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Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
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Alimento puxa nova alta da inflação

Categoria: Agenda, Análise, Indicadores, Inflação

Daniela Amorim

A inflação oficial acelerou para 0,57% em setembro puxada, mais uma vez, pelo encarecimento dos alimentos. Os aumentos de preços, que começaram por itens agrícolas atingidos pela seca ou pela redução de área plantada, foram mais disseminados desta vez, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A elevação do IPCA se deve, principalmente, aos produtos alimentícios, em função da menor oferta de itens básicos na alimentação das famílias. A alta atingiu grande parte dos produtos”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Em setembro, o IPCA acumulado em 12 meses afastou-se um pouco mais do centro da meta estipulada pelo governo, ao atingir 5,28%. Apesar da inflação em alta, aumentaram as apostas no mercado futuro de um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, para 7,25% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária da próxima semana.

“Os números estão dentro do que o mercado acha que é o objetivo do Banco Central”, justificou Luis Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os alimentos e bebidas subiram 1,26% em setembro.

O grupo já acumula alta de 9,51% em 12 meses e pode continuar a pressionar o IPCA até o fim do ano, segundo analistas. “O grande vilão nesse fim de ano será o complexo carnes. É ele que vai continuar pressionando a inflação. O fim do ano é entressafra de bovinos. O aumento da carne acaba puxando também os preços de frangos e suínos, que são produtos substitutos”, previu Leal.

O aumento recente nos preços de grãos como a soja, o milho e o trigo, por causa da redução na oferta causada por problemas climáticos, encareceu a ração animal. Como resultado, frangos, suínos e bovinos ficaram mais caros. Mas a expectativa é de uma descompressão gradual nos preços das commodities agrícolas no mercado internacional para os próximos meses, o que já aparece no atacado.

“Os alimentos devem subir até o início de 2013, mas não devem acelerar nem preocupar”, avaliou Carlos Thadeu de Freitas Filho, economista sênior da Franklin Templeton Investimentos Brasil.
No IPCA de setembro, as carnes subiram 2,27%, o maior impacto sobre a inflação do mês. Entretanto, também pesaram mais no bolso do consumidor o arroz, pão francês, batata inglesa, cebola, farinha de mandioca, alho e cerveja.

Embora os alimentos tenham sido destaque na inflação oficial, houve ainda aumento nas despesas das famílias com habitação, graças ao encarecimento da energia elétrica, água e esgoto, aluguel, condomínio e gás de botijão.

Entre os produtos não alimentícios, o principal aumento foi verificado nas passagens aéreas, que passaram de uma queda de 4,55% em agosto para uma alta de 4,99% em setembro.

“As passagens aéreas têm um preço diferenciado. As empresas oferecem tarifas a valores mais altos ou baixos em função da expectativa de faturamento. Se você não tem feriado nenhum, como em agosto, a tendência é de tarifas mais baixas, explicou Eulina. Ela lembrou que no mês passado teve o feriado da Independência, no dia 7 de setembro. “Então, a tendência era de que aumentasse um pouco.”

Preocupação. Na avaliação do coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Emerson Marçal, a inflação começa a preocupar. A expectativa é que o índice encerre o ano ao redor de 5,5%.

“Dizer que a inflação está fora de controle é muito forte, mas ela subiu um degrau. Tem de prestar atenção para ver o que vai acontecer”, declarou Marçal. “A atividade econômica está retomando, então, se o IPCA chegar a 6%, o governo terá de tomar alguma medida para corrigir o rumo.”

Casar pode ficar até 50% mais barato

Categoria: Agenda, Agenda, Análise, comércio, Consumo, Serviços

ÉRICA TERUEL
Especial para o Jornal da Tarde

Gastar até 50% menos com os preparativos para o casamento. Essa possibilidade existe e é uma das atrações da Expo Noivas & Festas, que ocorre em São Paulo entre os dias 11 e 14 de outubro. A ideia é incentivar a concorrência entre os expositores e empresas do ramo para que os preços caiam.

“O casamento está na nossa natureza. Mesmo em outros países e culturas, há rituais para selar a união”, diz o organizador do evento, José Luiz de Carvalho Cesar. Na última edição, em 2011, a Expo Noivas recebeu 28 mil visitantes e movimentou R$18 milhões. A perspectiva para esta edição também é boa. “Teremos 230 expositores. O espaço está totalmente ocupado, o que significa que o mercado continua forte.”

A assistente de marketing Karina Martins, que vai se casar em janeiro, aproveitou os descontos da feira na edição de abril. “Fechei o serviço de bar, a filmagem e os fotógrafos”.

