Estado.com.br
Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014
Variedades
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

A volta da marmita

Categoria: Gastronomia

MARCELA RODRIGUES SILVA

Recentemente, a top brasileira e uma das angels da Victoria’s Secret, Adriana Lima, de 30 anos, foi flagrada ao levar uma marmita com frango e salada a um restaurante sofisticado de Miami, nos Estados Unidos. As críticas forraram as redes sociais e levantaram a discussão: afinal, marmita não é coisa de peão? Não mais. Assim como Adriana, outras famosas vêm escancarando o hábito de levar a própria comida para onde quer que vá e, por tabela – quem diria – conferindo ao “marmitex” status de objeto cool.

A cantora Claudia Leitte, de 31, já publicou três vezes, via Twitter, fotos dela devorando o almoço em potinhos diversos. A atriz Juliana Paes, de 33, e a apresentadora Ticiane Pinheiro, de 35, fizeram o mesmo. A antiga prática entre a classe trabalhadora também vem sendo apontada como segredo de dieta pela apresentadora Ana Hickmann, de 31, e pelas atrizes Giovanna Ewbank, de 25, Claudia Raia, de 45, e Christiane Torloni, de 55.

Adepta do hábito há mais de dez anos, a modelo e apresentadora do programa na web Clic TV Solange Frazão é a prova do que carregar a própria refeição pode fazer pela rotina de uma pessoa. “Se eu continuasse a comer em qualquer lugar, sem horário, meu corpo iria sofrer consequências”, afirma Solange. O resultado? “É o que sou hoje”, diz a dona de um corpo escultural e saúde perfeita, aos 48 anos.

Solange nunca teve vergonha da mania saudável e se o alarme, programado para lembrá-la de comer a cada três horas, toca, ela para tudo e saca da sacola térmica a marmita do almoço ou lanchinhos extras. “Pode ser no avião ou durante reuniões. Mas com elegância para não chocar, claro. Levo a marmita, sempre com divisórias e talheres descartáveis”, ensina a bela.

Economia
As famosas dão um empurrãozinho para que o utensílio volte à moda como estratégia de boa forma, mas quem aderir vai ganhar também em economia. Segundo o Instituto Data Popular, os brasileiros gastam hoje mais que o dobro do que gastavam há nove anos para comer fora.

A relações públicas paulistana Patrícia Marques, de 23 anos, leva marmita para o trabalho há quase quatro anos. Ela trabalha no Itaim, região nobre da capital. “Aqui, almoçar custa mais de R$ 25.” Agora, gasta menos e senti-se melhor. “Comecei pela saúde, já que passava mal por nunca saber a procedência dos alimentos que comia na rua.” O nutricionista
André Pellegrini, do Centro de Bem-Estar Levitas, confirma: “O custo chega a ser de 50% a 75% menor do que comer uma alimentação balanceada na rua (buffet).”

Um bom negócio
Há 1 ano e meio, a paulistana Fernanda Canto, de 37 anos, estava acima do peso. A indicação médica foi clara: uma dieta sem qualquer adição de gordura. Impossível para quem, longe de casa, almoçava em restaurantes que vendem comida por quilo. A solução foi preparar o almoço em casa e levá-lo, mesmo que de forma improvisada, em um potinho de plástico. Mas, como ela é cuidadosa com o sabor, a aparência e o aroma, a refeição fez sucesso.

“A minha chefe pediu uma igual, não tive como recusar. Então, fiz com todo capricho e as colegas de trabalho começaram a pedir também”, conta Fernanda que, em seis meses, colocou a saúde em dia e conquistou uma clientela fiel ao abrir a empresa Danada da Nanda Comidinhas, que hoje faz entregas de marmitas tradicionais por toda a capital paulista, a R$ 12.

Para a empresária, o sucesso aconteceu por suprir uma necessidade da rotina de quem trabalha fora. “Continuei com o conceito zero adição de gordura e mantive o gosto de comida caseira. Mudo o cardápio a cada semana e uso uma marmita descartável com repartições”, conta.

De olho na higiene
Apesar de ser uma prática saudável e econômica, deve se levar em consideração algumas regrinhas básicas. Afinal, levar a comida até o ambiente de trabalho pode criar situações pouco práticas e até constrangedoras. O cheiro liberado por alguns alimentos que infestam o ambiente e a má aparência da comida misturada são alguns exemplos. Ainda há a preocupação de transportar a marmita com segurança e armazená-la com higiene.

