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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
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Taxa do rotativo do cartão tem queda

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Crédito

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

Pela primeira vez após 33 meses sem registrar nenhum movimento, ignorando a trajetória de redução dos juros básicos (Selic), a taxa média do rotativo do cartão de crédito caiu 0,28 ponto porcentual em setembro, de 10,69% para 10,41% ao mês. É o que mostra a Pesquisa de Juros da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), divulgada ontem.

De agosto de 2011 a setembro deste ano, a Selic caiu 5 pontos porcentuais, de 12,5% ao ano para 7,5% ao ano – o levantamento da Anefac não alcançou o corte de 0,25 ponto decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada, que levou a Selic para 7,25% ao ano.

Das taxas das seis linhas de crédito pesquisadas pela Anefac, todas foram reduzidas no mês. A taxa de juros média para pessoa física apresentou uma redução de 0,21 ponto porcentual no mês, passando de 6,02% em agosto para 5,81% no mês passado.

Para pessoa jurídica, a taxa de juros média das três linhas pesquisadas caiu 0,13 ponto porcentual, passando de 3,44% ao mês em agosto para 3,31% ao mês em setembro. Entre as taxas cobradas das pessoas físicas, a maior redução foi verificada nos juros do comércio, que caíram de 4,55% ao mês em agosto para 4,20% ao mês em setembro, uma queda de 0,35 ponto porcentual. Entre as taxas oferecidas às pessoas jurídicas, o maior recuo foi registrado nos juros para desconto de duplicatas, que passaram de 2,46% ao mês em agosto para 2,26% ao mês em setembro, um diferença de 0,20 ponto.

“A nossa expectativa é de que as taxas de juros voltem a ser reduzidas nos próximos meses por conta da melhora da economia e pela maior competição no sistema financeiro após os bancos públicos promoverem reduções em suas taxas de juros, bem como pela expectativa de redução dos índices de inadimplência no segundo semestre”, afirmou o coordenador de estudo da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira.

Ipea vê inadimplência em trajetória de queda

Categoria: Agenda, Análise, comércio, Consumo, Crédito, Indicadores

MARIANA DURÃO

O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o serviço da dívida (juros e amortizações) e a taxa de inadimplência deve apresentar trajetória descendente em decorrência da redução dos juros e da continuação do cenário positivo no mercado de trabalho. A previsão é do boletim Conjuntura em Foco do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem.

O instituto fez uma análise comparativa entre a situação do crédito no Brasil, em outros países e nos EUA, onde houve uma crise do sistema financeiro em razão da bolha imobiliária em 2008. O boletim considera o endividamento das famílias no País ainda baixo em comparação com outras regiões.

Em relação à renda acumulada nos últimos 12 meses, o endividamento chega a 42% no Brasil, contra 108% na zona do euro e 161% no Reino Unido. Mesmo o crédito imobiliário, que cresceu acima da média nos últimos anos, e atingiu 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho, ainda está bem abaixo do nível de países como EUA (65% do PIB) e África do Sul (27%).

Na avaliação do Ipea, o dado que suscita maior preocupação é o de comprometimento da renda das famílias com o pagamento de juros e amortizações junto ao sistema financeiro, que se mantém em torno de 22% desde o segundo semestre de 2011. No entanto, o instituto aponta que o fato de a maior parte do endividamento das pessoas físicas se concentrar no curto e no médio prazo (73%) indica que o índice pode cair em pouco tempo.

Inadimplência dá sinais de trégua

Categoria: Agenda, Análise, Crédito, Indicadores, Juros

Fernando Nakagawa e Eduardo Cucolo

O calote deu uma trégua em junho. Após meses de piora contínua, a inadimplência de consumidores e empresas apresentou recuo, ainda que de forma muito suave, no mês passado. Ao mesmo tempo, o juro manteve a trajetória de queda dos últimos meses e o volume de novos empréstimos cresceu novamente. Para o Banco Central, é possível falar em uma inflexão no mercado de crédito, e já há motivos para comemorar.

O clima de celebração no BC é resultado da evolução da inadimplência, que teve oscilação mínima em junho. Em um mês, o porcentual das operações com atraso superior a 90 dias caiu 0,1 ponto entre consumidores, empresas e também na média geral. No mês passado, o calote recuou para 5,8% no total do mercado de crédito, sendo 7,8% entre as pessoas físicas e 4% no segmento corporativo.

Essa acomodação nos calotes era esperada há vários meses pelo BC e é resultado de três fatores, diz o chefe do departamento econômico da instituição, Túlio Maciel. “É efeito da redução da taxa de juro, da postura mais cautelosa dos bancos desde 2011 e do crescimento da massa salarial. São fatores que contribuem para a trajetória mais favorável da inadimplência”, disse, ao comentar que a tendência deve continuar ao longo deste semestre.

Inflexão
A melhora da inadimplência completa a lista de reações do crédito, que, para a equipe econômica, apontam para uma inflexão nas condições do mercado. “Não é o mês, mas o momento representa uma mudança. Diria que estamos em um momento de mudança do mercado, com perspectiva de comportamento melhor da inadimplência e expansão (do crédito)”, disse Tulio Maciel. Essa melhora, inclusive, é um dos motivos dos discursos otimistas feitos recentemente pelo presidente do BC, Alexandre Tombini.

