Atores e dramaturgos mostram os talentos musicais
- 9 de janeiro de 2012 |
- 23h05 |
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PEDRO ANTUNES
O teatro e as câmeras pavimentavam um caminho profissional quase inconsciente pelo qual André Frateschi nunca teve medo de caminhar. Filho dos atores Denise del Vecchio e Celso Frateschi, ele acostumou-se a viver nas coxias, noite após noite, num ambiente adulto, mas, garante ele, incrivelmente acolhedor.
Ao mesmo tempo em que sua vida seguia o rumo da atuação, no teatro, cinema e televisão, outra semente, a musical, plantada aos10 anos de idade, brotava aos poucos.
“O teatro e da televisão vieram mais naturalmente para mim. Mas a música também surgiu. Aí, fui fazendo as duas coisas ao mesmo tempo”, diz o ator e cantor, de 36 anos. Ele está no ar de segunda a sexta-feira, como Arthur, na novela das 6 A Vida da Gente. Mas, na agitada noite paulistana, ele se apresenta no projeto Heroes, interpretando canções de David Bowie; com Cida Moreira, cantando Tom Waits; e ao lado da mulher Miranda Kassin, toca as músicas do disco Hits do Underground e presta homenagem aos mestres do soul. No fim do ano passado, ele estreou mais uma figura a ser encarnada no palco, o vocalista Thom Yorke e seu Radiohead, no projeto chamado Radiolarians.
A série de shows Profissão Ator, Cantor Por Opção, organizada pelo Sesc Consolação e que estreia amanhã, procura explorar esse universo tão conhecido por Frateschi – e por outros atores, diretores e dramaturgos que buscam nos palcos, e na música, uma nova forma de expressão artística.
“São coisas que se complementam”, diz Frateschi. O ator e cantor conta que, a cada novo personagem, seja para a telinha ou para o cinema, ele cria um CD com uma espécie de trilha sonora que condiga com as características de seu papel. “A música consegue me fazer entender e entrar no mundo do personagem. Ao mesmo tempo, a disciplina dos ensaios, eu levo para os shows e ensaios.”
A linha entre as artes é tênue. E é cruzada com frequência quase incontável. Atores hollywoodianos como Keanu Reeves, Bruce Willis e Johnny Depp já mostraram seus dotes musicais – alguns de gosto duvidoso, é bem verdade. Hugh Laurie, que dá vida ao sarcástico e roqueiro Doutor House, do seriado homônimo, por exemplo, lançou, em 2011, um CD de blues.
O ator e dramaturgo Dionísio Neto, também participante da série do Sesc com a sua banda Krepax, concorda que há semelhanças inevitáveis entre as duas artes. “Eu não tenho formação musical, sou ator e dramaturgo. O rock também é super teatral.”
O rock é também um grito de liberdade difícil de se igualar. A atriz Fernanda D’Umbra e o dramaturgo Mário Bortolotto, quando colocaram um fim em seu relacionamento, em 2007, criaram suas bandas: Fábrica de Animais e Saco de Ratos. “Eu acordei e toda a minha rotina tinha mudado”, diz Fernanda. “Resolvi fazer algo que sempre quis, que era rock’n’roll!”
Bortolotto concorda: “O rock sempre foi mais livre. Trabalhar com teatro é sempre mais cansativo. E uma coisa puxa a outra, não tem jeito. Não existe essa ideia de separar isso”. São, sim, duas formas de arte que podem caminhar juntas e seguir em uma mesma direção.
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andre frateschi, ator, cantor, fernanda d'umbra, mário bortoloto, Radiohead, Saco de Ratos
Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra lançam o CD e DVD
- 8 de janeiro de 2012 |
- 23h45 |
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Categoria: Música
ADRIANA DEL RÉ
A amizade de longa data de Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra fez estreitar ainda mais a relação musical entre eles. Livres para encaminhar seus próprios projetos, sobretudo depois que se desligaram de suas respectivas bandas – Arnaldo dos Titãs, na década de 1990, e Edgard do Ira!, em 2007 –, os dois foram se esbarrando pelos palcos (e pelos discos) da vida nas últimas duas décadas.
