Estadão.com.br
Sábado, 25 de Maio de 2013
Variedades
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Memória: uma lágrima para Daniel Piza

Categoria: Sem categoria

O corpo do jornalista  escritor  Daniel Piza foi enterrado na manhã deste domingo, 1º, no Cemitério de Congonhas, em São Paulo. Piza, de 41 anos, morreu na noite desta sexta-feira, 30, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Ele estava em Gonçalves (MG), onde passava as festas de fim de ano com a família. Chegou a ser socorrido pelo pai, que é médico, mas não resistiu.

Piza nasceu em São Paulo, em 1970. Estudou Direito no Largo de São Francisco (USP), mas logo passou a se dedicar ao jornalismo. Começou a carreira no Estado, onde, de 1991 a 1992, foi repórter do Caderno 2 e editor-assistente do Cultura. Trabalhou em seguida na Folha de S. Paulo (1992-95) e na Gazeta Mercantil (1995-2000). Em maio de 2000, retornou ao Grupo Estado como editor executivo e colunista cultural – desde 2004, também assinava uma coluna sobre futebol. Na rádio Estadão ESPN, apresentava os programas Estadão no Ar e Direto da Redação.

Piza encarnava a verdadeira definição do jornalista cultural. Ainda que muito ligado à literatura e às artes plásticas desde o início de sua carreira, transitava com desenvoltura e conhecimento pelo cinema, dança, música, teatro e moda, oferecendo análises que faziam dialogar de forma ampla as manifestações artísticas.

Mas o espírito de repórter o levaria também a outros campos. Na coluna Sinopse, publicada aos domingos no Caderno 2, a política e a economia nacionais eram temas frequentes. Apaixonado por futebol, foi responsável por reportagens exclusivas também nesta área, como a notícia da aposentadoria do jogador Ronaldo.

Em 2009, com o repórter fotográfico Tiago Queiroz, refez a expedição de 1905 do jornalista e escritor Euclides da Cunha pela Amazônia, que resultou na publicação de uma série de reportagens, no livro Amazônia de Euclides (finalista do prêmio Jabuti) e no documentário Um Paraíso Perdido. Colaborou ainda com o diretor Luiz Fernando Carvalho na preparação do roteiro de Capitu, minissérie da TV Globo.

“O Brasil perdeu um grande jornalista, um jovem intelectual com tanto ainda a contribuirâ€, disse ontem o diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour. “Pessoalmente, sempre me chamou atenção a habilidade com que ele soube trafegar entre o jornalismo e a literatura, duas áreas que podem colaborar mas jamais se misturar.†Para Roberto Gazzi, diretor de desenvolvimento editorial do Estado, Piza era um “exemplo para os colegasâ€. “Um profissional completo, capaz de fazer uma grande reportagem especial, dar furos em varias áreas e manter uma coluna semanal brilhante.â€

Literatura
Os livros de Piza são prova da diversidade de sua trajetória. A produção como jornalista está reunida em volumes como Questão de Gosto, Perfis & Entrevistas, Contemporâneo de Mim – Dez Anos da Coluna Sinopse e Aforismos sem Juízo, além do ensaio Jornalismo Cultural. Como biógrafo, assinou livros sobre Ayrton Senna (O Eleito) e Paulo Francis (Brasil na Cabeça) antes de lançar sua obra principal no gênero, Um Gênio Brasileiro, sobre Machado de Assis.

Foi tradutor, entre outros autores, de Henry James (A Arte da Ficção), H.G. Wells (A Máquina do Tempo), Matthew Stadler (O Agressor Sexual) e Herman Melville (Benito Cereno). Costumava brincar que flertara a vida toda com a ficção – foi, no entanto, mais do que um flerte. Nos anos 90, lançou um romance, As Senhoritas de Nova York; cinco anos depois, seu primeiro livro infantil, Mundois; e, em 2010, a coletânea de contos Noites Urbanas.

