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Terça-feira, 18 de Junho de 2013
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Cego desde o nascimento, Henry Butler, astro do Bourbon Street Fest, conta como se tornou fotógrafo

Categoria: Fotografia, Música

JOTABÊ MEDEIROS

Em terra de pianista, quem tem os sentidos mais aguçados é rei. Cego por um glaucoma desde o nascimento, Henry Butler tornou-se, há mais de três décadas, um dos mestres do piano em New Orleans, no Sul dos Estados Unidos (onde trompetista e pianista são tão comuns quanto percussionista em Salvador).

Aos 63 anos, Butler poderia ter se contentado com esse papel, o de pianista de excelência que ganhou mais de 10 vezes o prestigioso prêmio Pinetop Perkins. Mas não estava satisfeito. Virou também um dos raros fotógrafos cegos do seu país, objeto de um documentário que estreou na semana passada na TV americana, Dark Light (HBO). Um assistente o ajuda com questões sobre distância do objeto, luz, posição em relação ao que fotografa. Também fundou um centro de educação artística para adolescentes cegos (ele começou a tocar aos 6 anos).

Seu insidioso piano sulista, que mistura do boogie woogie às atmosferas monkianas, do funk a Chopin, o pôs na ponta de uma nova tradição musical (ele estudou com Alvin Batiste, Professor Longhair, James Booker, entre outros). Em sua quarta viagem ao Brasil, Henry Butler desembarca em São Paulo hoje para participar da festa de 10 anos do Bourbon Street Fest – com direito a palco ao ar livre na Rua dos Chanés, onde fica a casa de shows, e no Parque do Ibirapuera – e falou por telefone sobre suas carreiras como compositor, músico, fotógrafo e pianista.

Pode-se dizer que sua maior influência foi Alvin Batiste (clarinetista que tocou com Ray Charles em 1958 e com Ornette Coleman nos anos 1960)?
Sim, ele foi meu principal mentor. Um mestre extraordinário, que estava muito à frente deste tempo no seu jeito de ensinar música. A primeira coisa que me deu para tocar, eu ainda me lembro, foi uma peça panamenha. Procurava aberturas para outras culturas que não a americana. Toquei Hermeto Pascoal, Airto Moreira, toquei música da Nigéria. Ele sempre estava em busca de uma harmonia apropriada. Em suas mãos, aprendi os rudimentos e os fundamentos da música. Ele nunca tentava forçar as pessoas a tocar um gênero, só jazz, ou só rock, nada disso. Há muitos Batiste em New Orleans, mas é porque é um sobrenome comum, nem todos são parentes.

O que pretende tocar aqui em São Paulo?
Estou indo com um quarteto: guitarra, bateria, baixo e teclados. Três de nós no grupo somos também cantores. Vamos tocar principalmente blues e blues rock, e também algumas coisas internacionais, conhecidas.
E boogie woogie também, não? O senhor sabe, entrevistei o baterista dos Rolling Stones, Charlie Watts, e ele disse que o boogie woogie é na verdade oriundo de Chicago, não de New Orleans.
Havia boogie antes disso. Há o Texas boogie, mais evoluído, e há o que chamamos de Shuffle boogie. É como a discussão sobre a origem do jazz. Há gravações que poderiam mostrar que é daqui, mas havia gente tocando antes ali. Muito difícil de dizer.

O senhor também é um festejado fotógrafo. Qual é o significado da fotografia para o senhor?
A fotografia é uma arte ilusionista. Ou seja: o que você pensa estar vendo nem sempre é o que você vê. O que você vê pode ser diferente para outra pessoa, dependendo de como ela percebe aquilo, da sensação. Fotografia trata de capturar e perceber. A percepção é uma palavra-chave. É por isso que gosto de fotografar.

O senhor ouviu falar do fotógrafo Eugen Bavcar (fotógrafo esloveno também cego)?
Acho que já mencionaram o trabalho dele, mas não o conheci.

O senhor vende suas obras?
Sim, já vendi algumas. Muitas galerias e museus me pedem trabalhos. No momento, há uma mostra em New Orleans com algumas obras minhas. Há uma exposição no México também, com 7 fotógrafos, uma coletiva. Tem uma mostra na Rússia, que será aberta no dia 26. O documentário Dark Light mostra três fotógrafos cegos. Eu sou um deles. Estreou na semana passada. ::

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Casal desbrava País a bordo da Kombi Alice

Categoria: Exposição, Fotografia

Ela foi quatro vezes guinchada, teve um motor fundido e alguns probleminhas no freio. Nada disso impediu Alice, uma Kombi 2006, de rodar os 60 mil quilômetros que levaram o fotógrafo Franco Hoff, de 38 anos, e a editora de livros educacionais Inês Calixto, 48, para uma viagem pelo interior do Brasil. Ou como o casal prefere dizer: “uma viagem para o Brasil profundoâ€.

