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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014
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Gente da Cidade: Rebeca Chamma

Categoria: Comportamento, Gastronomia, Lazer

Aos 9 anos, a paulistana Rebeca Chamma faz sucesso como chef mirim.
Adepta da culinária saudável e saborosa, seu livro de receitas concorre até a um prêmio internacional

Marcela Rodrigues Silva

A paulistana Rebeca Chamma tem só 9 anos, mas é a estrela da cozinha e, certamente, umas da mais jovens defensoras da gastronomia saudável. Foi em casa, na companhia do pai que, aos 4 anos, ela pegou gosto pelas panelas. Hoje, com um argumento nada infantil, Rebeca dissemina a ideia de que comida saudável pode ser gostosa. Mas, vez ou outra, confessa: não resiste a um docinho fora de hora. “Sou uma criança normal”, justifica.

As peripécias da chef mirim foram parar no livro Na Cozinha da Rebeca – Aventuras Culinárias Para Crianças Extraordinárias (Editora Alaúde), o único selecionado no Brasil para concorrer na categoria Children and Family do prêmio internacional Gourmand World Cookbook Awards, principal premiação de livros de culinária do mundo, que será realizada no dia 6 de março, em Paris.

E, claro, ela quer ser chef quando crescer. Mas as aulas de jazz e de canto já deram novas ideias a Rebeca, que também pensa em ser atriz e cantora. Impossível? Não para a alma irrequieta dessa menina.

Como você descobriu que cozinhar era legal?
Meu pai tinha restaurante e sempre cozinhou em casa. Eu ficava olhando e ele me deixava ajudar. Mas, claro, sem facas e longe do fogão.

Que tipo de comida você mais gosta de cozinhar?
Charuto de repolho! Adoro fazer e comer!

E o que você não gosta de comer?
Pimenta! É ruim!

Mas, no livro, você ensina receitas saudáveis. Gosta mesmo de frutas e legumes?
Adoro. Mas precisa ser saudável e gostoso. Se eu fizer uma receita e não ficar gostosa, faço de novo até ficar bom.

Você inventa as receitas? As que estão no livro são suas?
Na verdade, as receitas do livro são minhas, dos meus pais, de uma nutricionista e uma chef. Mas criação minha, mesmo, é o sanduba da Rebeca.

Como surgiu a ideia do livro?
A editora entrou em contato com meus pais por causa dos meus vídeos no YouTube. O convite veio daí. Foi bem legal.

Você também faz vídeo para o YouTube?
Lá, tem vídeos desde quando eu tinha 4 anos.

Você planeja ser chef de cozinha quando crescer?
Quero ter vários restaurantes.

Tem algum chef preferido?
O (britânico) Jamie Oliver.

Você faz aulas de canto e jazz. Também quer ser artista?
Sim. Quero ser cantora e atriz. Eu adoro cantar.

E você canta cozinhando? Se sim, o quê?
Canto da cozinha ao chuveiro. Mas eu adoro ligar o rádio e ouvir de tudo. Adoro pop!

Mas não vai ser muita coisa para você fazer?
Não, é fácil. Muito é só o infinito.

Quando não está cozinhando ou estudando, o que faz?
Eu brinco. Adoro sair para passear na cidade, ir ao parque, no cinema e, claro, brincar de panelinha.

Você não para de cozinhar!
Ah, eu gosto. Mas, brincando, eu não cozinho de verdade!

Se pudesse dar um conselho sobre comida às crianças, qual seria?
O meu recado é para elas experimentarem de tudo e não fazerem cara feia para uma coisa sem terem experimentado antes. Tem gente, por exemplo, que nunca comeu cenoura e faz cara feia só porque é comida de coelho. Eu adoro!