O pendor para a polêmica foi herdado de escritores como o brasileiro Paulo Francis, H. L. Mencken e Bernard Shaw, cujos textos estão reunidos em coletâneas organizadas por ele (O Dicionário da Corte de Paulo Francis, Dentro da Baleia – Ensaios e O Teatro das Ideias de Bernard Shaw, respectivamente). Não se tratava, porém, de emular esses ídolos da juventude, ou mesmo de manter fidelidade a suas ideias, mas, antes, de perseguir, como eles, a clareza do texto, a união natural entre informação e opinião e a certeza de que, como escreveu certa vez, a “inteligência é a única virtude indomesticável†– e que vozes autorais, como a dele, sempre farão a diferença.  :: João Luiz Sampaio

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tópicos Relacionados

A volta da turma do “Sítio do Picapau Amarelo”, mas em desenho

Categoria: TV

MARCELA RODRIGUES SILVA

Para a alegria dos órfãos da saudosa série Sítio do Picapau Amarelo, que chegou ao fim na Globo em 2007, as aventuras encantadas de Emília, Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, Visconde de Sabugosa, Tia Anastácia e Marquês de Rabicó voltam ao ar na emissora a partir do próximo sábado, dia 7. A trupe criada pelo escritor Monteiro Lobato em 1920 – e que completou 91 anos em dezembro – continua a aprontar, só que, desta vez, na forma de desenho animado. Os 26 episódios de 11 minutos serão exibidos logo após a TV Globinho.

Fruto de uma parceria entre Mixer e Rede Globo, a primeira temporada é baseada na obra Reinações de Narizinho, de 1931, e, tal como na literatura, as histórias se passam num pitoresco sítio longe da cidade grande, palco das estripulias de Emília e sua turma que, mesmo em desenho, mantêm suas características físicas e personalidades marcantes.
Assinados pelo ilustrador paulistano Bruno Okada, os traços são simples, porém contemporâneos.

“O desenho é digital e moderno, mas humanizado. A nossa preocupação foi retratar o Brasil e o interior do Sudesteâ€, explica o diretor da animação Humberto Avelar. O diretor revela que, para garantir a fidelidade à obra, a família Monteiro Lobato participou do processo desde a criação dos desenhos até a aprovação das sinopses. “Além disso, os primeiros episódios foram exibidos nos bastidores, em sessões para crianças. A ideia era ver a reação delas. E todas gostaramâ€, garante.

Novidades
Cada um dos episódios trará uma história diferente, inspirada nos escritos de Lobato, mas com toques da criatividade dos roteiristas. “Queria ser o máximo fiel e isso foi um desafio para um desenho de 11 minutosâ€, conta o roteirista Rodrigo Castilho. Ele explica que algumas novas aventuras foram criadas a partir de passagens contidas nos capítulos e familiares ao público. “Por exemplo, em um trecho que o Rabicó fez várias promessas aos amigos. Daí, surgiu um episódio bem engraçado, com novas aventuras que não estão no livro ou na série da TV.â€

A trilha sonora também foi preservada, com a clássica canção Sítio do Picapau Amarelo, na voz de Gilberto Gil. O cantor criou uma versão adaptada para a animação. “A música precisou ser mais ágil, rápida, sem perder o encanto. Gil estilizou a trilha perfeitamente e entendeu a alma do desenhoâ€, disse Thiago Mello, produtor executivo da Mixer. “No começo, até tivemos dúvidas quanto a ter ou não esta música. Aí mostramos a canção para algumas crianças, que lembraram bem dela e isso motivou a equipe a mantê-la.â€

E a fama da nova versão promete ir além Brasil. Segundo o diretor de licenciamento da TV Globo, José Luiz Bartolo, a animação já foi comprada pelo Cartoon Network, para exibição não só no Brasil como também na América Latina, a partir de abril. Será ainda comercializado internacionalmente na MIP TV, feira do setor que será realizada em Cannes, em abril. Além disso, cerca de 60 produtos licenciados com o tema do desenho devem chegar ao mercado nos próximos meses.

Vozes conhecidas
Os adultos mais atentos, quem sabe, poderão reconhecer na voz da adorável Dona Benta um timbre que remete a outros tempos do Sítio. Por uma feliz coincidência, é a atriz Gessy Fonseca, de 87 anos, quem dubla a avó dos primos Narizinho e Pedrinho, repetindo o trabalho que fez em 1943, quando a história estreava no rádio .  E Quem assistiu ao longa O Palhaço, de Selton Melo, também deve identificar a fala doce da atriz Larissa Manoela, de 10 anos, que faz a Narizinho. Já Emília e Pedrinho ganharam as vozes dos dubladores Isabela Guarnieri, de 11 anos, e Vini Takahashi, de 14. Essa turma promete…

 

 

Queen, o início e o quase fim

Categoria: Literatura, Música

ADRIANA DEL RÉ

Em termos icônicos, o bigode de Freddie Mercury está para o cenário musical como o de Charles Chaplin está para o cinema e o de Salvador Dalí, para as artes visuais. Nos três casos, os donos dos valorosos ‘moustaches’ criaram uma estética que lhes conferiram, a seu modo, a physique du role do gênio transgressor. Dalí, na condição de mestre do surrealismo, se inspirou no pintor espanhol Diego Velázquez, nascido no fim do século 16, para arquear seus bigodes para o alto. Chaplin, como Carlitos, lapidou o adorável vagabundo que podia não ter onde cair morto, mas prezava por seu visual asseado.

