O lobisomem quer ser gente
- 27 de outubro de 2012 |
- 21h45 |
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Categoria: Cinema
JOÃO FERNANDO
O lobisomem quer se tornar um ser humano. Prestes a estrear no quinto e último filme da saga Crepúsculo, Amanhecer – Parte 2, que chega aos cinemas brasileiros no dia 15 de novembro, Taylor Lautner, intérprete de Jacob, que se alterna entre homem e lobo falante, quer ficar próximo da realidade. “Fiquei muito tempo fazendo papéis no mundo sobrenatural. Agora, quero ir para o mundo realâ€, confessa o americano, de 20 anos, que esteve no Rio nesta semana, para divulgar o filme.
Antes de fazer sucesso na rentável franquia Crepúsculo, iniciada em 2008, Lautner atuou no longa infantil em 3D As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl (2005), além de ter dublado desenhos animados. Agora, em Amanhecer – Parte 2, ele vive uma história difÃcil de se crer: nutre uma paixão intensa – chamada de ‘imprinting’ nos livros que originaram a produção – pela filha dos vampiros Edward (Robert Pattinson) e Bella (Kristen Stewart), que começa quando ela ainda é uma criança. De acordo com a trama original da autora Stephenie Meyer, a situação é corriqueira com os lobisomens e Jacob esperará a menina se tornar adulta para engatar o relacionamento.
A vampira, porém, não ficará feliz em saber que sua primogênita está na mira de um lobisomem. “Essa foi uma das cenas mais legais e mais trabalhosas. A Bella me leva para o quintal e mostra quem é que manda. Foi hilário ver a Kristen daquele jeito, enquanto ela me jogava no cantoâ€, relembra. Para ele, os exageros do longa não soam absurdos. “Mesmo que não houvesse vampiros, é uma história com a qual as pessoas se identificamâ€, filosofa ele, que jura nunca ter tido pesadelos com lobisomens nem com seres sugando seu sangue. “Mas agora que você me falou isso, talvez eu tenhaâ€, disse quando questionado pelo JT durante conversa com a imprensa.
Apesar de ter se cansado de ficar na pele do lobo, Taylor Lautner lamenta o fim da saga. “É muito triste estar acabando. Queria voltar no tempo para aproveitar cada momento. Não sei se haverá um spin off (história a partir de um braço da trama original), seria uma boa ideia.â€
Ele garante estar pronto para diferentes tipos de filmes. “Quero atuar em todos os gênerosâ€, avisa. Diz ainda que tem vontade de trabalhar em Crepúsculo com outro papel. “Eu queria ver a história de outro ângulo, talvez do ponto da Bella. Mas seria complicado, eu teria de usar perucaâ€, brinca.
O americano desmente os rumores de que protagonizaria a adaptação para o cinema do best-seller Cinquenta Tons de Cinza. Ele estaria cotado para ser Christian Grey. “Nem li o livro, mas vi as pessoas falando. É uma história legal e obscura. Não houve conversa, mas é um bom projetoâ€, afirma.
Reservado para rodar o longa Tracers, nos EUA, ele já sabe quem quer ser quando ‘crescer’. “Meus atores favoritos são Tom Cruise, Denzel Washington e Matt Damon. Eles já fizeram todos os tipos de papéisâ€, analisa. Lautner cogita a possibilidade de trabalhar numa produção brasileira. “Sei que há muitos talentos por aquiâ€, comenta ele, sem citar nenhum exemplo. “Não sei se já vi algum filme brasileiro.â€
Quando veio ao Brasil pela primeira vez, em 2010, Lautner ficou assustado com as fãs, que ultrapassaram o bloqueio da segurança para tentar agarrá-lo. “Não tenho de pedir desculpas. Elas são passionais e agressivas, mas adorei.†::
007 de volta às origens
- 26 de outubro de 2012 |
- 15h38 |
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Categoria: Cinema
JOÃO FERNANDO
joao.fernando at estadao.com
Cinquentão, James Bond continua em forma. Bom para ele, que terá de suar ainda mais sua camisa de agente secreto. Em 007 – Operação Skyfall, que chega hoje aos cinemas, o mais famoso espião britânico, vivido pela terceira vez por Daniel Craig, precisa proteger os colegas de trabalho de serviço secreto na MI6, cuja sede foi atacada numa tentativa de assassinato de M (Judi Dench), a chefe, que escapa por pouco.
