Estadão.com.br
Terça-feira, 29 de Maio de 2012
Variedades
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Família unida. Na alegria e na mesa

Categoria: Comportamento, Gastronomia

PEDRO ANTUNES
Desde o seu nascimento até completar 20 anos, João Carlos Malagueta, hoje com 48, morou num sobrado na Vila Mariana. No andar superior, três quartos. No térreo, a pizzaria do seu pai, João Malagueta. Para o garoto, porém, o comércio era quase uma sala de estar. Todas as refeições aconteciam lá e a televisão era dividida com os clientes.

Com o passar dos anos, João começou a ajudar os pais. Atendia às mesas e fazia as massas. Aos 20, entendeu que era preciso tentar a vida à sua própria maneira e deixou para trás a casa onde cresceu.
Ele foi estudar engenharia eletrônica. “Continuava ajudando meus pais. Mas chegou um momento que vi que eles precisavam de mim, por conta da idadeâ€, conta João. Era 1994. O rapaz abandonou o emprego na CET e voltou para a pizzaria. Voltou para casa.

Resultado: há 16 anos, pai e filho dividem o comando da pizzaria Venite. “O forno é por minha conta. Ele (João Carlos) faz massa, monta a pizza. Quando falta garçom, ele vai atender às mesas tambémâ€, explica o pai, um piracicabano de 84 anos que esbanja simpatia. Curioso é que, mesmo num ambiente tão familiar, João, o filho, ainda chama o pai de Seu João. “Cresci ouvindo todo mundo chamá-lo assimâ€, diz.

O bistrô La Casserole, criado pelo casal de franceses Roger e Tuna Henry, em 1954, hoje é comandado pela filha, Marie-France Henry, de 54 anos. Ela não morava no andar superior, como no caso da família Malagueta, mas considera o La Casserole sua segunda casa.

As lembranças, é claro, são muitas. “Eu ficava muito tempo lá. Na hora do almoço, do jantar. Adorava provar as coisas. Vivia a vida do restauranteâ€, conta Marie, que assumiu o comando do bistrô em 1987. “Quando criança, ir almoçar no La Casserole era o grande eventoâ€, diverte-se.

Apesar da deliciosa memória afetiva das famílias, chefiar negócios desse tipo exige bastante de pais e filhos. “O mais difícil é conquistar a confiança dos pais, ter uma autonomia. Eles têm uma tendência a ver seus filhos como criançasâ€, explica Isabella Masano, de 29 anos.

Bella assumiu como chef do restaurante Amadeus há oito anos. Algo que nem de longe passava pela cabeça da moça, nem dos pais, Ana e Tadeu Masano. “Ela sempre nos disse que queria fazer medicina. Nas vésperas do vestibular, mudou de ideiaâ€, explica o pai, de 56 anos. “Ela conseguiu impor um ritmo diferente no restaurante. Faz tudo com delicadezaâ€, continua o chefe coruja.

 
Essa influência natural dos pais é tanta que seguir na mesma área parece uma ideia irresistível. E o que aconteceu com Isabella guarda semelhança com o caso do jovem chef do Che Bárbaro, Martin Seoane. Mesmo quando ele tentou trilhar novos caminhos, a gastronomia o puxou de volta.
Martin, 26 anos, cresceu ouvindo o pai, Juan, falar sobre os restaurantes que tinha na Argentina. Quando Juan abriu o Bárbaro, em 2003, o filho trabalhou lá. Em 2007, porém, o jovem foi morar em Londres. Trabalhou na cozinha de alguns restaurantes e, quando voltou, no ano seguinte, quis abrir seu próprio negócio, “com a cara da Vila Madalenaâ€. Foi aí que surgiu o Che Bárbaro.

Já Mireia não se lembra de uma vida fora dos restaurantes. “Até dormia nas cadeirasâ€, lembra a filha de Allan Vila Espejo, chef das cantinas Don Pepe di Napoli e apresentador do quadro de culinária no Manhã Gazeta, na TV Gazeta. Aos 16 anos, ela começou a cozinhar na rede de restaurantes do pai. A faculdade de gastronomia foi a escolha natural. Lá conheceu o atual noivo, com quem divide a cozinha do seu próprio restaurante, o La Tasca.

“Meu pai me ajudou em tudo. Tanto na parte visual, de cardápio, como financeiramenteâ€. No Dia dos Pais, essa turma sabe que o almoço está garantido. Só falta decidir onde.

