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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Michelle Obama visita barracão da Tijuca

Categoria: Antenado

O carnavalesco da escola do Grupo Especial do Rio de Janeiro Unidos da Tijuca, Paulo Barros, contou que a primeira dama norte-americana Michelle Obama tocou chocalho e tamborim durante a visita de uma hora que fez hoje ao barracão da escola, na Cidade do Samba, região central do Rio.

Segundo Barros, a escola apresentou à primeira dama norte-americana e a suas filhas, Malia e Sasha, um workshop dos instrumentos. Elas também assistiram a uma apresentação da bateria e de parte da escola. Dois dos carros alegóricos foram apresentados a ela, que passaram na Marquês de Sapucaí, no desfile deste ano. Os dois se referem a filmes norte-americanos: Indiana Jones e Harry Potter.

Barros contou que Michelle foi extremamente simpática, e se mostrou feliz “do minuto em que entrou ao que saiu”, e até sambou. “Ela leva jeito para samba, mas é o jeito americano. Quando apresentamos a comissão de frente e a cabeça ‘caiu’, disse ‘amazing’ (incrível em inglês) e também arriscou palavras em português, linda e bonita”, afirmou Barros.

As exigências do governo norte-americano para a visita incluíram a ausência de fotógrafos; a proibição de divulgação de informações no período anterior à visita; e uma inspeção do barracão por agentes norte-americanos. O contato entre a escola e o governo dos Estados Unidos se deu no ano passado, quando a equipe de Barros precisou de ajuda para conseguir vistos de entrada nos Estados Unidos para fazer pesquisas que ajudassem no desenvolvimento do enredo da escola para o Carnaval deste ano, que tratou do medo no cinema. O carnavalesco foi contatado há 15 dias para preparar a apresentação de hoje, que incluiu cerca de 70 integrantes das escola. Eles fizeram um mini-desfile, dividido em alas.

(Roberta Pennafort)

José Padilha vai dirigir Robocop

Categoria: Antenado, Cinema

Primeiro, o ator baiano Wagner Moura foi confirmado para ser o vilão da ficção científica “Elysium”, dirigida por Neill Blomkamp. Agora, o diretor José Padilha, de Tropa de Elite, assinou contrato com o estúdio MGM, par dar início a seu primeiro trabalho em Hollywood. O cineasta brasileiro irá dirigir a refilmagem de Robocop – o longa futurístico, de 1987, era dirigido por Paul Verhoeven.

Com roteiro de Joshua Zetumer, o novo Robocop tem previsão de lançamento para 2013. Provavelmente, a filmagem será ambientada na cidade de Detroit, da mesma forma que o filme original. Segundo o site Deadline.com, de NY, os produtores da sequência ficaram impressionados com o trabalho de Padilha, que com Tropa 2 arrecadou US% 60 milhões em bilheteria no Brasil. Na ocasião, deixou para trás longas como “Avatar” e “Alice no país das maravilhas”.

Veja o trailer do primeiro filme:

O imprevisível Serguei, agora na internet

Categoria: Antenado, Celebridades, Música, TV

PEDRO ANTUNES

O diretor carioca Leandro Ramos, 29 anos, tinha plena consciência do que estava fazendo quando disse ao roqueiro Serguei: “Você pode fazer o que quiserâ€. Essa instrução (ou falta dela) era o que o músico de 77 anos precisava para ficar totalmente à vontade. No último dia de gravação do programa Serguei Rock Show – exclusivo do site do canal por assinatura Multishow e que estreia hoje, às 17h –, Ramos se viu, com as câmeras ligadas, de frente com um Serguei nu. Sem roupa alguma. O diretor gostou tanto que resolveu utilizar as imagens gravadas nos vídeos chamando para o programa – com as partes íntimas de Serguei cobertas por artes gráficas. “Eu disse que ele poderia fazer qualquer coisa. E ele fezâ€, explica Ramos.

O carisma de Serguei conquistou o Multishow quando ele foi convidado para gravar as chamadas para o Prêmio Multishow do ano passado. “Não queria deixar que a imagem dele (Serguei) saísse do inconsciente das pessoasâ€, diz Ramos. Serguei Rock Show tem 10 episódios. Todas as sextas-feiras, irá ao ar o episódio completo e inédito. De segunda à sexta, também às 17h, será exibido um quadro do programa. Tudo foi gravado no Templo do Rock, onde Serguei mora, em Saquarema, a pouco mais de 100 Km do Rio de Janeiro. “O cara mora num museu. Você consegue acreditar nisso?â€, comenta Ramos. Serguei completa: “Eles adoraram. Queriam um cenário psicodélico e me pediram para não mudar a minha casa em nadaâ€, diz, antes de mudar completamente de assunto. “Estou olhando para um relógio gay que eu ganhei. É lindoâ€.

Durante os 20 minutos que conversou com o JT, por telefone, Serguei divagou sobre sua casa, sua vida em Saquarema, sua banda – chamada Pandemonium e que aparecerá no primeiro episódio –, sobre sua experiência como ator no programa Show do Tom, da TV Record (“o Tom Cavalcante é incrívelâ€) e, às vezes, sobre a nova atração do Multishow. Um papo, como ele mesmo gosta de dizer, bastante psicodélico.