Ela já tinha ido ao evento em 2011, mas não sabia que poderia conseguir descontos expressivos se fechasse o negócio durante o evento. “Já tinha feito alguns orçamentos e me surpreendi com as facilidades para o pagamento”. Com os descontos, Karina conseguiu contratar mais serviços. “O bar, por exemplo, era algo ‘supérfluo’. Mas como consegui um bom preço fechei.”

Os vestidos de noiva desenhados pelo estilista Thomas Araújo, dono da Red Carpet poderão ser vendidos até pela metade do preço. Modelos da coleção passada, que custam em torno de R$ 3 mil, vão sair por R$ 1,5 mil. Para os vestidos desta coleção, são diversos tipos de oferta.

A Papel & Estilo, que produz convites, lembrancinhas e bem-casados, vai oferecer até 30% de abatimento durante a feira. A assessora de marketing da empresa Janaína Rodrigues conta que vale a pena contratar os serviços no evento. “Como a gente fecha um volume muito grande de pedidos, conseguimos preços melhores com nossos fornecedores.”

Para os casais que estão começando a planejar a festa, a produtora de casamentos Camila Relva, dona da Compagnie, alerta que é importante definir o número de convidados. “O que vai dar a dimensão de gastos é a lista. Quanto mais convidados, maior o espaço, maior o bufê. Se você não tem um orçamento alto, é melhor convidar só quem é especial.”

Antes de ir para a feira, o ideal é pesquisar outros preços e serviços para poder comparar. “Estar na feira não significa que o produto seja bom, então tem que tomar cuidado”, comenta Camila. “Também é bom fugir de pacotes completos, de empresas que oferecem tudo. Cada um deve fazer aquilo que faz de melhor.”

Preços no comércio eletrônico recuam em setembro

Categoria: Agenda, Análise, comércio, Indicadores, Internet

Gustavo Porto

Os preços de produtos do comércio eletrônico registraram queda de 0,40% em setembro ante agosto, de acordo com o índice da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e do site Buscapé (Fipe/Buscapé). O levantamento, segundo a entidade, reforça a tendência deflacionária dos preços no e-commerce nos últimos 20 meses, já que houve variação positiva apenas em agosto de 2011 (0,59%) e em janeiro deste ano (0,90%).

Das 151 categorias de produtos dos dez grupos pesquisados em setembro, 60 tiveram queda de preço de, em média, 1,05%, enquanto 91 tiveram aumento de preço de, em média, 1%. No período acumulado de 12 meses encerrados em setembro, o índice FIPE/Buscapé registrou queda de 9,64%, com recuo em nove dos dez grupos.

Entre os grupos avaliados no mês passado, cinco apresentaram queda de preço: eletrônicos (-1,98%), telefonia (-1,14%), fotografia (-0,37%), cosméticos, perfumaria (-0,17%) e informática (-0,05%). Outros cinco grupos registraram alta nos preços, com destaque para o brinquedos e games, com aumento de 3,02%, graças à proximidade do Dia da Criança.

Parcelamento ‘sem juros’ é o novo alvo do governo

Categoria: Agenda, Análise, comércio, Crédito, Consumo, Direitos do consumidor

JOSÉ GABRIEL NAVARRO

Se uma empresa oferece produto com possibilidade de pagamento parcelado sem juros, é preciso cuidado. O valor adicional que essas taxas deveriam acrescentar às prestações está, na verdade, embutido nos preços à vista — e acaba sendo pago por todos os clientes. Porém essa prática, comum no varejo, pode estar com os dias contados.

Está marcada para o dia 16 de outubro a primeira audiência pública para discutir o “novo” Código de Defesa do Consumidor (CDC). O encontro, em Brasília, vai consistir na análise de três projetos de lei propostos este ano no Senado para atualizar o CDC.

Entre todas as ideias em debate, está a de tipificar como ilegal a oferta de parcelamentos “sem juros”. Está em andamento na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República uma pesquisa que indica que, em 2008, as famílias brasileiras desembolsaram R$ 170 bilhões em juros, mas tiveram a sensação de pagar R$ 3,2 bilhões (2% do total).

“Mesmo agora, antes de qualquer nova proposta ser aprovada, esse tipo de anúncio já pode ser considerado propaganda enganosa”, avisa o assessor chefe do Procon-SP, Renan Ferraciolli.
Ele diz que as denúncias contra as prestações ditas sem juros são “praticamente nulas”, mas podem ser encaminhadas a órgãos de defesa do consumidor, que investigam se existe má-fé na oferta do lojista. O Procon-SP pode ser acionado pelo telefone 151, de segunda à sexta-feira, das 7h às 19h.

