estrada – e mais discos.
Falta fôlego a Justin Young (guitarra base e voz), Árni Hjörvar (baixo), Freddie Cowan (guitarra solo) e Pete Robertson (bateria). Estão crus, mas isso não deve ser colocado na conta deles. Com o vídeo da música If You Wanna despretensiosamente colocado no YouTube, em agosto de 2010, eles caíram nas graças da crítica musical inglesa e foram chamados de “novos salvadores do rock”. O rock não precisa ser salvo e o quarteto não estava preparado para carregar esse peso nas costas.
Quando veio o álbum What Did You Expect From The Vaccines? era visível o grito desesperado: o que vocês esperam do The Vaccines? Espera-se exatamente o que são: uma banda jovem, que sabe aliar o novo com o velho, o rock inocente dos anos 50, com ecos do pop e do pós-punk oitentista, e as guitarras ruidosas da escola dos Ramones e The Strokes. E, claro, que se divirtam no palco.
Falta, contudo, repertório. O único disco do quarteto londrino não chega a 35 minutos em 11 faixas. Para segurar um show de tempo razoável, a banda precisou inserir em seu roteiro canções novas, que deverão ser enxertadas no esperado segundo álbum. Arriscaram-se em frente de um público que, apesar de se mostrar bastante receptivo às canções mais conhecidas, como If You Wanna, Post Break-Up Sex, All In White e Family Friend, não sentiu o mesmo afeto novidades.
Veio a explosiva Tiger Blood, incluída como a terceira do show, uma referência pura aos The Strokes – não por acaso ela foi produzida pelo guitarrista da banda, Albert Hammond Jr: tem vocal preguiçoso em contraste com a energia das notas agudas vindas da guitarra. Depois, exibiram Teenage Icon, um rockabilly distorcido, a divertida No Hope e, por fim a soturna Bad Mood, a pior das três, um punk denso e econômico.
Eles tocaram todas as 11 músicas do disco, três inéditas e fizeram o mise en scène do bis, mas o show não durou mais de uma hora. O furacão Vaccines passou rápido por São Paulo. Com mais alguns anos (e novos álbuns) o estrago será maior. Por enquanto, foi o suficiente para abalar algumas estruturas do Cine Joia. E, agora, o que esperar do Vaccines? Mais de uma hora de show, pelo menos.
Moraes Moreira revisita disco clássico de 1972
- 18 de abril de 2012 |
- 22h00 |
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PEDRO ANTUNES
O guitarrista Davi Moraes, de 38 anos, viu-se na estranha posição de destrinchar arranjos dois anos mais velhos do que ele. Mas suas mãos seguiram pelo braço da guitarra percorrendo as notas com uma naturalidade que o espantou. Tudo está no sangue do músico carioca que viveu, por dois anos, no mesmo lugar onde aquelas dez canções foram criadas, o Sítio do Vovô, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, por seu pai Moraes Moreira e os outros Novos Baianos.
Acabou Chorare, celebrado como um dos maiores discos da música brasileira, completa quatro décadas de vida (e que vida!) em 2012. Em sua homenagem, Moraes não hesitou em chamar seu filho (tão cria do estilo de vida da banda como o próprio disco) para recriá-lo na íntegra, sem invencionices, como será mostrado hoje, às 22h, dentro da programação do evento Vivo Open Air, após a exibição do documentário Senna, no Jockey Club.
“Pepeu Gomes (guitarrista dos Novos Baianos) sempre foi um grande mestre para mim”, conta Davi. Foi ouvindo a guitarra delirante de Pepeu, no disco instrumental Geração do Som, de 1978, que Davi se viu impulsionado a seguir seus passos e aprender a tocar o instrumento. “Essa é a minha história musical. Aprendi tudo com o meu pai e o Pepeu, vendo-os tocar. Quando começamos a pensar na celebração dos 40 anos, percebi que tudo estava dentro da minha cabeça.”
Toda a ideia nasceu em agosto do ano passado, em um show de pai e filho no Studio SP, casa frequentada por jovens descolados no Baixo Augusta. Foi lá que Moraes percebeu algo que já era gritante há algum tempo. Sua obra possui a rara habilidade de se renovar a cada geração. Em seus shows próprios, músicas como Preta Pretinha e Besta é Tu, ambas do famoso álbum, eram cantadas por pais e filhos, senhores e jovens.
