Para se esbaldar na pista
- 15 de março de 2012 |
- 20h36 |
- Tweet este Post
Categoria: Baladas, Música, Show
PEDRO ANTUNES
“Killing on the dancefloor/Another killer on the dancefloor” (“Assassinando na pista de dança/ Mais um assassino na pista de dança”). Os versos da música dance-punk Street Justice, do duo canadense Mstrkraft (leia Masterkraft), lançada em 2007, martelava na cabeça do DJ paulistano Phillip Alves.
Já ao lado dos também DJs paulistanos Flavio Romão, o Fatu, e Dudu, conhecido como Ali Disco B, ele precisava de um nome para o trio. Em 2008, amigo de Jesse F. Keeler, da dupla do Canadá, Phillip perguntou, sem jeito: “Tem uma música sua que eu gosto muito. Posso usar para dar nome ao meu grupo?”. A resposta positiva veio e pronto: eles eram o Killer On The Dancefloor.
E o nome não poderia ser mais sugestivo para o grupo. Levando a música eletrônica a outras direções, do indie rock ao punk, eles começam a colher os frutos de quatro anos de trabalho com o lançamento do disco de estreia, Criminal, com dez faixas autorais, ótimas para quem gosta de se esbaldar numa pista de dança.
No início, o então trio paulistano começou a fazer remixes (selecionar uma música já feita e recriá-la com novos elementos, uma espécie de recorta e cola musical). Logo, eles começaram a ser mencionados em blogs especializados do exterior. Dois anos depois, já especialistas em “brincar” com a música alheia, resolveram “brincar” com as próprias. “Só que a partir de 2010, nossa agenda começou a ficar apertada”, diz Phillip. Foram incontáveis domingos de ressaca no estúdio, após passar a madrugada anterior tocando.
Enquanto isso, as apresentações começaram a ser mais elogiadas. No festival SWU daquele ano, foram um dos melhores da tenda eletrônica. No Rock in Rio do ano passado, foram escalados para o dia do metal, com o Metallica como principal atração, e novamente foram bem. Foi a última apresentação deles como trio. Ali Disco B deixou a banda um pouco depois. “Ele não conseguia mais conciliar a banda com o trabalho publicitário”, explica Phillip.
Ainda antes de Criminal ganhar as lojas, o KOTD (sigla com as iniciais da banda) foi escalado para esquentar o público para o atual DJ número 1 do mundo, David Guetta, num festival no Paraguai, em 2011. “As luzes se acenderam, vimos 20 mil pessoas ali, olhando pra gente. Foi demais.”
O lançamento do disco será hoje, no Bar Secreto, onde a dupla já se sente em casa. Mas eles pegaram gosto pelos grandes festivais. Nem mesmo o horário ingrato que lhes foi dado na versão brasileira do Lollapalooza (às 15h, do segundo dia, fechado pelo Arctic Monkeys) incomoda.
“Adoro festival. Subo na mesa, jogo o microfone no chão”, diz o calmo Phillip, detalhando seu estilo roqueiro no palco. “No clube, os caras querem beber, paquerar. Num festival, isso não acontece. As pessoas estão lá para ouvir música.” E, se tudo der certo, para se matar de tanto dançar.
DIVIRTA-SE
Killer On The Dancefloor.
Bar Secreto.
Festa Fry. R. Álvaro Anes, 97, Pinheiros.
Hoje, a partir das 23h. R$ 50 (mulher) e R$ 80 (homem).
Nomes na lista em www.barsecreto.com.br.
LANÇAMENTO
‘Criminal’
3Plus Music
Preço: R$ 30
Londres recebe músicos brasileiros
- 14 de março de 2012 |
- 20h57 |
- Tweet este Post
PEDRO ANTUNES
O festival Back2Black parece ter encontrado uma boa maneira para se reerguer depois da ausência em cima da hora de Prince, na edição carioca do ano passado. Numa ótima cartada, orquestrada pela diretora-geral Coonie Lopes e o músico e embaixador do projeto Gilberto Gil, o evento vai atravessar a fronteira, já em grande estilo. Entre os dias 29 de junho a 1º de julho, a cultura de raízes negras – brasileira e lusitana – terão um aconchegante canto, ao lado do Rio Tâmisa, em Londres.
Se no Rio de Janeiro, a casa do festival é a linda e central Estação Leopoldina, em Londres, a organização do evento escolheu as instalações do Old Billingsgate Market, uma construção de 1850. Como curiosidade, o local chegou a ser considerado o maior mercado de peixe do mundo. “A ideia era escolher um lugar que tivesse a mesma representatividade da estadão Leopoldina. Esse local tem um histórico de trabalho”, diz Bia Lessa, diretora de arte e cênica.