Bolsa? É com eles mesmo

Categoria: Comportamento

ANA CAROLINA RODRIGUES

Primeiro elas apareceram timidamente nas passarelas internacionais, criando um certo estranhamento na ala masculina. Em seguida, ganharam espaço cativo nas semanas de moda – nas lá de fora, representadas por grifes de peso como Prada, Hermès, Gucci e Louis Vuitton. Naturalmente, foram, ainda que pouco a pouco, conquistando as temporadas brasileiras e alguns adeptos nas ruas. Agora, as bolsas masculinas chegam ao ápice de sua popularidade, marcando presença até na novela das 9 da Globo. Sim, não é por acaso que o chef Renê, personagem de Dalton Vigh em ‘Fina Estampa’, não larga seu modelo tiracolo.
Os homens se renderam de vez ao acessório – até há pouco tempo, associado exclusivamente às mulheres. Mas é bom lembrar: muito antes de esse fato estar ligado a uma vontade de seguir tendências, o desejo masculino pelas bolsas está afinado com a atualidade. “O homem pensa muito nos acessórios de forma funcional e isso hoje virou necessidade pela quantidade de objetos que temos de carregar, como rádio, celular e laptop”, explica o consultor de moda Gustavo Sarti. Adepto das bolsas há um bom tempo, o stylist e apresentador Arlindo Grund concorda. “Saio de casa cedo e só volto à noite. Preciso de espaço para os tablets, fios, carregadores.”
Soma-se à funcionalidade do acessório a diminuição do preconceito da ala masculina no que diz respeito a adotar e incorporar a bolsa ao seu dia a dia. “Acho que nossa cultura é um pouco machista, mas estou vendo muitos homens aderindo às bolsas carteiro, o que já é um grande avanço”, assinala Grund. A consultora de imagem Andrea Muniz acha que o que faltava era informação, ou seja, ter a noção de que se trata de um acessório pop e não restrito a um só grupo ou estilo de homem. “Uma boa é dar um pulinho nas lojas para ver os modelos de perto, experimentar e, como já aconteceu com clientes meus, garanto que o preconceito vai embora.”
E seguindo as leis do mundo fashion, quanto mais a bolsa masculina ganha espaço, mais tipos do acessório pipocam nas passarelas e vitrines. Ainda que o modelo estilo carteiro – ou tiracolo – seja o mais popular, as grifes têm ousado. Bolsas de mão, algumas até com forte inspiração nas carteiras femininas, têm dado as caras.
Bons exemplos foram vistos em setembro do ano passado, nos desfiles da Marc by Marc Jacobs, em Nova York, e da Topman, em Londres. No primeiro, o acessório surgiu com suas alças encurtadas propositalmente. No segundo, e bem mais audacioso, apareceu em dimensão mínima e com possibilidade de ser transportado apenas pelas mãos. “Esse tipo se encaixa para homens mais criativos, que usam looks diferenciados”, diz a personal stylist Titta Aguiar. Arlindo Grund vai mais longe: “Acho que só os fashionistas e formadores de opinião aderem a essa moda”. Por aqui, marcas como Reserva e Osklen traduzem de maneira cool a atual tendência, que pode ser encontrada também, em estilos e materiais igualmente interessantes, em redes de fast fashion.
Independentemente da etiqueta e do modelo escolhidos, a bolsa tem de combinar com o estilo de seu dono e, acima de tudo, ser feita de um ótimo material. Couro é sempre a melhor aposta. Bom também ficar atento ao fato de que, embora sejam ótimas substitutas de mochilas, pastas e, principalmente, bolsos abarrotados, as bolsas masculinas têm lá suas restrições dependendo do ambiente em que transitam. Em locais extremamente formais, pastas seguem como a melhor opção. Em festas que pedem trajes sociais, o melhor é deixá-las em casa também. Diante de tudo isso, basta se acostumar com o acessório e tirar o melhor proveito dele. “Comece pelas bolsas clássicas e vá evoluindo”, recomenda Arlindo Grund.

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É dia de feira

Categoria: Comportamento

MARCELA RODRIGUES SILVA

A paulistana Marina Morelli, de 24 anos, teve seu primeiro contato com uma feira livre ainda na infância, acompanhada dos pais. Quando cresceu, esqueceu-se da movimentação que, toda a semana, mudava a cara de seu bairro. Só em 2010, bem longe de casa, quando foi estudar Arquitetura em Barcelona, ela redescobriu o real significado das feiras livres.

“Passei a observar como as pessoas viviam a cidade de forma saudável e isso incluía ir à feira ativamente. Criei o mesmo hábito e percebi que, além de produtos típicos, dá para conhecer o povo local só observando-o no dia a dia de uma feira”, conta.

