Citibank Hall fecha suas portas nesta quinta-feira
- 29 de fevereiro de 2012 |
- 21h38 |
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Categoria: Show, Stand-up, Teatro
PEDRO ANTUNES
Na entrada, vazia, nenhum ambulante ou cambista. A vida em Moema, na zona sul, segue como se nada estivesse acontecendo, mas hoje é fechamento oficial do Citibank Hall, a mais antiga casa de espetáculos de São Paulo. O contrato de locação da empresa que administra o imóvel, a produtora de shows Time For Fun (T4F), acaba nesta quinta-feira. A dona do espaço localizado na Alameda Jamaris, número 213, é a Associação Brasileira de Educação e Assistência (Abea). Um empreendimento imobiliário será construÃdo no local, mas ainda não há data para o inÃcio das obras.
De acordo com a T4F, ela e a Abea tentarão entrar com um pedido na prefeitura para a criação de uma sala de espetáculos dentro do empreendimento.
Com 28 anos de existência, o Citibank Hall, ainda como Palace, foi a casa de shows mais badalada de São Paulo nos anos 90. Localizado num local de fácil acesso, próxima das avenidas Ibirapuera e Indianópolis, o Palace dividia os grandes shows com o Olympia, na Lapa. Hoje marca o fim dessa era romântica.
Nos últimos anos, o então transformado em Citibank Hall havia perdido seu charme e apelo. Depois de ser Palace, em 2000, a casa passou por reformas e se tornou Direct TV Music Hall, CIE Music Hall e, em 2005, passou a ser chamado de Citibank Hall. Tudo isso corroborou com a falta de identidade da casa, apesar da tradição.
A última apresentação no espaço foi Hermanoteu na Terra de Godah, produzido pela companhia de comédia Os Melhores do Mundo, que comemorou ali 20 anos de formação. Na última sessão, no dia 18 de fevereiro, o grupo fez uma demolição simbólica ao dar marteladas em uma das paredes. Com 3.900 m² e capacidade para 3 mil pessoas (em pé; 1.600 sentadas), o Citibank foi sede do festival Free Jazz nos anos de 1985 e 1995 e recebeu shows de João Gilberto, Ney Matogrosso, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, B.B.King, entre outros.
A volta do velho Francisco
- 29 de fevereiro de 2012 |
- 21h36 |
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PEDRO ANTUNES
A escolha de O Velho Francisco como primeira música do repertório de seu show é até óbvia. É a canção, composta para o disco Francisco, de 1987, que inspirou Chico Buarque, cantor, compositor, escritor, poeta, boêmio e – mesmo a contragosto – galã, a escrever seu último livro, Leite Derramado, lançado em 2009 pela Companhia das Letras. Uma letra que fala de retorno e lembranças de um homem já de certa idade. Regresso como o dele à música em junho de 2011, com o álbum Chico, rompendo um silêncio musical que perdurava desde o disco Carioca, em 2006, e sua turnê, finalizada no ano seguinte.
Entre um livro e um disco, Chico, hoje com 67 anos, se mantém entre suas paixões. A música, a literatura, a volta, o tempo sempre implacável. O Velho Francisco como a costumeira primeira canção da nova turnê, que estreia hoje em São Paulo, diz tudo. Mesmo que de modo singelo. Tudo se encaixa tão bem, quase como poesia. Como os versos do próprio Chico Buarque.
Homem de várias faces, dono dos olhos azuis mais famosos da música brasileira, Chico vem a São Paulo com seu persona de músico. Desde novembro do ano passado, o cantor e compositor carioca circula pelo Brasil para apresentar o novo trabalho. Já passou por Curitiba, Porto Alegre, Novo Hamburgo e Rio de Janeiro. Desembarca agora na capital paulista para uma longa e esgotadÃssima temporada no HSBC Brasil, entre hoje e o dia 25 de março. Em dois dias de vendas de ingressos, em dezembro, foram 30 mil vendidos entre Rio e São Paulo. A procura foi tamanha que precisaram ser acrescentadas mais seis datas (30 e 31 de março, e 1, 6, 7 e 8 de abril), cujos bilhetes começam a ser vendidos hoje.