“As letras e os arranjos são modernos”, diz Moraes, sem modéstia. “Nada ficou datado, como aquele uso de teclado da época. Nós dos Novos Baianos marcamos pelos cabelos compridos e as roupas coloridas em plenos anos da ditadura. E os jovens veem na gente um grupo que vivia unido em torno de um ideal.”
Ao contrario do que se passou com músicos contestadores durante as décadas de 1960 e 1970, os Novos Baianos não eram alvos de grande atenção por parte da mão de ferro da ditadura militar. “Com o nosso visual, não podíamos ser comunistas (risos)”, brinca Moraes.
Seus versos incitavam o nacionalismo, mas não eram explicitamente contestadores. “Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”, diz a canção Brasil Pandeiro, emprestada por Assis Valente, que abre Acabou Chorare.
Formados por Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Luiz Galvão, Dadi, Jorginho Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo, os Novos Baianos viviam numa espécie de comunidade hippie, no subúrbio do Rio de Janeiro. A atitude roqueira do grupo no primeiro álbum, É Ferro na Boneca (1970), se fundiu com gêneros bem brasileiros, como o frevo, o samba e o baião, em Acabou Chorare, lançado dois anos depois.
Tudo graças a um certo João, que entrou em suas vidas um ano antes. Pai e mestre maior da bossa nova, João Gilberto se encantou com aquele grupo que não se desgrudava e passou a visitá-los com frequência. “De uma forma bem sutil, ele começou a interferir na nossa música”, diz Moraes, influência essa que pode ser conferida no documentário Os Filhos de João, o Admirável Novo Mundo Baiano, dirigido por Henrique Dantas (2011). A já citada Brasil Pandeiro, por exemplo, foi uma sugestão de Gilberto.
O resultado dessa reunião é uma saborosa mistura do acústico com o elétrico, da guitarra com violão, bandolim e pandeiro, sem bateria. “Virou uma coisa livre, sem preconceito e barreiras, e formou o som dos Novos Baianos, brasileiro e universal. Foi ele (João Gilberto) quem causou essa transformação.”
A própria filha de João, Bebel Gilberto, foi a responsável por, acidentalmente, dar nome ao disco mais importante do grupo. Quando criança, ela tropeçou e João lhe perguntou se estava tudo bem. Bebel respondeu: ‘Acabou chorare’.
Com muita reverência, Acabou Chorare é revistado com Moraes Moreira na voz e violão, e Davi fazendo as vezes de Pepeu Gomes. Ambos são acompanhados por bandolim, baixo, bateria e percussão. “Esse disco tem muito de mim, era tudo na minha mão e no meu violão”, diz Moraes. “Marcou minha vida. Era o momento pleno dos Novos Baianos.”
DIVIRTA-SE
Acabou Chorare
Vivo Open Air.
Jockey Club. Av. Lineu de Paula Machado, 1.263, Cidade Jardim.
Compra pelo site: www.ingressorapido.com.br.
Hoje, às 22h. Ingresso: R$ 40.
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Bob Dylan: um gênio em constante mutação
- 17 de abril de 2012 |
- 22h07 |
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Categoria: Música
PEDRO ANTUNES
O Bob Dylan que escreveu a clássica Like a Rolling Stone tinha 24 anos e não existe mais. Deu lugar a um homem de 70 anos, de movimentos vagarosos e difíceis, voz ainda mais desgastada e um tanto mais rabugento – apesar de ainda ativo e inspirado.
E a canção Like a Rolling Stone, que ainda toca nos fones de ouvido de seus fãs, atravessou os anos com seu mestre. Sorte que ele e sua obra se mantenham em constante mutação, como uma pedra rolando. Imprevisível e, por isso, tão magnífico.
Dylan chegou ao Brasil esta semana para cinco apresentações. Passou pelo Rio de Janeiro no domingo, ontem tocou em Brasília, depois seguirá para Belo Horizonte (amanhã), duas datas em São Paulo (sábado e domingo) e, por fim, em Porto Alegre, no dia 24.
Na capital paulista, ele dará as caras no Credicard Hall, sábado, às 22h, e domingo, às 20h. Ingressos, só para a segunda noite (em todos os setores, com preços que vão de R$150, com visão parcial, a R$ 900).
