“Amadurecer é uma delícia”, diz Diogo Vilela
- 11 de dezembro de 2011 |
- 23h20 |
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Categoria: TV
MARCELA RODRIGUES SILVA
Diogo Vilela nem viu o tempo passar, mas uma década se foi desde a última novela, As Filhas da Mãe (2001). De volta, novamente no horário das sete, ele solta a veia de comédia em Felizardo, nordestino machista e garanhão de Aquele Beijo (Globo). Este, aliás, é o 36.º personagem dessa longeva carreira do ator, de 54 anos, que começou ainda menino, numa época em que TV não era lugar de criança.
Mas o lugar de Diogo Vilela é mesmo o teatro, para onde ele já tem data certa para voltar, em projeto próprio, em um espetáculo que vai homenagear o compositor Ary Barroso, com atuação dele. Em conversa com o JT, o ator carioca falou da infância, vaidade, da amizade de longa data com Miguel Falabella, que o dirige atualmente, e lembrou de Uálber, o guru gay de Suave Veneno (1999), que tem lugar especial em sua galeria e que ele considera injustiçado por ter se perdido da memória dos espectadores. Confira um trecho da entrevista:
Você ficou 10 anos longe das novelas. Por quê?
Nem vi o tempo passar! Comecei a produzir teatro e isso tomou tempo. Mas não saí por completo da TV, fiz personagens como o Remela, de A Grande Família. Era interessante pra mim ter tempo de fazer teatro, que é minha meta de trabalho. Mas adoro TV e só volto ao teatro quando a novela terminar.
O Canal Viva está reprisando ‘ TV Pirata’ (quintas, às 20h30), que foi um marco. Você assiste?
Às vezes. Eu sempre trabalhei para ser verdadeiro em todos os meus personagens e em torná-los humanos mesmo sendo arquétipos. Hoje vejo que soube amadurecer isso melhor. Aliás, essa novela da 6 (A Vida da Gente, da Globo) faz isso bem. É uma novela sensível, eu adoro.
Acredita que o sucesso do ‘TV Pirata’ (1988-1992) o estigmatizou como ator de comédia?
Foi um sucesso retumbante. Mas depois fui para o teatro e fiz coisas do arco da velha, clássicos. O público que frequentava passou a me ver na linha. Fui conquistando um trabalho mais profundo, embora comédia seja profunda.
O Felizardo é um típico imigrante que enriqueceu em São Paulo. Machista, mas sentimental. Como criou o tom para ele?
Ele vem de tudo o que já observei. Busco muito a humanidade dos personagens. Tento fazê-lo próximo do que o Miguel (Falabella, diretor) falou, um cara violento, mas emocional, quase ingênuo. Ele tem tintas mais fortes, é o que o torna tão real. Já fiz muitos nordestinos, como em Lisbela e o Prisioneiro (2003) e O Auto da Compadecida (2000). Mas as pessoas não lembram… E minha mãe, que já faleceu, era baiana. Felizardo vai ter uma virada em breve…
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