Em 2008, Arnaldo e Edgard, ao lado de Taciana Barros, Antonio Pinto e dos filhos do quarteto, criaram o elogiado projeto infantil Pequeno Cidadão e, com o grupo, têm cruzado o Brasil fazendo shows. Além disso, Edgard, em paralelo aos seus próprios trabalhos, voltou a gravar e excursionar com Arnaldo no mais recente disco dele, o Ao Vivo Lá Em Casa, lançado em 2010. A proximidade fez com que eles criassem ainda um show só com voz, guitarra e bumbo eletrônico, em que cantam e tocam suas parcerias.
Desse formato de show, com o qual se apresentam desde 2009, surgiu a vontade de fazer um disco de inéditas e que levasse o nome dos dois. Mergulharam em um processo de composição e, quando estavam com o repertório praticamente pronto, eis que aparece um terceiro elemento que não estava no script: o músico Toumani Diabaté, de Mali (África), e sua kora, uma espécie de harpa com 21 cordas, tradicional na África Ocidental. Dessa nova configuração, que deu origem a uma tríade, nasceu o projeto A Curva da Cintura, que inclui CD e DVD (com direito a documentário sobre os bastidores).
Antes de descrever como e onde se deu esse projeto, vale contar de que maneira Toumani atravessou o caminho da dupla brasileira. Em 2010, Arnaldo e Edgard foram convidados para dividir o palco com o instrumentista maliense no festival Back2Black, no Rio. Eles gostaram da ideia e foram pesquisar mais sobre aquele ilustre – e para eles, até então, desconhecido – convidado. “Eu não só não conhecia a música dele como não conhecia também a kora”, afirma Arnaldo. “Fui buscar material na internet para ver de que se tratava.”
Apesar de os três pertencerem a origens, sonoridades e idiomas diferentes, o entrosamento daquele encontro abriu precedentes para confabulações futuras. A troca de e-mails evoluiu para a formalização do convite para que Toumani participasse do projeto que, a princípio, só era dos dois.
O passo seguinte foi Arnaldo e Edgard viajarem até Bamako, capital do Mali, onde conviveram com o simpático Toumani e seus músicos, dentro e fora do estúdio, durante duas semanas, no ano passado. O entendimento entre o trio se deu por intermédio da língua inglesa e da música. “Como já tínhamos a maioria das canções já composta, não tinha sido um trabalho pensando na kora. Foi um trabalho urbano. Só que eles entenderam nossa música e a gente, o trabalho de composição deles”, explica Edgard. Naturalmente, Toumani contribuiu para o álbum com alguns temas, como Kaira e Rio Seco.
A Curva da Cintura testa a combinação da guitarra meio rock’n’roll de Edgard e das composições confluindo entre a poesia e a urbanidade de Arnaldo com a docilidade sonora da kora. De fato, a composição deles foi preservada, abrindo espaço apenas para uma musicalidade atípica e, por que não, inusitada a eles. Para quem quiser ouvir as músicas do disco em versão redux, sem a kora de Toumani, Arnaldo e Edgard vão continuar com a formação minimalista nos shows da dupla. Para a audição da versão original, Toumani deve participar de alguns shows aqui no Brasil neste ano.
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Fabiana Cozza, sem segredos e mistérios
- 5 de janeiro de 2012 |
- 23h01 |
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PEDRO ANTUNES
É seu terceiro disco, mas poderia soar como o primeiro. Afinal, o título do álbum com o nome do artista ou da banda costuma ser a regra para aqueles em início de carreira. Fabiana Cozza, o disco homônimo lançado recentemente, é minimalista, mas está longe de ser um (re)começo. É a reafirmação de alguém que comemora 15 anos de carreira, sempre independente.