Essa imprevisibilidade, segundo o diretor Leandro Ramos, é a grande graça do Serguei Rock Show. “Ele é super profissional. Estava sempre acordado às 9h, quando chegávamos, mas, ao mesmo tempo, é indirigível (risos)â€, diz.

“Pra lá de Marrakechâ€
Foram 10 dias de gravação, das 9h às 22h, mas, para Serguei, foram 4 ou 5. “Não me lembro direito, sabe?. No fim, eu já estava pra lá de Marrakechâ€. Serguei não precisou decorar nenhum texto. Durante as gravações, Ramos conversava com o roqueiro, dizendo quais seriam os próximos quadros a ser gravados. Cada episódio é em homenagem a um músico admirado por Serguei, de Beatles ao tenor Andrea Bocelli.

Nos episódios, Serguei comenta clipes musicais (de clássicos a Restart), dicas de saúde e, claro, sexo. “Nunca faça uma suruba ouvindo funk, ok?â€, aconselha. Os cantores Rogério Skylab e Zéu Brito também foram convidados para visitar o Templo do Rock. Por fim, haverá um correio de amor roqueiro, de nome sugestivo, LSDate. Para ficar mais antenado nas novidades, Serguei diz que até comprará um computador. “Para mim, é só uma máquina de escrever com uma tela na frenteâ€. E termina o papo com um desejo: “Quero mostrar minha bunda na internet. Ainda vou mostrar. Quem sabe se houver uma próxima temporada?â€. Será?

A singeleza das emoções

Categoria: Antenado, Arte

MAIARA CAMARGO

José Leonilson Bezerra Dias (1957-1993), o Leonilson, fez de sua experiência individual o centro criativo de seu trabalho artístico. Com uma singeleza de partir o coração, estampou telas, desenhos, bordados e cadernos com fragmentos de suas crenças, desejos e paixões. Grande nome da arte nacional nas décadas de 80 e 90, ganha a partir de hoje sua maior exposição, Sob o Peso dos Meus Amores, também nome de um de seus trabalhos. A mostra, que reúne mais de 310 obras, ocupa três andares do Itaú Cultural e ainda recria, na Capela do Morumbi, a instalação que Leonilson elaborou em 1993 para o espaço, mas não chegou a ver pronta, já que em maio daquele ano morreu em decorrência da Aids, aos 36 anos.

Nascido em Fortaleza, Leonilson mudou-se para São Paulo ainda criança. Estudou artes plásticas na Faap, entre 77 e 81, com professores como Nelson Leirner, Júlio Plaza e Regina Silveira. Integra a Geração 80, movimento que valorizava uma retomada da pintura. Em 1984, participou da lendária exposição Como Vai Você, Geração 80?, no Parque Lage, no Rio de Janeiro, que contou com Beatriz Milhazes, Cristina Canale, Leda Catunda e Sérgio Romagnolo.

Com curadoria de Bitu Cassundé e Ricardo Resende, Sob o Peso de Meus Amores apresenta a obra de Leonilson a quem não o conhece e traz novas facetas de sua produção. Há peças do Projeto Leonilson (grupo que pesquisa a obra do artista), de museus e particulares, incluindo trabalhos nunca exibidos. Um dos pontos altos são as 71 obras da coleção do artista plástico alemão Albert Hien.

A sugestão de Cassundé é que os visitantes passem primeiro pelo subsolo do instituto, onde uma sala intimista apresenta uma grande linha cronológica permeada por trabalhos e dados biográficos do artista. Por lá, o destaque são os cadernos e escritos de Leonilson. “São nove agendas digitalizadas que podem ser manipuladas pelo público. Nelas, há uma produção poética, além de ser possível acompanhar o cotidiano e descobrir projetos deleâ€, afirma.

Chernobyl
Na sequência, um núcleo reúne as obras cedidas por Hein para o evento. Entre elas, parcerias com Leonilson e quatro obras do artista alemão. Um dos trabalhos que promete chamar a atenção é a instalação How to Rebuild at Least One Eight Part of the World, feita por Leonilson e Hein. “A obra discute a nuvem atômica de Chernobyl e tem tudo a ver com o que está acontecendo com o Japão agoraâ€, explica Cassundé.

No último andar da exposição, entra em cena a palavra, elemento muito explorado pelo artista. “A palavra é utilizada como um dado relacional. Assim, o público acaba sendo seduzido pelo desejo de ver o desejo do outro. É simples, mas também sofisticadoâ€, explica Bitu Cassundé.

Após descobrir que estava com Aids, Leonilson precisou abandonar as tintas por causa de uma alergia, passando a dar mais ênfase aos fios. “Nos seus últimos anos de vida, ele usou tecidos leves e fez obras pequenasâ€, diz. “Embora não seja o destaque, há peças que tratam da Aids. Em Perigoso, por exemplo, ele cria uma espécie de via crúcis da doençaâ€. Paralelamente à mostra, o Itaú Cultural abre espaço, entre 13 e 23 de abril, para performances inspiradas em Leonilson e seminários.

