Oasis pela metade
- 30 de abril de 2012 |
- 23h20 |
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Categoria: Show
PEDRO ANTUNES
Ainda é estranho ver os irmãos Gallagher separados. Quem sabe até sentir falta dos arranca-rabos protagonizados pelo caçula Liam e o mais velho e carrancudo Noel. Mas, desde 2009, quando o Oasis chegou ao fim, a parceria que liderou o movimento britpop nos anos 90 se desfez. Cada um foi para um canto: Liam criou o Beady Eye e veio como uma das principais atrações do festival Planeta Terra; já o Gallagher primogênito traz agora a sua nova banda, o High Flying Birds, para o Espaço das Américas, na Barra Funda, quarta-feira, às 22h. Os ingressos para a pista Premium, logo na beirada do palco, já estão esgotados. Criou-se um interessante duelo musical entre a família. Em quase seis meses de diferença, os dois irmãos mostraram que existe, sim, vida pós-Oasis, mesmo que seja um tanto quanto capenga.
O fato é que os irmãos Gallagher foram feitos um para o outro, musicalmente falando. A instabilidade e frágil relação entre eles ajuda a criar a explosão em forma de canção que o Oasis trouxe nos anos 1990. No rock inglês, a banda é posicionada ao lado de semideuses como The Who, The Clash, The Smiths, Sex Pistols (abaixo de Queen, Rolling Stones e Beatles, apesar dos irmãos terem o incômodo costume de se dizerem melhores do que o quarteto de Liverpool).
Contudo, separados, eles perderam o brilho. Deve se escolher entre a voz blasé de Liam ou o cérebro de Noel. No fim, ninguém sai feliz. O caçula da família possui a voz que embalou a geração noventista na Inglaterra, que rasgou estádios ao redor do mundo, mas todos sabem que ele não é a cabeça pensante, nem dos mais inspirados para compor uma canção. O resultado é que Different Gear, Still Speeding, álbum de estreia do Beady Eye, lançado em 2011, é uma reunião de canções acéfalas, apesar de genuinamente roqueiras. Soa como um punhado de canções descartáveis em discos do Oasis.
Por outro lado, não é possível dizer que falta inspiração nas letras de Noel. E, por isso, o álbum Noel Gallagher’s High Flying Birds, também do ano passado, é menos frustrante do que o disco do irmão. Há canções mais intensas, como AKA… What a Life!, a romântica If I Had a Gun… e Dream On, mas falta ao Gallagher mais velho uma voz mais possante. Sem o irmão, ele se viu livre para armar um disco cheio de instrumentações clássicas, como metais. Juntou grandes canções, é bem verdade, mas para um gogó pouco potente de Noel.
Ainda assim, crítica e fãs seguiram o Gallagher mais velho. Chamado de “o melhor compositor da sua geração” por ninguém menos do que George Martin, grande produtor dos Beatles, Noel continua arrecadando elogios por todos os lados. Na cerimônia do NME Awards, festa promovida pelo tradicional semanário inglês, ele ganhou o prêmio de Godlike Genius, uma honraria à sua contribuição musical. O álbum chegou no topo das paradas britânicas e Noel fez bonito no festival Coachella, na Califórnia, há duas semanas.
Para arrebanhar os fãs dos Oasis ainda indecisos se seguem a voz de Liam ou o cérebro de Noel, o irmão mais velho, ao contrário do caçula, não deixa de tocar clássicos da ex-banda nos shows. Whatever, Talk Tonight, Supersonic, Little By Little, Half The World Away, The Importance Of Being Idle e Don’t Look Back In Anger costumam figurar nos seus shows. No fim, é quase como se estivéssemos de frente para o Oasis. Mas sempre parece faltar um detalhe. Um detalhe blasé.
