Inspirados pelo MMA
- 11 de fevereiro de 2012 |
- 23h00 |
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Categoria: Antenado, Comportamento, Lazer, TV
Por Marcela Rodrigues Silva
Há cerca de um ano, o Bar Mooca, na zona norte da cidade, contabilizava um de seus maiores públicos. No local, onde a lotação sentada é de 250 pessoas, mais de mil clientes se espremiam para conseguir ver de perto os televisores. Parecia final de campeonato de futebol. Mas, naquele momento, as chuteiras passavam longe da telinha. No centro das atenções, estava uma das lutas mais icônicas do MMA (artes marciais mistas, na sigla em inglês): Vitor Belfort e Anderson Silva se enfrentavam em campeonato do UFC (Ultimate Fighting Championship), maior evento do gênero. “Acompanho MMA desde 2009 e fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que estavam aliâ€, lembra a bancária Priscila Vilella Barbosa, de 32 anos, que estava no bar naquele 5 de fevereiro de 2011. “Desde então, percebi que mais pessoas estavam atentas à s lutas.â€
Aquele embate foi um importante divisor de águas para como o esporte passaria a ser encarado pelos brasileiros. E dali por diante, o que era uma prática, muitas vezes confundida com algo violento, começou a ditar uma tendência de comportamento, que se tornou forte aqui em São Paulo.
As academias paulistanas começaram a investir em aulas que simulam golpes da luta para trazer benefÃcios fÃsicos; as lojas apostaram em roupas e acessórios que fazem alusão a esse universo; bares, claro, se fortaleceram como pontos de encontro dos fãs de MMA. Como o próprio Bar Mooca, um dos pioneiros em transmitir essas disputas. Em noites de lutas menores, os televisores funcionam apenas com a imagem. O som só é ligado se alguém se interessa e pede. “E isso tem acontecido cada vez maisâ€, garante o gerente Fábio Augusto Raymundo.
O MMA, criado pelo clã carioca Gracie (saiba mais no box ao lado), nunca esteve tão em alta em sua terra natal, o Brasil, como agora. “O esporte foi criado em 1920 pelos Gracie no PaÃs, mas só em 1990 houve um boom dele nos EUAâ€, diz o jornalista Fellipe Awi, que vai contar a história da modalidade em um livro, que será lançado em abril, pela Editora IntrÃnseca. Por aqui, os fatores que contribuÃram para a atual popularidade da luta incluem a desmistificação de sua imagem agressiva. “O esporte ficou mais seguro por causa das regrasâ€, assinala Awi.
Não é à toa que a TV Globo, que já constatou as benesses do UFC no Ibope, decidiu, finalmente, fixá-lo em sua grade deste ano. Na disputa do dia 14 de janeiro, das 01h47 às 03h01, a emissora teve média de 14 pontos. Em comparação com a média do mesmo horário em 2011, registrou um aumento de mais de 75% de audiência.
Mas a cereja do bolo para os novos e antigos apreciadores do esporte chega em março no canal, com a estreia da versão brasileira do reality The Ultimate Fighter (TUF), nos moldes de um BBB, mas com temática de luta, ainda sem nome em português. Serão 32 lutadores na primeira etapa, mas só 16 entram na casa, que contará com os dois treinadores de peso: os lutadores Wanderlei Silva e Vitor Belfort, que, ao final do programa, em junho, se enfrentarão em revanche histórica – a primeira luta, em 1998, foi vencida por Belfort. Já o participante vencedor do programa receberá o tÃtulo de Ultimate Fighter e um contrato com o UFC.