A experiência, que durou dois anos, resultou na exposição Brasil de Dentro: a vida que poucas pessoas veem – que está em cartaz na Ãmã Foto Galeria, na Vila Madalena até dia 20 de agosto. Trata-se de uma seleção de 22 imagens em preto e branco, um recorte fotográfico dos encontros proporcionados pela estrada e, é claro, pela resistência de Alice (batizada assim pelo seu primeiro dono).

A Kombi partiu de Aguaí, cidade do interior de São Paulo, chegou em Ubiraci, perto da Serra da Canastra, nascente do Rio São Francisco, e seguiu o curso do rio até Alagoas. De lá, visitaram Pernambuco, Paraíba, Fortaleza, Maranhão e cidades do Norte, Centro-Oeste e Sul.

No total, foram 400 cidades, 100 oficinas de fotografia com a população das comunidades visitadas (principalmente com as crianças) e pequenas exposições em escolas públicas.

“Foi uma viagem para o interior do Brasil. Mas foi também uma viagem para o interior de nós mesmosâ€, comenta Inês. “A gente aprendeu muito com as pessoas que a gente encontrou. Aprendemos sobre generosidade, amizade e confiançaâ€, completa Hoff.

Entre os personagens marcantes da viagem, registrados pela câmera de Hoff, o casal destaca um sertanejo de Choró, no Ceará. “Seu Cosme é um homem de idade. Mas todo dia, às 4h da manhã, se levantava para retirar 16 mililitros de água de um poço. Para isso, viajava por quatro horas montado em um jumento, o Biscoitoâ€, conta Hoff. “E ele tinha umas histórias ótimas, dizia que já tinha batido em um lobisomem.â€

Inês e Hoff também se impressionaram com a vida dos vaqueiros da caatinga. “Eles são quase super-heróis. Entram no terreno repleto de cáctus, que pode machucar. Fora que, para pegar o gado, eles não usam laço, eles se jogam sobre o animal. É uma cena impressionante de verâ€, diz Inês.

Os percalços, aos poucos, transformaram-se também em histórias, que por sua vez se transformaram em fotos. “Eu queria fotografar os catadores de caranguejo dentro do mangue. Então acompanhamos um catador. Ou melhor, tentamos acompanhá-lo. Pra quem não tem experiência, é fácil ficar atolado no mangue. Eu não conseguia me mexerâ€, conta Hoff.

“Levou um tempo para que eu conseguisse me sentir à vontade, aprendesse a me mexer no mangue e conseguisse as fotos.†Com dois anos de estrada, Hoff e Inês sentiram falta das facilidades da cidade grande.

“Teve uma vez que a gente rodou horas atrás de uma pizzaâ€, confessa Hoff. Além da dificuldade de encontrar um fast-food, a dupla teve outros, estéticos: “Quando chegamos numa cidade do Rio Grande do Sul, eu estava tão barbudo, mas tão barbudo, que as pessoas chamaram até a polícia. Visualmente, eu era chocante para aquela comunidade. Dois barbeiros se negaram a me atender. Foi uma loucuraâ€.

Uma das vivências mais emocionantes foi com uma comunidade indígena. “Passamos alguns dias com eles. Na hora de ir embora, os índios vieram pedir para que a gente ficasse ali, vivendo e morando com eles. Foi um momento muito bonitoâ€, diz Inês.

Com o fim da jornada, e a mostra m cartaz, a dupla pensa em novas aventuras para a Kombi Alice. “Estamos prestes a lançar um livro contando a experiência e com todas as fotos. E vamos embarcar em outra viagem. A ideia é levar Alice para outros caminhos. E, quem sabe, transformá-la em biblioteca itineranteâ€, conta Inês.

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A São Paulo colorida e verde de Giovanna Nucci

Categoria: Arte, Exposição, Fotografia

GENTE DA CIDADE: Giovanna Nucci, 48 anos, fotógrafa

 

(Foto: Karina Alves e Vitor Reis/Divulgação)

Por Marcela Rodrigues Silva

 Aos 12 anos, a catarinense Giovanna Nucci fotografava as amiguinhas. Ela cresceu, tentou Arquitetura no vestibular, optou por Letras e acabou tornando-se estilista. Dona de uma marca de moda praia, casada e com três filhos, viu sua história tomar novos rumos quando, nos anos 90, trocou Santa Catarina por São Paulo. A mudança, inicialmente motivada por um novo negócio do marido, a colocou diante da oportunidade de se aventurar na “profissão artística†com que sonhava na infância: fotografia.