O que acontece quando o fã vira diretor

Categoria: Cinema, Comportamento, Internet

Atores do fã filme dos Cavaleiros do Zodíaco se preparando para ação (Crédito: Natália Miguel / Divulgação)

Atores do fã filme dos Cavaleiros do Zodíaco se preparando para ação (Crédito: Natália Miguel / Divulgação)

PEDRO ANTUNES

Bruxos de varinha em punho, em plena Porto Alegre. Rapazes trajando armaduras de Pegasus, Dragão, Cisne e Andrômeda, em Bauru, interior de São Paulo. Batman e Robin percorrendo as ruas de São Paulo. Um absurdo? Sim, até ser colocado em prática por fãs dos livros e filmes de Harry Potter, do desenho dos Cavaleiros do Zodíaco e dos quadrinhos do Cavaleiro das Trevas. Esses fãs levam ao extremo a máxima do Cinema Novo: uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Ideias, aliás, eles têm de sobra. E criaram uma maneira de colocá-las em prática: produzir seus filmes.

Esse pessoal não tem grandes orçamentos. A primeira metade de Harry Potter e as Relíquias da Morte , que chegará ao Brasil em novembro, por exemplo, teve um custo de R$ 440 milhões. Já para fazer os dois filmes baseados no universo de Harry Potter, o psicólogo Lucas Chagas e a estudante de biomedicina Vicky Martini – noivos e ambos de 27 anos – contaram apenas com uma câmera digital e roupas antigas.

Mas se deram ao luxo de importar alguns artigos da Inglaterra, terra do famoso bruxinho, como varinhas, medalhões e outros adereços para compor o figurino. O custo total da obra: R$350.

O casal é fundador e organizador do fã-clube de Harry Potter, Armada Hogwarts. Eles criaram e realizaram os curtas O Conto dos Três Irmãos , em 2008, e o Legado dos Peverell , no ano passado. “A ideia toda surgiu quando foi lançado o livro Os Contos de Beedle, o Bardo (da mesma autora de Harry Potter , J.K. Rowling, lançado em 2008)â€, diz Lucas. O livro é usado por Harry Potter para tentar descobrir uma maneira de entender, enfrentar e derrotar o bruxo das trevas: Lord Voldemort. “Criamos um enredo maior, com mais personagens, demos visibilidade a outros que pouco foram mencionadosâ€. No primeiro, com 20 minutos de duração, as gravações foram rápidas, feitas num fim de semana. O segundo, por dificuldade em encontrar datas disponíveis em comum entre os atores (13, no total), foi gravado durante seis meses. “Fizemos um roteiro das cenas, os atores sabiam o essencial e criavam as falasâ€, diz Lucas. A dupla planeja um próximo filme, já em pré-produção, com inscrições para atores e produtores abertas no site do fã-clube.

Esse tipo de trabalho ainda é novo no Brasil e os filmes são feitos de forma totalmente amadora. Mas na Europa e Estados Unidos há fãs que levam a coisa a sério e produzem longas de qualidade impressionante, utilizando equipamentos modernos e figurino caprichado. Não é o caso do comerciante Renato Araújo, 38 anos, um apaixonado por Batman. Há 4 anos, ele mantém o projeto do curta O Retorno de Bane . “Criamos o projeto em 2006. Desde então, estamos gravando algumas cenas, aprendendo a usar programas de edição. Não temos pressaâ€, explica Renato, que tem feito as filmagens com a câmera de um celular.

No caso do filme dos Cavaleiros do Zodíaco made in Bauru, o prazo era essencial. Tratava-se de um trabalho de conclusão de curso de Rádio e TV, na Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), em Bauru. Por isso, os então estudantes João Paulo Ogawa e Luara Peixoto, hoje aos 25 anos, imaginaram como seria fazer um curta sobre o desenho japonês em um ano (2009). “Alguns professores não aprovaram. Outros adoraram!â€, conta João Paulo. Usando equipamentos disponibilizados pela faculdade, a dupla fez o filme de 20 minutos com orçamento de R$ 3 mil. “Os nove atores eram da região. Pagávamos apenas transporte e alimentaçãoâ€, diz.

Reproduzir as armaduras dos cavaleiros foi a maior dificuldade. “Nas cenas de luta, algumas partes rasgavamâ€, conta João. Ainda assim, a fidelidade em relação ao desenho é grande (fotos acima) . Quando a criatividade desses fãs é colocada em prática, o resultado pode ficar muito aquém de Hollywood. Mas eles garantem uma boa diversão.