O lutador Rodrigo Nogueira, o Minotauro, de 35 anos, foi treinador da oitava edição da versão americana do reality, em 2008, cujos dois vencedores eram de sua equipe. “O reality americano ajudou a alavancar o esporte por lá e o mesmo deve acontecer aquiâ€, diz Minotauro. Para quem acha que verá apenas lutas, ele promete mais. “As pessoas verão o lado humano do lutador. Sofremos com saudade da famÃlia, dietas, temos superações fÃsicas e psicológicos, e muitos sacrifÃcios.â€
De brigões a exemplos
A imagem dos lutadores, usada de forma bem-humorada em propagandas de hambúrguer, de carro, entre tantas outras, foi outro termômetro para a Globo – e também aproveitada por ela. O público do Caldeirão do Huck se divertiu, por exemplo, vendo Anderson Silva, de peruca, dançando com Justin Bieber depois de ter aula com o astro teen. Já a novela das 9, Fina Estampa, retrata o drama do lutador Wallace Mu (Dudu Azevedo), que precisou parar de lutar por um problema de saúde e virou treinador do problemático Leandro (Rodrigo Simas). Anderson Silva, Vitor Belfort, e os irmãos Minotauro e Minotouro já fizeram participações especiais no folhetim de Aguinaldo Silva.
“Se o Leandro (seu personagem) treina, o Rodrigo também treinaâ€, diz o ator Rodrigo Simas, filho do capoeirista Beto Simas e Ãntimo das lutas. Já Dudu Azevedo, que treina com o amigo e lutador Ricardo Arona, preocupa-se em fugir do estereotipo agressivo. “É um orgulho contar essa história.â€
Impulsionada pela TV, a fama do MMA fez academias apostarem nos movimentos da modalidade em aulas de condicionamento fÃsico. A estudante Natália Serra, de 17 anos, aderiu, no ano passado, à aula MMA Fitness, da Acqua Academia, na zona norte. “Emagreço, tonifico os músculos, me divirto. Quando conto o que faço na academia, todo mundo fica curioso.â€
Segundo o treinador da Acqua Academia, Rodrigo Siqueira, o Bola, as aulas não são agressivas como os treinos. “As meninas, por exemplo, não precisam se preocuparâ€, explica. “Trabalhamos parte aeróbica e, depois, no chão, fazemos movimentos usados na luta. Só ao final deixo eles lutarem um pouco, mas com muito cuidado.â€
Em janeiro, os lutadores Thiago Tavares, Toquinho e Murilo Bustamante sentiram na pele o assédio que vem no pacote da popularidade. Os dois foram à feira Couro Moda, no Anhembi, em São Paulo, anunciar a parceria entre as marcas Pretorian e Santino, para uma linha de malas e mochilas inspirada no lifestyle dos esportistas. O que não esperavam era tamanha repercussão. Crianças, marmanjos e tietes brigaram por autógrafos e fotos. O lutador veterano Murilo Bustamante, de 45 anos, vivenciou essa mudança de fase do esporte. “Comecei há 20 anos, quando ainda era chamado de vale-tudo. As pessoas tinham outra imagem de nós. Hoje, crianças nos param para tirar foto, jovens querem conselho. O esporte está sendo desmistificado e isso é muito legalâ€, comemora ele. “O que importa é o carinho do público em geral. O assédio é normal, de fã. Não incomodaâ€, completa Thiago Tavares, de 27 anos.
Nessa esteira, as marcas lucram com o esporte que virou queridinho no PaÃs. Enquanto a maior delas, da UFC, contabiliza 400 produtos licenciados, novas empresas surgem nessa boa maré. A Pretorian, por exemplo, foi criada há cinco anos para comercializar produtos de alta performance para lutadores. No ano passado, investiu em uma linha de moda casual inspirada no estilo dos lutadores e montou uma loja conceito na rua mais badala de moda da cidade, a Oscar Freire, na zona oeste. “O carro-chefe ainda são os produtos de performance, mas as roupas e agora as mochilas fisgam os novos apaixonados pelo esporteâ€, diz Ruy Drever, presidente da marca. Quer conferir esta popularidade? Prepare-se, pois no dia16 de junho é a vez de São Paulo receber os heróis do UFC.