De volta a São Paulo, no ano passado, Marina temeu que, como ela, outras pessoas estivessem ignorando esse patrimônio público. Uniu o útil à curiosidade e transformou a preocupação em um projeto do curso de Arquitetura e Urbanismo. “Depois de algumas incursões pela cidade, enxerguei as feiras livres como um bonito aproveitamento do espaço público, um local de trocas e relações pessoais que se apropria das ruas para alegrar o bairro”, avalia. A pesquisa de campo e as conversas madrugada adentro com os feirantes da Feira do Pacaembu renderam o site www.vaprafeira.com, com serviços e dicas sobre as feiras da capital paulista.

Mais que uma nota máxima na faculdade, Marina viu seu projeto resultar em um movimento para os paulistanos irem às feiras. “As feiras servem à cidade. Os supermercados negam a vida na rua”, defende ela no site. “Acho que falta consciência que ir à feira também pode ser prático e vantajoso. Curiosamente, 42 % das pessoas preferem feira, mas só 23% a frequenta.”

Por causa dessa baixa adesão, a tradicional feira nos arredores do Estádio do Morumbi, por exemplo, em breve, vai perder espaço às quartas-feiras. “A feira de quarta tinha 100 barracas. Hoje, são 30. Vamos passar todos os feirantes para a terça-feira”, adianta José Roberto Graziano, supervisor-geral do Secretaria de Abastecimento de São Paulo.

Segundo ele, os consumidores estão mesmo indo cada vez menos às feiras, que hoje somam 873 na cidade de São Paulo. Tudo por causa da correria da vida moderna e da concorrência. “As feiras em locais centrais, por causa da concorrência maior, estão diminuindo. As pessoas procuram praticidade, estacionamentos. Mas, nas periferias, onde há pouca estrutura, estamos criando mais feiras para abastecer a região”, explica.

Evolução
A busca por facilidade fez do celular o melhor amigo do feirante. “Hoje todo mundo já trabalha com entrega, o que corresponde a boa parte das vendas. A pessoa liga, pede os produtos e entregamos”, conta Hernani “Lobão”, de 45 anos, que monta sua barraca de frutas na Feira do Pacaembu e garante que foi o primeiro feirante da cidade a usar o celular para entrega. A maioria nem cobra frete.

Para Paulo Ferreira, de 51 anos, dono de uma barraca de verduras de 1938, herdada de seu avô, o perfil da clientela mudou. “As mulheres trabalham fora, não têm tempo. Dia de semana, são as pessoas mais velhas que vêm. Nos sábados e domingos, porém, há muitos casais jovens e moças. Em comum, todos querem atendimento personalizado e qualidade”, afirma. O horário, dizem os feirantes, é outro empecilho. “Às 13 horas, as barracas já estão desmontando. Antigamente, podíamos ficar até o meio da tarde”, lamenta Paulo.

Atalho para uma vida saudável
Se por um lado as mordomias da vida moderna desviaram os paulistano do caminho da feira, a tendência da busca pela qualidade de vida traça um atalho de volta aos feirantes. Não à toa, a Supervisão Geral de Abastecimento da Cidade, temerosa, anda traçando estratégias. Uma delas é apoiar movimentos de uma vida mais saudável. “Uma pessoa que procura uma alimentação natural vai sempre preferir a feira. Estamos também incentivando muito o consumo de orgânicos”, diz José Roberto Graziano.

A escritora Chris Campos, de 40 anos, sempre foi adepta de passeios pela cidade e coloca as feiras em seu circuito. “Quando meus amigos de fora vêm a São Paulo, sempre os levo para comer pastel na feira. É muito típico”, diz ela, que ficou ainda mais assídua das feiras depois de entrar numa “fase ainda mais saudável”. “Às terças, vou à feirinha de orgânicos do Parque da Água Branca; às quintas, em Higienópolis, perto de casa; e quando quero comprar flores, em Pinheiros”, conta ela, que não abre mão da barganha honesta. “Confio na opinião dos feirantes. Afinal, eles querem que eu volte.”

Confiança, aliás, é elemento essencial na relação feirante e freguês. Na Feira do Pacaembu e dos Jardins, há quem só compre mercadoria do “Toninho”. Nelas, o feirante – que se chama Antônio Cardoso Silva, de 42 anos – é funcionário da barraca de frutas há mais de 30 anos. “A gente passa a conhecer os clientes, seus gostos. E eles confiam na gente também. Tenho freguesas de 20 a 90 anos.”

Chef e apresentador do Hoje em Dia, da Record, Edu Guedes, de 37 anos, tomou gosto pela compra nas feiras ainda criança, levado pela avó. Para ele, além de encontrar a melhor fonte de produtos selecionados, ir à feira é um ato de cidadania. “É valorizar o trabalho do feirante, a tradição.”