Para marcar os 50 anos da franquia 007 no cinema, o longa resgata elementos das primeiras histórias. “É uma combinação do estilo clássico dos filmes de Bond, mas com um toque do novo. Com o Daniel, voltamos ao primeiro livro, Cassino Royale (2006). Ele é um Bond clássico com estilo contemporâneoâ€, explica a produtora Barbara Broccoli, filha de Albert Broccolli (1909-1996), também produtor de cinema, responsável por lançar James Bond nas telonas.
Em Operação Skyfall, Bond é dado como morto depois de uma missão malsucedida em que tenta impedir um criminoso de roubar uma lista de nomes de agentes secretos infiltrados em organizações terroristas pelo mundo. Ao saber que M corre perigo, o espião retoma suas atividades para ir atrás de Silva (Javier Bardem), que está por trás dos atentados.
Por ter amigos sob ameaça, Bond deixa aflorar seu lado mais humano. “Não houve esforço consciente para mostrar isso. Só sinto que o personagem tem muito a dizer e a sentirâ€, filosofa Daniel Craig, que diz que filmes de ação também mostram o interior do personagem. “Sou fã de filmes com explosões, em que você tem o elemento humano. Você vai com os personagens, vive a emoção com eles.â€
Sem frescura para as sequências de perseguição, Craig tenta fazer o máximo sem auxÃlio de dublês. “Claro que tenho medo de me machucar. Felizmente, não tive nada grave. Eu distendi um músculo durante o treinamento. Tive de parar por semana, mas não foi nada para me preocuparâ€, conta o ator ao JT, durante uma conversa com jornalistas brasileiros via internet.
Quem treme na base durante as cenas arriscadas de Craig é Barbara Broccoli. “Meu pai não tinha medo de nada nem de ninguém. Porém, quando você faz esse tipo de filmes, há muita energia gasta. Fico ansiosa quando Daniel faz as cenas de ação, mas temos bons profissionais ajudando. Neste filme, fiquei nervosa quando ele estava em cima do trem. Mas, meu pai me ensinou a ser uma menina corajosaâ€, diz Barbara.
Apesar da combinação mulheres bonitas e carros caros, o ator garante que não se sente um privilegiado na pele de Bond. “Estou tão distante do James Bond. Gosto de carros e mulheres. Mas meu trabalho é fazer isso parecer possÃvel, fazê-lo interessante para as mulheresâ€, minimiza.
Desta vez, o agente secreto trocou seu tradicional martini por uma marca de cerveja holandesa, que reforçou o orçamento da produção. Se 007 tivesse outra missão no Brasil – ele passou pelo Rio de Janeiro em 007 Contra o Foguete da Morte (1979) –, Craig não sabe se o personagem experimentaria as bebidas locais. “Sei que o Daniel Craig gosta de caipirinha. Mas posso convencê-lo (Bond). Não sei dos planos para próximo filme, mas adoraria ir ao Brasilâ€, confessa. “Bebi algumas quando filmamos no Brasil. Também gostaria de voltarâ€, afirma Barbara.
Ter escolhido um James Bond loiro e de olhos azuis, diferente dos antecessores, não foi um problema para a produtora. “Cassino Royale foi o livro mais importante. Foi difÃcil montar o elenco daquele filme, pois é a formação do James Bond. Ele foi o único que eu via nesse papel. Eu impus e ele aceitouâ€, brinca. Craig não reclama. “Estou satisfeito com a forma que as coisas andam. Eles continuam me dando emprego e eu vou.†::
Romance do colonialismo
- 22 de outubro de 2012 |
- 20h29 |
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Categoria: Cinema
Miguel Gomes esteve três vezes na Argentina, mas só agora aporta em terras brasileiras. Veio para a exibição de Tabu na Mostra. Está encantado com São Paulo. “As pessoas aqui são muito calorosas. Acho que é mais uma coisa que tenho de agradecer a Manoel (de Oliveira). Ele criou um laço muito forte entre os cinéfilos e o cinema portuguêsâ€, observa sorrindo, com seu sotaque luso.
