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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
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‘A gente perdeu a coisa do abraço’

Categoria: Celebridades, Cinema

FELIPE BRANCO CRUZ

Rodrigo Santoro se dedica a consolidar sua carreira internacional. Aos 36 anos, o ator passa mais parte do ano pelos arredores de Hollywood do que por aqui. Já se passaram oito anos desde o primeiro papel, o do surfista malhado e sem falas de As Panteras Detonando.

Viriam Simplesmente Amor (2003), 300 (2006), Che (2008) e O Golpista do Ano (2009). E foi justamente essa rotina que o fez se identificar com Marcos, personagem no singelo filme de estreia do diretor André Ristum. No drama Meu País, que chega aos cinemas nacionais nesta sexta-feira, Marcos larga uma vida estabelecida na Itália quando recebe a notícia da morte do pai (Paulo José).

Seu retorno o leva a restaurar laços familiares que estavam cortados, inertes. “Tive a possibilidade de trabalhar a relação de afeto e distância que tenho na minha vida”, comentou. Em entrevista ao JT, Santoro também falou que torce para Wagner Moura fazer sucesso no exterior e que não, não está namorando Jennifer Lopez, colega de elenco do último filme, como estamparam os tabloides.

“Ela é muito linda”. E mesmo todo internacional, ele continua sendo o bom-moço de sempre: “Aqui no Brasil, as mulheres são muito mais lindas”. Você tem conseguido papéis em filmes de Hollywood. O que o fez querer fazer esse filme?

Fiquei com esse roteiro na minha cabeça durante alguns dias. Decidi fazer, porque tive a possibilidade de trabalhar a relação de afeto e distância que eu tenho na minha vida. A gente vive num mundo com a globalização, com acesso a tudo, onde, aos poucos, a gente perde valores essenciais. Estamos sendo atropelados por tudo e se atropelando também. Estamos ficando mais individualistas e esquecendo da relação humana. Foi o que eu senti lendo a história. 
 
O que pode falar sobre seu personagem Marcos? Ele mora na Itália e volta após a morte do pai…
Ele perdeu os laços familiares e é obrigado a voltar. Meu personagem não sabe expressar os sentimentos e isso é interessante, porque posso trabalhar o afeto numa pessoa que tem dificuldade de se expressar. Hoje em dia, a comunicação é muito nas palavras. A gente perdeu a coisa do abraço, de trocar uma ideia, do olho no olho, que é onde você sente o afeto.

Você não tem Facebook, nem Twitter. Não acha que conseguiria potencializar seu poder de influência se usasse essas ferramentas?
Acho que os seguidores vão seguir o trabalho sempre. Qualquer trabalho que eu estiver fazendo, onde quer que seja. Eu tenho um pouco de medo de ficar dependente. Acho que já estou exposto o suficiente. E a principal razão é que não sinto necessidade. Estou sempre na estrada e trabalhando tanto. Não tenho afinidade com isso, nem curiosidade. Eu sei do valor que as redes sociais têm, como, por exemplo, potencializar a minha opinião. Se eu colocasse no Twitter alguma coisa sobre o Meu País, muitas pessoas poderiam se tornar espectadores. E, nesse sentido, eu estaria perdendo. Mas estou bem do jeito que está indo.

Você acredita que seu nome já virou ‘grife’ no País?
A questão de ser famoso agrega valores quando é preciso captar grana para um filme. Nem é uma coisa negativa, contando que a qualidade do trabalho seja boa.

Digo isso para citar sua participação em ‘Afinal, O Que Querem as Mulheres?’ (Globo, 2010), interpretando você mesmo.
Aquilo foi uma brincadeira que o (diretor) Luiz Fernando Carvalho me propôs. Não imaginava isso. Ele me contou, em cima da hora, que queria fazer uma brincadeira com a imagem. Aquilo ali foi um desafio enorme, porque eu estava me expondo e fazendo uma sátira de mim mesmo. Mas eu usei o meu ridículo. Não fui um galã. Fui o Rodrigo, usando minhas roupas. Algumas pessoas até comentaram: “Eu não sabia que ele era assim”.

Você está procurando filmes de ação ao estilo de atores como Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger?
Eu ainda não fiz filmes desse gênero. Mas surgiu uma proposta há pouco tempo em Hollywood. Tá no ar. É um filme de ação. Eu tenho muita curiosidade, pode ser uma coisa interessante. Mas não posso adiantar nada ainda sobre o assunto.

Mesmo sendo apenas boatos – que você já desmentiu, aliás – bate um orgulho masculino quando você lê na imprensa que está namorando a Jennifer Lopez?
Não estou namorando com ela. Estava apenas contracenando com ela no filme What to Expect When You’re Expecting (sem nome em português, previsto para estrear em maio de 2012 nos EUA). Mas não bate orgulho, não. Ela é linda. Muito linda. Mas não bate orgulho, não. Já tive oportunidade de trabalhar com mulheres muito bonitas, mas nunca tive esse orgulho masculino. Essa história não decolou. Já falaram que eu estive com a Nicole Kidman, com a Natalie Portman… Mas, no Brasil. as mulheres são muito mais lindas.

Wagner Moura fará um vilão em seu primeiro filme no exterior, ‘Elysium’. Você, que já ingressou na carreira internacional, como vê esse movimento dos atores brasileiros?
Acho ótimo. O Brasil ganhou uma expressão no cenário internacional em vários departamentos. Tem o Vik Muniz, o Fernando Meirelles, Walter Salles, José Padilha… Tem uma série de diretores de fotografia brasileiros que a gente nem conhece.

Você acha que o Wagner pode embarcar num filme mico?
Duvido que seja um mico. Ele tem muito bom gosto. Conheço gente que já leu o roteiro e é ótimo. E digo mais: ele é tão bom ator, que mesmo que a obra seja mico, ele vai salvar o dele. O Matt Damon é protagonista, não tem como o filme ser mico.

Você contracenou com Jim Carrey em ‘O Golpista do Ano’ (2009). Tem contato com ele?
A última vez foi quando ele veio ao Brasil. Ele que me ligou e disse: “Estou aqui na sua terra. Vamos sair”. Ele é muito simpático, bacana, humilde. Tem uma cabeça aberta, mas a imagem que as pessoas têm é das caretas. Ele é um artista dramático e plural. É gente boa e fala com todo mundo sem o mínimo de estrelismo. Não tinha por que ele vir ao Brasil e me ligar. Mas me ligou, porque ele é assim mesmo, amigo de todos.

Esse ano, você ficou mais tempo no Brasil ou no exterior?
Fiquei mais fora. De janeiro a março e de julho a setembro no exterior. De abril a junho, eu estava no Brasil. Mas tudo a trabalho e morando em hotel.

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