Para isso não acontecer, a empresária Fernanda Canto dá dicas. “Evitem colocar muito alho, peixes fritos e outros alimentos que tenham odores fortes. E, para a aparência, comprem marmitas de plástico com divisão, assim fica tudo separadinho.”

Já para garantir a higiene e o bom armazenamento, tenha alguns cuidados ainda em casa. “Se for preparar a marmita horas antes, os alimentos devem sempre ser colocados na geladeira o mais rápido possível. Garanta que a vasilha foi bem lavada. Se não tiver a sacola térmica, deixe a comida no freezer para ser transportada, numa temperatura segura”, explica o nutricionista André Pellegrini.

Segundo Pellegrini, a marmita é a alternativa mais prática e eficaz para quem busca uma alimentação condizente com as orientações de um nutricionista. “Nela, carregamos alimentos que conhecemos a origem e a forma de preparo.” São estas vantagens que a empresária Cristina Chamma, de 45 anos, viu como estratégia para evitar que a filha Rebeca, de 9, comesse frituras e alimentos calóricos na cantina da escola. “Na lancheira, colocamos biscoitinhos integrais, sanduíches naturais e sucos sem conservantes, além de mini cenourinhas. Fico tranquila”, diz Cristina.

Rebeca não é proibida de comer na cantina, mas já acostumou-se com a rotina de alimentação saudável. Autora do livro Na Cozinha da Rebeca, a menina agora tenta convencer as amigas a fazer o mesmo. “Não é fácil, mas, às vezes, elas bem que beliscam meu lanche feito em casa.”

Gente da Cidade: Rebeca Chamma

Categoria: Comportamento, Gastronomia, Lazer

Aos 9 anos, a paulistana Rebeca Chamma faz sucesso como chef mirim.
Adepta da culinária saudável e saborosa, seu livro de receitas concorre até a um prêmio internacional

Marcela Rodrigues Silva

A paulistana Rebeca Chamma tem só 9 anos, mas é a estrela da cozinha e, certamente, umas da mais jovens defensoras da gastronomia saudável. Foi em casa, na companhia do pai que, aos 4 anos, ela pegou gosto pelas panelas. Hoje, com um argumento nada infantil, Rebeca dissemina a ideia de que comida saudável pode ser gostosa. Mas, vez ou outra, confessa: não resiste a um docinho fora de hora. “Sou uma criança normal”, justifica.

As peripécias da chef mirim foram parar no livro Na Cozinha da Rebeca – Aventuras Culinárias Para Crianças Extraordinárias (Editora Alaúde), o único selecionado no Brasil para concorrer na categoria Children and Family do prêmio internacional Gourmand World Cookbook Awards, principal premiação de livros de culinária do mundo, que será realizada no dia 6 de março, em Paris.

E, claro, ela quer ser chef quando crescer. Mas as aulas de jazz e de canto já deram novas ideias a Rebeca, que também pensa em ser atriz e cantora. Impossível? Não para a alma irrequieta dessa menina.

Como você descobriu que cozinhar era legal?
Meu pai tinha restaurante e sempre cozinhou em casa. Eu ficava olhando e ele me deixava ajudar. Mas, claro, sem facas e longe do fogão.

Que tipo de comida você mais gosta de cozinhar?
Charuto de repolho! Adoro fazer e comer!

E o que você não gosta de comer?
Pimenta! É ruim!

Mas, no livro, você ensina receitas saudáveis. Gosta mesmo de frutas e legumes?
Adoro. Mas precisa ser saudável e gostoso. Se eu fizer uma receita e não ficar gostosa, faço de novo até ficar bom.

Você inventa as receitas? As que estão no livro são suas?
Na verdade, as receitas do livro são minhas, dos meus pais, de uma nutricionista e uma chef. Mas criação minha, mesmo, é o sanduba da Rebeca.

Como surgiu a ideia do livro?
A editora entrou em contato com meus pais por causa dos meus vídeos no YouTube. O convite veio daí. Foi bem legal.

Você também faz vídeo para o YouTube?
Lá, tem vídeos desde quando eu tinha 4 anos.

Você planeja ser chef de cozinha quando crescer?
Quero ter vários restaurantes.

Tem algum chef preferido?
O (britânico) Jamie Oliver.

Você faz aulas de canto e jazz. Também quer ser artista?
Sim. Quero ser cantora e atriz. Eu adoro cantar.

E você canta cozinhando? Se sim, o quê?
Canto da cozinha ao chuveiro. Mas eu adoro ligar o rádio e ouvir de tudo. Adoro pop!