Entre os músicos confirmados, o destaque fica com os rappers, como Criolo, Marcelo D2, Emicida e a próxima aposta do hip hop nacional Flavio Renegado. O festival ainda contará com a curadoria do escritor angolano José Eduardo Agualusa nas palestras. ::
Posts Relacionados
Tópicos Relacionados
back2black, Criolo, Emicida, Flavio Renegado, Inglaterra, londres, Marcelo D2
Nação Zumbi comemora 20 anos
- 14 de março de 2012 |
- 20h52 |
- Tweet este Post
PEDRO ANTUNES
O barulho ensurdecedor dos batuques impedia qualquer um de ouvir mais que batidas frenéticas: Tum! Tum! Tum! Sozinho, num canto, um roqueiro de 20 anos debruçava-se sobre um pequeno amplificador de 15 watts de potência para tentar entender as notas que sua guitarra produzia.
Somente ele conseguia distinguir os riffs produzidos naquela tarde no Recife, em 1991, enquanto o resto era açoitado pela percussão do maracatu. “Foi ali, bicho, que consegui entender que o maracatu tinha o mesmo formato rítmico de outros gêneros musicais. Pude experimentar sequências de notas roqueiras, e elas funcionaram!”, lembra Lucio Maia. O músico se tornaria referência no instrumento e aquele saudoso dia, 21 anos atrás, seria o primeiro ensaio do que viria a ser a Nação Zumbi.
E o início da banda que lideraria o manguebeat não foi simples. Maia era convidado de outro músico, Francisco de Assis, cinco anos mais velho. Chico Science, como seria imortalizado, não era do rock, mas estava mais próximo do samba-reggae – o gênero tinha explodido no fim dos anos 80, liderado por Daniela Mercury.
Depois daquele encontro, o guitarrista percebeu que precisaria diminuir o número de percussionistas para que todos os outros instrumentos se tornassem mais audíveis naquela mistura. Chico demorou a topar aquela que parecia uma mudança de rumo da banda, mas cedeu.
“Na época, Recife era considerada a quarta pior cidade do mundo. Precisávamos de algo que aglutinasse a cultura que fazíamos lá. E o Chico era a pessoa certa para isso”, define Maia.
As comemorações, ainda que tardias, dos 20 anos de estrada (completados em 2011) têm como destaque o lançamento do CD e DVD Ao Vivo no Recife, com a apresentação histórica no Marco Zero, ponto turístico da cidade, em 2009, para 80 mil pessoas.
Em São Paulo, o grupo celebra no Sesc Pompeia, hoje à noite, amanhã e sábado, datas com todos os 2,4 mil ingressos esgotados em pouco mais de duas horas. “Fizemos shows em casas maiores, como o HSBC Brasil, Via Funchal, o antigo Palace (Citibank Hall). E sabe o que acontecia? O público enchia meia casa. O fã da Nação é fervoroso, mas não gasta muito”, diz Maia, entre risos. A agenda do Sesc não comportou mais datas.
Segundo Lucio Maia, um erro resiste ao longo dessa longa trajetória: 18 anos após o lançamento do disco de estreia, Da Lama Ao Caos, o som da banda ainda hoje em dia é categorizado como manguebeat.
“Falamos isso sempre: o manguebeat foi um movimento, com várias frentes diferentes. É só pensar em como o som do Mundo Livre S/A (outra importante banda do movimento) é completamente diferente do nosso”, diz Maia. “O que fizemos foi encontrar uma fórmula para reunir o maracatu com a guitarra e o hip hop.”
Fato é que a Nação liderou a última grande revolução da música brasileira. Uniu o maracatu ao rock pesado, com pitadas de rap. E quando todos estavam acostumados a procurar por novidades no eixo formado por Estados do Sudeste e Sul, Pernambuco despejou uma musicalidade despretensiosa, mas barulhenta e incisiva. Um mar de caranguejos desceu o País.
“Eu lembro de quando tocamos no primeiro festival Abril Pro Rock, em 1993. Tocamos para 15 pessoas, mas um pessoal da MTV estava lá e ficou boquiaberto com o som que fazíamos.”
O grupo nasceu em um movimento espontâneo e independente, mas logo no primeiro disco, Da Lama…, já contava com o suporte de uma gravadora. O álbum ao vivo, assim como o último disco de estúdio, Fome de Tudo (2007), foram lançados pela Deck. “Meu irmão, não dá pra ser completamente independente no Brasil, né? Falam muito da internet, mas fazer a distribuição é horrível.”
Para 2013, a banda planeja o oitavo disco, o sexto sem a presença de Science (morto em 1997). “Aquilo (o acidente de Chico) nos uniu ainda mais. Vieram muitos convites, projetos individuais, mas sempre voltamos.” E o maracatu se mantém atômico.
