A estreia dos sonhos do produtor Kassin
- 14 de setembro de 2011 |
- 23h03 |
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PEDRO ANTUNES
Sonhando devagar, Kassin esqueceu de acordar. Quando o fez, se viu diante da possibilidade de um novo álbum, o primeiro em que assina sozinho. O nome não poderia ser mais apropriado: Sonhando Devagar. Pinçando sensações e lembranças de quando dormia, ele criou o esqueleto do trabalho que será apresentado hoje, no Studio SP, às 23 horas.
É estranho pensar nessa como a estreia do requisitado produtor carioca Alexandre Kassin. Aos 37 anos, ele já perambula pelo meio musical, no eixo Rio-São Paulo, desde os anos 90. Assina a produção de gente de peso, como Los Hermanos, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Jorge Mautner, Vanessa da Mata e até Mallu Magalhães.
Ele também possui o projeto + 2, com os amigos Moreno Veloso e Domenico Lancelotti, com o qual lançou o disco Kassin + 2: Futurismo, em 2006. Isso sem contar seus tempos de guitarrista do Acabou La Tequila, grupo carioca de música independente, criado em 1995, com dois discos lançados.
O produtor, aliás, não gosta da ideia de que esse é um “disco solo”. “Acho que essa denominação prevê que as pessoas que estão tocando comigo não têm colaboração. Mas não existe esse distanciamento. Sem o Alberto (Continentino, que toca baixo em cinco músicas e assina outras duas, com Kassin), sem os outros, o disco não seria o que ele é”, justifica ele. Kassin reforça isso no próprio disco. “Agradeço profundamente a todos aqueles que estão nos créditos desse disco. Ninguém faz nada sozinho”, escreveu.
Ainda assim, é a primeira vez que o seu nome estampa a capa, sozinho, sem o +2. Em seu trabalho experimental paralelo, no qual ele usa um videogame portável Game Boy, assina como Artificial. O experimentalismo vivenciado nele pode ser percebido aqui.
Sonhando Devagar consegue ser experimental e também tradicional. O som é orgânico, com uma banda que se faz presente, principalmente a bateria e a percussão afiadas de Stephane San Juan, que só deixa o posto em Em Volta de Você, quando Lancelotti assume as baquetas. “Fiz questão de testar todas as músicas ao vivo, em vários shows que fiz. Também gravamos tocando apenas uma ou duas vezes cada canção”, explica. Esta é a parte tradicional.
Com vasto conhecimento de produção musical, mas nem sempre com liberdade de explorá-lo nos álbum alheios, nada melhor do que fazê-lo, então, no seu disco. Kassin embola o som propositalmente. Faz com que instrumentos tradicionais, como a guitarra e o baixo, se percam numa massa sonora formada por cítaras, piano rhodes e até a barulhinhos, como rugidos de leão na faixa de abertura, Mundo Natural. Ele cria uma espécie de novo gênero musical: o sonho-canção.
É a primeira música do disco, uma espécie de apresentação da viagem amalucada – no bom sentido. Kassin emula Franz Kafka e se transforma num animal. Em vez de ser uma barata, como no livro A Metamorfose, se transforma num predador, talvez um leopardo, numa savana africana, saboreando a sua presa – uma zebra. Depois, outra metamorfose, e ele é um tubarão atacando uma foca. É divertidamente surreal. Leve, como uma boa noite de sono.
LANÇAMENTO
‘Sonhando Devagar’
Coqueiro Verde
Preço: R$24,90
DIVIRTA-SE
‘Sonhando Devagar’, de Kassin.
Studio SP. R. Augusta, 591, Consolação.
Telefone: 3129-7040.
Hoje, às 23h (a casa abre às 21h).
Ingresso: R$ 25 (na lista, R$ 15).
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