Mas não vai ser muita coisa para você fazer?
Não, é fácil. Muito é só o infinito.

Quando não está cozinhando ou estudando, o que faz?
Eu brinco. Adoro sair para passear na cidade, ir ao parque, no cinema e, claro, brincar de panelinha.

Você não para de cozinhar!
Ah, eu gosto. Mas, brincando, eu não cozinho de verdade!

Se pudesse dar um conselho sobre comida às crianças, qual seria?
O meu recado é para elas experimentarem de tudo e não fazerem cara feia para uma coisa sem terem experimentado antes. Tem gente, por exemplo, que nunca comeu cenoura e faz cara feia só porque é comida de coelho. Eu adoro!

Virada bem longe do fogão

Categoria: Gastronomia

MAIARA CAMARGO

Com tantos restaurantes espalhados pela cidade, o réveillon é uma boa oportunidade para passar longe da cozinha, sair para comer e dar um tempo com as panelas. Há opções para quem prefere escolher na hora e também para aqueles que querem ceia com organização e fartura, do tipo ‘all inclusive’ (tudo incluso na conta, paga adiantada).

Para garantir o lugar e não passar estresse à toa, verifique a necessidade de reserva e como a casa funciona. No restaurante italiano Bucatini, por exemplo, os clientes serão acomodados de acordo com a ordem de chegada.

Quem quer festa com samba tem na Casa da Fazenda do Morumbi uma boa opção. Para os requintados, o tradicional Terraço Itália capricha no luxo. Se a ideia é conhecer uma nova culinária, os pratos espanhóis do Eñe podem surpreender. Escolha seu restaurante, e espere a contagem regressiva muito satisfeito.

Ceia com sambão e clima de carnaval antecipado
Com sistema ‘all inclusive’, a festa da Casa da Fazenda do Morumbi vai de 21h às 4h. Haverá show do sambista Thobias, da Vai-Vai. Para entrar no clima, os presentes ganham óculos, máscaras e plumas. O cardápio terá filé mignon, ravióli de cordeiro, maionese de lagosta, cuscuz de camarão, entre outros.
DIVIRTA-SE
Casa da Fazenda do Morumbi
Av. Morumbi, 5.594. tel.3742-2810.
Preço: de R$ 500 a R$ 800
(conforme disposição das mesas).

Com gostinho de mar
Com foco em frutos do mar, o Amadeus preparou 10 opções de entradas, três pratos principais, sobremesas e bebidas. Entre as entradas, saladinha de lentilhas com lulas (foto) e ceviche de pescador. Lagosta, massa fresca com camarões brancos e lombo de bacalhau são os pratos principais. Entre as sobremesas, mousse de cacau e brigadeiro.
DIVIRTA-SE
Amadeus. Rua Haddock Lobo, 807.
tel. 3061-2859. Preço: R$ 440 por pessoa.

Para sair do regime
O restaurante italiano Bucatini preparou seleção de 12 pratos, todos para duas pessoas, para a ceia de ano novo. Ao som de música ao vivo e piano, a ceia inclui pernil crostado à pururuca, peito de peru à Bucatini, ravioloni de carne seca com abóbora, agneloti a la creme e bacalhau ao forno (foto).
DIVIRTA-SE
Bucatini. R. Abílio Soares, 904. Tel. 3887-5769. Não aceita reserva. Preço: de acordo com o pedido (pratos principais para duas pessoas a partir de R$ 101).

Réveillon à espanhola

Especializado em gastronomia espanhola, o Eñe preparou um menu especial para o jantar do dia 31. O menu inclui tartar de atum (foto), creme frio de queijo branco com jamón bovino, lagosta com verduras, cordeiro com legumes, torta de maçã, além das tradicionais uvas para trazer sorte. Bebidas e serviço serão cobrados separadamente.
DIVIRTA-SE
Eñe. R. Doutor Mario Ferraz, 213.
Tel.3816 – 4333. Preço: R$ 240 por pessoa.

Uma noite requintada
Além da bela vista da cidade, o tradicional Terraço Itália oferece dois menus e música ao vivo em suas salas para quem quer esbanjar na virada. No menu degustação, será servido foie gras trufado e calda de lagosta com tortelloni de burrata. Já o buffet terá frutos do mar, especiarias e aves. Todas as opções de ceia contam com bebidas inclusas.
DIVIRTA-SE
Terraço Itália. Av. Ipiranga, 344 – 41° e 42° andar.
Tel.2189-2929. Preço: de R$ 1.056 até R$ 1.320 por pessoa.

