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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
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Dilma formaliza corte na conta de luz

Categoria: Serviços

JOÃO VILLAVERDE
IURI DANTAS

Após meses de estudos e um anúncio em rede nacional de TV e rádio, a presidente Dilma Rousseff formalizou ontem a redução no preço da energia elétrica a partir do dia 5 de fevereiro de 2013. Os cortes nas tarifas apresentados à população na semana passada e reforçados ontem, de 16,2% para consumidores residenciais, e até 28% para grandes indústrias, são porcentuais médios, ou seja, podem ficar acima ou abaixo disso.

Nem todos os setores produtivos devem repassar esse benefício ao consumidor. O empresário Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que setores como os fabricantes de alumínio “estão no limite, operando com margens muito apertadas”, e que, portanto, essa redução do custo produtivo será usada como “um alívio para esses empresários continuarem produzindo no País”.

O risco de o benefício não ser repassado preocupa integrantes do governo. O presidente de Itaipu, Jorge Samek, reconheceu que precisará contar com a boa vontade da indústria. Ele sugeriu que, nas próximas rodadas de renovação, o governo restrinja os descontos aos consumidores residenciais, caso a indústria não colabore como o esperado.

De modo geral, no entanto, Andrade reforçou que a medida deve ser repassada, em maior ou menor grau a depender do ramo produtivo, ao consumidor. O mesmo afirmou o presidente da Federação da Indústria do Rio de Janeiro, Eduardo Gouvêa Vieira.

Novos termos
A conta de luz será reduzida devido a cortes de encargos setoriais e aos novos termos contratuais estabelecidos entre a União e as empresas concessionárias de geração, transmissão e distribuição de energia, que terão sua permissão renovada pelo governo federal.

Na realidade, a tarifa de energia elétrica ficará ao menos 5,3% mais barata a partir de fevereiro do ano que vem. Este é o piso, obtido com a eliminação de dois encargos (RGR e CCC) e a redução de um (CDE). Uma redução adicional, que o governo estima ser de, em média, 10,9%, será resultado virá com as novas bases contratuais de geração, transmissão e distribuição.

Margem menor
Os Estados onde são poucos os contratos de hidrelétricas com vencimentos entre 2015 e 2017 – o universo que será prorrogado pelo governo, como anunciado ontem – terão menor margem para redução de preços. Os ganhos adicionais ao piso de 5,3% virão, porque o sistema de transmissão de energia no País é interligado, e assim as novas tarifas serão distribuídas nacionalmente.

Em um discurso de 30 minutos repleto de autoelogios e menções ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente atacou o período de racionamento durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e assegurou que o País tem energia suficiente para evitar um novo “apagão” nos próximos anos.

O governo negou a informação que a renovação dos contratos estaria condicionada a planos de investimentos que poderiam atingir R$ 20 bilhões. No entanto, as concessionárias ficarão capitalizadas após as medidas anunciadas ontem, por isso a expectativa é que elas invistam.

Nestlé e Samsung são as marcas preferidas da classe C

Categoria: Agenda, Análise, Empresas

VANESSA STECANELLA

De olho na nova classe média brasileira, o Data Popular realizou um levantamento para verificar quais marcas se beneficiaram com o crescimento do consumo dessa fatia da população. A pesquisa divulgada nesta quarta-feira, durante a 10ª edição do Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente (Conarec), apontou que a Nestlé é a preferida, sendo citada por 4,1% dos entrevistados, seguida por Samsung (3,9%) e Adidas (3,7%). Foram ouvidas 22 mil pessoas em 153 cidades pelo Brasil.

De acordo com o Data Popular, 54% dos entrevistado se preocupam com a marca dos alimentos, 47% consideram a empresa na hora de comprar computadores, 45% antes de adquirir o automóvel e 41% para eletrônicos. Porém, apenas 37% dos entrevistados afirmaram dar atenção à marca dos sapatos.

Segundo a pesquisa, existe uma diferença entre o gosto dos homens e das mulheres da nova classe média. Eles citaram marcas de tênis, roupas de esporte e eletrônicos, enquanto elas apontaram alimentos, cosméticos e roupas.

O Data Popular constatou que a classe média brasileira cresceu de 42% da população em 2004 para 53,9% em 2011, ganhando parte dos antigos pertencentes à classe D, que apresentou declínio de 41,3% para 31,1% no mesmo período. Conforme projeção do instituto, em 2014 a classe C será representada por 58,3% dos brasileiros, enquanto 26,8% estarão na D.

Entre 2004 e 2011, o crescimento no número de pessoas na classe C impulsionou as compras, fazendo com que a nova classe média atingisse R$ 1,03 trilhão em consumo no ano passado. A cifra corresponde a um crescimento de 228,3% nos gastos com produtos e serviços nos últimos sete anos.

O carrinho de compras da nova classe média também mudou de 2001 para 2012. A classe AB comprava 35 categorias diferentes de produtos, a C 27 e a DE 19 há 11 anos. Agora, a AB leva para casa 45 categorias, a C 42 e a DE 40.

Brasil já tem 165 mil milionários

Categoria: Tecnologia

Jamil Chade
CORRESPONDENTE / GENEBRA

O Brasil ganhou 10 mil novos milionários em 2011, e aparece como o país onde esse segmento da população mais cresce em termos porcentuais entre as grandes economias do mundo. Os dados são da consultoria Capgemini e do RBC Wealth Management, que publicaram ontem relatório que é referência para avaliar a renda da população mundial com patrimônio pessoal elevado.