O rosto da intérprete paulistana também é estampado na capa. “Eu queria que esse trabalho fosse algo sem segredos e mistérios”, conceitua Fabiana Cozza. Tudo neste novo trabalho inspira algo pessoal. Foi uma gestação longa, de quatro anos, que separam este do segundo disco, Quando o Céu Clarear, de 2007. E agora, como uma mãe, ela percorrerá esse repertório do novo filho no Sesc Bom Retiro, hoje, amanhã e domingo.
Como conta a cantora de 35 anos, tudo foi feito num sentimento ambíguo, numa linha tênue entre a calma e a urgência. Fabiana viveu entre a dúvida de pagar suas contas ou pagar o disco. Como uma artista independente, ela sofre de todos os prós e contras de não ter uma gravadora. “Sempre pude ser dona do meu próprio nariz.” Isso a fez trilhar o caminho que bem entendesse. “Tenho uma contabilidade muito certinha. Coisas do meu pai (Oswaldo dos Santos, de 67 anos), que trabalhou com o mercado fonográfico. Ele sempre me disse para ficar muito atenta com tudo isso.”
Mas a inevitável queda da vendagem dos CDs também afetou os independentes. Desta vez, Fabiana não encontrou parceiros para ajudá-la a bancar o disco, mesmo ele sendo aprovado pela Lei Rouanet. “Me enchi”, diz ela, rindo. O financiamento veio do dinheiro dos shows, que passaram a ser mais e mais necessários com toda a crise do mercado fonográfico.
Em contrapartida, Fabiana recebia já uma certa cobrança para que lançasse logo um novo trabalho. Uma renovação necessária, para abrir um novo capítulo na carreira. “Levando em conta o tempo que as outras pessoas levam para lançar um disco, eu estava atrasada.”
Um tributo a Edith Piaf ao lado da Orquestra Jazz Sinfônica, em 2009, foi também responsável por uma transformação na maneira de cantar de Fabiana. “Até mudei de professor de canto. Eu precisava interpretar a Piaf”, explica. Um pouco da chanson veio para o samba de Cozza. A intérprete precisou pensar mais no texto, para não se deixar levar só pelo batuque caprichado da banda.
“Durante toda a gravação do disco, o que eu mais queria era tentar não fazer quebras rítmicas e me concentrar naquilo em que eu estava cantando. O Paulão 7 Cordas (diretor e produtor musical do disco) foi ótimo nisso.” Agora, de novo em turnê e com um disco, Fabiana sorri para os dias em que acordava com tantas dúvidas sobre seu futuro financeiro.
DIVIRTA-SE
Fabiana Cozza
Sesc Bom Retiro – Teatro (291 lug.).
Al. Nothmann, 185, Bom Retiro.
Telefone: 3332-3600.
Hoje, às 20h; amanhã, às 19h; e domingo, às 18h.
Ingressos: de R$ 12 a R$ 24.
Músico do Los Hermanos escreve carta aberta a Michel Teló
- 5 de janeiro de 2012 |
- 14h47 |
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O tecladista do Los Hermanos gerou polêmica após escrever em seu blog uma carta aberta a Michel Teló nesta quarta-feira, 4. O músico ironiza no texto a repetição massiva do hit Ai Se Eu Te Pego, dizendo que a canção se apoderou de seu cérebro “tal qual o exército americano fez com o território afegão em sua cruzada antiterrorismo” e que Teló deveria passar 2012 inteiro na Europa. “Nada pessoal, é só uma precaução com o meu cérebro”, brinca.
O músico ainda compara a canção a Anna Julia, hit chiclete de sua banda, lançada em 1999, e deseja a Teló que tenha outros trabalhos que não limitem sua carreira a Ai Se Eu Te Pego.
A carta irritou muitos dos leitores do blog, que publicaram quase mil comentários no texto, e também gerou resposta da compositora de Ai Se eu Te Pego, Sharon Acioly, que defendeu a música como feita para dançar. “Gente, música é música. Tem a pra ouvir, tem a pra pular… não dá pra ir atras do trio ao som de bossa nova? (sic)”
Na manhã desta quinta-feira, 5, Bruno Medina publicou um novo texto em seu blog alegando que não entende o porquê de tanta polêmica.