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tópicos Relacionados

Descubra espaços que servem comidas tamanho-família

Categoria: Gastronomia

PEDRO MARQUES
João e Maria foram a um badalado restaurante de São Paulo. Depois de olharem o cardápio, João se decidiu por um apetitoso filé à la beurre blanc com asparges et champignons. Já Maria pediu um simpático sole meuniére com legumes da estação sautée. Depois de alguns minutos, os pratos chegam – mas João e Maria não entendem o que aconteceu: por acaso, os garçons trouxeram o couvert ou essa é a comida das crianças da mesa ao lado? Com fome, saem do restaurante e param, aliviados, numa barraquinha de cachorro-quente, que fica aberta até tarde da noite.

Apesar de exagerada, a cena descrita acima está longe de improvável. Afinal, quem nunca se sentiu decepcionado com o prato escolhido na hora de almoçar ou jantar fora? Por sorte, estamos em São Paulo, cidade que tem opções para todos os gostos, bolsos e, nesse caso, apetites. A lista de lugares que vende “comidonas” inclui trailers de salgados, lanchonetes, cantinas e filiais brasileiras de restaurantes americanos.

Nesses lugares, você vai poder se fartar (ou seria enfartar?) com pasteis de quase um metro de comprimento, quibes que pesam mais de 600g, um beirute de quase 1 kg, hambúrgueres de 550g (sem as fritas!) e costelinhas (inhas?) de porco que mal cabem na travessa de tão grandes que são. Pule o café da manhã ou o almoço e deixe o estômago bem vazio para dar conta dessas comidas tamanho-família.

24 anos de grandeza
Um desavisado que passar por volta das 17h defronte à Kombi azul estacionada em frente à Igreja Nossa Senhora do Loreto, na Vila Medeiros, vai ficar cansado de tanto ouvir frases como “Su, tem pastel do quê?”; “Su, ainda tem quibe?”; “Su, a coxinha já acabou?” e muitas outras que começam com “Su”. Só quem parece não se incomodar de ouvir tantas vezes essas frases é a pasteleira Sueli Oshiro Ferreira, que há 24 anos vende seus pasteis e salgados “de Itu” na Avenida Nossa Senhora do Loreto.

Ela e o marido, Antonio Ferreira Filho, mais conhecido como Ceará, começaram o negócio pouco depois de se casarem. Ela já era pasteleira; ele, metalúrgico, mas deixou o emprego fixo para trabalhar com a mulher. “Saí do Ceará para virar o rei do quibe em São Paulo”, faz graça o pasteleiro.

Desde então, o casal acorda bem cedinho, por volta das 4h da manhã, para fazer os quitutes gigantes que vão ser fritos, um por um, no fim da tarde. “É tudo sempre fresquinho, fazemos tudo no dia”, garante Sueli, que não revela quantos pasteis, quibes, coxinhas e bolinhos de queijo e carne faz e vende por dia.

Dá para perceber, porém, que são muitos. Antes mesmo dela e o marido estacionarem a Kombi, já há um pequeno grupo de pessoas esperando pela chegada do casal. “É que acaba tudo rápido”, explica ela. Pudera: o pastel especial custa apenas R$ 5 e tem quase um metro de comprimento. É tão grande e pesado que precisa ser segurado com as duas mãos, para não quebrar e deixar escorrer o recheio, que leva um pouco de tudo: frango, queijo, presunto, carne, ovo… O quibe é outro item do cardápio que custa míseros R$ 5 e pode, sozinho, alimentar duas pessoas. “Ele pesa, mais ou menos, 600g”, diz Ceará, responsável por fritar os salgadões.

Sueli conta que o que acaba mais rápido são os quibes, as coxinhas e os bolinhos, feitos em quantidades menores que os pasteis. “Os bolinhos desaparecem. Se deixar o povo só come isso”, brinca a pasteleira. E assim que os salgadões acabam, o povo em torno da Kombi começa a atacar os pasteis de carne, queijo, pizza, bauru, milho, frango com catupiry e calabresa – sendo que cada um é do tamanho de um pastel especial, desses que a gente encontra nas feiras.

Sempre simpática, Sueli não anota nenhum dos pedidos de quem chega por ali. Coisa de quem está junto há muito tempo, a dupla trabalha em perfeita harmonia: ela vai cantando os pedidos, o marido frita e põe os salgados para escorrer, e ela embrulha tudo, cobra e entrega as comidonas para os fregueses.

