Cresce importação de material de construção
- 13 de outubro de 2010 |
- 13h01 |
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Categoria: Construção, Consumo, Empresas
A casa do brasileiro tem ganhado toques cada vez mais internacionais. Depois da invasão de eletroeletrônicos, agora são os materiais de construção que atravessam o oceano para montar e decorar as residências nacionais. Do aço usado para levantar o imóvel aos materiais de acabamento, como portas, pisos, fechaduras e louças sanitárias, tudo tem sido comprado no exterior.
Até 2007, a balança comercial (exportações menos importações) do setor era positiva em mais de R$ 1 bilhão. A partir de 2008, com a forte expansão da construção civil e a valorização do real, a posição começou a se inverter. No ano passado, as importações superaram em R$ 1,1 bilhão as exportações do setor.
Para 2010, a expectativa é que esse número dobre e atinja R$ 2,3 bilhões, segundo estimativas da FGV Projetos no estudo “Perfil da Cadeia Produtiva da Construção e da Indústria de Materiais e Equipamentos, da Abramat (associação que representa o segmento). Na avaliação da coordenadora de Projetos da FGV Projetos, Ana Maria Castelo, por trás desses números está o chamado custo Brasil, que inclui carga tributária alta, câmbio valorizado e falta de infraestrutura. Juntos esses fatores encarecem e reduzem a competitividade do produto nacional.
Mas, por enquanto, diz Ana Maria, as importações têm ajudado a evitar uma explosão de preços. Mesmo assim, até setembro, o Ãndice que mede a variação dos preços dos materiais de construção já acumulava alta de 6,94%. “É preciso ficar atento se as importações estão complementando ou substituindo o produto nacional, o que incentivaria a desindustrialização.â€
Embora as expectativas de investimentos continuem em alta — em setembro, 78% das indústrias de materiais pretendiam investir nos próximos 12 meses –, a forte demanda do mercado interno tem provocado efeitos colaterais. Além da alta dos preços, a entrega de produtos tem ocorrido em prazos maiores, de até 60 dias. Segundo o presidente da Abramat, Melvyn Fox, o nÃvel de utilização da capacidade instalada da indústria atingiu 88% em setembro, nÃvel preocupante.
Produtos da Ãsia
Enquanto isso, no exterior, sobram produtos por causa da fraca atividade econômica dos paÃses desenvolvidos, o que significa preços mais atraentes. Foi de olho nessas oportunidades que muitas empresas decidiram estender a lista de importação, incluindo produtos de acabamento. A Hestia Construtora, que atua no Paraná e Santa Catarina, começou a comprar produtos da China e Ãndia para usar em suas obras, muitas de alto padrão.
A experiência deu tão certo que a empresa abriu, em outubro do ano passado, a Hestia Import para trazer produtos da Ãsia também para a concorrência. Hoje, diz o diretor-presidente da companhia, Gustavo Selig, a companhia atende todo o Brasil. “No começo, eram apenas empresas de pequeno e médio porte que compravam com a Hestia. Mas nos últimos meses recebemos pedidos de grandes construtoras do PaÃsâ€, diz ele, que montou um show room com os produtos da Ãndia e China.
Entre as mercadorias mais comprados são pastilhas de vidro para fachadas de prédios, portas, fechaduras e metais e louças sanitárias. Outro produto muito procurado no exterior é a cerâmica e o porcelanato — na última compra, a Héstia trouxe 15 contêineres de porcelanato. Segundo o presidente da Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimentos (Aspacer), João Oscar Bergstron Neto, em 2004 o volume de importação de cerâmica da China era de 500 mil metros quadrados (m²). Em 2010, já são 20 milhões de m² — aumento de 3.900%. (Renée Pereira)

Demanda incentivou o diretor-presidente da Hestia Import, Gustavo Selig, a montar show room de produtos importados (Foto: Denis Ferreira Netto/AE)
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Ex-cobertura dos Safra vendida a R$ 526 mi
- 15 de setembro de 2010 |
- 15h45 |
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Categoria: Casa própria
O apartamento onde morreu, em um incêndio, o ex-banqueiro libanês-brasileiro Edmond Safra, em Mônaco, foi vendido pelo equivalente a R$ 526 milhões a um investidor do Oriente Médio que não foi identificado. A propriedade de 1,6 mil metros quadrados tem três suÃtes, cada uma delas com closet, dois banheiros, cinema e cozinha próprios. Na cobertura, há ainda um spa, biblioteca e jardins com árvores de cinco metros de altura.
Batizada de La Belle Époque, a propriedade ocupa os dois últimos andares de um prédio com vista para a marina de Monte Carlo e pertencia a dois irmãos britânicos que fizeram fortuna reformando e vendendo propriedades de luxo. Christian e Nick Candy compraram a cobertura de Lily Safra, a viúva brasileira de Edmond Safra, por menos de R$ 25 milhões, pouco depois da morte dele em um incêndio criminoso no apartamento, em 1999.
A venda do apartamento confirma a fama de Mônaco como um dos lugares mais caros do mundo para se viver. Os irmãos Candy teriam investido milhões em reformas na propriedade, que conta com um sistema de segurança ultramoderno, com câmeras por toda parte e vidros reforçados. Além disso, também há toques dignos de cinema: obras de arte e telas de televisão que emergem da parede com o toque de um botão e cadeiras que se transformam em camas para os convidados de última hora.
Crime
Edmond Safra tinha 67 anos e morreu ao lado de sua enfermeira, Vivian Torrente, trancado na sala de segurança do apartamento. Um de seus funcionários, o norte-americano Ted Maher, foi condenado por ter provocado o incêndio. Ex-“boina verde†do Exército dos Estados Unidos, Maher recebia US$ 600 por dia para cuidar do banqueiro, que sofria do mal de Parkinson. Durante o julgamento, Maher chegou a afirmar que “nunca quis causar mal†a Edmond Safra, e só queria salvá-lo de um ataque de dois homens armados, que pretenderiam assassiná-lo.
Para simular uma agressão que alegou ter sofrido, o enfermeiro cortou-se com uma faca. O banqueiro e sua enfermeira se refugiaram em um banheiro com porta blindada. Os bombeiros, que tiveram dificuldades para superar as sofisticadas medidas de segurança do apartamento, acharam os dois asfixiados. Maher, que até então não era considerado suspeito, caiu em contradição. Três dias após o crime, ocorrido em 3 de dezembro de 1999, admitiu ter ateado fogo em uma escrivaninha no apartamento.
O advogado de Maher, no entanto, disse que o enfermeiro pôs fogo num cesto de lixo para ativar os dispositivos de segurança e depois aparecer para “salvar†o banqueiro. Com isso, pretendia tornar-se “herói†e receber um aumento de salário. Safra era fundador do Republic National Bank, de Nova York, e era considerado um dos homens mais ricos do mundo.
Apartamento onde morreu, num incêndio, o ex-banqueiro libanês-brasileiro Edmond Safra, em Mônaco — Foto: Jacques Munch/Reuters
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