Os fãs paulistanos têm sorte. Esperaram para ver Chico Buarque, mas encontrarão ele e uma banda “azeitadaâ€, como revelou o maestro, arranjador e violonista Luiz Claudio Ramos (leia mais abaixo). E ele sabe do que está falando: são quase 40 anos trabalhando ao lado de Chico, desde sua participação, como músico contratado, da peça Calabar, Calabar: O Elogio da Traição, escrita por Chico e vetada pela ditadura militar em 1963. A partir de 79, Ramos passou a ser o arranjador oficial do compositor.
E se o novo disco de Chico Buarque está nas prateleiras, a responsabilidade é de Ramos novamente. Chico, o álbum, foi feito com parcimônia, em doses quase homeopáticas de canções. Tudo era escrito e reescrito até chegar ao ponto em que Chico sentisse que estava pronto para a música seguir adiante. A cada dois ou três meses, então, Ramos recebia um e-mail dele, com o esboço de uma nova canção, em voz e violão. Era o inÃcio de um novo processo de maturação, de entendimento da música. Depois, entravam outros dois músicos para criar o esqueleto do que se ouve no álbum: Jorge Helder, no baixo, e João Rebouças, no piano. Todo o disco surgiu dessa formação musical em quarteto (com a adição dos violões de Chico e Ramos). Por isso, o trabalho é assim minimalista, sem extravagâncias ou grandes orquestrações. Como seu próprio tÃtulo sugere: sonoridade simplista acima de tudo.
Nem mesmo a polêmica que alguns versos de Querido Diário, faixa de abertura lançada dias antes de o disco chegar à s prateleiras, afetou Chico ou sua banda. O famigerado verso “amar uma mulher sem orifÃcioâ€, de gosto realmente duvidoso fora de contexto, foi engolido por uma canção acima da média. Não existe algo à altura de Cálice, é claro, mas Chico, o disco, traz Chico, o cantor, de volta para a música. O que é sempre um alento aos ouvidos.
ENTREVISTA COM O MAESTRO LUIZ CLAUDIO RAMOS:
É para ele que Chico Buarque manda todos seus esboços de canção. Músicas inacabadas, em voz e violão, que tomam forma a partir de seus arranjos. Aos 62 anos, Luiz Claudio Ramos trabalha com Chico há quase 40 e sabe como tudo funciona.
Imagino que o público de São Paulo tenha sorte por assistir a um show que já foi maturado. Concorda com isso?
Sim, tudo vai amadurecendo, ficando azeitado. Tivemos muitos ensaios até chegar ao primeiro show, em Belo Horizonte. Nos reunimos 35 vezes. Agora, as coisas já estão mais acertadas. O que muda é uma nota ou outra.
As músicas novas sofreram grandes alterações do que ouvimos no disco? E as mais antigas?
As novas sofreram poucas mudanças, era algo mais de limpar o som para tocar ao vivo. Já as velhas precisaram de novos arranjos. Esse foi o grande desafio.
Com a base de fãs dele, mudanças drásticas são bem-vindas?
É uma responsabilidade muito maior do que fazer arranjos para uma pessoa que está começando agora. Entender as músicas antigas é mais fácil, mas uma música pode ser apresentada de milhares de maneiras diferentes. Preciso encontrar a forma do Chico atual. É como ser técnico da Seleção Brasileira (risos).
Chico, o disco, possui uma variedade enorme de sonoridades: de uma valsa a blues e samba. Como isso foi definido?
Primeiro, converso com o Chico para entender a sua proposta. Os outros discos eram mais orquestrados. Ele me diz coisas como que a música Nina era uma valsa russa. E assim eu fiz.
Tenho a impressão que você é quem o estimula a produzir…
Ele faz tudo no tempo dele. O Chico tem convite do mundo todo. E escolhe o que quer fazer. ::
Peça trata de trajetória de prostituta
- 29 de fevereiro de 2012 |
- 7h10 |
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Categoria: Teatro
MAIARA CAMARGO
Ela já era filha e mãe quando resolveu sair de casa, aos 22 anos, para se tornar puta (sim, ela usa a palavra com todas as letras). Gabriela Leite abandonou o curso de Sociologia na USP e foi trabalhar na região da Boca do Lixo, no centro da cidade. A violência contra colegas a fez despertar para a luta pelos direitos das garotas de programa.
E ela não parou mais. Fundou a primeira Associação Brasileira de Prostitutas, a ONG Davida, em 1991, e, mais recentemente, em 2005, a Daspu, grife queridinha de modernos. A trajetória da ativista, que virou livro em 2009, chega hoje ao teatro na peça Filha, Mãe, Avó e Puta – Uma Entrevista.