Superpoderes revisitados
- 30 de abril de 2012 |
- 23h00 |
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Categoria: Cinema
FERNANDA BRAMBILLA
Peter Parker não é mais o mesmo. Na ótica do jovem diretor Marc Webb, o alter ego do Homem-Aranha anda de skate, veste uma camiseta dos Ramones por baixo do moletom surrado, usa o cabelo despenteado e tem uma atitude moderninha. O diretor do sucesso indie 500 Dias Com Ela (2009) fez o herói perder a pecha de nerd meio abobado dos três filmes do Homem-Aranha, interpretado por Tobey Maguire. Cinco anos após o fim da franquia, as origens do personagem são retomadas, em 3D e com um novo protagonista.
Espetacular Homem-Aranha tem estreia marcada para julho e, mesmo depois de ter sido anunciado para o papel principal, Andrew Garfield balbucia na resposta quando tem de falar da experiência de usar o uniforme vermelho e azul. “A verdade é que ainda não estou preparado para esse tipo de assédio. Mas não imagino o que poderia me preparar para esse tipo de experiência”, disse o ator americano, em coletiva de imprensa em Cancún, onde algumas sequências do filme foram apresentadas. Garfield, de 28 anos, jeito tímido e topete frondoso, conta os dias para o grande papel de sua carreira ganhar as telas (em 2010, ele viveu o brasileiro Eduardo Saverin em A Rede Social).
“É engraçado isso: estou aqui falando com tanta gente quando, na verdade, não quero nem que olhem para mim. Quero que vejam através de mim, olhem o personagem, o cara de máscara.” Sobre as comparações com Maguire, inevitáveis, o ator tem resposta ensaiada. “Tenho grande respeito pelo trabalho do Tobey e isso não me assusta. Prefiro me ater à ideia de que o personagem é maior do que quem o interpreta.”
Foram cinco meses de preparo entre seu anúncio para o papel e o início das filmagens. E Garfield usou esse tempo para se conectar com suas lembranças de infância. “Li gibis, vi desenhos e os filmes diversas vezes, e lembrei de quando eu era um garoto e tinha um pôster do Homem-Aranha na parede. Isso fez a diferença no processo”, contou. A identificação com o herói vem há tempos. “Sempre fui magrinho, e não era popular. Sempre quis proteger os mais oprimidos como eu. Me identifico com ele em tantas maneiras.”
Efeitos, 3D e química
Garfield foi às lagrimas quando vestiu o uniforme pela primeira vez, mas afirma que a emoção passou logo. “É uma roupa feita para ter um visual incrível e uma sensação terrível para quem está lá dentro. Não foi feita para conforto.” Em cena, no entanto, a velocidade parece ditar o filme. Parker, à paisana, se pendura em cabos e balança de um lado para outro em um galpão, se arrisca em manobras de skate – feitas por dois profissionais. O Homem-Aranha, então, desliza com rapidez e elegância, e desafia a gravidade por desfiladeiros de prédios. “Se existe um personagem que seja ideal para efeitos especiais em 3D, esse é o Homem-Aranha”, disse o diretor Marc Webb.
O Espetacular Homem-Aranha surgiu logo após o lançamento de Avatar, grande entusiasta do 3D. “Velocidade, perspectiva, vertigem. Teremos tudo isso.” Em seu primeiro blockbuster de ação, Webb se volta à infância de Parker. “Sei que há uma enorme expectativa por parte dos fãs, mas quisemos explorar sua história de maneira diferente. Homem-Aranha é um herói atípico. Há muito a explorar sobre ele.”
Na nova trama, Parker investiga o desaparecimento dos pais e, para isso, procura um colega de seu pai, Dr. Connors, um cientista ambicioso que se transforma em um lagarto gigante e será também seu grande rival. Connors é interpretado pelo galês Rhys Ifans (o Spike de Um Lugar Chamado Notting Hill, de 1999). A namoradinha do herói não é mais Mary Jane, mas Gwen Stacy, personagem de pouca importância do terceiro filme, agora com a atriz Emma Stone (de Histórias Cruzadas), namorada na vida real de Garfield.
