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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Claudia Raia: a grande dama do cabaré

Categoria: Música

ANA RITA MARTINS

No centro do palco enfumaçado, uma Claudia Raia seminua move os quadris sensualmente. Segue em direção à plateia, cantando e lançando olhares enviesados. O número é do espetáculo Cabaret, o 10º musical da carreira da atriz, que estreia hoje no teatro Procópio Ferreira.

Nele, ela interpreta Sally Bowles, uma prostituta e dançarina que se apaixona por um escritor. Com 150 figurinos mínimos – Claudia e bailarinos passam o espetáculo praticamente inteiro de lingerie – Cabaret é adaptado de clássico da Broadway que foi para Hollywood em 1972 (veja ao lado), em longa homônimo imortalizado por Liza Minnelli.

“Fui convidada a fazer a Sally em 1989, mas estava comprometida com a novela Rainha da Sucata, conta a atriz. “Passei 20 anos pensando nela até conseguir comprar os direitos autorais.”

O espetáculo original é de 1966 e foi escrito pelo dramaturgo Joe Masteroff, que se baseou na peça Eu Sou Uma Câmera, de John Van Druten, inspirada, por sua vez, no livro Adeus, Berlim, de Christopher Isherwood. A história se passa em 1931, num cabaré decadente de Berlim, o Kit Kat Club.

Na versão original, as músicas são de John Kander e Fred Ebb – dupla de compositores dona de musicais de sucesso como Chicago e O Beijo da Mulher Aranha. Na versão brasileira, as adaptações musicais e do texto ficaram por conta de Miguel Falabella. A montagem conta com 21 atores e uma orquestra de 14 músicos. A direção geral é de José Possi Neto.

Atuações marcantes
O papel de par romântico de Claudia Raia estava prometido a Reynaldo Gianecchini, mas como o ator está afastado dos trabalhos artísticos para tratar de um linfoma, foi substituído por Guilherme Magon, de 25 anos, que vinha de Mamma Mia!. “Fiz uma leitura-teste para participar de Cabaret”, contou. Claudia Raia e o diretor se encantaram com sua atuação. “A química entre ele e Claudia foi instantânea”, diz Possi Neto.

Nas cenas apresentadas a jornalistas, porém, isso não fica óbvio. A interpretação de Magon não chama muito a atenção nos números exibidos. O destaque masculino, na verdade, foi o ator Jarbas Homem de Mello, que interpreta o personagem MC, mestre de cerimônias que narra toda a história ao público. Além de ter uma voz poderosa e dançar com elegância, Jarbas criou uma carga dramática e irônica para o personagem que, em cena, prende a atenção do público.

Experiente, participou dos musicais Lés Misérables, O Fantasma da Ópera, Rent e Grease. Já a trilha sonora ganhou arranjos especiais para reforçar a dramaturgia do espetáculo. Marco Araújo, responsável pela direção musical e vocal, criou duas trilhas sonoras diferentes.

“Quando os personagens estão falando de si mesmos, os arranjos são mais complexos e rebuscados”, ele explica. “Já nas horas de convivência no cabaré, são simples.” A versão brasileira, inclusive, conta com mais músicos (14) do que a original (9). “Quisemos dar um peso maior à orquestra”, diz Araújo.

Da mesma forma que a concepção musical, o figurino foi composto e executado atentando-se aos mínimos detalhes. Fabio Namatame, figurinista, criou um vestido com 20 mil pedras de cristais Swarovski que Claudia Raia usa para cantar a música Grana. “Também fiz uma pesquisa vasta com lingeries dos anos 20 e 30”, contou.

Ao desenhar as roupas, Namatame procurou valorizar o corpo de cada bailarino. “Isso foi facílimo”, diz. De fato, a produção conta com uma sucessão de atores sarados. Claudia Raia, aos 44 anos, então, exibe boa forma de dar inveja em moças de 20.