A autobiografia caiu nas mãos da atriz Alexia Dechamps, que, após um tempo afastada da carreira, estava procurando um trabalho desafiador. “Li a obra em dois dias. A história dessa mulher é um case. Então, fui atrás delaâ€, conta. Alexia comprou os direitos da obra, que foi adaptada por Marcia Zanelatto.
A responsabilidade de dirigir o espetáculo ficou a cargo de Guilherme Leme, que também se impressionou com o jeito de Gabriela encarar a vida. “A liberdade que ela tem é únicaâ€, diz.
Após pensar em alguns formatos, Leme optou por contar a história em uma espécie de entrevista. Assim, entra em cena um jornalista que conversa com Gabriela. No palco, Alexia surge com a idade atual da entrevistada, 60 anos. “Leopoldo Pacheco, que é ator e visagista, desenvolveu a maquiagemâ€, conta a atriz. Além disso, ela deu adeus aos longos cabelos dourados que cultivou a vida toda. “No começo, foi estranho ficar morena, mas sabe que eu já estou gostando?â€, conta.
Para Leme, o modelo de encenação facilita a apresentação da parte mais didática da montagem, ou seja, cabe ao jornalista, papel de Louri Santos, situar o espectador no tempo, além de dar dados e números importantes sobre o trabalho desenvolvido por Gabriela. “Ela acaba fazendo os relatos mais afetivosâ€, diz o diretor.
O texto transita por toda história da ativista. Há passagens sobre infância, memórias da ditadura, as rodas de intelectuais, como PlÃnio Marcos e Chico Buarque, e as faculdades de Filosofia e Sociologia na USP, a gravidez acidental, as brigas com a mãe e a decisão de se tornar prostituta. “É um texto que faz rir, chorar, amar, odiar. O difÃcil é sair ilesoâ€, destaca Alexia. “Além do frisson que existe quando se fala em sexo, há um interesse na trama, porque não costumamos ter prostitutas entre os nossos amigos. Elas são pessoas quase misteriosasâ€, aponta Leme.
Ao ver a peça pela primeira vez, Gabriela conta que estranhou um pouco. “Dá uma sensação meio estranha, né? Mas depois fui me habituandoâ€, revela com uma voz doce, que parece contrastar com as opiniões fortes. “O estigma da prostituta ainda é muito grande. Mas a sociedade tem de aprender a conviver com o que ela cria.â€
Além do espetáculo, a atÃpica vida de Gabriela também vai chegar aos cinemas. Com direção de Caco Souza (400 Contra 1), a produção deve ter seu roteiro fechado neste semestre. O papel de Gabriela será de Vanessa Giácomo.
DIVIRTA-SE
Filha, Mãe, Avó e Puta
Centro Cultural Banco do Brasil.
Rua Ãlvares Penteado, 112. Tel.3113-3651. Temporada de hoje a 19/4. De terça a quinta, à s 20h. Ingresso: R$ 6. 14 anos.
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Brasil perde de novo o Oscar
- 27 de fevereiro de 2012 |
- 2h02 |
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Categoria: Sem categoria
FELIPE BRANCO CRUZ
Na noite em que os grandes favoritos eram os filmes O Artista e A Invenção de Hugo Cabret, para nós, brasileiros, o único prêmio que interessava era o de melhor canção original. Carlinhos Brown e Sergio Mendes eram a esperança de que, desta vez, trarÃamos para casa o primeiro Oscar da nossa história. Não foi dessa vez. O prêmio foi para Man or Muppet, do filme Os Muppets, superando a canção Real in Rio, da animação Rio.
O duelo na premiação do Oscar de 2012 ficou mesmo entre os filmes O Artista e A Invenção de Hugo Cabret. O primeiro com dez indicações e o segundo com onze. E a disputa foi apertada. Os três primeiros prêmios entregues na cerimônia – melhor fotografia, direção de arte e figurino – tinham como favoritos justamente os dois longas. Hugo Cabret levou as duas primeiras estatuetas e O Artista venceu como melhor figurino. Prova de que os dois campeões de indicações acertaram ao focarem suas histórias em homenagear o cinema.