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Gente da Cidade: Rebeca Chamma
- 5 de fevereiro de 2012 |
- 12h55 |
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Categoria: Comportamento, Gastronomia, Lazer
Aos 9 anos, a paulistana Rebeca Chamma faz sucesso como chef mirim.
Adepta da culinária saudável e saborosa, seu livro de receitas concorre até a um prêmio internacional
Marcela Rodrigues Silva
A paulistana Rebeca Chamma tem só 9 anos, mas é a estrela da cozinha e, certamente, umas da mais jovens defensoras da gastronomia saudável. Foi em casa, na companhia do pai que, aos 4 anos, ela pegou gosto pelas panelas. Hoje, com um argumento nada infantil, Rebeca dissemina a ideia de que comida saudável pode ser gostosa. Mas, vez ou outra, confessa: não resiste a um docinho fora de hora. “Sou uma criança normalâ€, justifica.
As peripécias da chef mirim foram parar no livro Na Cozinha da Rebeca – Aventuras Culinárias Para Crianças Extraordinárias (Editora Alaúde), o único selecionado no Brasil para concorrer na categoria Children and Family do prêmio internacional Gourmand World Cookbook Awards, principal premiação de livros de culinária do mundo, que será realizada no dia 6 de março, em Paris.
E, claro, ela quer ser chef quando crescer. Mas as aulas de jazz e de canto já deram novas ideias a Rebeca, que também pensa em ser atriz e cantora. ImpossÃvel? Não para a alma irrequieta dessa menina.
Como você descobriu que cozinhar era legal?
Meu pai tinha restaurante e sempre cozinhou em casa. Eu ficava olhando e ele me deixava ajudar. Mas, claro, sem facas e longe do fogão.
Que tipo de comida você mais gosta de cozinhar?
Charuto de repolho! Adoro fazer e comer!
E o que você não gosta de comer?
Pimenta! É ruim!
Mas, no livro, você ensina receitas saudáveis. Gosta mesmo de frutas e legumes?
Adoro. Mas precisa ser saudável e gostoso. Se eu fizer uma receita e não ficar gostosa, faço de novo até ficar bom.
Você inventa as receitas? As que estão no livro são suas?
Na verdade, as receitas do livro são minhas, dos meus pais, de uma nutricionista e uma chef. Mas criação minha, mesmo, é o sanduba da Rebeca.
Como surgiu a ideia do livro?
A editora entrou em contato com meus pais por causa dos meus vÃdeos no YouTube. O convite veio daÃ. Foi bem legal.
Você também faz vÃdeo para o YouTube?
Lá, tem vÃdeos desde quando eu tinha 4 anos.
Você planeja ser chef de cozinha quando crescer?
Quero ter vários restaurantes.
Tem algum chef preferido?
O (britânico) Jamie Oliver.
Você faz aulas de canto e jazz. Também quer ser artista?
Sim. Quero ser cantora e atriz. Eu adoro cantar.
E você canta cozinhando? Se sim, o quê?
Canto da cozinha ao chuveiro. Mas eu adoro ligar o rádio e ouvir de tudo. Adoro pop!
Mas não vai ser muita coisa para você fazer?
Não, é fácil. Muito é só o infinito.
Quando não está cozinhando ou estudando, o que faz?
Eu brinco. Adoro sair para passear na cidade, ir ao parque, no cinema e, claro, brincar de panelinha.
Você não para de cozinhar!
Ah, eu gosto. Mas, brincando, eu não cozinho de verdade!
Se pudesse dar um conselho sobre comida às crianças, qual seria?
O meu recado é para elas experimentarem de tudo e não fazerem cara feia para uma coisa sem terem experimentado antes. Tem gente, por exemplo, que nunca comeu cenoura e faz cara feia só porque é comida de coelho. Eu adoro!