Quanto ao crédito, prevalece o entendimento no governo de que as medidas anunciadas ao longo dos últimos meses provocaram reações positivas em três momentos. O primeiro resultado veio na queda do juro e do spread, que é a margem cobrada pelos bancos nos empréstimos. Esse efeito continua em evidência e as taxas continuam em queda: o juro médio pago pelos consumidores caiu de 38,8% em maio para 36,5% anuais em junho, o mais baixo desde 1994. Para empresas, a taxa também caiu e passou de 38,8% para 36,5%.

O segundo reflexo acontece nos volumes de financiamentos, que começaram a aumentar, especialmente nas pessoas físicas. Segundo o BC, os bancos emprestaram, na média, R$ 10,4 bilhões a cada dia de junho aos consumidores e empresas, valor 6% maior que em maio.

Por fim, o documento divulgado ontem sinaliza que a terceira reação está no calote. “Há a superação do momento mais crítico da inadimplência”, disse o técnico do BC. Agora, Tulio Maciel afirma que o aumento do crédito vai ajudar na retomada do crescimento da economia no segundo semestre.

Cautela
Como tem ocorrido nos últimos meses, o mercado financeiro tem uma análise mais cautelosa. Para a LCA Consultores, a inadimplência dá, apenas, “sinais de estabilização”. Para o economista-chefe da CM Capital Markets, Darwin Dib, “apesar da trégua na inadimplência em junho, ainda é cedo para tirar conclusões”. “Vale lembrar que o patamar da inadimplência está elevado. Qualquer conclusão benigna baseada no resultado de junho será mera torcida”, diz em relatório.

Preço de apartamentos prontos sobe menos

Categoria: Agenda, Análise, Casa própria, Imóveis

Márcia De Chiara

Pelo segundo mês seguido, o preço de venda do metro quadrado em abril de apartamentos prontos (usados ou novos), em seis capitais do País e no Distrito Federal, manteve a trajetória de desaceleração, porém num ritmo mais intenso. No mês passado, Índice FipeZap subiu 1,2%, depois de ter aumentado 1,4% em março e 1,5% em fevereiro. O indicador é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em imóveis anunciados para venda na internet.

“O movimento de desaceleração do preço de venda dos imóveis reflete a relativa estabilidade das condições de financiamento oferecidas pelo crédito imobiliário”, afirma o coordenador do indicador, o economista Eduardo Zylberstajn.
Ele ressalta que, entre 2006 e abril do ano passado, houve uma alta espantosa nos preços por causa das condições favoráveis de financiamento. De abril do ano passado até hoje a tendência predominante foi de desaceleração de preços porque os juros e os prazos não mudaram de lá para cá. Hoje o prazo médio para a compra de um imóvel financiado gira em torno de 15 anos e a taxa de juros é de 12% ao ano.

A perspectiva, segundo Zylberstajn, é que os preços pedidos pelos imóveis se estabilizem nos próximos meses, se não houver mudanças bruscas nas condições de financiamento. Mas o economista pondera que esse cenário poderá mudar em duas circunstâncias.

A primeira seria se os bancos ofertantes do crédito imobiliário forem afetados pela crise externa. Com isso, o crédito poderia se reduzir e os preços cairiam. A segunda circunstância seria oposta.
Com a queda dos juros no sistema financeiro, forçada pelo próprio governo, o financiamento imobiliário daria um novo salto e os preços também.

Bolha
Zylberstajn ressalta que a desaceleração de preços dos imóveis prontos registrada nos últimos meses não está relacionada a uma possível bolha de preço dos imóveis como muitos analistas chegaram a cogitar.
Na prática, diz ele, quando há estouro de uma bolha, a queda é abrupta, o que não ocorreu nesse caso.

De janeiro a abril deste ano, o preço do metro quadrado dos imóveis prontos subiu 5,3%, um pouco mais da metade da variação registrada em igual período de 2011, que foi de 9,2%.
Das sete localidades pesquisadas no mês passado, a menor variação de preço foi registrada em Salvador, de -0,6% em relação a março. Em seguida, vem Fortaleza (0,1%), São Paulo (1,2%), Rio de Janeiro, Recife, Distrito Federal (1,4%) e Belo Horizonte (2,5%).

Em 12 meses até abril, o preço de venda do metro quadrado dos apartamentos prontos anunciados acumula alta de 21,8%, revela a pesquisa.

Copom reduz taxa básica para 9% ao ano

Categoria: Agenda, Análise, Juros

O Banco Central anunciou na noite de ontem o sexto corte seguido do juro básico da economia, que caiu mais uma vez 0,75 ponto. Agora, a taxa Selic está em 9% ao ano. A redução era amplamente esperada pelos economistas. O comunicado divulgado após a decisão deixa a porta aberta para que a redução continue ou seja interrompido o ciclo de redução a partir de agora.

A hipótese de continuidade dos cortes do juro ganha força porque o comunicado do BC chama atenção para o fato de que a inflação atualmente tem cenário benigno no Brasil. “Neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação”, cita o documento. “O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionaria”, completa.

“É impressionante como o BC consegue surpreender porque ele deixou a porta aberta para reduzir novamente a taxa de juros ou mesmo optar por uma parada técnica”, disse a economista-chefe da Corretora Icap Brasil, Inês Filipa. “As duas hipóteses são possíveis. Agora, precisamos esperar a ata”.
Com a decisão, o BC reduziu o juro em 3,50 pontos desde agosto. O esforço, que começou com um inesperado corte de 0,50 ponto, teve duas reduções mais fortes para tentar imprimir ritmo maior à economia ainda em 2012. :: Fernando Nakagawa