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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Brincadeira de adulto

Categoria: Comportamento

Paper toy de Angus Young, criado por Ivan Bogard

Paper toy de Angus Young, criado por Ivan Bogard

Clique aqui, imprima e monte a versão de Angus Young

 

PEDRO ANTUNES

As instruções soam infantis: recorte na linha pontilhada, dobre e monte. Mas a matéria-prima frágil faz com que o público seja mais crescido. Feitos de papel, como o próprio nome diz, os paper toys são brinquedos direcionados, principalmente, para os adultos. E viraram uma mania que se espalhou pela internet.

Esses simpáticos bonequinhos são, na verdade, uma variação dos toy arts que ganharam força nas mesas e estantes nos últimos anos. A grande graça do paper toy é que qualquer um com uma impressora, papel, tesoura e um pouco de paciência consegue montar o seu. E a variedade é quase infinita. Há opções de personagens de quadrinhos, filmes, desenhos, personalidades da música, da televisão… Para encontrá-los, basta alguns minutos navegando na web. E mãos à obra. Literalmente.

Foi por meio da internet que o web designer Tamar Guastella, 33 anos, descobriu a arte de recortar e montar, em 2008. O gosto pelo trabalho veio logo. “É um hobby barato”, diz. Na ânsia por conhecer e divulgar os paper toys, ele criou o site Papertoyart.com (http://papertoyart.com), uma espécie de portal que reúne o trabalho de vários artistas. São eles que contribuem para a formação do acervo, hoje com cerca de 600 opções para download. Em casa, porém, a coleção é pequena: 17. Ossos do ofício de um pai de uma criança de 2 anos. “Esses bonecos bonitinhos não sobrevivem”, resigna-se .

A aparência infantil e caricaturada dos toys, de fato, chamam a atenção das crianças. O diretor de arte Ivan Bogard, 31, já teve um de seus bonecos destruído pelo filho de 2 anos. A coleção também é miúda: são apenas 15. Fã de quadrinhos – e um ilustrador frustrado, como ele mesmo se intitula – Bogard divide seu hobby com os paper toys em duas etapas: criar e montar.

O hábito de colecionar começou em 2006. Um ano depois, ele já começou a criar seus modelos. Bogard é torcedor do São Paulo e sempre muito interessado por esporte. Até por isso, suas primeiras criações foram direcionadas ao futebol. O primeiro passo foi desenhar os uniformes. Mas esses jogadores precisavam de rostos, e daí vieram as versões caricaturadas de Marcos (goleiro do Palmeiras), Rogério Ceni (goleiro do São Paulo) e Ronaldo (atacante do Corinthians). Um amigo pediu um, outro também, e logo Bogard já reunia versões em paper toy de dez importantes jogadores do País no seu site (www.ivanbogar.com)

Entre suas criações, há também uma versão dele mesmo e uma do guitarrista Angus Young, fundador da banda australiana AC/DC. Cada personagem leva até quatro horas para ficar pronto. “O que demora mais é buscar imagens de referência dos personagens e montar a caricatura. O resto é bem simples”, explica Bogard, que tem tido pouco tempo para se dedicar ao hobby.

Recorde
Outros fãs de paper toy, porém, levam a brincadeira a sério. Bem a sério. O baiano Djacir Pereira, 37, por exemplo, não tem emprego. Dedica-se apenas aos paper toys. No seu caso, segue um estilo mais complexo, chamado papercraft. Enquanto os outros bonecos são montados com apenas uma folha, as peças de Djacir utilizam de até 200. “É uma escultura”, explica ele, antes um gerente de papelaria, hoje um artista.

Ele luta para garantir o recorde brasileiro de montagem. “Entrei em contato com o RankBrasil (sistema de homologação de recordes exclusivamente brasileiros) e já reportei que tenho 400 peças montadas. O recorde atual é 130”, conta. Djacir só não tem o recorde em mãos porque, para isso, deve levar um auditor do sistema até Salvador, pagando todas as despesas. São R$ 3,5 mil, dinheiro arrecadado expondo suas obras em shoppings da capital baiana. “Agora, só precisamos marcar a data”, diz ele, empolgado.

Para o paulista Paulo Pivato, 38 , o paper toy foi uma grande oportunidade. Designer de embalagens, há três anos ele brincava com formas humanas nas caixas, quando teve a ideia de criar personagens para esse universo. Ele já estava acostumado a ver os bonecos de paper toy nas mesas de publicitários e designers gráficos, mas queria tentar explorar a brincadeira entre as crianças. Daí, surgiu a publicação ‘Luchadores de Papel’.

“Como eu e minha mulher (a escritora Marcela Catunda), tínhamos visto aqueles filmes de luta-livre mexicana, resolvemos misturar os dois”, explica Pivato. O projeto agradou aos editores da Editora Matrix e foi lançado, mês passado, o livro com dois ‘luchadores’ preparados para montar, um ringue, e um livro com a sua história, escrito por Marcela.

Profissão
Assim como Pivato, Geovana Martinello, 21, de Criciúma (SC), viu na brincadeira uma oportunidade de negócio. Quando ainda estudava publicidade, em 2009, teve o primeiro contato com os paper toys. “Eu já gostava de toy art. E me apaixonei quando descobri que existiam versões de papel”, conta. Numa atitude um pouco narcisista, como ela admite, Geovana criou uma versão dela em paper toy. “Um amigo viu e quis um igual”. O boca-a-boca fez a fama da moça crescer. “Eu costumo brincar ao dizer que os bonecos são, na verdade, porta-retratos em três dimensões”, conta.

Ela montou um site para mostrar seu trabalho e passou a fazer os artefatos por encomenda, em seu site (http://papertoyart.blogspot.com). “Faço a base de descrição e foto”, explica. O processo, garante ela, é simples. Ainda assim, Geovana pede 90 dias de prazo entre a solicitação e a entrega. Afinal, são 30 pedidos por mês, em média, cada um custando R$ 30. “Quando fica difícil, toda a família e o namorado entram para ajudar”, explica. Ou seja, as instruções de recortar e montar podem até parecer coisa de criança. Mas para por aí.

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