ASSISTA ABAIXO TRAILERS E ALGUNS FILMES FEITOS POR FÃS NA ÃNTEGRA:

Nome do filme: O Conto dos Três Irmãos
Onde: Porto Alegre
Lançamento: 2008
Inspirado em: Harry Potter (livro)

Primeira parte do filme:

Nome do filme: O Legado dos Peverell
Onde: Porto Alegre
Lançamento: 2009
Inspirado em: Harry Potter (livro)

Primeira parte do filme:

Nome do filme: O Retorno de Bane
Onde: São Paulo
Lançamento: Ainda em produção
Inspirado em: Batman (quadrinho)
Sinopse: Após ser banido de Gothan City,o grandalhão Bane volta para se vingar de Batman, Mulher-Gato e Robin.

Trailer:

Nome do filme: Guerra Galáctica
Onde: Bauru (SP)
Lançamento: 2009
Inspirado em: Cavaleiros do Zodíaco
Sinopse: Trajados com armaduras de bronze, os cavaleiros lutam na Guerra Galáctica pela armadura de ouro.

Trailer:

Nome do filme: Born Of Hope
Onde: Inglaterra
Lançamento: 2009
Inspirado em: O Senhor dos Anéis (livro)
Sinopse: Se passa antes dos eventos da trilogia de O Senhor dos Anéis e conta como os pais de Aragorn se conheceram.

Assista o filme completo (71 minutos de duração)

Nome do filme: Mega Man: Get Equipped
Onde: Estados Unidos
Lançamento: 2010
Inspirado em: Mega Man (videogame)
Sinopse: Seguindo fielmente a história dos games, filme conta a criação do robô Mega Man e sua luta contra o maluco vilão Willy.

Fantasia no bar

Categoria: bares, Comportamento

Garçonetes vestem-se de freiras no Café Colonial As Noviças (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)

Garçonetes vestem-se de freiras no Café Colonial As Noviças (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)

Tatiana Piva

No café colonial As Noviças, em Moema, garçonetes viram freiras. No Pier 1327, bar da Vila Mariana que reproduz um navio, toda noite é de gala e o cliente será bem recebido por garçons marinheiros. No The Clock Rock Bar, em Perdizes, o clima dos anos 50 está em todos os detalhes, como na decoração, nas músicas e, claro, no uniforme das garçonetes: saias vermelhas rodadas, camisa amarela, sapatilhas, um belo penteado e maquiagem. Já no clube Azucar, no Itaim, a atração fica por conta de garçonetes negras que se vestem com diversos trajes de passeio e despertam um clima de viagem à ilha de Cuba.
Em São Paulo, vários lugares investem na caracterização de seus garçons e garçonetes, para receber o cliente com estilo e diversão. Entre os profissionais que trabalham nessa área, há casos curiosos, como o da paraibana Marlete Batista, 48 anos. Quando criança, ela tinha o sonho de ser freira. “O que mais me chamava a atenção eram as roupas que elas usavamâ€, lembra. No início dos anos 70, Marlete veio para São Paulo. À procura de emprego, ficou sabendo de uma vaga de garçonete no café As Noviças. “Quando vi as mulheres vestidas de freira, meus olhos brilharam. Pensei: ‘Vou realizar meu sonho’â€.
Desde então, Marlete tornou-se uma das garçonetes do local. Hoje, graças à experiência, ela faz as vezes de madre superiora. Para se diferenciar das outras ‘irmãs’, usa um hábito marrom, enquanto as demais usam azul marinho. “Como sou a mais antiga, acabo supervisionando as outras. É proibido usar qualquer tipo de maquiagem, brinco, esmalteâ€. Ela conta que o antigo dono do local era muito mais rígido. “Não podíamos conversar com homens, nem chegar próximo da porta com essas roupasâ€. O traje inusitado já rendeu histórias curiosas. Certo dia, Marlete teve de ir a uma farmácia perto do café e foi com a roupa de freira. Chegando lá, uma mulher, com um bebê no colo, pediu a ela que benzesse a criança. “Fiquei muito constrangida. Falei que não podia fazer aquilo e saí correndoâ€. Outra curiosidade: a garçonete-freira não é católica. “Na verdade, eu sou espíritaâ€.
No clube cubano Azucar, nenhuma das garçonetes tinha experiência na profissão. Uma das missões de Maciel Barbosa, 50 anos, o maître da casa, é encontrar garotas que se encaixem no perfil do clube: negras, altas, bonitas e educadas. Aprender a carregar uma bandeja é apenas um detalhe.