Apesar do sucesso e do tempo de estrada, o casal diz não pensar em deixar a Kombi para abrir uma pastelaria ou se arriscar em outro ponto de São Paulo. “A gente está aqui faz tanto tempo, já tem nossa clientela”, diz Sueli. O Ceará concorda. “Aqui, a gente não tem freguês, nós temos amigos mesmo. Fica difícil sair daqui.” Ou seja, para provar os pasteis e outros salgados, só indo mesmo até o número 914 da Avenida Nossa Senhora do Loreto. E chegue cedo, porque senão vai ficar sem nada.

Desafio ao beirute
Quem já assistiu ao seriado Man VS. Food (exibido no canal Travel & Living) conhece bem esse esquema: o camarada vai a um restaurante/lanchonete/biboca e precisa vencer o desafio da casa, que pode ser tanto comer uma porção gigantesca, um prato mega apimentado ou detonar uma grande quantidade de doces.

Por aqui, quem quiser brincar de Man VS. Food vai precisar de muita fome e mais outro tanto de coragem para bater o adversário da lanchonete Toninho & Freitas: o beirute à moda. “Cada lanche tem, mais ou menos, um 1 kg”, conta Gilvan Paulo de Moura, um dos sócios da casa. “Só de carne vão de 350g a 400g de filé.” Além disso, o sanduíche leva presunto, queijo, bacon, alface, tomate, ovo, maionese, tudo dentro de um pão sírio. Aí, você vai pensar: “Isso eu tiro de letra!”. Vai pensando… No desafio, você tem de comer dois lanches. Sozinho. E ainda tomar um milk-shake, só para rebater.

Curiosamente, ninguém conseguiu vencer esse desafio até agora. “Tem bastante gente que come um (beirute) sozinho. O cara que mais chegou perto foi um japonês bem grande, que comeu um sanduíche e tomou dois milk-shakes, mas isso já faz uns seis anos”, afirma Gilvan. “Na maioria das vezes, sempre falta alguma coisinha, um pedaço, o milk-shake, e a pessoa desiste.”

Quem perde o desafio tem de encarar não só a gozação dos outros, mas a conta dolorosa: cada beirute à moda sai por R$ 40, mais o milk-shake, a R$ 19. Se por acaso você ganhar, fique tranquilo: além de não pagar a conta, o Incor está pertinho, ali do outro lado da Avenida Dr. Arnaldo.

Gigantes do norte
Quando se pensa em comida grande, a gente lembra quase na hora dos Estados Unidos. O país é conhecido por seus baldes de frango frito, porções enormes de batata frita e, claro, os hambúrgueres. Uma rede de restaurantes que representa bem a fartura americana é o Applebee’s, que tem quatro lojas em São Paulo.

A maioria dos pratos é bem servido, mas o Big Apple Burger se destaca: são dois hambúrgueres de 200g, queijo cheddar, quatro fatias de bacon, alface, tomate, cebola roxa, picles e molho cremoso da casa. No total, pesa 500g, sem contar as batatinhas fritas que acompanham o lanche.

“Quem mais pede o Big Apple é o público jovem”, diz Eduardo de Simoni Junior, gerente de operações do Applebee’s em São Paulo. “Tanto que ele nem sai muito na hora do almoço. Quem pede mais são adolescentes.”A rede não promove desafios de comida, conta Simoni Junior, mas isso não impede que grupos façam suas apostas. “Uma vez, fizeram uma brincadeira para ver quem conseguia comer mais e uma pessoa comeu dois Big Apple. A pessoa estava bem preparada, porque é grande o lanche”, lembra ele.

Na rede Outback (que, embora use decorações e nomes australianos, é uma rede de restaurantes dos Estados Unidos), o carro-chefe é a costelinha de porco, conhecida como Ribs on the Barbie. O restaurante não revela quanto elas pesam e guarda a receita a sete chaves. “Não falamos o peso, pois pode variar de acordo com o animal, mas servimos uma costela de porco inteira”, explica Eduardo de Godoy Moreira, dono da loja localizada no Shopping Eldorado.