E Farrokh Bulsara, na pele de Freddie Mercury, cunhou a figura de clone gay do machão dos anos 80, com cabelos curtos e bigode preto, deixando para trás o rosto liso e seu estilo meio glam da década de 70. Isso não quer dizer que seu emblemático bigode surgiu por causa de uma mera transição de década. Coincidentemente, aquele período foi crucial não só para ele como para o Queen, histórica banda inglesa que ele liderou. Na vida privada, Freddie conquistara reconhecimento, fama – e segurança para assumir sua homossexualidade. Já como vocalista e compositor do Queen, viu o grupo chegar ao topo das paradas da Europa e dos EUA.

Morto há 20 anos, em novembro de 1991, vítima de aids, o cantor lutou por sua música até o fim, seja como integrante da banda, seja como artista solo. E também se envaideceu, e se excedeu, e brigou, e reverenciou. Ele, inevitavelmente, é a grande estrela do novo livro Queen – História Ilustrada da Maior Banda de Rock de Todos os Tempos, do jornalista inglês Phil Sutcliffe. É que, apesar de serem peças importantes, o guitarrista Brian May, o baterista Roger Taylor e o baixista caladão John Deacon (que deixou a banda em 1997) acabam sendo – e se portando como – coadjuvantes dessa história.

A obra, caprichada, recupera entrevistas que o próprio Sutcliffe fez com a banda, além de outros textos publicados e um vasto material iconográfico, incluindo mais de 500 imagens de shows, fotos dos músicos, cartazes de shows, capas de discos, canhotos de ingressos e programas de concertos. Ainda em comemoração aos 40 anos do grupo, que foi formado em 1971, a gravadora Universal relançou, ao longo deste ano, toda a discografia do Queen remasterizada. São 15 CDs no total. A última leva que chegou às lojas agrupa os últimos quatro álbuns, o ótimo The Works (com Radio Ga Ga e I Want to Break Free), A Kind of Magic (do qual saiu mais um punhado de sucessos, como Who Wants To Live Forever e Friends Will Be Friends), The Miracle e Innuendo, além do póstumo Made in Heaven (veja abaixo).

Jogando os holofotes sobre Freddie, Phil Sutcliffe acredita que o Queen, mesmo composto por músicos aplicados e talentosos, nunca teria “chegado lá sem o arrebatador de estádios que foi Freddie Mercuryâ€. Em seu livro, o jornalista volta às raízes de seu protagonista, que mesmo quando ainda não era ninguém, já descia pela King’s Road, em Londres, metido a astro, em um terno de veludo vermelho com guarnições de pele de raposa.

Freddie (apelido que ganhou na época da escola) nasceu Farrokh Bulsara, em 1946, na ilha de Zanzibar, no leste da Ãfrica. Filho de pais indianos, estudou num internato. Em 63, quando Zanzibar tornou-se independente, sua família foi para a Inglaterra. Lá, mais tarde, ele conheceria Brian, Roger e John e, nos anos 70, buscaria seu lugar ao sol tendo sempre como foco aquilo para o qual tinha certeza de que estava predestinado: o sucesso. E conseguiu. Deixou sua marca na história da música. Sua voz ficou eternizada. E seu bigode? Bom, esse entrou para o imaginário coletivo – junto com os de Chaplin e Dalí.

Um DJ para dois milhões

Categoria: Música, Show

PEDRO ANTUNES

A batalha das Termópilas – aquela em que o rei espartano Leônidas e seus 300 soldados enfrentaram centenas de milhares aliados do rei persa Xerxes, em 480 a. C., na Grécia – não parece tão assustadora. Na virada de ano, na madrugada de hoje para amanhã, às 2h, o DJ francês David Guetta, de 44 anos, enfrentará a sua maior batalha: tocar para dois milhões de pessoas, usando apenas as suas picapes.

Épico até mesmo para o também produtor, vencedor de dois prêmios Grammy e eleito pela revista DJ Mag como o melhor do mundo. “No avião para São Paulo, para três semanas de turnês e o maior show da minha vida, no Rio. Estou tão animado, acho que não consigo dormirâ€, escreveu Guetta em seu Twitter, no dia 28.