De oncinha
É o caso da carioca Fabiana Monteiro, 32 anos, que está em São Paulo há 16 anos e trabalha na casa desde 2002. Sua experiência anterior era como babá, mas suas características físicas a credenciaram para o trabalho. Nas primeiras semanas, porém, tudo indicava que Fabiana não ia se adaptar. Entre os equívocos que cometeu, ela derrubou drink na roupa de uma cliente e trocou o pedido de um dos antigos sócios. Mas a moça superou os desafios e hoje é uma das mais experientes do lugar. Fabiana e mais quatro garçonetes revezam os vários tipos de uniformes para trabalhar. Tem um com estampas que lembram as penas de um pavão, o outro que elas carinhosamente apelidaram de Caribe – pelas cores fortes –, um conjunto todo rosa. “Mas o preferido por todas nós e também pelos clientes é o de oncinhaâ€, conta Fabiana. Num camarim improvisado, as garçonetes levam cerca de meia hora para se trocar, arrumar os cabelos e se maquiar.
Na casa que homenageia os anos 50, The Clock Rock Bar, Isabella Marques, 20 anos, diz que trabalhar no lugar é uma diversão. “Estava precisando de um trabalho de final de semana e uma prima do meu namorado que costuma frequentar a The Clock ficou sabendo da vaga. Gosto muito dessa roupa e só uso saia para trabalharâ€, conta. “Eu tinha perdido o hábito de me maquiar no dia a dia. Por causa do emprego, voltei a passar pelo menos um rímel antes de sair de casaâ€. Além de servir os clientes, as garçonetes incentivam as pessoas a dançar. Mas Isabella diz que não se arrisca muito na pista. “Não sei dançar. Não tenho muita coordenação para isso. Mas quando você vê a galera dançando, na animação, dá muita vontade de aprender. Estou tentandoâ€, declara.
Já no Pier 1327, são os homens que usam roupas especiais. Ali, garçons vestidos de marinheiros reforçam o clima do bar, onde cada detalhe da decoração imita um navio. Um dos marinheiros é o paraibano José Naelson dos Santos, 44 anos, que trabalha no bar desde sua inauguração, há dois anos. Segundo Santos, os colegas que trabalham nos bares, pizzarias e restaurantes ao lado fazem piadas e brincadeiras por causa da fantasia de marinheiro. “Não me incomodo. Tem gente que tira a roupa para ganhar dinheiro, outros se fantasiam. Estou ganhando o meu salário do mesmo jeitoâ€, diz.

 

AS NOVIÇAS
Café colonial, com garçonetes usando roupas de freiras
Av. Cotovia, 611, Moema.
5561-3513
Funciona: Diariamente, das 15h às 23h

PIER 1327
No bar que reproduz um navio, os garçons ficam caracterizados de marinheiros
R. Joaquim Távora, 1.327, Vila Mariana.
2597-7231
Funciona: Terça, das 17h à 0h30; qua. a dom., das 12h à 0h30

AZUCAR
Clube cubano, em que os clientes são servidos por garçonetes vestidas em trajes caribenhos
Dr. Mário Ferraz, 423, Itaim Bibi.
3074-3737
Funciona: Seg., das 20h às 2h30; terça e qua., das 20h às 2h; qui. a sáb., das 20h às 3h

THE CLOCK ROCK BAR
Bar com clima dos anos 50. Aqui, as garçonetes usam roupas da época
R. Turiaçú, 806, Perdizes
3672-0845
Funciona: Sex e sáb., das 21h às 4h, e dois domingos por mês, das 17h às 22h

Seu Madruga é pop

Categoria: Comportamento, Literatura, TV

Ilustração criativa de Maurício Melo, ilustrador do livro 'Seu Madruga: Vila e Obra'

Ilustração criativa de Maurício Melo, ilustrador do livro 'Seu Madruga: Vila e Obra'

Pedro Antunes

Um é revolucionário. O outro, só preguiçoso. O barbudo fumava charutos. O magricela, cigarros. Um queria mudar o mundo, enquanto o segundo, só dormir até às 11h. Um tinha um engajamento político ativo: “o capitalismo é o genocida mais respeitado do mundoâ€. O outro, bom, nem tanto: “a Alemanha é um pais só… A diferença é que de um lado tomam vodca e do outro, cervejaâ€, explicou o segundo, sobre a Alemanha dividida na Guerra Fria.
 