Bolsa? É com eles mesmo
- 14 de janeiro de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: Comportamento
ANA CAROLINA RODRIGUES
Primeiro elas apareceram timidamente nas passarelas internacionais, criando um certo estranhamento na ala masculina. Em seguida, ganharam espaço cativo nas semanas de moda – nas lá de fora, representadas por grifes de peso como Prada, Hermès, Gucci e Louis Vuitton. Naturalmente, foram, ainda que pouco a pouco, conquistando as temporadas brasileiras e alguns adeptos nas ruas. Agora, as bolsas masculinas chegam ao ápice de sua popularidade, marcando presença até na novela das 9 da Globo. Sim, não é por acaso que o chef Renê, personagem de Dalton Vigh em ‘Fina Estampa’, não larga seu modelo tiracolo.
Os homens se renderam de vez ao acessório – até há pouco tempo, associado exclusivamente à s mulheres. Mas é bom lembrar: muito antes de esse fato estar ligado a uma vontade de seguir tendências, o desejo masculino pelas bolsas está afinado com a atualidade. “O homem pensa muito nos acessórios de forma funcional e isso hoje virou necessidade pela quantidade de objetos que temos de carregar, como rádio, celular e laptopâ€, explica o consultor de moda Gustavo Sarti. Adepto das bolsas há um bom tempo, o stylist e apresentador Arlindo Grund concorda. “Saio de casa cedo e só volto à noite. Preciso de espaço para os tablets, fios, carregadores.â€
Soma-se à funcionalidade do acessório a diminuição do preconceito da ala masculina no que diz respeito a adotar e incorporar a bolsa ao seu dia a dia. “Acho que nossa cultura é um pouco machista, mas estou vendo muitos homens aderindo à s bolsas carteiro, o que já é um grande avançoâ€, assinala Grund. A consultora de imagem Andrea Muniz acha que o que faltava era informação, ou seja, ter a noção de que se trata de um acessório pop e não restrito a um só grupo ou estilo de homem. “Uma boa é dar um pulinho nas lojas para ver os modelos de perto, experimentar e, como já aconteceu com clientes meus, garanto que o preconceito vai embora.â€
E seguindo as leis do mundo fashion, quanto mais a bolsa masculina ganha espaço, mais tipos do acessório pipocam nas passarelas e vitrines. Ainda que o modelo estilo carteiro – ou tiracolo – seja o mais popular, as grifes têm ousado. Bolsas de mão, algumas até com forte inspiração nas carteiras femininas, têm dado as caras.
Bons exemplos foram vistos em setembro do ano passado, nos desfiles da Marc by Marc Jacobs, em Nova York, e da Topman, em Londres. No primeiro, o acessório surgiu com suas alças encurtadas propositalmente. No segundo, e bem mais audacioso, apareceu em dimensão mÃnima e com possibilidade de ser transportado apenas pelas mãos. “Esse tipo se encaixa para homens mais criativos, que usam looks diferenciadosâ€, diz a personal stylist Titta Aguiar. Arlindo Grund vai mais longe: “Acho que só os fashionistas e formadores de opinião aderem a essa modaâ€. Por aqui, marcas como Reserva e Osklen traduzem de maneira cool a atual tendência, que pode ser encontrada também, em estilos e materiais igualmente interessantes, em redes de fast fashion.
Independentemente da etiqueta e do modelo escolhidos, a bolsa tem de combinar com o estilo de seu dono e, acima de tudo, ser feita de um ótimo material. Couro é sempre a melhor aposta. Bom também ficar atento ao fato de que, embora sejam ótimas substitutas de mochilas, pastas e, principalmente, bolsos abarrotados, as bolsas masculinas têm lá suas restrições dependendo do ambiente em que transitam. Em locais extremamente formais, pastas seguem como a melhor opção. Em festas que pedem trajes sociais, o melhor é deixá-las em casa também. Diante de tudo isso, basta se acostumar com o acessório e tirar o melhor proveito dele. “Comece pelas bolsas clássicas e vá evoluindoâ€, recomenda Arlindo Grund.