O longa de Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret, é em 3D, ultracolorido, ambientado em Paris do inÃcio do século 20. Ou seja, um tÃtulo que extrapola as novas tecnologias do cinema. Na história, Scorsese resgata a história de George Méliès, diretor de Viagem à Lua (1902). Já O Artista, filme mudo e em preto e branco, homenageia os filmes mudos do passado.
Dando prosseguimento à premiação, A Dama de Ferro levou o quarto prêmio da noite, superando Albert Nobbs, numa categoria que não tinha favorito aparente. Em seguida, o iraniano A Separação, que já tinha levado o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, confirmou o favoritismo ganhando o Oscar da categoria. O diretor Asghar Farhadi, opositor do atual regime no paÃs dos aiatolás, dedicou o prêmio ao povo do Irã.
A primeira estatueta em uma categoria importante da noite, a de melhor atriz coadjuvante, foi dada a Octavia Spencer, por sua atuação em Histórias Cruzadas. Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres ficou com a estatueta de melhor montagem, superando Hugo Cabret e O Artista. O longa de Scorsese, no entanto, foi o vencedor nas duas categorias técnicas seguintes: melhor edição de som e mixagem de som.
Os artistas do Cirque du Soleil fizeram uma apresentação especial durante a premiação. A trupe está em temporada no Teatro Kodak com a peça Iris, em tributo ao cinema. A apresentação deles foi semelhante à que normalmente é executada pela trupe no local semanalmente.
Outra zebra da noite foi o documentário Undefeated, sobre uma equipe de beisebol, superando a favorita Pina, de Wim Wenders, sobre Pina Bausch. Na categoria melhor animação, o filme Rango confirmou favoritismo e levou o prêmio. A animação Rio, do diretor brasileiro Carlos Saldanha, não foi indicada e sua ausência foi sentida na premiação.
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A Invenção de Hugo Cabret, carlinhos brown, Man or Muppet, O Artista, oscar, Rio, Sérgio Mendes
10 anos de Cidade de Deus
- 25 de fevereiro de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: Cinema
FELIPE BRANCO CRUZ E MARCELA RODRIGUES SILVA
Quando esteve no Brasil, em março do ano passado, o presidente dos EUA, Barack Obama, não incluiu por acaso uma visita ao bairro Cidade de Deus, no Rio. Há dez anos, quando o filme Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles, foi lançado, essa comunidade pobre deixou de ser apenas um gueto comandado por bandidos para ser conhecida em todo o mundo.
Segundo Maria do Rosário Caetano, autora do livro Biografia Prematura – Fernando Meirelles, o filme marca o fim da Retomada (perÃodo que denomina a produção nacional nos anos 90, iniciado com Carlota Joaquina, de Carla Camurati, em 1995) e o começo de uma nova fase do cinema brasileiro. “Tropa de Elite deve muito a Cidade de Deus por tratar a pobreza com uma pegada jovemâ€, avalia ela. “Sua temática social moderna dialoga com o cinema de ação. Fez sucesso com o público e rachou a crÃtica ao meio.â€
Em 2002, Cidade de Deus foi o tÃtulo nacional que levou mais público à s salas de cinema daquele ano, somando 3,3 milhões de espectadores, à frente de sucessos como Maria, Mãe do Filho de Deus e Xuxa e os Duendes 2 (2,3 milhões). Na esteira do reconhecimento, veio a consagração no exterior e, por tabela, quatro indicações ao Oscar, em 2004, por melhor direção, roteiro adaptado, fotografia e edição. Ao todo, recebeu 82 nomeações a prêmios e venceu 56 deles.
Assim, a passagem do presidente americano pela comunidade foi só uma das consequências atribuÃdas à fama conquistada pelo filme. No entanto, a mais significativa delas talvez tenha sido as mudanças que causou na vida dos jovens recrutados na comunidade e no Morro do Vidigal, por meio das ONGs Nós do Teatro e Nós do Cinema, para atuar na produção. O ator Leandro Firmino da Hora, de 33 anos, morador de Cidade de Deus e célebre por interpretar Zé Pequeno, foi um deles. “Mudou a minha vida. Eu trabalhava como boy. Nunca tive a pretensão de ser ator. Hoje, ser negro e morar na favela é legal. Na época, o preconceito era maiorâ€, conta ele. Firmino, aliás, foi convidado a conhecer pessoalmente Barack Obama, mas recusou. “Muita gente queria conhecê-lo. Eu tinha outros compromissosâ€, diz. Para Luciano Vidigal, pesquisador de elenco do filme – responsável por descobrir Firmino e indicá-lo ao papel que o tornou famoso –, o ator não foi ao encontro do presidente porque não queria se envolver “naquela politicagem todaâ€.
