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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Após cinco anos, Chico está de volta

Categoria: Música

PEDRO ANTUNES

Um livro, um disco, um livro, um disco. Chico Buarque chega aos 67 anos, dos quais 46 de carreira, encontrando, na variedade, uma maneira de tentar não cair na monotonia. Alternando literatura e música, mantém um interessante fluxo criativo. Pelo menos por enquanto. Depois de lançar o romance Leite Derramado, em 2009, ele se volta, novamente, para a música. É onde se fez. Seu lugar de origem e onde se tornou ídolo nacional desde os anos 60. Chega às lojas, na próxima sexta-feira, dia 22, seu mais novo trabalho musical, de nome singelo, Chico, lançado pelo selo Biscoito Fino.

São cinco anos desde Carioca, último álbum de inéditas. Mais um ano fazendo shows. Daí, Chico cansou. Foi escrever um romance. Lançou o livro. E daí Chico cansou de novo. Era hora de voltar a compor. “Durante o tempo em que me concentrei no livro, depois do Carioca, não compus nada”, diz o cantor e compositor carioca, numa entrevista por vídeo destinada aos jornalistas – com os quais, sabe-se lá por quê, Chico se nega a falar.

“Há um certo cansaço da música, depois o cansaço da literatura. A música também tem o cansaço da exposição, dos shows, a voz que vai ficando cansada”, declara o músico. Até por isso, depois do lançamento do álbum, Chico vai tirar um mês para descanso e, depois, pensar se vai, ou não, realizar shows e turnês.

Chico, o álbum, começou com uma parceria com Ivan Lins, ainda durante o processo de criação do seu último romance. Ivan Lins lhe mandou uma música, pedindo uma letra. Chico fez o que chamou de “letra monstro”, balbuciando palavras. “Foi algo para marcar território”, diz. A música voltou para Ivan Lins. Quando o livro estava terminado e publicado, Chico se voltou à música. “Ele ficou sabendo e me cobrou. Me mandou uma gravação demo, com ele cantando aquela letra provisória. Eu disse: ‘Espera aí que vou dar um jeitinho’. E assim se deu a minha volta à música”, diz. E Chico retornou com um samba de gafieira, a sétima faixa do novo disco, que conta com a participação de Wilson das Neves. Uma volta à música cheia de coincidências. A primeira canção composta para o Carioca, Renata Maria, também veio de uma parceria com Ivan Lins. “Depois, uma puxou a outra”, explica Chico.

Figura essencial no processo de gravação, o diretor e produtor musical Luiz Claudio Ramos recebia, a cada mês, uma nova canção de Chico Buarque. Mas o intervalo poderia chegar a até três meses. “Até que eu disse: ‘Pronto, já tenho o repertório do disco’”. Eram nove músicas. “Paciência”, brinca o compositor carioca. “Li uma crítica falando sobre o novo disco do Radiohead (The King of Limbs, lançado neste ano) e eles tinham só oito. Pensei: ‘Então, tá sobrando! Vamos lá’”, diz Chico.

A música seguinte foi Nina, uma espécia de valsa. Logo depois, veio o blues Essa Pequena. Chico Buarque conta que o processo era extenuante. Compunha e descompunha cada canção. Até chegar ao ponto em que ele sentia que a música estava pronta para ser levada para o estúdio. “Quando a canção chegava para os músicos, eu já estava mais seguro do que queria”, explica.

Ensaios sem taxímetro

O disco trouxe uma novidade para Chico Buarque. Os ensaios anteriores às gravações foram realizados não num estúdio tradicional, mas na casa de Luiz Claudio Ramos. “Facilitou muito, porque, geralmente, você chegava ao estúdio de gravação e começava a correr aquele tempo. Você não pode ficar ocupando o estúdio eternamente. Tem um certo taxímetro. E os produtores, que ficam lá, dizendo ‘Vamos lá, vamos lá’”, conta Chico. “Poderíamos ficar à vontade (na casa de Ramos), trabalhar sem pressão. Isso foi importante”. Quando o disco foi para estúdio, Chico já estava mais certo da identidade do CD. Uma cara mais minimalista. Como o próprio nome do álbum já indica.

2 Comentários Comente também
  • 15/07/2011 - 00:23
    Enviado por: Ivo Steinhoff

    Se ele está cansado, basta pedir uma secretaria ou ministério para a dilma. Não precisa trabalhar, fatura uma grana esperta e poupa-nos de suas composições medíocres.

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  • 15/07/2011 - 10:32
    Enviado por: fernando

    Esta não é a opinião da maioria das pessoas que adora as obras de Chico Buarque,seu comentario que é mediocre.

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