“As relações desse filme são de amor. Tive muita química com Rhys, foi imediato”, brincou Garfield, frente a jornalistas ávidos por um descuido do casal de namorados. Ele sorriu e consentiu: “Foi fácil amar Emma. Nós dois, digamos, trabalhamos muito para que as cenas ficassem boas.” Eis Peter Parker.
*A jornalista viajou a convite da Sony
‘A criança dá oportunidade de a gente rever quem a gente é’
- 29 de abril de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: Celebridades, Cinema
IGOR GIANNASI
A atriz carioca Camila Pitanga, de 34 anos, vive seu grande momento no cinema com a personagem Lavínia, em ‘Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios’, dos diretores Beto Brant e Renato Ciasca, em cartaz na cidade. Envolvida em um triângulo amoroso com o fotógrafo Cauby (Gustavo Machado) e o pastor Ernani (Zecarlos Machado), no interior do Pará, a multifacetada Lavínia exigiu da atriz um profundo trabalho de pesquisa – esforço recompensado e cuja intensidade da entrega dela na interpretação é perceptível na tela. As filmagens começaram logo após Camila ter se tornado mãe de Antônia, que completa 4 anos em maio, fruto do relacionamento com o ex-marido, o diretor de arte Claudio Amaral Peixoto. Ela falou ao JT sobre a preparação para o papel, maternidade e seu pai, o ator Antonio Pitanga.
O que mais chamou sua atenção em relação à personagem Lavínia para querer interpretá-la?
A complexidade dela, essa mulher de mil fases e de muitas crises. Essa possibilidade de mostrar uma versatilidade do meu trabalho. Mas, mais do que isso tudo, é que realmente me entusiasmei com aquela história. Eu me emocionei de verdade com os personagens, não só com a Lavínia.
Como foi o processo para compor sua personagem. Que tipo de pesquisa fez?
Costumo trabalhar mesmo, me preparar fazendo pesquisa de campo, dependendo do universo em que a personagem anda. No caso, a Lavínia tem o mundo das drogas, da loucura, do Pará. Fui lá no Pinel (hospital psiquiátrico), conversei com psiquiatras, entrevistei pacientes, fiz um processo de observação. Vim para São Paulo e fiz aula de butô com a Emilie Sugai, porque achei que isso poderia me dar outros elementos corporais para chegar a esses estados mais críticos. Agreguei tudo o que podia fazer para poder tocar no universo da Lavínia.
Você chegou também a conversar com a atriz Sonia Braga. Pediu alguma orientação para ela?
Dentro dessa minha pesquisa, um dos filmes que eu já tinha visto, mas vi de novo, foi o ‘Eu Te Amo’, do (Arnaldo) Jabor, com ela. Era um filme em que, além do tratamento que foi dado às cenas de sexo, o que mais me instigou mesmo foi que tinha uma personagem muito vigorosa. Fiquei curiosa sobre como eles tinham lidado com a improvisação, com uma criação coletiva da cena, daí liguei para ela. Foi um papo lindo, maravilhoso. O que ficou foi um carinho grande dela comigo.
Você trabalhou com seu pai no filme. Como é a relação entre vocês na profissão? Vocês conversam sobre trabalho?
A gente conversa sobre a vida e vida é trabalho, trabalho é vida. Ele é uma referência luminosa na minha vida e foi uma emoção enorme estar ali, contracenando com ele. Meu pai tem uma história no cinema, é inegável. Porque a relação que ele tem com o cinema foi de formação de base da identidade dele. O nome Antonio Pitanga se fez por meio do cinema – ele é Antonio Sampaio. O cinema tem uma importância na nossa família muito grande. Minha mãe (a atriz Vera Manhães) também fez filmes.
Falando de família, você tinha acabado de ser mãe quando começou a filmar. Isso muda muita coisa na vida de uma mulher?
