Tire suas dúvidas sobre o IR
- 12 de fevereiro de 2012 |
- 23h55 |
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Categoria: Impostos
1) Tenho 71 anos e estou aposentado desde os 55 anos pelo INSS. Continuo tocando uma pequena empresa de prestação de serviços. De 2010 para 2011 aconteceu uma distribuição de resultados no valor de R$ 60 mil, que apliquei em um VGBL com seu próximo resgate possível em março de 2012. Outros R$ 30 mil estão aplicados em fundos DI. Tenho aplicações em dois imóveis, fora aquele em que resido. Qual sua opinião para melhor aplicar os R$ 90 mil que estão no VGBL e no fundo DI?
Resposta: Por conta de toda a questão tributária, é melhor deixar o dinheiro no VGBL por mais tempo para que você pague a menor taxa possível. Entretanto, é muito importante buscar mais informações sobre o seu plano para verificar que taxas de administração e carregamento estão sendo cobradas. Caso sejam altas, busque alternativas lançando mão da portabilidade (a possibilidade de mudar de planos da mesma classe). Em relação aos R$ 30 mil em fundos DI, também verifique os custos. Caso sejam altos, busque alternativas. Uma opção é a aplicação em títulos do Tesouro Direto porque o custo é baixo, embora você mesmo tenha que fazer compras e vendas desses títulos.
2) Sou aposentado e tenho 83 anos. Minha renda mensal é equivalente a R$ 10 mil e tenho aplicações no valor de R$ 1,1 milhão que no ano passado me renderam mensalmente R$ 9 mil líquidos, já descontado o IR. Meu gasto é de R$ 25 mil ao mês, por isso, sou obrigado a sacar R$ 6 mil mensalmente das aplicações. Pergunto: quanto tempo durará o valor das aplicações?
Resposta: Como a retirada é de R$ 6 mil acima dos rendimentos líquidos, a conta é relativamente simples. Basta subtrair este valor mensal do total aplicado, o resultado é que o dinheiro irá durar mais 183 meses, algo como 15 anos. Mas fica o alerta: esse cálculo é realmente simples, pois deixa de considerar a evolução da inflação, potencial redução dos rendimentos em virtude de queda de juros e até mesmo risco de crédito das instituições em que o dinheiro está aplicado.
3) Tenho desde fevereiro de 2011 R$ 110 mil em fundo de CDB num banco de primeira linha, rendendo taxa de 100% do CDI. São papéis de 1.080 dias e não necessito utilizá-los até 2015. Além desse recurso, tenho disponibilidade mensal de investir R$ 3 mil, também até 2015. Devo baixar o CDB e direcionar o valor investido e os recursos mensais em títulos do governo como NTNB principal ou NTN-F prefixada?
Resposta: A aplicação no CDB com 100% do CDI é um bom investimento. Lembrando que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) afiança títulos de renda fixa emitidos por bancos até o R$ 70 mil. Com esse título você está coberto do risco de juros. Em outros termos, como o rendimento oferecido por esse papel é 100% do CDI, você está garantido seja qual for a variação de juros da economia. Em relação ao valor mensal de R$ 3 mil você poderá optar pela NTN-B principal que oferece uma parte de rendimento fixo, hoje em torno de 4,7% ao ano. A outra parte varia conforme o IPCA. Com essa aplicação você estará protegido da inflação. Assim, uma parte de seus recursos estará protegida em relação à taxa de juros e outra contra a inflação.
4) Tenho 26 anos e trabalho em instituição financeira há cinco anos. Sou formado em administração com ênfase em marketing. Tenho certificação CPA-10 e estou estudando para CPA-20. Quero fazer uma pós-graduação ou MBA e também tenho pesquisado alguns cursos de banking. Essas formações são interessantes?
Resposta: Na fase em que está, é essencial que faça uma pós-graduação, principalmente porque trabalha em uma instituição financeira. A continuidade de seu desenvolvimento profissional depende de experiência, sem dúvida, mas também da continuidade de aquisição de conhecimentos técnicos. Para quem trabalha nessa área é extremamente importante conhecer cada vez mais as operações bancárias, investimentos, o sistema financeiro, os conceitos econômicos. Enfim, é importante que tenha toda a gama de conhecimentos da área financeira. As certificações Anbima CPA-10 e CPA-20 credenciam você para atuar no mercado exercendo as suas funções, pois permitem que você desempenhe atividades de comercialização e distribuição de produtos de investimento. Ainda assim, creio que seja primordial um curso de especialização ou MBA voltado para finanças. No mercado há bons cursos desse tipo. Minha dica fica sobretudo na escolha da instituição de ensino em que fará essa pós. Isso porque as organizações, os profissionais de recrutamento e seleção sabem muito bem distinguir joio de trigo.
FÁBIO GALLO É PROFESSOR
DE FINANÇAS DA FGV E DA PUC-SP
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