A coreografia, criada por Alonso Barros, torna a beleza dos atores ainda mais evidente. Com movimentos sensuais e muito contato físico, os bailarinos tiram o fôlego da plateia a cada performance. “Fizemos laboratórios para que cada bailarino trouxesse movimentos que representassem seus personagens”, conta Barros.

Bono Vox: ‘U2 deve acabar em 2012′

Categoria: Música

Fãs do U2, preparem-se: “A banda deve acabar em 2012″, disse o vocalista Bono Vox à Rolling Stone. “Não sei ao certo se realmente chegamos ao fim. É provável que ouçam algo sobre um novo trabalho no ano que vem, mas também é possível que isso não aconteça.”

É possível, então. que o álbum de 2009, No Line on the Horizon, tenha sido o último da banda. Bono diz que o motivo do fim é o constante questionamento sobre a relevância do grupo nos dias de hoje. ”Quero apenas sumir com a minha família, alguns livros, meu iPod nano e uma guitarra elétrica”, disse.

Via Veja

Paulínia agora é musical, como o SWU

Categoria: Música

PEDRO ANTUNES

Por enquanto, todo o Parque Brasil 500, em Paulínia, cidade a 117 km de São Paulo, está tomado por estruturas metálicas, tratores e trabalhadores. Mas tudo deverá mudar em 15 dias.

Às 10h da manhã do dia 12 de novembro, um sábado, começa oficialmente a segunda edição do SWU – Starts With You, o ecofestival que trará, desta vez, mais de 70 atrações para todos os gostos, em três dias de shows: do pop de pista Black Eyed Peas e do experimental Peter Gabriel, tocando seus sucessos acompanhado de uma orquestra, até o rock dos anos 90 do Alice in Chains e do Faith No More.

De acordo com as expectativas dos organizadores, cada dia de evento atrairá até 70 mil pessoas, que tomarão o parque em busca de música ou dos fóruns e debates sobre sustentabilidade, realizados ao lado das arenas, no Theatro Municipal de Paulínia.

Na tarde de ontem, as portas desta nova edição do festival foram abertas, pela primeira vez, para visitação da imprensa. No ano passado, o SWU foi realizado na Fazenda Maeda, em Itu, também no interior de São Paulo.

As mudanças de ares já mostraram um primeiro acerto: o atual espaço de 1,7 milhão de m² (o equivalente a 158 campos de futebol), contra os 170 mil m² da primeira edição.

Nesta área, há espaço de sobra para as 70 mil pessoas circularem entre os três palcos (Energia, Consciência e New Stage), a tenda eletrônica de 5 mil m² e as quatro praças de alimentação.

Eduardo Fischer, idealizador do festival, aproveitou a ocasião para anunciar as duas atrações que completam, assim, esse cardápio de atrações tão variado: o rapper Emicida abrirá a programação no Palco Consciência, no dia 12, enquanto Zé Ramalho faz o primeiro show do dia seguinte.

Tudo parece superlativo nesta nova edição do evento. Mas esse mesmo tudo está sendo construído quase do zero. O que parece ser mais assustador é a área de 4.450 m², que separa os dois palcos principais, nos quais as atrações se alternarão com estimados cinco minutos de intervalo. Onde já deveria haver grama é pura terra vermelha e remexida por tratores.

Questionada sobre isso, a organização diz que tudo estará pronto até os dias dos shows. A preocupação com as chuvas também é descartada. “O bom é que elas já passaram. Não deveremos mais ter esse problema”, disse o diretor geral do festival Milkon Mac Chriesler.

No ano passado, na Fazenda Maeda, a estrutura foi reaproveitada e isso ocasionou, por exemplo, uma má distribuição das duas áreas de camping, distantes de tudo e interligadas por poeirentas estradas de terra. Desta vez, haverá apenas um espaço para que as pessoas armem suas barracas – o suficiente para 1,5 mil delas. Com maior espaço livre e plano, o posicionamento das estruturas parece ter sido melhor planejado. Mesmo que nada ainda tenha sido terminado.