A turnê pelo Brasil também inclui uma grande apresentação em São Paulo, na Arena Anhembi, no primeiro sábado do ano, dia 7, ao lado de Mario Fischetti e da dupla Viktor Mora & Naccarati.

Se 2011 é o ano de Guetta, é preciso dar uma volta com uma máquina do tempo para entender como ele chegou até aqui. Aos 17 anos, ele era só um DJ residente de uma boate GLS nos subúrbios de Paris. Curioso, descobriu em Chicago uma nova vertente da música eletrônica, o acid house, que trazia um quê mais psicodélico para as batidas, e que acertou em cheio no gosto europeu, principalmente o inglês. “Eu sabia que isso mudaria a música eletrônicaâ€, conta Guetta, no documentário Nothing But The Beat, uma peça com jeito publicitário (é patrocinada por uma marca de energético), mas que introduz o grande público ao básico da história do badalado DJ francês.

Muito do falatório e dos elogios se deve à fusão do acid house com o R&B promovido por Guetta já nos anos 2000. Foi em 2001 que o DJ levou seu primeiro single a se tornar hit, Just a Little More Love, com a participação do cantor gospel Chris Willis, um parceiro até hoje presente, mas um tanto ofuscado por outros companheiros ilustres, como Madonna, Black Eyed Peas, Snoop Dogg e Britney Spears.

O toque de Midas de Guetta pode ser percebido no grande sucesso de I Gotta Feeling, hit-chiclete de Will.i.am, Fergie e companhia. Nas duas últimas passagens do grupo por aqui – no Morumbi, em 2010, e no festival SWU, há um mês – o refrão simplista “I gotta a feeling that tonight’s gonna be a good night†(“eu tenho a sensação que a noite será boaâ€) era o mais aguardado.

Ciente do sucesso de Guetta também por aqui, a gravadora EMI decidiu relançar o disco Nothing But The Beat (R$49,90) – o mesmo nome do documentário – para o Natal. Se a primeira versão já era um disco duplo, agora traz um CD a mais, com remixes dos já considerados sucessos do seu quinto trabalho, todo gravado em laptop, em quartos de hotéis.

Will.i.am define o DJ como uma espécie de introdutor à house music. “Ele (Guetta) simboliza a tradução da cultura da house music e da dance music para quem não conhece. Ele introduz isso para as pessoasâ€, explica, no documentário. E, armado de suas picapes, David Guetta promete deixar a Praia de Copacabana, e seus 2 milhões de visitantes, aturdida com a sua psicodelia eletrônica.

EM COPACABANA
> > O DJ tocará às 2h, na madrugada de hoje para amanhã, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O público esperado é de 2 milhões. Outras atrações: Beth Carvalho, O Rappa, Latino, Sargento Pimenta, Baia, Moraes Moreira e Blitz.
EM SÃO PAULO
> > Por aqui, o francês fará uma
apresentação especial na Arena Anhembi, no próximo sábado, dia 7. Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana. % (15) 4009-8888.
R$120 a R$ 450.
NA TV
> > O canal por assinatura Eurochannel exibirá um especial inédito com entrevistas, clipes e making of de Guetta. O ‘Euromusic’ irá ao ar na meia-noite de hoje, sábado, para domingo.
NA INTERNET
> > É possível assistir ao documentário ‘Nothing But The Beat’, dirigido por Huse Monfaradi, no Facebook. Endereço: bit.ly/guettaburnmovie. O disco, de mesmo nome, também pode ser ouvido gratuitamente no Sonora, do portal Terra.

Sangramento de Chico Anysio é controlado

Categoria: Coluna Entre a Gente

Ana Carolina Rodrigues

De acordo com boletim médico divulgado hoje pela manhã, Chico Anysio, 80 anos, não apresenta mais sangramento em seu aparelho digestivo. O artista segue internado no CTI do Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Anysio foi diagnosticado com infecção pulmonar e, segundo o hospital, responde ao tratamento. Anysio segue respirando com a ajuda de aparelhos. O estado clínico do paciente ainda inspira cuidados. Não há previsão de  alta.

Mulher do ator, Malga Di Paula tem comentado o tratamento do marido no Twitter. Ontem, ela escreveu: “estou aqui, segurando na mão quentinha do meu herói… Meu amor… Tão gostoso…A carinha dele esta ótima. Salve!!!”. Malga aproveitou também para agradecer as mensagens que tem recebido. “Muito emocionada com o carinho de vocês! Incrível como é possível sentir a força positiva nas suas mensagens! Compartilho tudo com o Chico.”

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tópicos Relacionados