Muda, principalmente a relação com o tempo. O tempo não é só da Camila. A Antônia depende de mim. Lá no filme, eu ofereci um tempo para mim, para estar concentrada, dedicada a esse trabalho. Da mesma forma, nesse final de ano, deixei de fazer outros trabalhos, porque queria estar com ela. Assim como teve momentos em que eu criei algumas premissas para estar trabalhando e estar com ela. Sazonalmente, esse equilíbrio se coloca num local diferente e a riqueza vem daí mesmo. Acho que a criança dá a oportunidade de a gente rever quem a gente é. E isso é saudável para uma atriz, para uma pessoa.
Você está escalada para a próxima novela das 6, que substituirá ‘Amor, Eterno Amor’. Já está se preparando para a personagem?
Já estou com os capítulos. Vou começar a entrar (na história) para poder fazer esse mergulho no novo trabalho.
É um trabalho de época, certo? Deve ter bastante material para se pesquisar.
Com certeza. Já li, por exemplo, um livro do João do Rio, em que ele fala dos anos 20, como o Rio de Janeiro se estrutura, os bairros, os lugares, as profissões. Mas, enfim, está muito no início ainda.
A personagem é protagonista?
É.
Atores negros têm mais dificuldade de conseguir algum tipo de papel? Você sente alguma discriminação em relação a trabalhos para esses atores?
Se eu sinto?
Não, eu digo de modo geral.
E por que a gente estaria falando nisso?
Porque você é uma atriz que é negra e consegue se destacar. Outro dia vi um comentário no Twitter que, na novela das 9, ‘Avenida Brasil’, todas as empregadas são negras e parece uma volta aos anos 70.
Não sei, acho que a gente está vivendo uma transição. Acho que a Taís Araújo está aí, tem o Lázaro (Ramos). Enfim, acho que as oportunidades estão se abrindo, sim. Tem muito ainda para avançar, mas gosto do discurso proativo, sabe? Senão a gente fica na lamúria, na indignação. Mais do que da indignação, sou da ação. Então, estou aí, estou trabalhando. Tem uma turma também bacana se formando. Acho que o mercado está se profissionalizando cada vez mais, entendendo que o negro também é mercado, e tendo espaço para isso.
Você foi cotada para fazer o papel de Gabriela (no remake da novela ‘Gabriela’, que deve estrear na Globo em junho)…
Teve especulação em termos de jornal. Nunca ninguém falou.
Não teve nenhuma coisa concreta, então?
Não, não teve não.
Mas é um papel que interessaria?
Ah, que indelicado isso. Tem uma atriz já fazendo, está tudo certo, como tinha de ser. Acho que a Juliana (Paes) vai fazer bem pra caramba, estou botando toda energia boa. Ela foi mãe agora recente também. Uma colega querida. Foi uma escolha e estou aí na bênção, só louvando a escolha.
Você iniciou a carreira muito cedo. Como foi isso para você?
Mas não peguei (a fase de) criança. Fui uma criança livre, solta, sem trabalhar. Na minha adolescência, sim, já estava dividida com uma coisa mais profissional de trabalho. E eu realmente não escolhi, não era uma profissão, ‘ah, quero ser atriz’. Com meu pai ator, fui chamada para fazer alguns trabalhos. Sabe quando você vê e está no rio? E chegou uma hora em que fui para a faculdade, fui cuidando da minha formação, das escolhas de trabalho. Aí, sim, virou uma escolha.
É verdade que você chegou a trabalhar com a Angélica, como angeliquete?
Eu era muito garota, foi bem pouco tempo como assistente de palco, mas não tenho muito o que dizer sobre isso. Não era exatamente um trabalho, era quase uma brincadeira de estar ali junto com outras crianças e acabou não durando muito, porque a coisa se profissionalizou. Ela precisava de uma turma que pudesse acompanhá-la em shows e viagens. Foi breve.
Vocês ainda mantêm contato?
Sim, ela é muito querida. Gosto muito da Angélica. Você pegou isso no Wikipédia, né?