Morto alvejado por tiros militares bolivianos, o argentino Ernesto Che Guevara tentava ganhar o mundo com seus ideais. Já Don Ramón, ou Seu Madruga, só pretendia continuar dando calote no aluguel – atrasado há 14 meses.
Eles morreram há anos, mas têm seus rostos estampados nas camisetas daqueles tipos antenados ou cults. Defendiam categoricamente uma ideologia e são admirados por isso. Comparar o personagem do seriado mexicano Chaves com um líder revolucionário? “Isso, isso, isso!â€.

O Google está aqui para endossar: se procurar “Ernesto Che Guevaraâ€,em páginas do Brasil, serão encontrados 163 mil citações. “Seu Madrugaâ€, por sua vez, tem nada menos do que 207 mil.

O Chaves começou a ser gravado em 1971, no México, criado por Roberto Gómez Bolaños, o intérprete do menino que dá nome à serie. No Brasil, só chegou em 1983, no SBT. Em 1979, Ramón Valdés saiu do seriado e morreu aos 64 anos, em 1988, vítima de câncer no pulmão. Pouco mais de duas décadas depois, ele e seu personagem recebem mais uma homenagem, o livro “Seu Madruga, Vila e Obra”, do carioca Pablo Kaschner, 28 anos, jornalista e radialista.

Em 2007, o autor publicou o livro “Chaves de Um Sucesso”. “Naquele livro, o Seu Madruga tinha muito mais espaço. Percebi que devia isso a eleâ€, conta. “O personagem tem muito da cultura brasileira. Ele sempre dá um jeitinho de não pagar os 14 meses de aluguel que deve ao Senhor Barriga, senhorio da vila onde moram os personagensâ€, conta. Por falar na dívida de ‘Madruguinha’, como o próprio personagem se chama no seriado, o livro de Kaschner foi dividido em 14 capítulos, e a cada um que for lido, será quitado um mês de aluguel atrasado. De maneira bem-humorada, é contada toda a trajetória do ator, do personagem, da sua família, curiosidades e, claro, as frases memoráveis.

O próprio Kaschner lembra que teve um Seu Madruga na sua infância. “A diferença que ele se chamava Nestor, e seu problema era com bebida, não com cigarro. Quem nunca viu um tipo de Seu Madruga na rua?â€. O livro tem ilustrações de Mauricio Melo, 30 anos, também um dos diretores do fã-clube Chespirito Brasil, que organizou o 2º Festival da Boa Vizinhança, realizado em abril, e reuniu 5 mil fãs: “O Seu Madruga é incrível! É um ícone popâ€.

No Brasil, não há quem sofra mais com essa popularidade do que Carlos Alberto Seidl, dublador do personagem desde o piloto lançado no Brasil em 1983. Em feiras e convenções de fãs, por exemplo, ele recebe sempre o mesmo pedido: gravar mensagens de voz para secretárias eletrônicas com a voz do personagem. Ele confessa que o sucesso aconteceu “sem querer, querendoâ€. “Quando fomos gravar o piloto, não imaginava que seria esse sucesso. Achei toscoâ€, diz.

E o sucesso do personagem pode ser visto na vendas das camisetas do Madruga. No site Super Camisas, por exemplo, das mil unidades vendidas por mês, 270 são dele. “É tão pop que é como se fosse aquela imagem do Barack Obama (presidente dos Estados Unidos). Ou como o Che Guevara.â€, declara Lotus Miranda, 34 anos, diretor de criação e concepção das camisetas vendidas no site.
 
Com o livro, mais uma homenagem é prestada ao Madruga. Mas antes de alguns dos mais fãs xiitas do guerrilheiro (aqueles que aguentaram chegar até aqui, claro) se enraiveçam, lembrem-se sempre de uma das pérolas madruganianas: “A vingança nunca é plena: mata a alma e a envenenaâ€. É preciso encarar o fato: Seu Madruga é pop! 

 

Livro: Seu Madruga: Vila e Obra
Pablo Kashner
Editora Mirabolante
Preço: R$ 33

 

 Pérolas do Madruguinha:

“Devemos perdoar as ofensas… Devemos perdoar as afrontas… devemos perdoar os aluguéis atrasados”

“A vingança nunca é plena: mata a alma e a envenena”

“Eu sempre deixo as vagas de empregos para os mais jovens, e venho tomando essa nobre atitude desde os meus 15 anos!”

“Sabe o que faltou para eu concluir o curso secundário? Começar o primário!”