Morrissey: o verdadeiro Rei da Inglaterra
- 12 de março de 2012 |
- 21h09 |
- Tweet este Post
PEDRO ANTUNES
As lágrimas que escorriam dos rostos dos mais exaltados se confundiam com o suor que brotava de suas testas. Depois de 12 anos, Morrissey estava em São Paulo e, alvo de grande adoração, ele soube como tratar os 8 mil fãs que lotaram o Espaço das Américas, na noite de anteontem.
Como em Everyday is Like Sunday, uma das melhores e mais angustiantes canções da carreira solo do músico e poeta, executada no meio do show. O domingo paulistano era cinza e chuvoso. Clima convidativo para assistir ao mito de Manchester, que, com voz aveludada e pouco convencional, acertou em cheio ao cantar sobre as inseguranças e medos adolescentes de modo intenso. Com o The Smiths, apesar do pouco tempo de banda, de 1982 a 1988, Morrissey tornou-se a voz de uma geração introspectiva. Com uma produtiva carreira sozinho, ele continuou relevante.
Algo visível no último domingo. Nem o temporal do meio da tarde, ou a garoa insistente (tipicamente inglês) que seguiu até o fim da noite, impediu que a casa estivesse cheia quando Morrissey subiu ao palco, às 21h05. O diálogo entre duas chorosas guitarras, que culminou com entrada da banda, foi como uma fagulha em dinamite. First of The Gang to Die, de 2004, canção que tem aberto a turnê latino-americana, é o resumo do melhor do que Morrissey tem como compositor: conta a história de Hector, membro de uma gangue juvenil, o primeiro a pegar uma arma, a ir para a cadeia e morrer.
Mas, por trás disso, o discurso traz questões como o fim da infância e, com ela, a inocência perdida, a descoberta do amor e a fragilidade da vida. Tópicos que assombram a alma de Morrissey e são expelidos como canções.
Vestindo uma bata amarela com poucos botões fechados (ele ainda trocou de roupa outras três vezes), Morrissey apresenta sinais da idade. O cabelo, todo grisalho, já não tem o volume de outrora. Contudo, sua voz ainda mantém o timbre aveludado.
Mas o músico merecia mais do que o Espaço das Américas. Com problemas seriíssimos no som do lado esquerdo do palco, era difícil diferenciar guitarras e teclados em muitos momentos. Já o som da bateria, por vezes, sobrepujava a própria voz do músico. E o mais belo momento da noite, com uma versão em voz e violão de Please, Please, Please Let Me Get What I Want, do The Smiths, foi atrapalhado por um chiado que incomodou até Morrissey. Uma pena.
A estrutura do local também deixou a desejar em outros pontos importantes. Muito baixo, o palco era difícil de ser enxergado por quem não estava na enorme pista premium. E, para piorar, os dois telões posicionados dos dois lados do palco não funcionaram – apesar das tentativas da equipe técnica em arrumá-los.
Com uma plateia que já estava ganha antes mesmo de começar, Morrissey nem precisou se esforçar muito. Despejou a elegância de forma homeopática. Aos poucos, conversou com o público paulistano: “Obrigada” e “Gracias”, disse ele, mostrando boa vontade com o idioma que não domina.
O inglês pareceu ter se surpreendido ao ouvir suas músicas cantadas pelo público paulista. “Agora que vocês me encontraram, como vão me deixar ir?”, disse ele, nada modesto. Em dado momento, ele até rasgou sua camisa, empolgado com a vibração do show. You Have Killed Me, Black Cloud, When Last I Spoke To Carol e Alma Matters, todas da carreira solo, mostraram um músico disposto a viver o presente.
Mas o que a plateia queria eram as canções da fase com The Smiths e ficou com Still Ill, a apoteótica e vegetariana Meat Is Murder, a romântica There Is A Light That Never Goes Out e uma roqueira How Soon Is Now?. Ao fim de 1h30 de show, Morrissey saiu suado, assim como o público. O rei e seus súditos satisfeitos, embora merecessem um lugar melhor para esse reencontro.
A trajetória dos grandes homens do metal
- 9 de março de 2012 |
- 23h01 |
- Tweet este Post
Categoria: Música
A metamorfose do Metallica, de banda revolucionária, seminal para o desenvolvimento do trash metal, ao status de supergrupo com milhões de discos vendidos é o foco do veterano jornalista Mick Wall, no livro Metallica – A Biografia, cuja tradução chega às lojas do País hoje.
Trata-se do ângulo mais lógico a ser tomado na narrativa de uma banda que estabeleceu sua reputação a ferro e fogo nos anos 80, lançando discos reverenciados pelo alto nível de musicalidade, e não parou de buscar a consagração popular, simplificando sua música e transformando-a em espetáculo, a ponto de alcançar um patamar semelhante ao do U2 no universo pop.