Há um mês, os cineastas Vidigal e Cavi Borges estão entrevistando os atores que participaram do filme. O objetivo é produzir o documentário Cidade de Deus – 10 Anos Depois, que deve ser lançado este ano, contando justamente como Cidade de Deus mudou a vida desses atores. A dupla, que trabalhou com Fernando Meirelles na época, explica que o objetivo era buscar atores da comunidade para imprimir ao longa a sensação real do que é viver à margem da sociedade.
Segundo eles, o filme só não conseguiu mudar foi o preconceito contra atores negros. “Todos os entrevistados reclamaram da dificuldade em conseguir bons papéis. A maioria que aparece é para fazer traficante, assassino, empregada doméstica, motorista. Poucos são protagonistasâ€, diz Vidigal. “Tem papel até para homem azul, em Avatar, mas não para o negroâ€, ironiza Maria do Rosário.
O produtor veterano Luiz Carlos Barreto, o Barretão, lembra que outros tÃtulos também contribuÃram para o prestÃgio internacional do cinema brasileiro, como Central do Brasil (1998), de Walter Salles, indicado a dois Oscar, inclusive de melhor atriz para Fernanda Montenegro. Além de O Que é Isso, Companheiro? e O Quatrilho (1995), ambos indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro – e produzidos por Barretão. “O cinema é um instrumento para moldar a imagem do paÃs no exteriorâ€, diz.
O ator Thiago Martins, de 23 anos, tinha apenas 13 quando participou de Cidade de Deus. Seu personagem, o Lampião, fazia parte do bando infantil que assassinou Zé Pequeno com o “ataque soviéticoâ€, nome dado pelos personagens a um fuzilamento. Depois do longa, ele participou nove produções na TV (incluindo seis novelas) e oito filmes, dentre eles Era uma vez…, em que fez o papel de um garoto do morro que se apaixona por uma patricinha. “Tenho um olhar de amor e gratidão e um grande respeito por Meirellesâ€, diz ele. Atualmente, Thiago dedica-se à música com seu grupo de samba, o Trio Ternura, que é, inclusive, o mesmo nome dado aos ladrões que aterrorizavam Cidade de Deus nos anos 60 e aparecem no inÃcio do filme.
O ator Jonathan Haagensen, de 29, que interpreta Cabeleira, melhor amigo de Zé Pequeno, também deslanchou na carreira artÃstica. Fez novelas, como ParaÃso Tropical (2007), na Globo, participou da primeira edição do reality A Fazenda (2009) e hoje está em cartaz com a peça Os AltruÃstas, com Mariana Ximenes. “Ainda moro no Vidigal. Recentemente, fui a Los Angeles e me reconheceramâ€, diz ele.
Outra aposta do filme, Sabrina Rosa, de 33, viveu a namorada do Mané Galinha (Seu Jorge), que é estuprada – fato que contribui para o inÃcio da guerra entre Cenoura (Matheus Nachtergaele) e Zé Pequeno. Ela também mora no Vidigal.
“Depois do longa, vieram os convitesâ€, diz. Atualmente, Sabrina trabalha como diretora. “Depois do filme, muitas pessoas passaram a se interessar por cinema e muitos atores saÃram de lá.
E se hoje Seu Jorge e Alice Braga têm uma carreira de destaque no Brasil e no exterior, muito se deve a Cidade de Deus. Segundo Cavi Borges, foi a cena da praia, em que Angélica (Alice Braga) conversa com Buscapé (Alexandre Rodrigues), que despertou o interesse de produtores de Hollywood pela atriz brasileira. “Uma produtora estrangeira procurou Alice com o frame da cena da praia na mão e disse que queria conhecê-laâ€, diz Cavi.
Hoje à noite, Carlinhos Brown e Sergio Mendes, autores de Real in Rio, que disputa o Oscar por canção original, podem se transformar nos primeiros brasileiros a ganhar o prêmio. E, de certa forma, Cidade de Deus terá ajudado a pavimentar esse caminho.
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