Cinco noites em que os clássicos (e outros nem tanto) serão revisitados por esse artista inquieto. Músicas lado A e lado B, em alusão aos antigos singles, em vinil. Da longa Tangled up in Blue, do disco Blood on the Tracks, de 1975, à atual Beyond Here Lies Nothin, lançada em seu mais recente disco de estúdio, o inspirado Together Through Life, de 2009.
Idolatrado por gerações, desde a década de 1960, Dylan já foi proclamado o trovador da juventude. A voz de inquietos que, como ele, não gostavam de ver o futuro que se aproximava da sociedade norte-americana, com guerras e sangue derramado.
Mas de um jeito que só Dylan pode ter, ele refutou esse rótulo. Não quer ser voz de ninguém. Só a dele, mesmo. Inconfundível, mais esganiçada do que afinada, mais aguda que grave, e, hoje, acompanhada por rouquidão. Destas sete décadas de vida, há mais de cinco, ele se esgoela por aí. De Minnesota (EUA), onde nasceu, para o mundo.
Nascido em 24 de maio de 1941 e batizado como Robert Allen Zimmerman, o pequeno Bob cresceu entre judeus de sua comunidade na cidadezinha portuária Duluth. É o cidadão mais famoso dentre seus 80 mil habitantes.
O tempo e as críticas fizeram Dylan amadurecer. Se em 1967 – quando Dylan decidiu abandonar o violão e os tradicionais country e folk americanos para aventurar-se por instrumentos elétricos –, ele já era um rapaz petulante, pouco amável com jornalistas e fãs ousados, nos anos 2010, o músico é quase um recluso.
Parece pouco se importar com o mundo de nós, mortais. Como os deuses da mitologia grega, quanto mais distante, mais divino. E Dylan vive em seu próprio Olimpo.
Para iniciados
O JT assistiu a um show de Dylan em Londres, da mesma turnê interminável, a Never Ending Tour, em 21 novembro do ano passado. Uma performance sua pede um público experiente. É preciso alguma prática para decifrar algumas canções, até as clássicas Like a Rolling Stone ou Highway 61 Revisited. Ele não é um showman, nem parece se esforçar para isso.
Indiferente, ele exibe seu repertório de canções mutantes, pulando do teclado para a guitarra e a gaita. Dirige-se à plateia uma única vez, apenas para apresentar seus companheiros de banda. O chapéu dá um ar de caubói ao seu visual esportivo e casual.
O público londrino não é conhecido por ser muito enérgico, ainda assim, sua vibração é contagiante – principalmente quando você percebe que o sujeito ao seu lado acabou de sacar Dylan ouvindo a clássica Desolation Row. O show é rápido e curto, sem o tradicional bis. Dylan não é dado a seguir as convenções da indústria da música.
Naquele show, antes de entrar, os falantes anunciaram: “Vocês estão preparados para ver Jesus?”. Não importa a religião ou mitologia, a divindade está ali, em constante mutação.
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belo horizonte, Bob Dylan, Porto Alegre, rio de janeiro, são paulo
Filho de Meryl Streep faz dois shows em São Paulo
- 16 de abril de 2012 |
- 22h00 |
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PEDRO ANTUNES
Do seu quarto de hotel em Moema, zona sul, o músico americano Henry Wolfe, de 32 anos, tenta relacionar sua música com artistas brasileiros que conhece. “É algo como Caetano Veloso e Victor & Leo”, diz, por telefone. A segunda referência é um tanto improvável. “Faço um pop à moda antiga, dos anos 50. Também me interesso pelo trabalho de Rodrigo Amarante. Queria conhecer mais sua banda, Los Hermanos. Qual disco você me indica?”, pergunta o simpático filho de uma das maiores atrizes que Hollywood já viu, Meryl Streep, três vezes ganhadora do Oscar, com o artista plástico Don Gummer. Wolfe é boa praça e, fanático por futebol, até quer assistir a um jogo do Corinthians.
Entre visitas a museus e lojas de disco, a vinda de Wolfe a São Paulo nesta semana se deve a duas apresentações na cidade: hoje, no Bourbon Street, e domingo, no Estudio Emme. Tudo para marcar o lançamento do seu primeiro disco solo, Linda Vista, lançado no ano passado nos Estados Unidos. No próximo mês, o trabalho chega por aqui pela Calibre.CC, empresa que também traz o cantor para esses dois shows. “É uma realização vir para o Brasil. Adoro o português e a música de vocês.”