Em fevereiro, em Berlim, Tabu ganhou o prêmio da crÃtica. Os jornalistas brasileiros presentes na Berlinale amaram seu filme, mas Gomes – autor também do deslumbrante Aquele Querido Mês de Agosto– respondia à s perguntas de forma evasiva. Parecia blasé, quando não irritado.
É outra pessoa. Simpático, sorridente. “É o calorâ€, argumenta. Em Berlim, havia frio e neve. Em São Paulo, há também a cachaça, que ele degusta no bar do hotel na região da Paulista, onde se hospedam os Vips da Mostra. Além do sucesso de crÃtica, Tabu virou um fenômeno de vendas. “O filme foi vendido para mais de 40 paÃses, o que é um recorde para o cinema de Portugalâ€, diz.
Por trás da euforia, há um pouco de preocupação. Tabu só se tornou possÃvel por causa de parcerias internacionais – com a empresa brasileira dos irmãos Caio e Fabiano Gullane, por exemplo. Depois disso, a crise piorou muito em Portugal. A produção está sendo paralisada, ou quase. “O que vocês estão vendo de cinema português é de antes da crise. Acho que agora, e por um bom tempo, vai haver escassez de filmes lusos nos grandes festivais.â€
Por mais ambicioso que seja Tabu – como reflexão sobre a memória, tanto a do cinema quanto a do passado colonial de Portugal –, o filme também é rigorosamente autoral. Feito em preto e branco, possui um tom romanesco. Na segunda parte, quase não tem diálogos, sendo contado por um narrador. O próprio Miguel Gomes brinca e o ator brasileiro Ivo Müller, presente com ele na entrevista, lembra momentos hilários da filmagem. “O Miguel chegou a criar uma frase padrão. ‘What happens in Africa stays in Africa.’ O que acontece na Ãfrica, permanece na Ãfrica. A gente repetia isso, incansavelmente, porque ele sabia que ia gravar sobre as falas da gente o relato do narrador.â€
Gomes acrescenta – “Se alguém fizer leitura labial do que dizem os personagens não vai entender nada. É um diálogo de doidosâ€, diz , e ri. Outra caracterÃstica do seu cinema presente em Tabu – como em Aquele Querido Mês de Agosto, que a Mostra apresenta hoje. Gomes faz um cinema de bordas, mistura ficção e documentário. Ele foi crÃtico, antes de virar cineasta. Sempre quis ser autor. O tÃtulo evoca a obra-prima cuja direção Friedrich Wilhelm Murnau, um gênio da ficção, e Robert Flaherty, um dos maiores documentaristas do cinema, compartilharam em 1931 (no próprio ano em que o primeiro morreu num acidente de carro). A protagonista chama-se Aurora, como outro clássico que Murnau realizou nos EUA, em 1927.
Essas referências são muito fortes para ele, mas Gomes diz que seria muita pretensão querer se comparar a um artista tão grande. Lembrando Dorival Caymmi, que dizia que quem não gosta de samba bom sujeito não é, ele afirma que é impossÃvel amar o cinema sem a contrapartida de amar Murnau. A Mostra reverencia o gênio do expressionismo exibindo no encerramento, dia 2, no Parque do Ibirapuera, a versão restaurada de Nosferatu, com trilha sonora executada ao vivo pela Orquestra Petrobrás Sinfônica, sob a regência do maestro alemão Pierre Oser.
Tabu conta a história de uma velha dama que morre. Quando isso ocorre, sua empregada de Cabo Verde e uma vizinha da falecida descobrem que no passado ela viveu um grande amor. Partem em busca desse homem. A primeira parte desenrola-se em Portugal, na atualidade. A segunda é sobre o passado colonial, mas não é sobre o tabu da guerra, sequer sobre os traumas psicológicos que imprimiu em milhares de portugueses obrigados a lutar contra a ilusão de um tempo que era já passado.