VMB: a noite do rapper Criolo

Categoria: Música

FELIPE BRANCO CRUZ

Em 2009, a banda Restart entrou de penetra na festa do Video Music Brasil, o VMB. Em 2010, eles foram os grandes vencedores, levando cinco estatuetas. Neste ano, sequer foram indicados a algum prêmio. O mundo da música dá voltas. Prova disso é que, anteontem, os principais vencedores de um dos mais importantes prêmios da música brasileira foram os rappers Emicida e Criolo.

Emicida levou dois troféus: Clipe do Ano, com Então Toma, e Artista do Ano. Já Criolo venceu em três categorias: Melhor Disco, por Nó na Orelha, Melhor Música, por Não Existe Amor em SP e Revelação. “Fizemos história”, disse Emicida, que dedicou os prêmios a todos os rappers brasileiros. “O hip hop está sendo valorizado”, completou.

A festa também sofreu mudanças que deixaram a premiação mais dinâmica e moderna, promovendo a interação entre a TV e a internet. Para tanto, foram montados três palcos nos Estúdios Quanta, em São Paulo, onde rolaram os shows e as premiações simultaneamente. Os vencedores não precisaram nem sair do local para comemorar, já que a festa estava acontecendo do lado de fora dos estúdios. Ao todo, passaram por lá 29 bandas e mais de 100 músicos.

Outra mudança estratégica foi esvaziar o poder dos internautas. Foi graças à mobilização de fãs-clubes que a banda Restart, uma ilustre desconhecida há dois anos, levou tantos prêmios no ano passado. Neste ano, no entanto, das 11 categorias, apenas em quatro (Webclipe, Webhit, Hit do Ano e Artista Internacional) os fãs puderam votar pela internet. E dessas quatro, apenas uma, a Hit do Ano, tinha alguma relevância para a música e para os artistas nacionais.

As categorias de maior peso, como Melhor Disco, Melhor Música, Revelação, Aposta, Clipe do Ano e Artista do Ano, ficaram a cargo de um júri de jornalistas, músicos e produtores. Eles escolheram os vencedores a partir de uma lista de nomes de indicados pré-escolhidos pela emissora.

O humor, claro, continuou presente neste VMB. No Estúdio A, comandado por Marcelo Adnet, foi realizada a premiação oficial. No Estúdio B, com Bento Ribeiro, a MTV concedeu os bizarros troféus de Clipe Com Pessoas Andando, Clipe Mais Molhado do Ano, Fade Out em Clipe, Figuração em Clipe Nacional e Nome de Banda com Letras e Números.

Outra que roubou a cena foi Luisa Marilac, o travesti que virou hit na internet com o bordão “bons drink”. Luisa, que foi à festa acompanhada da mãe e da irmã, participou da entrega de prêmios, além de circular entre os convidados, bebendo seus “bons drink”.

O momento constrangimento da noite ficou a cargo da cantora Wanessa, no Estúdio A. Ela ouviu vaias e o público gritando “Rafinha, Rafinha”, em referência ao apresentador do CQC Rafinha Bastos, que fez piada sem graça em relação a ela e ao bebê que está esperando. Rafael Cortez, também do CQC, que participou da festa, lhe pediu desculpas nos bastidores pela atitude do colega. Lá, nem Rafael nem Wanessa comentaram o assunto, mas, ontem à tarde, a cantora resolveu se pronunciar em seu site oficial. Leia aqui.

A quantidade de atrações que ocorriam simultaneamente pelos estúdios pode ter deixado os convidados do VMB confusos. Mas uma coisa é certa: para quem assistia de casa, a premiação deste ano foi uma das mais divertidas de sua história.