O apresentador conta que os feirantes também são experts em comida e podem dar consultoria ao cliente. “Se você quer comprar mamão e banana para três pessoas e que tudo dure cinco dias, com certeza, ele vai calcular e te indicar a quantidade exata. Você vai economizar e evitar o desperdício. É um momento simples, mas agradável. No supermercado, você não tem isso”, afirma ele, que, aos domingos, leva a filha Maria Eduarda, de 2 anos, para comer pastel na Feira Livre da Alameda Lorena.

O chef e apresentador do Diário de Olivier, do GNT, Olivier Anquier, de 51 anos, também é um conhecedor de feiras e já coleciona estratégias para aproveitar o melhor delas. Segundo ele, quanto mais cedo chegar, melhor servido será. “Também vale a pena virar freguês fixo de uma barraca, pois o feirante vai passar a conhecer suas exigências. E, na dúvida se vai levar ou não a fruta, dê aquela provadinha. Na feira pode”, aconselha o francês radicado no Brasil, frequentador da Feira Livre do Pacaembu e do Mercado Municipal de São Paulo. “A cada nova cidade que chego, vou conhecer a feira. É um reduto cultura. E aqui em São Paulo, as feiras têm uma energia incrível.” Para quem quer ser conhecido pelo nome e não como mais um número, a feira é o endereço ideal.

MOTIVOS PARA IR À FEIRA

> > Consultoria gastronômica: Quer saber quando o mamão vai amadurecer? Que verdura combina melhor com a abóbora? Os feirantes entendem de tudo, até de receitas
 
> > Comprar tudo fresquinho: Todo dia, os feirantes madrugam para garimpar os melhores produtos especialmente para você
 
> > Exercitar o paladar de graça: Quem não resiste em provar um pedacinho de abacaxi, de melancia, de maça…
 
> > Evitar o desperdício: Quer mamão para três pessoas durante cinco dias? Peça para o feirante calcular. Assim, você levará só o que, de fato, vai consumir
 
> > Conhecer a vizinhança: Tem jeito mais informal do que encontrar o vizinho comendo pastel?
 
> > Honestidade: O feirante quer que você volte, então, ele não vai passar a perna em você
 
> > Custo-benefício: Nem sempre tudo é mais barato do que no supermercado, mas leve em conta que você vai levar um produto na quantidade certa e de ótima qualidade
 
> > Comer pastel e tomar caldo de cana sem culpa. A feira é o lugar perfeito para isso
 
> > Espantar o mau humor: Leve na brincadeira as piadas dos feirantes. Eles só querem agradar

Sob nova geração

Categoria: Celebridades, Comportamento

 

MARCELA RODRIGUES SILVA

Luiza Lemmertz, Sophia Reis e Lynn Court despontam no teatro, cinema e TV. Em comum, além do talento, elas trazem o sobrenome e os traços dos pais famosos

Aos 23 anos, a atriz Luiza Lemmertz carrega no sobrenome – e nos traços fortes de sua face – a responsabilidade de levar adiante a história de sua admirada família. Ela é filha de Julia Lemmertz, de 48 anos, a Esther de Fina Estampa, novela das 9 da Globo, e neta de Lilian Lemmertz, a primeira Helena de Manoel Carlos, que morreu aos 48 anos, vítima de um enfarte em 1986. E apesar dos preconceitos que costumam rondar os filhos que optam seguir o mesmo caminho dos pais famosos, Luiza não nega o sobrenome, tampouco a genética que lhe conferiu o talento para a atuação.
Depois de quase dois anos no Teatro Oficina, de José Celso Martinez, onde fez cursos e viajou pelo País, a jovem atriz começa a sentir as dores e as delícias da fama, ao ser reconhecida pela peça O Libertino, dirigida por Jô Soares, em cartaz no Teatro Cultura Artística Itaim, em São Paulo. “Sempre estive do lado underground do teatro. É minha primeira peça mais acessível ao grande público. De fato, a popularidade aumenta”, reconhece ela, cuja responsabilidade aumentou com os elogios de Jô. “Ela tem porte de grande atriz. Me lembra a avó”, disse ele, na apresentação da peça à imprensa, em outubro.