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É dia de feira
- 14 de janeiro de 2012 |
- 23h00 |
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Categoria: Comportamento
MARCELA RODRIGUES SILVA
A paulistana Marina Morelli, de 24 anos, teve seu primeiro contato com uma feira livre ainda na infância, acompanhada dos pais. Quando cresceu, esqueceu-se da movimentação que, toda a semana, mudava a cara de seu bairro. Só em 2010, bem longe de casa, quando foi estudar Arquitetura em Barcelona, ela redescobriu o real significado das feiras livres.
“Passei a observar como as pessoas viviam a cidade de forma saudável e isso incluÃa ir à feira ativamente. Criei o mesmo hábito e percebi que, além de produtos tÃpicos, dá para conhecer o povo local só observando-o no dia a dia de uma feiraâ€, conta.
De volta a São Paulo, no ano passado, Marina temeu que, como ela, outras pessoas estivessem ignorando esse patrimônio público. Uniu o útil à curiosidade e transformou a preocupação em um projeto do curso de Arquitetura e Urbanismo. “Depois de algumas incursões pela cidade, enxerguei as feiras livres como um bonito aproveitamento do espaço público, um local de trocas e relações pessoais que se apropria das ruas para alegrar o bairroâ€, avalia. A pesquisa de campo e as conversas madrugada adentro com os feirantes da Feira do Pacaembu renderam o site www.vaprafeira.com, com serviços e dicas sobre as feiras da capital paulista.
Mais que uma nota máxima na faculdade, Marina viu seu projeto resultar em um movimento para os paulistanos irem à s feiras. “As feiras servem à cidade. Os supermercados negam a vida na ruaâ€, defende ela no site. “Acho que falta consciência que ir à feira também pode ser prático e vantajoso. Curiosamente, 42 % das pessoas preferem feira, mas só 23% a frequenta.â€
Por causa dessa baixa adesão, a tradicional feira nos arredores do Estádio do Morumbi, por exemplo, em breve, vai perder espaço à s quartas-feiras. “A feira de quarta tinha 100 barracas. Hoje, são 30. Vamos passar todos os feirantes para a terça-feiraâ€, adianta José Roberto Graziano, supervisor-geral do Secretaria de Abastecimento de São Paulo.
Segundo ele, os consumidores estão mesmo indo cada vez menos à s feiras, que hoje somam 873 na cidade de São Paulo. Tudo por causa da correria da vida moderna e da concorrência. “As feiras em locais centrais, por causa da concorrência maior, estão diminuindo. As pessoas procuram praticidade, estacionamentos. Mas, nas periferias, onde há pouca estrutura, estamos criando mais feiras para abastecer a regiãoâ€, explica.
Evolução
A busca por facilidade fez do celular o melhor amigo do feirante. “Hoje todo mundo já trabalha com entrega, o que corresponde a boa parte das vendas. A pessoa liga, pede os produtos e entregamosâ€, conta Hernani “Lobãoâ€, de 45 anos, que monta sua barraca de frutas na Feira do Pacaembu e garante que foi o primeiro feirante da cidade a usar o celular para entrega. A maioria nem cobra frete.
Para Paulo Ferreira, de 51 anos, dono de uma barraca de verduras de 1938, herdada de seu avô, o perfil da clientela mudou. “As mulheres trabalham fora, não têm tempo. Dia de semana, são as pessoas mais velhas que vêm. Nos sábados e domingos, porém, há muitos casais jovens e moças. Em comum, todos querem atendimento personalizado e qualidadeâ€, afirma. O horário, dizem os feirantes, é outro empecilho. “Às 13 horas, as barracas já estão desmontando. Antigamente, podÃamos ficar até o meio da tardeâ€, lamenta Paulo.
Atalho para uma vida saudável
Se por um lado as mordomias da vida moderna desviaram os paulistano do caminho da feira, a tendência da busca pela qualidade de vida traça um atalho de volta aos feirantes. Não à toa, a Supervisão Geral de Abastecimento da Cidade, temerosa, anda traçando estratégias. Uma delas é apoiar movimentos de uma vida mais saudável. “Uma pessoa que procura uma alimentação natural vai sempre preferir a feira. Estamos também incentivando muito o consumo de orgânicosâ€, diz José Roberto Graziano.
