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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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A história comum de uma família brasileira

Categoria: Cinema, TV, Vídeos

FELIPE BRANCO CRUZ

Os seis integrantes da família Braz, moradores do bairro da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, são os personagens do documentário Família Braz – Dois Tempos, em cartaz nos cinemas, dirigido por Arthur Fontes e Dorrit Harazim. Há dez anos, os diretores registraram o cotidiano dessa família formada por Seu Toninho e Dona Maria, os filhos Anderson, Denise, Gisele e Éder. Agora, a dupla voltou ao bairro para saber o que mudou. O documentário levou o prêmio de melhor filme no festival É Tudo Verdade deste ano.

O filme apresenta um panorama sobre a melhora de vida do brasileiro nos últimos anos. Ao mesmo tempo, mostra também que essa mudança não foi espetacular. Toninho e Maria, por exemplo, ainda moram na mesma casa. Conseguiram criar os filhos, mas nem todos cursaram faculdade. O mais velho se casou. As moças continuam solteiras, assim como o caçula, que deixou de ser motoboy e virou técnico em enfermagem. Se antes a família possuía apenas um automóvel, agora tem quatro. Passeios de férias para o Nordeste e de navio pela costa brasileira entraram na rotina.

O documentário não quer provar nenhuma tese. Os diretores estavam lá para contar uma história comum de mais uma família pobre brasileira. O filme intercala as imagens captadas há dez anos com as atuais e compara o que cada um dos Braz projetava para os dez anos seguintes. As imagens do passado são exibidas em preto e branco. A pesquisa captou a mudança para melhor que os brasileiros experimentaram a partir da estabilização da economia e implementação de projetos sociais.

Diversidade familiar
Na casa, cada membro é visto de uma forma. A mãe é o centro da família. O pai, bombeiro hidráulico, é o mais fechado e nos últimos anos tem enfrentado problemas com o álcool. Anderson, o filho mais velho, é o intelectual. Ele fala sobre Che Guevara e os pensadores gregos. “Se pudesse, eu viajaria para Roma e Grécia”, diz ele. Denise trabalha numa empresa de informática e é consumista. Gisele e Éder ainda moram com os pais. Uma simples opinião deles sobre a pena de morte resume bem como a periferia vê seu futuro. “Não somos a favor da pena de morte porque só os pobres vão morrer”, diz a mãe. Por mais que tenham avançado na área financeira, essas pessoas ainda não quebraram certas barreiras da sociedade que excluem aqueles que vieram de baixo. Esses dez anos não foram suficientes para isso. Talvez, nem os próximos dez.

3 Comentários Comente também
  • 12/06/2011 - 00:32
    Enviado por: A história comum de uma família brasileira

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  • 12/06/2011 - 16:14
    Enviado por: W Rizzo

    Aumento de poder de compra não significa crescimento social, mas apenas multiplicação do mercado consumidor, bem conduzido, como gado. Às vezes, significa justamente o contrário: o empobrecimento social e cultural, pois cultura, no mundo capitalista e de consumo, não passa de mais uma mercadoria.

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  • 12/06/2011 - 22:16
    Enviado por: Júlio

    Estimular o consumo agrada as famílias individualmente, mas não sustenta o crescimento do país no médio e longo prazos. O acesso ao ensino superior, de qualidade duvidosa, também só favorece os empresários do ensino; a má formação educacional na base perpetua-se na forma de um diploma que melhora a auto-estima mas não a sociedade, cada vez mais refém de uma mão-de-obra desqualificada, que sabe baixar música no liquidificador mas é incapaz de entender um texto de simples compreensão.

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