Se hoje seu sobrenome é motivo de orgulho, durante a adolescência, Luiza Lemmertz revela que o peso dele a obrigou a adiar seus planos profissionais. “Sempre gostei de teatro na infância. Mas quando eu era adolescente, fiquei reclusa. Acho que era uma forma de rebeldia. Até foi bom para eu conhecer outras coisas”, explica a atriz, referindo-se à faculdade de Desenho Industrial, cursada apenas por três períodos no Rio de Janeiro.

(Foto: Ernesto Rodrigues/AE)

Mais madura e sem medo das possíveis – e quase inevitáveis comparações –, Luiza voltou a estudar teatro. A decisão trouxe essa carioca para São Paulo, em 2008, para os cursos no Teatro Oficina. Depois de mais de um ano viajando com o grupo do diretor José Celso Martinez, ela fincou raízes na capital paulista, onde pôde estar mais próxima de sua história.

Desde que se mudou, Luiza mora no apartamento que pertenceu ao avô, o ator Lineu Dias (1928-2002), na região central. Livros, pinturas, vinis e fotografias contam um pouco da trajetória de parte da família artista que ela pouco conheceu. No dia da entrevista ao JT, poucos dias antes do Natal, Luiza acabara de fazer uma limpeza de fim de ano na casa. “É para começar 2012 com novas energias. E acabei encontrando mais um monte de registros que nunca havia visto”, disse ela.

“Meu avô era um intelectual. Encontrei tanta coisa interessante, inclusive fotos da minha avó. Morar aqui ajudou a me adaptar à cidade e também à profissão de atriz”, completou, sem esconder a felicidade de poder compartilhar com a mãe os anseios e as alegrias da profissão pela qual começa a ficar conhecida.

“Somos amigas e conversamos muito. E, claro, sempre que posso, eu a assisto na TV e adoro rever os trabalhos da minha avó”, revela ela, que lembra, ainda, de outra importante influência: o ator Alexandre Borges, seu padrasto. “Ele está na minha vida há mais de quinze anos e, com certeza, é mais uma referência que tenho a sorte de ter por perto.”

Sophia, na TV e no cinema


Outro nome que começa a despontar no cinema e na TV e, inevitavelmente, a ser associado ao pai, é o de Sophia Reis, de 23 anos. A filha número dois do músico Nando Reis, ex-Titãs – que até pouco tempo era conhecida por inspirar uma música do pai, assim como seus outros quatro irmãos – escolheu o caminho de atriz e hoje se destaca e faz fama como repórter do programa A Liga, exibido às terças-feiras, às 22h20, na Band.

Sophia prefere dizer que apenas “está repórter”. Na verdade, ela é atriz de longa data. “Um amigo me falou que a emissora estava fazendo testes e quis tentar”, conta. Seu berço artístico, porém, é o teatro e a grande estreia acabou acontecendo no cinema, com o longa-metragem Meu Tio Matou Um Cara, de 2004, dirigido por Jorge Furtado e com Lázaro Ramos no elenco. Depois, de 2008 a início de 2010, ela foi VJ da MTV e, este ano, pôde ser vista no filme Os 3. Em novembro, fez ainda um ensaio sensual para a revista VIP.

Como repórter, Sophia ganhou popularidade por se mostrar como é. “O programa é mais do que uma experiência profissional. É pessoal. Tenho contato com realidades tão distintas. Os temas são complexos e pouco explorados. O programa tem um papel importante na sociedade e isso mexe comigo”, diz ela, que, várias vezes, emocionou-se diante das câmeras. “A gente vive em uma bolha e mal conhece São Paulo de verdade.”

Como filha de pai famoso, Sophia diz que as comparações com ele são indiferentes, mas já sofreu com a proporção que a mídia deu a suas declarações. Recentemente, ela participou de um vídeo a favor da liberação da maconha. “A sociedade é hipócrita. A maconha é tão ruim quanto álcool e tabaco. E independentemente de fazer ou não parte de determinada realidade, posso ter uma opinião e expressá-la”, justifica. Ainda assim, ela não credita a polêmica ao nome do pai. “Ele faz uma coisa totalmente diferente da minha. Ele me influencia tanto quanto minha mãe. É normal.”