Lenine em busca de um novo habitat

Categoria: Música

PEDRO ANTUNES
Rio de Janeiro*

Lenine, com olhar sério, encara a chuva que paralisou os aeroportos do Rio de Janeiro na última segunda-feira. Imóvel no último degrau da escada que leva ao restaurante onde concede algumas entrevistas, ele observa o Morro da Urca, encoberto pelo branco manto das nuvens. “A chuva é boa para as orquídeas, mas tudo em excesso é prejudicial”, reflete o músico, com o sotaque recifense carregado, sobre uma de suas paixões, ao lado da família e da música – ele mantém, em seu sítio em Petrópolis, a pouco mais de uma hora dali, um orquidário com quase 5 mil delas. O trio é o seu chão.

As plantas são conhecidas pela grande capacidade de adaptação aos mais diferentes habitats. Assim é, também, a música de Lenine, agora com 52 anos, que deixou a faculdade de Engenharia Química no último ano, em 1979, para viver no Rio de Janeiro, com seu violão a tiracolo.

Mutante, volátil, inclassificável. Lenine chega ao décimo disco, Chão, lançado pelo seu selo Casa 9 e distribuído pela Universal. “Eu sei porque é o décimo”, diz ele, já sentado, num canto do restaurante. Ele pega um CD e completa: “Sei o que significa chegar ao décimo disco.” Chão foi tocado e produzido por ele, Bruno Giorgi, seu filho do meio, e o guitarrista JR Tostoi.

Ele se refere ao difícil começo de carreira, em que penou até encontrar uma gravadora para lançar seus primeiros discos, o raríssimo Baque Solto, de 1983, e Olho de Peixe, que veio nove anos depois. O pessoal do rock dizia que ele era MPB; já a MPB lhe dizia que seu som era rock. “E não mudou nada”, gargalha Lenine, ao pensar em tudo o que passou; circulando de lado a outro do Rio de Janeiro, aos 20 anos, tentando emplacar sua música, mas sem mudá-la. “Hoje tenho a impressão que fui um pouco cabeça-dura nesse sentido, digamos assim, para não me distanciar do que eu queria fazer”, recorda. “Fui um pouco intransigente. Mas descobri que esse som híbrido também despertava curiosidade fora do Brasil. Achei muito bacana.”

Fiel a seu ideal sonoro, Lenine construiu uma carreira curiosa: sempre diferente, mas sempre com uma mesma unidade. É a cara dele. “É muito louco isso. Eu sou compositor, cara. Tão fácil quanto isso. Me dá autonomia de fazer um disco só quando eu estou com desejo”, diz Lenine, que também compõe para peças de teatro, espetáculos de dança e trilha sonora de telenovelas – uma reunião delas foi compilada no disco .Doc, lançado ano passado.

A princípio, Lenine sabia que não queria que Chão tivesse bateria. “Eu sou percussionista, cara. Quero percorrer outro universo sonoro. Isso acarretou uma conversa muito séria que tive que ter com um irmão meu, um cara que toca comigo há 20 anos, que é o Pantico Rocha. Tive que falar para ele: ‘Vou fazer um disco que vai esbarrar com você lá pra frente’. Fiquei sofrido com isso”, explica. “E ele respondeu: ‘Pô, bicho, é por isso que eu toco com você nesse tempo todo. Por causa da música que você faz’”.

A maneira com que Lenine puxa as cordas do seu violão, de forma suingada, mais suja, com uma corda tocada solta aqui e outra acolá, faz as vezes da percussão em seu disco.

O grande trunfo e maior experimentalismo do músico em Chão é, mesmo, a inserção de elementos do seu cotidiano nas canções (veja todas com mais detalhe, no quadro ao lado). Tudo culpa de Frederico VI, um canário belga laranja intrometido: enquanto gravavam a linda Amor é Pra Quem Ama, o pássaro da mãe de Lenine assobiou uma melodia que vazou para o áudio da canção. “Naquele momento, uma falta de sorte. O Bruno me falou: ‘Vamos assumir isso!’”, conta ele, quase se levantando da cadeira, excitado com a ideia que acabou gravada. Eles assumiram os elementos orgânicos. Uma ousadia ou um novo habitat para Lenine.

* O repórter viajou a convite da gravadora Universal

‘Chão’
Lenine
Casa 9/Universal
Preço: R$ 28

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