A escritora Chris Campos, de 40 anos, sempre foi adepta de passeios pela cidade e coloca as feiras em seu circuito. “Quando meus amigos de fora vêm a São Paulo, sempre os levo para comer pastel na feira. É muito tÃpicoâ€, diz ela, que ficou ainda mais assÃdua das feiras depois de entrar numa “fase ainda mais saudávelâ€. “Às terças, vou à feirinha de orgânicos do Parque da Ãgua Branca; à s quintas, em Higienópolis, perto de casa; e quando quero comprar flores, em Pinheirosâ€, conta ela, que não abre mão da barganha honesta. “Confio na opinião dos feirantes. Afinal, eles querem que eu volte.â€
Confiança, aliás, é elemento essencial na relação feirante e freguês. Na Feira do Pacaembu e dos Jardins, há quem só compre mercadoria do “Toninhoâ€. Nelas, o feirante – que se chama Antônio Cardoso Silva, de 42 anos – é funcionário da barraca de frutas há mais de 30 anos. “A gente passa a conhecer os clientes, seus gostos. E eles confiam na gente também. Tenho freguesas de 20 a 90 anos.â€
Chef e apresentador do Hoje em Dia, da Record, Edu Guedes, de 37 anos, tomou gosto pela compra nas feiras ainda criança, levado pela avó. Para ele, além de encontrar a melhor fonte de produtos selecionados, ir à feira é um ato de cidadania. “É valorizar o trabalho do feirante, a tradição.â€
O apresentador conta que os feirantes também são experts em comida e podem dar consultoria ao cliente. “Se você quer comprar mamão e banana para três pessoas e que tudo dure cinco dias, com certeza, ele vai calcular e te indicar a quantidade exata. Você vai economizar e evitar o desperdÃcio. É um momento simples, mas agradável. No supermercado, você não tem issoâ€, afirma ele, que, aos domingos, leva a filha Maria Eduarda, de 2 anos, para comer pastel na Feira Livre da Alameda Lorena.
O chef e apresentador do Diário de Olivier, do GNT, Olivier Anquier, de 51 anos, também é um conhecedor de feiras e já coleciona estratégias para aproveitar o melhor delas. Segundo ele, quanto mais cedo chegar, melhor servido será. “Também vale a pena virar freguês fixo de uma barraca, pois o feirante vai passar a conhecer suas exigências. E, na dúvida se vai levar ou não a fruta, dê aquela provadinha. Na feira podeâ€, aconselha o francês radicado no Brasil, frequentador da Feira Livre do Pacaembu e do Mercado Municipal de São Paulo. “A cada nova cidade que chego, vou conhecer a feira. É um reduto cultura. E aqui em São Paulo, as feiras têm uma energia incrÃvel.†Para quem quer ser conhecido pelo nome e não como mais um número, a feira é o endereço ideal.
MOTIVOS PARA IR À FEIRA
> > Consultoria gastronômica: Quer saber quando o mamão vai amadurecer? Que verdura combina melhor com a abóbora? Os feirantes entendem de tudo, até de receitas
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> > Comprar tudo fresquinho: Todo dia, os feirantes madrugam para garimpar os melhores produtos especialmente para você
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> > Exercitar o paladar de graça: Quem não resiste em provar um pedacinho de abacaxi, de melancia, de maça…
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> > Evitar o desperdÃcio: Quer mamão para três pessoas durante cinco dias? Peça para o feirante calcular. Assim, você levará só o que, de fato, vai consumir
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> > Conhecer a vizinhança: Tem jeito mais informal do que encontrar o vizinho comendo pastel?