A menina veneno de Ritchie


Lynn Court, de 27 anos, não seguiu o caminho do pai. Ainda assim, quando conta às pessoas de quem é filha, não escapa de ouvir brincadeirinhas envolvendo o hit dos anos 80 Menina Veneno, imortalizado na voz do pai Ritchie, cantor e compositor inglês radicado no Brasil. A trajetória artística de Lynn, no entanto, foi por outra direção. Ela flertou com o teatro, modelou, fez grafite, formou-se em Desenho Industrial. Só não enveredou-se pela música.

Em 2009, estreou como apresentadora do TV Globinho, no qual ficou menos de um ano, e participou de episódios de A Turma do Didi. Hoje, firma-se como apresentadora da revista eletrônica Noia, em sua segunda temporada pelo canal pago Woohoo, exibido às quartas-feiras, às 22h20.

Lynn admite que caiu de paraquedas na TV, mas que se encontrou nela. Tanto que, em 2010, começou a cursar Jornalismo no Rio de Janeiro, onde mora com os pais, para investir na carreira de apresentadora. “Meu pai nunca me pressionou para eu seguir na música, assim como minha mãe, estilista, também não. Mas, naturalmente, tomei gosto por diversas formas de artes. Somos uma família muita ligada à arte”, diz ela.

“O legal é que eles compreendem minha carreira. Muitas vezes, já trabalhando com TV, eu pensava em desistir, mas eles me apoiavam, incentivando-me a seguir o que eu amo.”

Discípulos de Papai Noel

Categoria: Antenado, Comportamento

MARCELA RODRIGUES SILVA

É dezembro. O motorista entra na Avenida Paulista e logo se irrita com o trânsito ainda mais caótico. Suspira e segue em frente. Sabe que vai precisar de doses extras de paciência. Acontece o mesmo com o pedestre que por ali passa. Mas logo o aborrecimento dá espaço ao encantamento. Difícil resistir ao clima natalino que toma conta da cena.
A decoração torna a icônica avenida ainda mais turística, com as novas cores e luzes que brotam de cada janelinha de prédio ou mesmo que irradiam bem do meio dela, no grandioso palco montado pela Prefeitura e SPTuris entre as ruas Padre João Manuel e Ministro Rocha Azevedo.
Ali, na Praça de Natal, uma passarela leva o visitante de um lado a outro, em um breve, mas intenso passeio por um mundo mágico. O presente para as cerca de 500 mil pessoas que transitam por ali desde o começo do mês faz parte de um projeto cuja missão é enfeitar a cidade para a época das festas e custou R$ 7 milhões – incluindo ainda luzes distribuídas pelas principais ruas e árvores.
Por trás da magia do grande palco de Natal, com seu Papai Noel de 7 metros de altura, marionetes infláveis e outras muitas atrações natalinas, está o paulistano Juarez Fagundes, responsável por esta e outras nove cenografias espalhadas pelos shoppings do País. Perto dali, a tecnologia materializada em bonecos robóticos enche os olhos dos transeuntes na fachada caprichada de um banco, assinada por Christian Scherf, um argentino de alma paulistana.
Fomos atrás de outras pessoas que, direta ou indiretamente, profissional ou voluntariamente, fazem o clima de Natal acontecer. Descobrimos que eles estão também fora da rota turística natalina da cidade. Encontramos um Papai Noel que divulga o próprio número de celular só para dar uma palavrinha às crianças na noite de Natal; um regente de coral que propaga paz em forma de música pelos corredores de um hospital; uma artista plástica que empresta, todo dezembro, seu tesouro de 569 presépios para exposições ao público.
Conheça mais destes cinco personagens que levam ao pé da letra o espírito de amor e fraternidade do Natal.