Tabu, segundo seu autor, é sobre um tempo perdido. Sobre um paraÃso perdido. Gomes parece poetizar quando fala de uma enorme quinta – “uma quinta que tÃnhamos como quintal em Ãfrica.†E ele prossegue, como se fosse um recitativo de Tabu. “É um filme sobre um tempo de derrisão, de sonhos perdidos no rolo da História, alheio ao romantismo de um ultrapassado conceito de Ãfrica colonial. É sobre uma Ãfrica, dita portuguesa, que se um dia o foi, com certeza não é mais.â€
Sua última fala é para agradecer a Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Pedro Costa. “Apontaram o caminho de que o cinema português, para o ser, só se fosse radicalmente autoral.â€A crise vai estar no próximo filme, que por enquanto só existe em sua cabeça. “Vai ser o meu Mil e Uma Noites, várias histórias contadas por  uma Xerazade contemporânea.
Luiz Carlos Merten
Veja o trailer de ‘As Vantagens de Ser InvisÃvel’
- 18 de outubro de 2012 |
- 23h52 |
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Categoria: Cinema
Em As Vantagens de Ser InvisÃvel um adolescente introvertido inicia o ensino médio com pouxas esperanças de fazer amizades, mas conhece dois veteranos com personalidade semelhante à sua e, com eles, consegue se soltar. Adaptação do romance com o mesmo nome, o filme é estrelado por Logan Lerman (de Percy Jackson e o Ladrão de Raios), Emma Watson (de Harry Potter) e Ezra Miller (de Precisamos falar sobre o Kevin). Veja o trailer:
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As Vantagens de Ser InvisÃvel, Emma Watson, Ezra Miller, Logan Lerman
A incansável Fernanda Montenegro
- 13 de outubro de 2012 |
- 22h52 |
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Categoria: Cinema, minissérie, TV
Fernanda Montenegro está de volta ao Rio Grande do Sul. Há poucos meses, ela esteve na região de Bagé, integrando o elenco da adaptação que Jayme Monjardim fez do épico O Tempo e o Vento, de Érico VerÃssimo. Fernanda interpreta a velha Bibiana, matriarca da famÃlia Terra-Cambará, que recebe a visita do espÃrito do eternamente jovem Capitão Rodrigo.
“A personagem é inalcançável, um mitoâ€, ela define. Fernanda esteve até quinta-feira em Porto Alegre fazendo Dona Picucha, protagonista do especial de Natal – um telefilme – que a Casa de Cinema, por meio dos diretores Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, realiza para a Globo.
Ainda sem tÃtulo –  Dona Picucha é provisório –, o telefilme conta a história de uma idosa que anuncia para os filhos que a doméstica que a acompanha está indo embora. E agora – quem fica com mamãe? A trama lembra Parente É Serpente, de Mario Monicelli, mas toma outros rumos (e outro desfecho).
Como a personagem Dona Picucha surgiu em sua vida?
Como um presente. Conheço o pessoal da Casa de Cinema de Porto Alegre, mas não imaginava que, de repente, eles fossem me propor um trabalho, e um trabalho tão especial quanto esse. Havia feito Bibiana Terra, uma personagem mÃtica, inalcançável. É uma figura universal, mas aqui no Rio Grande do Sul seu significado é maior. Ela integra os mitos formadores da identidade gaúcha. Cada um tem a sua Bibiana, o seu Capitão Rodrigo no imaginário. Não é fácil entrar nesse território dos mitos. Espero que Jayme Monjardim tenha acertado o tom. Em contrapartida, Picucha parece mais fácil. É uma senhorinha como muitas outras. Mas é uma guerreira que ninguém derruba e ninguém esmorece. Tive imenso prazer em fazer a personagem.
Você agora acaba de fazer uma cena decisiva. Qual foi?
É aquela em que Picucha anuncia que a doméstica está indo embora e ela vai ficar sozinha. Isso provoca uma revolução na famÃlia. Nenhum filho quer ficar com a mãe, mas a famÃlia reunida terá de enfrentar o problema.