“Como ousa me acordar às 10 da madrugada, Chaves? E agora, o que eu vou fazer até a hora da sesta?”

“Não é uma coisa que se diga: ‘Minha nossa, mas que bom trabalho’”

“Então, Senhor Barba, vamos tirar a barriga?”

“Bom, a Alemanha é um pais só… A diferença é que de um lado tomam vodca e do outro, cerveja” (Diz o professor Madruga, definindo as diferenças entre Alemanha Ocidental e Oriental em Guerra Fria)

 

Produtos do Madruga:

- Cartaz da Turma do Chaves com direito a careta de Seu Madruga (42 cm x 29,7 cm, em papel couchê).
Preço: R$ 10,00
- Chaveiro do Madruga (versões com fundo azul, preto e branco)
Preço: R$ 2,00
Onde comprar:  www.camisetaspunch.com.br

- Camiseta de Che Madruga (disponíveis nas versões masculina feminina, em vermelho,  preto, verde, azul, branco e amarelo)
Preço: 34,90
- Camiseta “Deus Ajuda Quem Cedo Madruga” (disponíveis nas versões masculina feminina, em vermelho,  preto, verde, azul, branco e amarelo)
Preço: 34,90
- Madruga Quaker (disponíveis nas versões masculina feminina, em vermelho,  preto, verde, azul, branco e amarelo)
Preço: 34,90
Onde comprar: www.supercamisa.com

- Camiseta Madruga dos Mortos (versão masculina e feminina)
Preço: R$ 55
Onde comprar: 
El Cabriton. Rua Augusta, 2.008. 3081-6130.
www.elcabriton.com.br

- Camiseta Madruga, o Pensador (disponível na cor zinza)
Preço: R$ 28
Onde comprar: www.lojadochaves.com.br

Academias apostam em modalidades inusitadas

Categoria: Antenado, Comportamento

Marcela Rodrigues Silva

A estudante de psicologia Renata Pazos, 23 anos, nunca pensou em ser trapezista, tampouco acrobata. Mas foi nos movimentos circenses que, há três anos, ela encontrou o que procurava: fortalecer os músculos com prazer e diversão. “São benefícios impossíveis de serem obtidos puxando ferro nas aulas de musculaçãoâ€, justifica. E ela nem precisou ir parar num picadeiro. Foi só correr para a academia mais próxima da sua casa. “O exercício exige muito do corpo, mas nem sinto, pois é divertidoâ€, conta Renata, aluna da unidade Oscar Freire da Competition, em São Paulo.

O circo é só mais uma das atividades inusitadas oferecidas pelas academias para alunos que procuram bem-estar enquanto cuidam do corpo e não têm paciência para aulas repetitivas. As soluções também são funcionais: imagine perder calorias patinando, escalando ou até treinando surfe na piscina.

Tanta oferta de opções que unem diversão à quase obrigação da atividade física tem explicação. “Nosso corpo é programado para buscar prazer. A atividade física remete à obrigação por ser quase uma regra hoje em diaâ€, explica o psicobiólogo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ricardo Monezi. Monotonia ou falta de prazer não são mais desculpas para adiar a malhação. Nas próximas páginas você encontra uma seleção das modalidades mais inusitadas e o que elas oferecem. É só escolher a que mais lhe agrada e entrar na onda.

Segundo Monezi, ainda que qualquer atividade física libere substâncias ligadas ao prazer (endorfina, dopamina e serotonina), quando os exercícios em questão nos parecem divertidos, o nível dessas substâncias é muito maior. “O resultado é mais vontade de praticar a aula, o que reforça a disciplina e a motivaçãoâ€, afirma o especialista.
De acordo com professores de academia, muitos alunos abandonam o treinamento por falta de estímulo.

Bruno Fonseca, professor da Bio Ritmo, é instrutor de escalada há mais de 10 anos e afirma que a maioria de seus alunos é ex-adepta de aulas “paradas, de movimentos repetitivosâ€.  “A cada dia o treino é diferente. E, além do motivo óbvio, que é a mudança física, eles se motivam pela sensação de desafio. Assim é mais fácil esperar pelo resultado físicoâ€, diz Fonseca.

A relações públicas Simone Soares de Almeida, 31 anos, confirma a motivação. “ Conheci a escalada em mais uma tentativa de fazer atividade física. Completei recentemente 8 meses e nunca fiquei tanto tempo numa academia. Acabei de passar mais um nível e isso me estimula a continuarâ€, completa.