De qualquer forma, uma das costelas de porco pesa, pelo menos, 800g. “Em geral, as pessoas dividem. Mas tem muito jovem que come uma inteira e não deixa nada para trás. E tem um senhor bem forte que vem aqui desde que a loja abriu e come, sozinho, umas três Ribs on the Barbie!”, diz ele. E aí, vai encarar essa também?  ::

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tópicos Relacionados

Confeiteiras de uma nota só

Categoria: Comportamento, Gastronomia

 

 

 Doceiras investem na venda de apenas um tipo de doce e são um verdadeiro hit. Em comum, além da devoção, elas têm um segredo para o sucesso: uma ligação afetiva com as suas criações

POR MARCELA RODRIGUES SILVA

Um passeio pela Rua dos Pinheiros, zona oeste da capital, especialmente perto do número 282, é uma experiência que desperta os sentidos. Um aroma doce atinge a calçada antes mesmo que os olhos sejam atraídos pela vitrine multicolorida de balas e pirulitos, infalível aos pequenos. Atravessar a porta é entrar numa verdadeira fantástica fábrica. De balinhas. E elas estão em todos os lugares, de todos os sabores e formatos, tão lustrosas quanto apetitosas.

O mesmo acontece numa casa bem ajeitadinha da Rua Capote Valente, não longe dali. O cheiro de brigadeiro quente vindo da panela desperta não só o apetite, mas lembranças genuínas de comilanças da infância. O local, porém, é point de adultos, que personalizam suas versões do tradicional docinho de festa de criança, imersos na linha de produção especializada nele. É uma ode ao brigadeiro.

As lojas de um produto só são hoje um hit do roteiro gastronômico da capital e têm nos doces sua faceta mais difundida: brigaderia, cupcakeria… Em comum, difundem também o conceito comfort food;, a comida que desperta sensações agradáveis e evoca prazer e bem-estar a quem se entrega às degustações.

Por trás desses empreendimentos minuciosos, há historias de amor de empresárias que são também as donas da cozinha, e fizeram de suas guloseimas preferidas – segure a inveja – o ganha pão. Cada uma produz artesanalmente seu docinho, além de receber e encantar os clientes. “Parece modismo, mas o comfort food já é um reflexo comportamental. Depois da época do fast food, da comida rápida, as pessoas hoje buscam serviço personalizado e sensações, histórias”, diz Marcelo Traldi, professor de gastronomia do Senac.

Seguimos o delicioso rastro de alguns desses aromas que fazem sucesso na cidade e chegamos às histórias de cinco mulheres que investiram no comfort  food, antes mesmo de saber que esse era o nome de seu investimento. Sortudas, elas têm a chance de provar seu doce preferido todos os dias. E, pasme: de tão apaixonadas, garantem que jamais enjoam.

(Cátia Farias e seus benditos quindins Foto: Leonardo Soares)

BENDITO QUINDIN A receita de quindins de Cátia Farias, de 46 anos, é herança de família. O doce era aquela sobremesa que ela fazia aos fins de semanas ou nas festinhas dos filhos Lucas e Cauê, hoje com 20 e 22 anos, ou ainda quando recebia visitas. Era sucesso na certa. Mas só.  Até que, há uns três anos, Cátia e o marido passaram por uma dura crise financeira e perderam emprego, negócio e apartamento. Os filhos trancaram a faculdade. Cátia, para ajudar na casa, começou a vender esfihas na loja de uma amiga. À época, veio de Cauê a ideia de investir no valioso quindim. “Eu não tinha nada a perder”, relembra ela, que começou a fazer o doce por encomenda. Somente nesse ano, em julho, a família quitou as dívidas e abriu o Bendito Quindim – nome que dispensa explicação.

O doce tornou-se protagonista na história da família e hoje é hit no bairro do Tatuapé, zona leste, endereço da lojinha de 17 metros quadrados. “Eu faço os quindins em casa mesmo, de maneira artesanal. Os meninos e meu marido cuidam dos negócios”, diz Cátia. No começo do mês, ela ganhou uma ajuda da apresentadora Ana Maria Braga, da Globo. “Um amigo nosso falou de mim para a produção.”