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Antônio Pitanga, Camila Pitanga, eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Igor Giannasi, Lavínia
Ela escuta histórias de amor
- 28 de abril de 2012 |
- 23h15 |
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Categoria: Comportamento
ADRIANA DEL RÉ
Ao contrário do que pregou o rapper Criolo, existe, sim, amor em SP. Mas não só por aqui. Esse sentimento “existe em qualquer lugar, desde que queiramos que ele exista”. Palavras da artista Ana Teixeira, de 54 anos, nascida em Caçapava e criada em Pindamonhangaba, interior paulista. Há sete anos, ela desenvolve não só pelas ruas de São Paulo – onde vive desde os 39 anos –, como também em outras partes do mundo o projeto Escuto Histórias de Amor.
Numa ação essencialmente de rua, Ana senta-se numa cadeira e põe outra ao seu lado. Enquanto espera que alguém que esteja passando sente-se e conte espontaneamente sua história, a artista tricota uma peça vermelha, que, até o momento, tem quase 4 metros. “Ela faz parte do meu kit, que inclui uma bolsa, as duas cadeiras e os banners em diferentes idiomas”, conta Ana, formada em Artes Plásticas pela USP. No dia 5, seu trabalho, pela primeira vez, não ocupará um espaço de rua: ele vai para o Sesc Belenzinho, dentro da programação da Virada Cultural.
O que fez você seguir carreira nas artes visuais?
O desenho, a pintura e outras modalidades artísticas foram práticas constantes em minha vida desde a infância, porém iniciei a graduação em artes visuais aos 37 anos. Sempre foi o que quis fazer.
Quando você partiu para as ações na rua?
Já no meu projeto de graduação, exposto na Casa das Rosas em 2000, estava presente minha vontade de inserção no campo. As ações de rua começaram em 1998, ainda na graduação, e foram tomando corpo com os anos. Foram tema de meu mestrado na USP, que se intitula Trocas: A arte na rua e a rua na arte, de 2005.
Em que momento você viu que o ‘amor’ tinha potencial para virar tema de estudo?
O amor, como os sonhos, os desejos, a solidão, o luto ou a identidade são temas universais que me interessam. Já abordei todos estes temas em trabalhos, sejam eles ações, desenhos, instalações ou filmes.
Como surgiu a ideia do projeto Escuto Histórias de Amor?
Como já disse, o amor é um dos temas de meu interesse. A relação entre público e privado é outra. Escolhi ir para as ruas e propor uma escuta quase silenciosa de histórias pessoais. Para cada ação, penso nos instrumentos necessários: banca de camelô? Carrinho? Neste caso, optei por ter duas cadeiras e por fazer algo enquanto espero, silenciosamente, por transeuntes que venham me contar uma história de amor. Pensei em Penélope esperando Ulisses e escolhi o tricô, um fazer doméstico, tradicional, que sugere afeto – e afetar e deixar-me afetar são ações que também me interessam.
Em São Paulo, onde você costuma ficar para ouvir as histórias? E em quais dias da semana?
Eu não tenho dias fixos para fazer minhas ações. Elas acontecem esporadicamente, de acordo com diversos fatores. Já fiz as ações tanto no centro da cidade, quanto na Avenida Paulista e região. Também em diversas cidades do interior de São Paulo.
E quem quer se senta ao seu lado e começa a contar sua história?
Falando especificamente de Escuto Histórias de Amor, sim. Quem quer, vem e conta uma história. Eu nunca identifico o trabalho como um trabalho de arte. Acho completamente desnecessário. Aos que me perguntam o que faço, digo: eu escuto histórias de amor. E é a mais pura verdade.
Você participará da Virada Cultural, no Sesc Belenzinho, no dia 5, das 18h à 1h, certo?
Pela primeira vez, farei este trabalho em um espaço que não é o das ruas. Também pela primeira vez ficarei por tantas horas seguidas me prestando à escuta. Estarei na entrada do Sesc Belenzinho, um lugar de passagem e trânsito de pessoas, silenciosamente esperando quem queira me contar sua história de amor.