O cenógrafo da Paulista - O cenógrafo paulistano Juarez Fagundes, de 52 anos, pensa em Natal o ano todo. Ele assina a decoração natalina de nove shoppings centers espalhados pelo País, sete deles em São Paulo, e o palco principal da Avenida Paulista, por onde já passaram mais de 500 mil pessoas. Seu desafio é usar criatividade e manter vivos os ícones clássicos da data. E claro, agradar uma multidão. “Por isso, dispenso os símbolos religiosos e capricho nos universais, como árvores de Natal, Papai Noel e luzes”, explica ele. “O Natal é para todos, independentemente de crença. Então, invisto em símbolos que toquem o coração de qualquer pessoa.”
Fagundes conta que seu trabalho começa sem muita magia. “No primeiro semestre do ano, elaboramos projetos. Depois, confeccionamos as peças. Só em outubro começamos a montar.” E embora contrate uma empresa terceirizada para a montagem, ele gosta de participar de todo o processo. “Um projeto desse é como um filho. Fico tenso o tempo todo”, brinca. Como pai orgulhoso de sua obra, Fagundes adora apreciá-la. Mas no meio da multidão da avenida ou entre os clientes dos shoppings. É quando a tensão dá lugar à satisfação. “Meu trabalho leva alegria às pessoas. A magia está na reação das crianças, dos adultos. Há muitas dificuldades, mas o resultado final é gratificante”, garante.
O trabalho como cenógrafo teve início há mais de 25 anos. Formado em Artes Plásticas e dono de uma loja de roupas, ele passou a criar vitrines e estampas e, depois, projetos para filmes publicitários e cinema. Os trabalhos de Natal vieram pouco a pouco e a dedicação foi garantindo o sucesso. Hoje, Fagundes sente-se realizado por fazer parte do Natal da Paulista. E com sentimento de missão cumprida. “O palco é como um portal da cidade. Levar um pouco de magia para quem passa por ali é uma grande responsabilidade.”

Bom velhinho robotizado - Quem passa pela altura do 1.294 da Avenida Paulista, à noite, tem a atenção desviada pelas luzes piscantes da lanterna de um calhambeque, que dá o tom ao clima natalino com Jingle Bells, enquanto dois duendes se mexem em sincronia e um Papai Noel bonachão de 1,80m acena. Todo esse cenário dá vida à Fantástica Fábrica de Brinquedos do Papai Noel, tema de Natal escolhido pelo Banco Itaú Personnalité (ex-Bank Boston) para a decoração deste ano. Um verdadeiro show robotizado, especialidade do argentino Christian Scherf, de 37 anos, radicado em São Paulo há 17 e cenógrafo da instalação natalina da empresa há 7.
Segundo Scherf, a inspiração veio do filme A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971), com toques de modernidade. Aliás, muita modernidade. A decoração do banco é uma das mais aguardadas todos os anos justamente pelas animações tecnológicas criadas por Scherf. Neste ano, das 18h às 21h40, toda noite, bonecos robotizados se movimentam sem parar – e ganham mais brilho com os flashes das incansáveis câmeras fotográficas.
Entre uma manutenção e outra com sua equipe, formada por dez pessoas, Scherf admira e se emociona com a reação da multidão que registra suas obras. “A tecnologia atrai olhares curiosos, espantados, principalmente dos mais velhos. É muito emocionante”, diz. “Mas, na minha casa, só tem uma arvorezinha de Natal. Como diz o ditado, em casa de ferreiro, espeto é de pau. Mas clima não falta.”
Conhecido também pela cenografia em filmes e seriados de TV (como o longa Eliana e o Segredo dos Golfinhos, de 2004), Scherf foi especializando-se na decoração natalina desde 2000, quando abriu a própria empresa. “Comecei fazendo trabalhos para o (cenógrafo) Juarez Fagundes, que já trabalhava com o tema. Mas meu foco são as animações.”

A magia dos presépios - Quem passa pelo Shopping Metrô Boulevard Tatuapé, na zona leste, encontra mais do que uma típica e reluzente árvore de Natal. Ao passar pelo 2º piso, é possível conferir de graça, no Espaço Cultural Boulevard das Artes, a exposição Presépios. Ícones natalinos, 30 presépios, com significados, tamanhos, materiais e nacionalidades diferentes, conduzem o visitante a um momento de reflexão. A mostra é parte do “tesouro” da artista plástica Hilda Breda, de 59 anos, que resolveu compartilhar a coleção em nome do espírito natalino.
A paulista de São José dos Campos possui 569 presépios e, nos últimos anos, resolveu partilhá-los por meio de exposições durante o mês de dezembro. O maior deles tem 70 cm e o menor cabe dentro de uma casca de ovo. “No comecinho da coleção, as pessoas me pediam para trazer amigos e parentes até a minha casa para vê-los. Com o tempo, igrejas e instituições passaram a me procurar, propondo eventos.”
Tudo começou em 1987. Recém-casada, Hilda queria um presépio para a casa nova, tradição de família iniciada pela mãe. Em dúvida entre dois tipos na hora da compra, ela foi incentivada pelo marido, hoje falecido, a levar ambos. Ano a ano, mais um presépio chegava. Muitas vezes, como presente de amigos que se lembravam da história. “Eu demorei a admitir que era coleção. Mas quando vi, eles já eram muitos”, lembra ela, que, ao longo do ano, guarda todas as mais de 3 mil pecinhas em um armário.
“Não achava justo deixá-los trancados lá só para mim. Sinto que, expostos, eles levam um pouquinho de magia às pessoas”, afirma a artista plástica. “Esta semana, eu estava observando os presépios no shopping, e uma mulher veio m e perguntar quem era a Hilda. Quando me apresentei, ela me abraçou e agradeceu, pois disse que se lembrou de sua infância.” ::