No dia 6 de outubro, Ana Maria deu seu aval ao quindim de Cátia e afirmou, em rede nacional, que aquele era o melhor que tinha provado na vida. “A história é boa, o produto também. A sensação é que estou comendo uma coisa especial”, disse a apresentadora. No outro dia, uma fila se formou em frente à loja. “As pessoas iam chegando e falando que adoraram a ideia de comprar um quindim de qualidade, sem gosto de ovo”, conta, emocionada. Hoje, Cátia faz sozinha mais de mil quindins por dia. “Faço da mesma maneira que tanto fiz para meus filhos. Com o mesmo carinho.” Para cativar os clientes, no entanto, deu suas inventadas, e criou quindim de maracujá, café, abacaxi e chocolate. 
 Bendito Quindim (Rua Demétrio Ribeiro, 605, Tatuapé. 11- 3805-8430)

FANTÁSTICA FÁBRICA DE BALAS COLORIDAS

Mariana Charf, de 25 anos, sempre foi louca por guloseimas. Quando adulta, foi estudar arquitetura, mas continuava vendo nos doces uma ligação bonita e forte com sua infância. Em 2009, em uma viagem de férias com a família para Nova York (EUA), deparou-se com uma vitrine que a transportou a lembranças do passado. “Fiquei apaixonada quando vi aquela loja multicolorida.”

 De volta a São Paulo, Mariana largou o diploma e decidiu a abrir a primeira filial brasileira da Papabubble Caramels Artesans. Convidou uma amiga e, em novembro do ano passado, abriu em Pinheiros uma loja que tem mais de 40 sabores de balas, entre cereja, mel, caipirinha e limão siciliano, e desenhos personalizados que vão de coraçãozinho a nomes. O cheiro doce que chega à calçada é um novo convite, agora aos outros, a entrar em sua fantástica fábrica de balas coloridas. “As pessoas entram pela curiosidade e, quando veem como é a bala, querem levar para filhos e até amigos adultos. E sempre voltam”, orgulha-se Mariana. Embora tenha status de rede – criada em 2004 em Barcelona e espalhada pelo mundo –, a loja fabrica uma bala totalmente artesanal. É a própria Mariana quem comanda a cozinha, de segunda a sábado, separada da loja apenas por uma mureta de vidro.

A proximidade, aliás, deixa tudo mais saboroso. Depois de escolher o sabor, o cliente é convidado a acompanhar todo o processo de fabricação. Uma mistura de água, açúcar, glicose e essências vai ao fogo e se transforma numa grossa calda que, em seguida, é moldada na forma de cilindro sobre a bancada. A massa recebe corantes e desenhos delicados. “As pessoas entram aqui e têm a mesma reação que eu tive há dois anos. É mais que comprar uma bala”, diz.  
 Papabubble ( Rua dos Pinheiros, 282, Pinheiros. 11- 2768-2282)

BOMBAS DE FELICIDADE 

(Mariana Araújo diz que vende bombas e sensaçõesFoto: Evelson de Freitas)

 Os dotes culinários de Mariana Araújo, de 31 anos, também vieram da avó, de quem herdou o amor pela cozinha. Seu doce preferido: bomba de chocolate – a tradicional, é importante frisar, com recheio de creme e cobertura de chocolate. Desde que cresceu, porém, não encontrava uma loja que oferecesse uma receita que a satisfizesse. “Sentia falta de uma boa bomba em São Paulo, aquela bem fresquinha e original, sabe?”. A única solução para o problemão foi fazer, ela mesma, sua bomba perfeita em casa.

Durante 12 anos, os amigos foram os maiores beneficiados do hobby dessa publicitária prendada. Até que, no início deste ano, de tanto se dividir, Mariana se entregou à faculdade de gastronomia. Profissional das ideias, decidiu unir, enfim, o útil ao que mais lhe agradava. “Pensei: ‘Vou fazer algo que amo, que falta no mercado e que tem uma ligação sentimental com as pessoas, assim como tem para mim’.”

Desde então, estudou, testou e cozinhou. No início do mês, Mariana abriu, com uma sócia, amiga de infância, a La Bombe, uma pâtisserie especializada em éclair, nome francês que vem da expressão faire la bombe (que significa “levar a vida com prazer, explodir de felicidade”). “A bomba é tipicamente francesa e um dos doces mais antigos da culinária mundial”, diz, animada em ser dona da primeira loja do ramo no País. Além da bomba tradicional, criou outras 12 versões, com frutas vermelhas, doce de leite e pistache. A decoração caprichada mistura elementos das pâtisseries francesas com grafite. A cozinha envidraçada permite  visualizar a produção dos doces,  feitos um a um por ela mesma. “Quero vender bombas e sensações”, diz Mariana, que se sente realizada com a loja. “Um lugar para confortar a alma”, diz.   La Bombe (Rua dos  Pinheiros, 223. Pinheiros. 11- 2628-7667)

BRIGADEIRO DE INFÂNCIA

(Juliana Motter e seus brigadeiros goumet Foto: Paulo Liebert/AE)

A relação de Juliana Motter, de 30 anos, com o brigadeiro começou aos 6, quando ela aprendeu a receita tradicional da avó. De tanto que a pequena inventava de fazer o doce, ganhou o apelido: Maria Brigadeiro. Ela cresceu e, com ela, cresceu a paixão pelo doce. Sempre que podia, trazia chocolates finos de viagens para fazê-los em versão gourmet e presenteava os amigos. A primeira encomenda veio sem querer, de uma conhecida. Sem graça, Juliana não teve coragem de dizer que aquilo era um hobby. Deu conta do recado e, em alguns dias, se viu trabalhando em dupla jornada. Era jornalista de dia, doceira à noite.