“Em um país como o Brasil, com taxas de juros tão elevadas, afirmar que o parcelamento é sem juros indica que quem paga à vista está também pagando o juro, assim como quem paga a prazo”, diz o professor de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) Eric Brasil. “Às vezes, as grandes empresas já iniciam esse processo e o lojista só passa o valor adiante.”

Taxas embutidas
Tanto Eric Brasil quanto o colega Luiz Roberto Cunha, professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), concordam que, quando as empresas acabam incluindo o custo financeiro que teriam ao longo dos meses logo no preço à vista, esse porcentual é de, no mínimo, 2%. No entanto, pode ser ainda maior, a depender do item vendido.

Seguindo essa lógica, um micro-ondas de R$ 360 parcelado em 12 vezes, por exemplo, teria pelo menos R$ 86,40 embutidos no valor total. “Setores em que a competitividade é muitíssimo alta não têm esse hábito. Os supermercados, para citar um exemplo, dificilmente parcelam em muitas vezes no cartão. No geral, a estratégia de venda deles é a de pôr produtos em oferta esperando que o cliente compre, claro, não só o que está com preço mais baixo”, afirma Cunha.

“Já outros segmentos como o de eletrodomésticos, que só agora está enfrentando concorrência maior, por causa da internet, trabalha com mais prestações, nas quais está incluso um custo extra, sim”, explica o professor da PUC.

Negociar sempre
Eric Brasil, da Fecap, tem dicas para quem quer fugir dos juros embutidos. “Se você vai comprar à vista, e a loja oferece parcelamento, negocie um desconto. Ou procure outro lugar, que dê um desconto mais vantajoso.”

“A pessoa também pode optar por pagar as prestações. Se ela tiver capital aplicado em poupança, o dinheiro retirado aos poucos da caderneta vai render sobre os juros”, diz o professor.
Procurado, o Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo (Sindilojas-SP) não respondeu até o fechamento desta edição.

Metro quadrado em SP está mais caro

Categoria: Agenda, Análise, Casa própria, Imóveis, Indicadores

HUGO PASSARELLI
 hugo.passarelli at estadao.com

Apesar da acomodação dos preços de imóveis em várias capitais do País, São Paulo ainda registra índices de reajuste elevados. A cidade liderou o aumento do metro quadrado em setembro, com valorização de 1,5%, de acordo com o índice FipeZap. É praticamente o triplo da projeção para o IPCA de setembro – a inflação oficial – de 0,52%, cujo número final será conhecido nesta sexta-feira.

“É o maior mercado imobiliário do País e é onde as grandes empresas têm voltado suas atenções. Por outro lado, São Paulo está ‘sofrendo’ com número menor de lançamentos nesse ano e tenho a impressão que isso pode estar se refletindo no preço dos usados”, diz Eduardo Zylberstajn, coordenador do índice.

Na média, a valorização dos imóveis prontos perdeu força no período. Em seis capitais brasileiras e no Distrito Federal, o valor médio do metro quadrado subiu 0,9%, a menor variação já registrada desde o início da série do FipeZap, em setembro de 2010.

“Não chega a ser surpresa. Mesmo sendo o menor valor da série, não fugiu da tendência de desaceleração que temos observado”, afirma Zylberstajn. Mas, segundo ele, “não se trata, por enquanto, de uma queda brusca.”

O índice FipeZap pesquisa na internet o preço anunciado de imóveis, principalmente usados, mas também novos (com exceção de lançamentos). Durante três meses, de junho a agosto, o indicador repetiu uma valorização de 1%, mas aumentos menores ou queda de preços fizeram a cifra ceder.

Foi o caso do Distrito Federal, que registrou um recuo relevante de preços no mês passado, de 1,7%. Com isso, o DF perdeu o posto de metro quadrado mais caro do País para o Rio de Janeiro. Agora, comprar um metro quadrado na capital fluminense custa em média R$ 8.358 (alta de 1,2% ante agosto), contra R$ 8.143 no DF.

No Rio, o custo do metro quadrado é ainda maior em regiões com procura mais intensa e chega a R$ 18.332 no Leblon e R$ 16.984 em Ipanema, os dois bairros mais caros do País. Na média entre as sete regiões pesquisas, o preço do metro quadrado ficou em R$ 6.862.

A mudança da política dos financiamentos imobiliários, com o anúncio antecipado das mudanças nos juros e prazos, seria uma maneira de evitar um novo boom de preço, defende o engenheiro José Renato Carollo, em estudo recente apresentado na 12ª Conferência Internacional da Sociedade Latinoamericana de Mercado Imobiliári o. “Se você tivesse feito isso mais paulatinamente, você distribuiria essa demanda ao longo do tempo”, afirma o autor do estudo.