Entre essas duas formas de arte dos pais, veio um filho músico. Um sujeito que cresceu ouvindo o indie rock do Wilco, mas que hoje caminha por um singelo pop clássico. Ele se apresenta em lugares díspares: o Bourbon está acostumado a receber concertos de jazz, enquanto o Emme é uma casa noturna que, no ano passado, recebeu artistas do cenário (muito) alternativo, como The Drums e Twin Shadow. “É difícil tentar escolher, porque o lugar onde eu me sinto mais à vontade é em um teatro. Preciso estar mais próximo do público. Meu show é intimista, então, isso é muito importante.”
Antes de soltar Linda Vista, Wolfe criou a banda Bravo Silva. Caminhava em direção a Wilco, sua principal fonte de referência de um rock leve e despretensioso. Lançaram um disco, em 2005, homônimo, mas a banda acabou no ano seguinte. “Começamos a discordar, é aquela velha história, sabe? Decidi me mudar de bairro e procurar uma nova identidade.”
As músicas de Bravo Silva eram feitas para se tocar em banda. Mas, sozinho, Wolfe se viu diante de uma possibilidade de fazer o que bem entendesse. “Voltei a olhar para trás. Para as coisas que gostava ainda antes de ouvir Wilco e essa música indie.” Morando em Laurel Canyon, bairro musical de Hollywood, as canções vieram facilmente, como Someone Else e Open The Door, com letras mais existenciais e uma sonoridade minimalista. “É para eu poder ir para qualquer lugar, com qualquer formação”, justifica Wolfe. A mudança de identidade sonora muito tem a ver com sua fixação por discos de vinil, principalmente os usados.
Stop the Train, também do disco, figurou na trilha sonora do filme Julie & Julia, de 2009, protagonizado pela mãe do músico. É a faixa mais conhecida do álbum, mas que saiu no momento errado. “O filme é de 2009 e meu álbum só saiu ano passado. Ficou muito distante, acho que pouco ajudou.”
Batizado Henry Wolfe Gummer, ele evita usar o sobrenome dos pais, mas nega ter escolhido assinar Henry Wolfe para afastar-se deles. “Henry Gummer sempre foi meu nome na chamada do colégio. Acho que Wolfe soa muito mais legal, não acha?” O fato de ser sempre lembrado por Meryl Streep tampouco o incomoda. “É só no começo”, justifica ele. “Depois, isso passa.”
Madonna confirma três datas de show no Brasil
- 16 de abril de 2012 |
- 19h59 |
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A data do reencontro dos ‘madonnamaníacos’ paulistanos com a rainha do pop ganhou, enfim, uma data. O show de Madonna será no Estádio Morumbi, dia 4 dezembro, uma terça-feira. Quatro anos após sua última passagem por São Paulo e Rio de Janeiro, na turnê Sticky & Sweet, a cantora agora aumentou sua estadia no Brasil. A turnê terá início no Rio, no Parque dos Atletas – espaço antes conhecido como Cidade do Rock, onde foi realizada a quarta edição do Rock in Rio, no ano passado –, no dia 1º de dezembro. E, por fim, terminará em Porto Alegre, no Estádio Olímpico, dia 9.
O anúncio da oficialização da turnê foi realizado na manhã de ontem, num hotel em São Paulo, com a participação do presidente da produtora do show T4F, Fernando Altério, e de José Gallo, presidente da Renner, patrocinadora do tour no Brasil. As negociações começaram em junho do ano passado e só foram confirmadas agora, com o lançamento do 12º álbum da cantora, MDNA.
O início da sua turnê mundial será em maio, dia 29, em Tel Aviv. Só depois desta data será possível saber quais serão as surpresas que Madonna oferecerá para o público. E ela gosta de extravagâncias.
Os ingressos em São Paulo começam a ser vendidos no dia 23 de abril, apenas para clientes Ourocard, e no dia 25, para o público em geral. Os valores vão desde R$ 170, na distante arquibancada laranja, até a pista premium, por R$ 850 www.ticketsforfun.com.be ou telefone: 4003-5588). Altério justifica os altos preços pela obrigatoriedade da venda da meia-entrada. “Isso só acontece no Brasil. Tem show que 80% dos ingressos é meia-entrada.”
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