Há cerca de três anos, Juliana largava o emprego de editora para viver de fazer seu doce preferido. O primeiro ateliê de brigadeiros gourmet do País já tinha nome: Maria Brigadeiro. O docinho de receita simples, mas com esmero e paciência, fidelizou uma clientela adulta que, há tempos, não provava o docinho ‘igual ao da avó’, como na época das festinhas de criança. Juliana se diz fã de comidinhas cheias de “afeto e aconchego”. Mas saiu da mesmice e criou outros 40
sabores para os brigadeiros, entre pistache, amendoim, chocolate meio-amargo e até cachaça.

A embalagem também tem todo um mimo: forminhas vintage e delicadas, embalagens que são marmitas embaladas em tecidos. Em pouco tempo, o ateliê ficou famoso, o brigadeiro voltou às boas, Juliana lançou livro (O Livro do Brigadeiro, Panda Books), mas recusou convites para quiosques em grandes shoppings. A expansão iria contra o conceito artesanal que sempre prezou em seu negócio.  Para tanto, conta com mais de 20 confeiteiras, que se dividem em turnos e aprenderam a fazer o brigadeiro genuíno. Josina Ferreira, de 36 anos, é uma delas e diz que foi quando começou a trabalhar no ateliê, há três anos, aprendeu a fazer “brigadeiro de verdade”. “Em casa, eu sempre fazia correndo, sem ponto, e usava margarina, qualquer achocolatado”, conta. E mesmo fazendo o doce o dia todo, Josina não enjoa. “A gente volta do almoço e já tem um brigadeiro esperando.” 
 Ateliê Maria Brigadeiro (Rua Capote Valente, 68,  Pinheiros. 11- 3085 3687).

BOLINHOS DE CONTO DE FADAS

Foto: Andre Lessa/AE

Marcella Lage, de 29 anos, aprendeu a amar a arte de cozinhar ainda pequena, quando passava as férias na casa da avó, culinarista do interior do Rio de Janeiro. “Vó Ofélia era especialista em doces.” Mas a vida seguiu e somente há sete anos, formada em Turismo e Hotelaria, é que Marcella, carioca criada em Garanhuns (PE), veio a São Paulo fazer um curso de cozinheiro. “Eu já havia trabalhado na cozinha de hotéis e queria seguir essa área”, conta ela.

Foi nessa levada que conheceu a sócia, Paula Kenan, até então publicitária. Foi dela que partiu a ideia de abrirem, juntas, um negócio. Há dois anos, lado a lado, elas dividem panelas na fábrica no Brooklin, onde produzem “pequenos contos de fadas em forma de bolinho”, como elas definem o cupcake, palavra em inglês que quer dizer “bolo de caneca”, em tradução livre. Mas os de Marcela e Paula não são bolinhos comuns.

a cupcakeria das amigas faz wondercakes, nome que sugere “bolinhos para se maravilhar”. Nas assadeiras das chefs, os bolinhos ganharam releituras criativas. “Passamos um ano pesquisando, testando receitas. Como brasileiro não gosta de pastas amanteigadas como as americanas, incluímos ingredientes daqui, como frutas e castanhas”, conta Marcella. São mais de 50 recheios para a base de chocolate belga e extrato de baunilha.
Na fábrica, Marcella coordena três turnos, com três confeiteiras cada. De lá, os bolinhos saem para quatro lojas. O segredo do sucesso, ela diz, é o mesmo para qualquer bom doce: evocar alguma lembrança em que prova o doce. “Cupcake não é um lanche qualquer, tem algo de lúdico nele. Tem de ser feito de maneira especial”, acredita. Não à toa, compara uma mordida no bolinho a uma dose de felicidade.
 
Wondercakes (Unidade Jardins. Rua Augusta, 2542. 11-3063-1209)

Por Marcela Rodrigues Silva/Variedades