Tralha para fazer som

Categoria: Antenado, Arte, Comportamento, dança, Espetáculo, Música, Show, Vídeos

Tom Zé com seu buzinório

Tom Zé com seu buzinório

FELIPE BRANCO CRUZ

Uma série de tubos retorcidos de PVC reverberam um som produzido por uma sola de chinelo. Uma enceradeira e uma série de buzinas produzem barulhos que, quando combinados, se transformam em música. Brinquedos de crianças, como o pogobol, o Genius e uma galinha de plástico, também servem a esse propósito. Esse tipo de invenção pode ser visto no trabalho de alguns artistas brasileiros, como Tom Zé e as bandas Leela, Spyzer, Uakti e Pato Fu. A partir de objetos inusitados, eles fazem surgir sons que depois são incorporados em suas composições.

O objetivo, segundo os músicos, é agregar uma sonoridade diferente aos instrumentos tradicionais, como guitarra, bateria, baixo e violão. A ideia pode soar nova, mas vem de longe. Um dos precursores é o próprio Tom Zé, 74 anos. Na década de 70, ele chocou o público e a crítica ao subir no palco usando buzinas, uma enceradeira e até um esmeril. “Quando uma pessoa nasce com uma voz linda ou é um grande instrumentista, ele não precisa se preocupar com nada. Mas quando o cara é ruim, como eu sou, tem de inventar esses instrumentosâ€, diz Tom Zé. “Só não pode errar no instrumento, se não fica ridículoâ€. Nessa onda, ele já inventou o Buzinório (foto maior), o Enceroscópio (com enceradeiras) e o Hertzé (uma espécie de antepassado dos samplers dos DJs). E as invencionices de Tom Zé rompe fronteiras. No próximo show que o artista fará no exterior, no dia 19 de julho, no tradicional Lincoln Center, em Nova York, ele estará acompanhado dos seus insólitos instrumentos. Quem quiser vê-lo em ação, pode assistir ao DVD do show Pirulito da Ciência, lançado recentemente em todo o País (assista abaixo).

Spyzer e Pato Fu, por outro lado, são bandas que, além de inventarem seus próprios instrumentos, também pesquisaram por outros mais inusitados. No caso dos paulistas do Spyzer, a busca por novos sons é no sentido de reproduzir no palco tudo aquilo que poderia ser feito por meio de sintetizadores. “Não somos DJs. Somos uma banda. No palco, tocamos todos os instrumentos para fazer música eletrônicaâ€, diz o guitarrista Jay, 29. Para isso, eles utilizam, por exemplo o Grande Pan ou Chinelofone, um instrumento aerofônico, que amplifica o som produzido por batidas feitas por chinelos nas bocas de tubos de PVC. “É bem peculiar. Foi preciso experimentar bastante até chegarmos às inclinações perfeitas dos tubos para produzir os sons certosâ€, diz Jay. “As curvas dos canos de PVC lembram os grandes órgãos das igrejasâ€.

Música de brinquedo
John Ulhoa, 45, guitarrista do Pato Fu, é outro entusiasta das novidades, interesse que sempre foi um dos motores criativos da banda. Em 1996, por exemplo, durante o Hollywood Rock, John mostrou ao público um dispositivo eletrônico, batizado de pad man, criado por ele mesmo. Tratava-se de uma luva com captadores de som, acionados quando ele batia no próprio corpo. “Até hoje, o pessoal pede para eu tocar o pad man. O problema é que tem de bater muito forte no corpo. Dói pra carambaâ€, diz John. A nova da banda é usar instrumentos infantis (sax, teclado, bateria, tudo de brinquedo) ou qualquer outro brinquedo que produza som. E aí vale de tudo, até uma galinha de plástico. “A gente toca pogobol, por exemplo. É o brinquedo com um captador de som na bola e que faz barulho quando pulamos em cimaâ€, conta John. “Mas há também o som de um fantasminha ou do brinquedo Geniusâ€, destaca.

Instrumentos como esses ajudam a potencializar a criatividade musical dos brasileiros, representada em Minas Gerais pelo grupo Uakti, em atividade desde 1978 e especializado em tocar e criar os instrumentos que usa. O grupo faz estudos musicais em diversas áreas e seus instrumentos são acústicos e classificados em categorias como aerofones, eletromecânicos, idiofones, cordofones. “A construção de instrumentos acústicos parou no século 19â€, diz o instrumentista Arthur Andrés, 52. “Depois da Segunda Guerra Mundial, foram criados uma série de materiais, como ligas metálicas e plásticos, que possibilitam criar novos instrumentosâ€. Entre os artistas que já tocaram com o Uakti, estão Milton Nascimento e Zélia Duncan. “Na Renascença, muita gente criava os próprios instrumentos, de sopro ou corda. Cada feudo tinha o seuâ€, diz ele. “Fazemos pesquisa musical. Para isso, utilizamos materiais do cotidiano, como cabaças, potes com água, cabos de embreagens. Há um mundo de possibilidade para criarmosâ€. O que importa é fazer música. Tralhas nunca vão faltar.