Por isso, Wall, uma das estrelas da então influente revista de rock Kerrang! nos anos 80, e acompanhou de perto o desenvolvimento da banda, inicia o livro com a descrição de um acidente de ônibus na Suécia, em 1986, que tomou a vida do baixista Cliff Burton.
A banda fazia a turnê de Master of Puppets, disco considerado a obra-prima do Metallica, e na visão de Wall, Burton era, tragicamente, a figura que impedia a banda de dar voos mais altos em termos de popularidade, pois pouco se importava com o hype que a banda angariava dos dois lados do Atlântico, e suas opiniões eram recebidas com respeito pelos membros da banda.
Com a partida de Burton, em um acidente de tons proféticos (o baixista havia tirado a sorte, na mesma noite, para ver quem ficaria com a melhor cama do ônibus. Ganhou, escolheu a que James Hetfield queria, e ficou preso embaixo do veículo, que capotou diversas vezes), o Metallica ficou mais livre para jogar o jogo pop, o que culminou no disco Metallica (ou o “disco preto”), de 1991, emplacado em primeiro lugar na Billboard para transformar o Metallica no que é hoje.
Ulrich, arquiteto do Metallica
Para Wall, o arquiteto desta marca Metallica senta atrás dos tambores. E a leitura sobre a formação de Lars Ulrich, de filho único de privilegiada família dinamarquesa a mito do heavy metal é um dos nacos didáticos interessantes deste livro para iniciantes no folclore da banda.
Destoa da enciclopédica sabedoria sobre os mecanismos do show biz (discos vendidos, o necessário para aparecer na MTV, etc…) ostentada por Wall. De acordo com a obra, Ulrich foi o responsável por colocar a banda na capa da Kerrang! Tomou decisões drásticas, como não fazer um videoclipe na época em que isto era o que se esperava de uma banda de rock, e assim chamou mais atenção para o Metallica.
Foi Ulrich quem decidiu assinar com o produtor Bob Rock, mentor de bandas pop, como Aerosmith, Bon Jovi e Skid Row (jogada que acabou no disco de 1991). Mesmo assim, conta Wall, na época em que Dave Mustaine, que sairia da banda para formar o Megadeth, fazia a dupla de guitarras do Metallica com James Hetfield, os dois quiseram demitir o baterista inúmeras vezes. Na turnê de Master of Puppets, por exemplo, um assunto em pauta.
Como explica na entrevista abaixo, Wall é conhecido próximo de Lars Ulrich, o que, em primeira instância, não ofusca seu jornalismo, pois não há bajulação aberta. Mas sua visão de Ulrich como o protagonista da ascensão popular do Metallica, embora confirmada pelos outros membros da banda, não deixa de ser influenciada pela visão de business do rock.
Onde seu jornalismo fica entediante, e chega a níveis questionáveis, é no início de cada capítulo, em que reconta em detalhes excessos cometidos na época em que era próximo da banda. Em uma das vinhetas, Wall está cheirando cocaína com um amigo antes de ir ouvir a mixagem de Master of Puppets.
A narrativa não se beneficia disto; parece constantemente tentar inserir sua persona na história da banda em uma forma de fanatismo velado. O ápice da tietagem vem em uma questionável descrição de uma entrevista com Ulrich, em 2008, logo após o início da crise econômica.
Na ocasião, Wall se compara a Ulrich: “Éramos figuras eminentes em nossas áreas, jogando conversa fora e sendo bem pagos por isso enquanto o resto do mundo enfrentava um inferno”, escreve ele.
Embora o resto da história seja didática e deixe os fatos falarem pela banda, as aventuras de Mick Wall e o Metallica minam o interesse do leitor. Melhor é quando Wall conta as histórias do início da banda, como a da formação do nome Metallica, que passou por diversas encarnações nas cabeças de Lars e James, de Black Lightning e Black Vette, a Metal Mania.
Wall poderia ter incluído a história de como o riff de Enter Sandman, talvez o mais famoso da banda, foi composto por Kirk Hammet de madrugada, esquecido e desenterrado para virar a peça central do disco Metallica. Mas na descrição do disco, prefere ater-se às letras e ao frenesi das vendas.
Roberto Nascimento
- : ‘Chegar aos 40 é o auge. Quero mantê-lo por 20 anos’ http://t.co/twh5FLR0 1 day ago
- : O nova força dos Cavaleiros do Zodíaco http://t.co/qfYzTmxS 1 day ago
- : Diretor austríaco ganha sua segunda Palma de Ouro http://t.co/eimwl9Og 1 day ago
- : Domingão do Rafinha http://t.co/c7nUoQ6a 2 days ago
- : Wagner Moura assume lugar de Renato Russo http://t.co/xTnLMnt5 3 days ago
- More updates...
Posting tweet...
Powered by Twitter Tools


RSS