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> > Honestidade: O feirante quer que você volte, então, ele não vai passar a perna em você
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> > Custo-benefÃcio: Nem sempre tudo é mais barato do que no supermercado, mas leve em conta que você vai levar um produto na quantidade certa e de ótima qualidade
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> > Comer pastel e tomar caldo de cana sem culpa. A feira é o lugar perfeito para isso
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> > Espantar o mau humor: Leve na brincadeira as piadas dos feirantes. Eles só querem agradar
Sob nova geração
- 27 de dezembro de 2011 |
- 23h01 |
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Categoria: Celebridades, Comportamento
MARCELA RODRIGUES SILVA
Luiza Lemmertz, Sophia Reis e Lynn Court despontam no teatro, cinema e TV. Em comum, além do talento, elas trazem o sobrenome e os traços dos pais famosos
Aos 23 anos, a atriz Luiza Lemmertz carrega no sobrenome – e nos traços fortes de sua face – a responsabilidade de levar adiante a história de sua admirada famÃlia. Ela é filha de Julia Lemmertz, de 48 anos, a Esther de Fina Estampa, novela das 9 da Globo, e neta de Lilian Lemmertz, a primeira Helena de Manoel Carlos, que morreu aos 48 anos, vÃtima de um enfarte em 1986. E apesar dos preconceitos que costumam rondar os filhos que optam seguir o mesmo caminho dos pais famosos, Luiza não nega o sobrenome, tampouco a genética que lhe conferiu o talento para a atuação.
Depois de quase dois anos no Teatro Oficina, de José Celso Martinez, onde fez cursos e viajou pelo PaÃs, a jovem atriz começa a sentir as dores e as delÃcias da fama, ao ser reconhecida pela peça O Libertino, dirigida por Jô Soares, em cartaz no Teatro Cultura ArtÃstica Itaim, em São Paulo. “Sempre estive do lado underground do teatro. É minha primeira peça mais acessÃvel ao grande público. De fato, a popularidade aumentaâ€, reconhece ela, cuja responsabilidade aumentou com os elogios de Jô. “Ela tem porte de grande atriz. Me lembra a avóâ€, disse ele, na apresentação da peça à imprensa, em outubro.
Se hoje seu sobrenome é motivo de orgulho, durante a adolescência, Luiza Lemmertz revela que o peso dele a obrigou a adiar seus planos profissionais. “Sempre gostei de teatro na infância. Mas quando eu era adolescente, fiquei reclusa. Acho que era uma forma de rebeldia. Até foi bom para eu conhecer outras coisasâ€, explica a atriz, referindo-se à faculdade de Desenho Industrial, cursada apenas por três perÃodos no Rio de Janeiro.
Mais madura e sem medo das possÃveis – e quase inevitáveis comparações –, Luiza voltou a estudar teatro. A decisão trouxe essa carioca para São Paulo, em 2008, para os cursos no Teatro Oficina. Depois de mais de um ano viajando com o grupo do diretor José Celso Martinez, ela fincou raÃzes na capital paulista, onde pôde estar mais próxima de sua história.
Desde que se mudou, Luiza mora no apartamento que pertenceu ao avô, o ator Lineu Dias (1928-2002), na região central. Livros, pinturas, vinis e fotografias contam um pouco da trajetória de parte da famÃlia artista que ela pouco conheceu. No dia da entrevista ao JT, poucos dias antes do Natal, Luiza acabara de fazer uma limpeza de fim de ano na casa. “É para começar 2012 com novas energias. E acabei encontrando mais um monte de registros que nunca havia vistoâ€, disse ela.
“Meu avô era um intelectual. Encontrei tanta coisa interessante, inclusive fotos da minha avó. Morar aqui ajudou a me adaptar à cidade e também à profissão de atrizâ€, completou, sem esconder a felicidade de poder compartilhar com a mãe os anseios e as alegrias da profissão pela qual começa a ficar conhecida.