Não quero ser invasivo, mas após a morte de seu marido, Fernando Torres, seu filho Cláudio disse que “mamãe†havia descoberto um prazer especial no contato com a terra, comprando um sÃtio. Foi coisa de momento?
Não, é algo mais profundo. Poderia ter sido só para enfrentar uma perda dolorosa. Mas sou filha de imigrantes. Portugueses de um lado, italianos de outro. Meus antecessores vieram para o Brasil atraÃdos pela ideia de um paraÃso e encontraram a dura vida. Eram camponeses, nunca desistiram. Na minha infância, no Rio, vivia numa casa com horta, não digo pomar, mas tÃnhamos árvores frutÃferas. O contato direto com a terra ajudou a fazer quem eu sou. Foi uma retomada, digamos.
E como você virou atriz?
Mas meu filho (Fernanda abre os braços), você acha que eu sei? É a grande pergunta da minha vida. Talvez tenha sido meu pai. Ele trabalhava com madeira. Era artesão, mas fazia um trabalho tão caprichado que virava arte. Meu pai entendia a madeira, falava com ela, tinha respeito por ela. Não era um artista, mas talvez tenha sido a relação dele com a madeira que me abriu os olhos e o coração para o que há de criativo na atividade humana.
Você fala com muito carinho de seu pai. É assim que se lembra dele?
A vida é assim. Quando jovem, você quer contestar, se libertar. Mas quando amadurece ou envelhece, adquire outra percepção. O que fica é o reconhecimento, o afeto.
Você está aqui em Porto Alegre e neste momento a TV retoma um de seus sucessos, a novela Guerra dos Sexos</CF>. Como encara isso?
Não é um retake, como é que se diz? Remake? Na nova versão da novela, Silvio de Abreu não retoma os mesmos personagens, mas seus descendentes. Tem gente que acha que Paulo Autran e eu trabalhamos muitas vezes juntos. Foi a única, mas a gente combinou tanto que alimentou essa ideia de uma longa parceria. Paulo era um grande comediante. E o mais importante – éramos felizes naquela época, e sabÃamos. Não posso falar da nova versão porque ainda não tive tempo de ver. A gente filma aqui até tarde. Só espero que Irene Ravache e Tony Ramos se divirtam tanto quanto a gente.
Então você também não vê Avenida Brasil?
Ah, não. Às 9 da noite já estou no hotel. Vejo, sim.
E…?
Como a maioria da população, estou ligada na novela. João Emanuel Carneiro está fazendo uma revolução na dramaturgia para TV. Escrever novela é coisa muito dura e difÃcil. São 200 capÃtulos. Ele eliminou o nhenhenhém. Propôs uma experiência dramatúrgica. Só momentos fortes, o que não interessa foi pro lixo. Isso tem possibilitado aos atores um trabalho extraordinário.
E o Brasil, está melhor?
Na verdade, há dois Brasis. Um, que continua com problemas de educação e saúde, e outro, que nunca esteve melhor. Mas continuo acreditando que o PaÃs só será grande quando tiver educação e saúde para todos. É um sonho do qual não abro mão.
E a cultura?
Sem educação não há cultura, e vice-versa. Apresentei Viver sem Tempos Mortosnos CEUs de São Paulo, sempre para plateias lotadas. Há curiosidade do público. Os jovens têm sede de informação, de saber. Essa história de que jovem é alienado não tem nada a ver. Qualquer jovem sabe hoje mais que seus pais, e avós.
E você, alguma coisa que ainda quer fazer na carreira?
Ih, meu filho, se ainda não fiz, aos 80 e tantos não vou fazer mais. O importante é que consigo viabilizar projetos, gosto do que faço e ainda me convidam para coisas como a Picucha. Não me canso de fazer Viver sem Tempos Mortos porque me identifico com a personagem, Simone de Beauvoir. Ela encarnava a modernidade da mulher quando eu era jovem. O mundo mudou e a Simone continua sendo um farol. E ela me ilumina.