Paz em forma de música - Quando o regente Márcio Antonio de Almeida, de 41 anos, passa pelos corredores do Hospital Santa Catarina, a pressão e a angústia instauradas naquele ambiente parecem dar lugar à esperança e à emoção. Assim acontece há exatos 14 dezembros, quando o coral do hospital entra em ação.
Há cinco anos como regente do grupo formado por cerca de 20 funcionários, Almeida tem orgulho de levar um pouco de alegria aos pacientes, parentes de doentes e funcionários. Com exceção da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), todas as outras áreas recebem a visita do coral, da maternidade à capela.
“Hospital parece um lugar calmo, mas há sempre tensão e tristeza. A música confere uma distração significativa, leva os pensamentos para outro lugar. Dá para ver como o olhar das pessoas se acalma”, observa ele, que, nesta época, também rege o coral de outras instituições. “Geralmente, vamos até creches, eventos públicos e outros hospitais, como a Santa Casa. Mas este ano, a agenda do Santa Catarina exigiu mais e praticamente não saímos daqui.”
Para Almeida, nada mais satisfatório do que levar a paz a quem precisa, ainda que seja na forma de canção. “Comecei a trabalhar com corais há uns sete anos, quando fui fazer um trabalho voluntário em um albergue. Faz muita diferença”, diz. Ele acredita que o Natal deixa as pessoas mais emocionadas e receptivas à música. E, mais do que isso, a ação faz remeter à infância, maior motivo de emoção de seus espectadores.
É também por isso que Almeida faz questão de incluir temas não-natalinos, mas igualmente certeiros em sensibilizar plateias. “As pessoas sempre ficam tocadas com Além do Arco-Íris, versão de Somewhere Over The Rainbow, do filme O Mágico de Oz (1939), e O Caderno, de Toquinho. A canção serve como uma lição positiva”, ensina.  ::

Papai Noel solidário. E com celular - Lá por meados de outubro, os primeiros brinquedos começam a chegar. O tempo vai passando e, semanas depois, a casa do artista plástico e poeta Rogério D. Bocchino, de 58 anos, mal tem espaço para ele transitar. Desde 1998, Bocchino passa o ano todo arrecadando roupas e brinquedos em campanhas dedicadas a áreas carentes. “É uma parceira de anos com uma grande amiga, Ana Rosa Rios, paulistana da zona norte. Começamos distribuindo balas no Dia das Crianças. Depois, passamos a fazer campanhas de Natal. Só não aceitamos doação em dinheiro”, diz.
Há 17 anos o bairro Morro Grande, na zona norte, foi o primeiro agraciado pela iniciativa. Neste ano, eles resolveram ir mais longe: até o município de Jandira, que fica a 36 km de São Paulo. “Soubemos que o bairro Jardim Maria Helena necessitava de ajuda”, conta Bocchino. Foi lá que ele, depois de desfilar em cima do carro de bombeiros por várias ruas e avenidas, chegou na última sexta-feira, dia 23, para distribuir os mais de 3 mil brinquedos doados.
Semanas antes, porém, ele cumpriu uma espécie de agenda natalina e participou de outros eventos na capital paulista. “A convite de associações de bairros, creches e instituições, eu me visto de Papai Noel para alegrar as crianças”, diz, orgulhoso, ostentando a barba branca, fiel à imagem do bom velhinho. A vocação, aliás, tornou-se tão forte nos últimos anos que ele passou a divulgar o próprio número de telefone (11- 9438-8524) para receber ligações das crianças.
“No ano passado, fiquei a noite toda atendendo o celular. Primeiro, falo com o pai para saber se ele vai dar o que a criança me pedirá. Não posso iludi-la”, esclarece. “O objetivo é manter viva a magia do Natal e mostrar que esta é uma missão de todos nós.” ::