“Somos amigas e conversamos muito. E, claro, sempre que posso, eu a assisto na TV e adoro rever os trabalhos da minha avóâ€, revela ela, que lembra, ainda, de outra importante influência: o ator Alexandre Borges, seu padrasto. “Ele está na minha vida há mais de quinze anos e, com certeza, é mais uma referência que tenho a sorte de ter por perto.â€
Sophia, na TV e no cinema

Outro nome que começa a despontar no cinema e na TV e, inevitavelmente, a ser associado ao pai, é o de Sophia Reis, de 23 anos. A filha número dois do músico Nando Reis, ex-Titãs – que até pouco tempo era conhecida por inspirar uma música do pai, assim como seus outros quatro irmãos – escolheu o caminho de atriz e hoje se destaca e faz fama como repórter do programa A Liga, exibido às terças-feiras, às 22h20, na Band.
Sophia prefere dizer que apenas “está repórterâ€. Na verdade, ela é atriz de longa data. “Um amigo me falou que a emissora estava fazendo testes e quis tentarâ€, conta. Seu berço artÃstico, porém, é o teatro e a grande estreia acabou acontecendo no cinema, com o longa-metragem Meu Tio Matou Um Cara, de 2004, dirigido por Jorge Furtado e com Lázaro Ramos no elenco. Depois, de 2008 a inÃcio de 2010, ela foi VJ da MTV e, este ano, pôde ser vista no filme Os 3. Em novembro, fez ainda um ensaio sensual para a revista VIP.
Como repórter, Sophia ganhou popularidade por se mostrar como é. “O programa é mais do que uma experiência profissional. É pessoal. Tenho contato com realidades tão distintas. Os temas são complexos e pouco explorados. O programa tem um papel importante na sociedade e isso mexe comigoâ€, diz ela, que, várias vezes, emocionou-se diante das câmeras. “A gente vive em uma bolha e mal conhece São Paulo de verdade.â€
Como filha de pai famoso, Sophia diz que as comparações com ele são indiferentes, mas já sofreu com a proporção que a mÃdia deu a suas declarações. Recentemente, ela participou de um vÃdeo a favor da liberação da maconha. “A sociedade é hipócrita. A maconha é tão ruim quanto álcool e tabaco. E independentemente de fazer ou não parte de determinada realidade, posso ter uma opinião e expressá-laâ€, justifica. Ainda assim, ela não credita a polêmica ao nome do pai. “Ele faz uma coisa totalmente diferente da minha. Ele me influencia tanto quanto minha mãe. É normal.â€
A menina veneno de Ritchie

Lynn Court, de 27 anos, não seguiu o caminho do pai. Ainda assim, quando conta à s pessoas de quem é filha, não escapa de ouvir brincadeirinhas envolvendo o hit dos anos 80 Menina Veneno, imortalizado na voz do pai Ritchie, cantor e compositor inglês radicado no Brasil. A trajetória artÃstica de Lynn, no entanto, foi por outra direção. Ela flertou com o teatro, modelou, fez grafite, formou-se em Desenho Industrial. Só não enveredou-se pela música.
Em 2009, estreou como apresentadora do TV Globinho, no qual ficou menos de um ano, e participou de episódios de A Turma do Didi. Hoje, firma-se como apresentadora da revista eletrônica Noia, em sua segunda temporada pelo canal pago Woohoo, exibido às quartas-feiras, às 22h20.
Lynn admite que caiu de paraquedas na TV, mas que se encontrou nela. Tanto que, em 2010, começou a cursar Jornalismo no Rio de Janeiro, onde mora com os pais, para investir na carreira de apresentadora. “Meu pai nunca me pressionou para eu seguir na música, assim como minha mãe, estilista, também não. Mas, naturalmente, tomei gosto por diversas formas de artes. Somos uma famÃlia muita ligada à arteâ€, diz ela.
“O legal é que eles compreendem minha carreira. Muitas vezes, já trabalhando com TV, eu pensava em desistir, mas eles me apoiavam, incentivando-me a seguir o que eu amo.â€
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