“Reparem que em momento algum eu questiono as razões para o sucesso ou o próprio talento do Teló, e, se existe alguma crítica no texto, esta diz respeito a exposição excessiva da música, que pouco depende do artista”, diz. “Nem sei se é necessário reafirmar isso, mas quero deixar registrado que não tenho nada contra o Michel ou o sertanejo universitário, muito pelo contrário; torço sinceramente pelo seu sucesso no exterior”, afirma.
Michel Teló fará turnê internacional neste ano, depois de grande sucesso do hit Ai Se Eu Te Pego no continente. O Los Hermanos também sobe aos palcos em 2012, após longo período sem tocarem juntos. A turnê da banda passa por vários estados do Brasil.
O momento quando nada tem mais volta
- 5 de janeiro de 2012 |
- 11h16 |
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FELIPE BRANCO CRUZ
O novo álbum de Oswaldo Montenegro, De Passagem, o 41º da carreira, dá continuidade a uma incrível regularidade de lançamentos. Todo ano, praticamente, ele lança um projeto, numa das trajetórias mais prolíficas da MPB. O músico já compôs também musicais, peças de teatro e roteiros para o cinema. Mas sua praia mesmo é a música. O título desse novo trabalho, como explica Montenegro, resume o tema do repertório. “Embora não seja explícito, um tema parece ser recorrente nesse CD: o quanto nada volta. Quando percebi isso, achei que De Passagem, título de uma das músicas, poderia ser um bom nome para o disco.”
O álbum é aberto com o ágil baião Não Importa Por Quê, cujo videoclipe Montenegro preferiu fazer como se fosse um desenho animado. “Queria uma pureza, uma inocência que tirasse da música qualquer pretensão filosófica que a análise do início da letra sugere”, explica. “Queria torná-la leve. O traço do desenhista Marcelo Marques é quase infantil e muito bonito.”
Por outro lado, as canções que se seguem, como A Vida Quis Assim e Eu Quero Ser Feliz, remetem aos grandes sucessos do compositor, como Bandolins e Lua e Flor. Comparação que é sustentada pelo próprio músico. “Há, na minha obra, um lado mais seco, mais nordestino, mais pesado, e outro mais lírico. Ter morado em Brasília esculpiu em mim esse primeiro segmento”, diz. “A infância passada em Minas, em São João Del Rey, me forneceu o aspecto mais suave. Por esse prisma, acho que a comparação procede.”
De uma forma geral, todas as letras do disco são fortes, seguindo um estilo contestador de Montenegro forjado desde a juventude. É o que diz, por exemplo, em Não Importa Por Quê: “O sonho hippie acabou”. Embora os cabelos esvoaçantes e um certo desleixo nas roupas, além do álbum Aos Filhos dos Hippies (de 1995), possam sugerir, Montenegro não se considera um hippie. “Acho que visualmente posso parecer, mas não me sinto assim, em nenhum aspecto. Tenho por eles um carinho. Acho que foi a última vez que o ser humano acreditou que poderia mudar o mundo em conjunto.”
O fato de ter pintado toda a casa de forma psicodélica também, segundo ele, não significa que seja hippie. Nem maluco. “Acho bem engraçado. Não há nada mais normal do que pintar a própria casa do jeito que se quer. Achar isso uma coisa insana me espanta. Seria louco se eu pintasse a casa de outra pessoa.”
Montenegro preserva ainda neste novo álbum uma outra característica sua: a proximidade com o público. Algumas das canções foram apresentadas aos fãs nos shows antes de serem lançadas. O cantor também mantém em seu site uma votação online com a agenda de shows, e o público pode votar nas músicas que ele deverá tocar em cada um dos lugares. Além disso, o compositor irá premiar com R$ 30 mil, dinheiro saído do próprio bolso, segundo ele conta, o fã que fizer o melhor videoclipe para a música Quero Ser Feliz Agora.
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