Para tanto, Giovanna recomeçou praticamente do zero. Estudou, fez seu nome no mercado e, hoje, aos 48 anos, com hábitos paulistanos e até sem o sotaque sulista, comemora o recém-lançado São Paulo – Cada um Conta sua História. O livro é fruto de mais de dois mil quilômetros de caminhadas pela cidade ao longo de 5 anos. Por 245 páginas, as mais de 150 fotos traduzem sua São Paulo “colorida e verdeâ€. Orgulha-se também dos espaços em branco (como em um scrapbook), que permitem ao leitor traçar uma história própria, tal como ela começou a fazer há 17 anos.

Por que trocou Santa Catarina por São Paulo. Opção ou obrigação?
Há 17 anos, meu marido recebeu uma proposta para trabalhar aqui. A família toda veio junto: nós dois e meus três filhos, hoje com 17, 24 e 28 anos. Todo mundo ama São Paulo!

Por que largou a carreira de estilista?
Aos 18 anos, criei minha marca de moda praia, que levava meu nome e era referência em Santa Catarina. Eu vendi a marca quando decidi ir para São Paulo, porque vi que era a oportunidade de seguir a profissão artística com que eu tanto sonhava.

A fotografia?
Desde a infância, eu amo fotografia. Aos 12 anos, eu fazia book das minhas amigas. Depois, como estilista, adorava me meter na produção dos catálogos.

E como fez essa transição?
Quando cheguei a São Paulo, fui fazer faculdade de Fotografia no Senac, com especialização em Arte e Cultura. Também fiz cursos de Antropologia e Filosofia da Fotografia. Há muitos anos que a fotografia entrou numa imagem de massa. Queria algo mais sensível.


 

Não quis ser fotógrafa de moda?

Foi o que fiz no início, que foi mais duro. Fiz muitos trabalhos de moda, ensaios e eventos. Depois é que fui conseguindo entrar na área de artes.

E como surgiu a ideia do livro?
Era um projeto acadêmico, mas meus professores disseram que São Paulo já havia sido muito fotografada, que eu poderia focar no Sul mesmo. Concordava, mas sabia que eu tinha um olhar particular. A minha São Paulo era colorida e verde. Claro que eu não tinha a pretensão de criar um novo olhar, mas acho que uma pessoa de fora, que gosta da cidade, percebe o algo mais que o olhar viciado de quem já é daqui não vê.

O que te faz gostar dessa cidade?
Tenho paixão por ela e seus mistérios. Adoro o contraste do velho e do novo, os edifícios espelhados, o charme da Vila Madalena, os viadutos, o centro, a vida cultural e gastronômica…

E há algo de que não goste aqui?
Da falta de segurança. Já fui assaltada uma vez por um motoqueiro.

O livro demorou seis anos para ser concluído. As fotos tiradas ao longo desse tempo mostram sua maturidade?
Com certeza. Já tinha fotos de antes desse período e ao longo dele. Difícil foi escolher as 150 de milhares.

Vai parar por aí?
No ano que vem, faremos uma exposição com algumas fotos do livro. Também já estou trabalhando para lançar Rio – Cada um Conta sua História.

 

SERVIÇO:

lIVRO SÃO PAULO – CADA UM CONTA SUA HISTÓRIA / ED. DECOR BOOKS

Fotografias a perder de vista

Categoria: Fotografia

Feira de fotografia ‘SP-Arte/Foto’ traz 750 obras de artistas nacionais e internacionais e apresenta sete galerias de arte novas

Os amantes da fotografia têm destino certo de hoje a domingo: o 9º andar do shopping Iguatemi, em São Paulo. É lá que ocorre a quinta edição da SP-Arte/Foto, feira que reúne 750 obras, tanto de profissionais renomados, como Pedro Martinelli e Massimo Vitali, quanto de fotógrafos que estão despontando no mercado, como Carlos Dadoorian e Felipe Russo.

O evento conta com a participação de 26 galerias de arte, entre nacionais e internacionais. O preço das fotos varia de R$ 1mil a R$ 150 mil, mas, mesmo para quem não quer comprar nada, a visita pode valer a pena. Além das imagens expostas – a feira pode ser encarada como uma grande mostra –, haverá também um ciclo de debates e palestras gratuitas, com a presença de artistas, críticos e convidados. Essas discussões serão realizadas entre hoje e sábado, e mediadas pela professora e especialista em arte contemporânea Denise Gadelha.

Entre os nomes de peso do evento, destacam-se Claudia Jaguaribe, Marina Abramovic (cujas fotos estão entre as mais caras), Robert Polidori e Thomas Farkas, todos profissionais com trabalhos contundentes e estilos desenvolvidos. Para contrabalançar essa produção já consagrada e bem absorvida pelo mercado, o evento traz sete novas galerias que trabalham, sobretudo, com novas promessas da fotografia.