Afinal, existe amor em SP?
Existe amor em qualquer lugar, desde que queiramos que ele exista. Amor é desejo, é invenção, e como diz Guimarães Rosa: “Todo amor não é uma espécie de comparação?”.
Thunderbird e Daniella Cicarelli em novo programa
- 28 de abril de 2012 |
- 22h58 |
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Categoria: TV
PEDRO ANTUNES
“Eu acho difícil”, diz ela. “É nada, é fácil”, rebate ele. Daniella Cicarelli e Thunderbird, a bela e a fera, não se entendem quanto ao grau de dificuldade das questões e provas disputadas pelos colégios em seu mais novo programa, Provão MTV, com estreia marcada para segunda-feira, 30, às 20h. É a única (e divertida) falta de sintonia do casal em um pequeno encontro com a imprensa após a gravação do segundo episódio, na última segunda-feira. No palco, nos papéis de professores que testam o conhecimento musical de dois colégios que disputam a Traça Provão, eles estão afiadíssimos.
“Os jovens têm essa sintonia com a música. Isso é muito legal. Eles brigam muito para estar aqui, querem vencer a qualquer custo”, opina Thunder. A companheira de palco complementa: “Se você gosta de música, você vai atrás, vai querer saber mais. E, outra coisa, eles são fofos, né?”
O Provão MTV é a nova aposta do núcleo musical da emissora, que foi atrás de dois nomes pesados para apresentá-lo. Cicarelli está de volta à MTV após dois anos longe da televisão. A bela, de pernas torneadas e com cabelos mais aloirados, passou os dois últimos anos dedicando-se apenas à faculdade de Direito. “Falta prestar a prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil, obrigatória para exercer a profissão).” Fã de RPM, ela diz que seu conhecimento musical cresceu aos poucos. “Demorei para gostar de Rolling Stones, que era o que meus pais ouviam.”
Thunder é velho conhecido no circuito musical. Despontou na própria MTV nos anos 90, passou por Globo, a extinta Manchete, mas sempre voltou. “Quando o Zico (Góes, diretor de programação da emissora) me liga e fala para voltar, eu sempre aceito.” A sua quarta passagem teve início no ano passado, quando foi chamado para apresentar o aquecimento do VMB (premiação musical do canal) e o Clássica MTV. “Vesti a carapuça de professor.”Descontraídos, eles estavam animados com a prévia do programa. “E aí, o que acharam?”, perguntaram aos jornalistas mais de uma vez.
A batalha musical é disputada por duas escolas, que são representadas por uma equipe com quatro jogadores, uma banda formada por alunos e, claro, sua torcida (inscrições podem ser feitas no site da MTV, www.mtv.com.br. A dinâmica do game envolve dez provas de conhecimentos musicais – com ênfase em rock e pop, carros-chefes da emissora –, que vão desde descobrir qual o videoclipe em poucos segundos ou um disco célebre a partir de dicas. Há também uma disputa de covers entre as bandas. Tudo liderado – e sempre cornetado – pelos professores Thunderbird e Cicarelli.
O Provão MTV se propõe a uma nova alternativa para a emissora que leva a música no nome, mas que tem apostado pesado no humor, com atrações como Comédia MTV e Furo MTV. O programa une os gêneros de forma certeira. Para reforçar a graça, Bruno Sutter e seu personagem Detonator, vocalista da banda Massacration, é um dos jurados fixos. A outra é Tatá Werneck, do Comédia MTV. Juntos, protagonizam discussões nonsense que ajudam a aliviar a tensão dos adolescentes. “Eu não entendo nada de música, esse é meu critério”, brinca Tatá. Haverá sempre um terceiro convidado.
A primeira temporada do programa terá três meses, com 12 episódios semanais. E Thunderbird avisa: “Teremos uma segunda temporada. Pode escrever aí.” Ok, professor, você é quem manda.