A Fauna Galeria, por exemplo, mostra o trabalho do carioca Carlos Dadoorian, de 30 anos. Ele apresentará uma série de fotografias alteradas com softwares de edição de imagens. Dadoorian tem sido apontado como um profissional inovador, que une técnicas antigas à tecnologia.

Outro destaque, da mesma galeria, é o fotógrafo paulistano Felipe Russo, de 32 anos. Ele exibirá o resultado de uma pesquisa que fez no bairro Recreio da Borda do Campo, localizado às margens da represa Billings. Apesar de tanto ele quanto Dadoorian serem profissionais em ascensão, o preço das obras – mesmo que discutir preço de arte seja controverso – prescindem lá uma folga na carteira. O preço das fotografias da Galeria Fauna variam entre 3,5 mil a 9 mil reais.

Quem estiver interessado em comprar, mas sem gastar muito, pode checar os estandes das galerias virtuais. A Galeria Motor, por exemplo, traz opções mais acessíveis, a partir de R$ 1 mil. Outros espaços que valem a visita são o Escritório de Fotografia Luiz Porchat, a Lume Photos e o Fotospot. “A ideia é que todos apreciem a arte e levem para a casa obras de qualidadeâ€, afirma Fernanda Feitosa, diretora da exposição.

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Olhar sobre poético sobre São Paulo

Categoria: Exposição, Fotografia

FELIPE BRANCO CRUZ

Este ano, a cidade de São Paulo completou 457 anos de fundação. Para o fotógrafo Fausto Chermont, no entanto, a história da capital paulista é recente. “No Rio de Janeiro, até as calçadas são históricas. São Paulo já demoliu e reconstruiu tudo várias vezes. Aqui, o novo convive com o velhoâ€, diz ele.

Com o objetivo de retratar pontos históricos da cidade, Chermont reuniu 70 fotos no livro São Paulo Século XXI. “Dei esse título porque é como se olhássemos pela primeira vez para nossa história. O tamanho e a importância de São Paulo não são proporcionais à história que é retratada em nossos edifíciosâ€.

O lançamento do catálogo será hoje, das 11h às 15h, na Caixa Cultural São Paulo (Praça Da Sé, 111. % 3321-4400).
Para o autor, a cidade não dispõe de marcos que a caracterizem. “Não temos uma representação iconográfica da capitalâ€, declara.

Antes que tudo seja demolido e reconstruído novamente, o fotógrafo de 50 anos usou seu olhar particular para registrar, em belíssimas imagens, pontos óbvios, porém marcantes, como a Praça da Sé, o Vale do Anhangabaú, o Pátio do Colégio, o Parque da Luz, os edifícios criados por Oscar Niemeyer. “Talvez, com esse olhar, passemos a preservar mais a nossa históriaâ€.

O livro é um projeto que começou há oito anos, mas somente agora conseguiu ser publicado. A obra reúne uma série de ensaios. Um dos mais interessantes são as imagens que o fotógrafo captou com lentes conhecidas como “olho de peixeâ€, que mostram a imagem com uma visão mais aberta (como na foto principal desta reportagem, que mostra o edifício Copan ao centro).

“De nenhum ponto ao nível da rua se tem a percepção integral do conceito do prédioâ€, diz ele. No livro, cada imagem é seguida por um texto de Chermont, que revela os bastidores e o contexto no qual a imagem foi captada.

Trabalho libertador

Duas outras fotos também foram feitas com a olho de peixe, que dá esse efeito arredondado. A primeira mostra o teto da Sé. Da forma como a foto foi realizada, é como se estivéssemos olhando do chão da igreja. A outra exibe o teto do Mosteiro de São Bento, que, pelo olhar de Chermont, ganhou ares de catedral europeia.

Nas últimas páginas, há um ensaio com fotografias modificadas digitalmente. Para Chermont, publicar essas fotografias modificadas foi libertador. “Eu não sei desenhar. E isso é quase uma culpa para mim. Conseguir fazer esse trabalho estético foi libertadorâ€, diz.

O fotógrafo foi alertado por alguns colegas de que mesclar fotografias com imagens manipuladas poderia prejudicar o livro. Mas ele discorda. “São experimentações. Foi uma mistura de arquivos digitais com fotos analógicas que eu escaneava, depois imprimia, pintava no papel, manipulava e escaneava novamenteâ€, explica.

Independentemente dessa sessão mais artística do livro, a obra mostra um olhar bem particular que o autor tem da capital. Numa cidade forrada de concreto, Fausto Chermont conseguiu enxergar beleza e poesia. É como na frase do carioca Joaquim Paiva, que fecha o livro: “Como é amoroso o olhar do artista. Transforma em belo o que ele gostaâ€.