No total, o Brasil soma 165 mil milionários – pessoas com mais de US$ 1 milhão disponíveis para investimento. Em 2010, o número era de 155 mil. Com a expansão – a mais forte entre as maiores economias -, o Brasil caminha para superar a Itália no número de milionários. Em recessão, a Itália viu seu número cair de 170 mil para 168 mil.

Se em termos porcentuais a expansão brasileira é forte, em números absolutos a China se destaca. Em um ano o país passou de 535 mil para 562 mil milionários. A China é a quarta economia com o maior número de milionários no mundo – atrás de Estados Unidos, Japão e Alemanha.

O Brasil aparece na 11.ª posição, superando Rússia, Coreia do Sul e Índia. Puxado pelos negócios relacionados à commodities, cujos preços aumentaram, o número de milionários brasileiros cresceu 6,2% no ano. “A renda nacional bruta, poupança nacional, imóveis e outros indicadores são positivos (no Brasil)”, indica o relatório. Não por acaso, o Brasil é o novo foco de atenção de empresas do setor do luxo, ávidas por compensar suas vendas estagnadas na Europa pelos novos ricos brasileiros.

Recuo
No total, 11 milhões de pessoas pelo mundo são classificadas como milionárias. O relatório mostra que o volume de dinheiro desse grupo recuou em 1,7%, para US$ 42 trilhões. EUA, Japão e Alemanha têm, juntos, 53% dos milionários. A região Ásia-Pacífico abriga o maior número em termos continentais (3,37 milhões de pessoas). A América do Norte vem em segundo, com 3,35 milhões. A Europa tem 3,17 milhões.
Na Europa, o patrimônio dessas pessoas caiu 1,1%, para US$ 10,1 trilhões. Na América Latina, o declínio foi de 2,9%, ainda que o número total de milionários tenha aumentado em 5,4%.

Segundo o estudo, a crise teve impacto pequeno no número de ultrarricos na América Latina. O valor da riqueza desse grupo aumentou de US$ 5,8 trilhões para US$ 7,1 trilhões desde 2008, puxado pelos negócios que envolvem minérios, produtos agrícolas e energia.

Já no mercado global de ações, a constatação é de que, durante a crise, empresas abertas viram seus valores caírem em 2011. “O valor global de mercado das empresas abertas encerrou o ano em US$ 43,1 trilhões, com queda de 18,7% em relação aos US$ 53 trilhões do ano anterior e bastante abaixo do máximo de US$ 61,5 trilhões atingido em 2007, antes da crise global”, diz o relatório.

Corte de juros apressa mudança na poupança

Categoria: Agenda, Análise, Investimentos, Juros

Fernando Nakagawa e Tânia Monteiro

O governo decidiu apressar as mudanças na regra de remuneração das cadernetas de poupança para abrir espaço para a continuidade dos cortes de juros. A presidente Dilma Rousseff quer vincular o rendimento da aplicação financeira mais popular do País à taxa básica definida pelo Banco Central. O importante para o Palácio do Planalto é fixar uma regra simples, de fácil entendimento para a população.

As alterações no rendimento das cadernetas voltaram a ser discutidas com mais ênfase no início do ano, mas ontem a presidente pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que fechasse novos cálculos. Dilma pode apresentar o estudo hoje em reuniões separadas com representantes do Conselho Político, dirigentes de centrais sindicais e empresários.

Segundo uma fonte da equipe econômica, a alternativa que ganhou maior adesão nos últimos dias é a que relaciona o rendimento das cadernetas à evolução da taxa básica de juros, Selic. A ideia é garantir que a caderneta pagará ao poupador 80% da Selic, que está em 9% ao ano. Esse mecanismo explicaria parte da pressa do governo em anunciar a mudança ainda este mês. Se a nova regra entrar em vigor em maio, é possível que, em um primeiro momento, a nova poupança gere um ganho maior do que o garantido atualmente, que é de 6,17% ao ano mais a variação da TR. Se o anúncio for adiado para o fim do mês, essa vantagem pode desaparecer, porque a expectativa é de um novo corte da Selic no dia 30 de maio.

Queda geral
A expectativa do anúncio de uma nova forma de remuneração da caderneta provocou uma queda generalizada das taxas de juros dos contratos negociados ontem na Bovespa BM&F. O discurso da presidente Dilma na segunda-feira à noite também contribuiu para aumentar as apostas de um novo corte da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC no fim do mês.

Fontes do governo ponderam que já é possível considerar que as condições necessárias para garantir a mudança estão dadas. “Aproxima-se o dia para o tema ser abordado”, disse um integrante da equipe. O governo avalia que agora está clara a necessidade da mudança, uma vez que o Banco Central deu sinal de que vai continuar a cortar os juros.

Políticos da base aliada, porém, vão aconselhar Dilma a não mexer na caderneta neste ano eleitoral. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou mudar as regras da poupança, no segundo mandato, mas desistiu, diante da repercussão negativa. À época, um estudo feito pelo governo indicou que 95% das aplicações eram de até R$ 50 mil.

“Nós não vamos aceitar especulação na poupança e, se esse projeto chegar ao Congresso, vamos derrubar”, disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. Pré-candidato do PDT à Prefeitura de São Paulo, ele disse que “o PT vai se lascar na eleição” se o governo mexer na poupança.

Crescimento da força de trabalho desacelera

Categoria: emprego

LUIZ GUILHERME GERBELLI

A força de trabalho no Brasil vai crescer menos nesta década. Dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) mostram que a parcela da população brasileira que integra o mercado de trabalho vai crescer 12,97% no período. A alta do indicador é a menor desde a década de 80, período inicial do levantamento.

O ritmo mais baixo do crescimento da força de trabalho faz com que o País tenha um avanço mais parecido com o desempenho da média mundial. Na década atual, o mundo crescerá 11,27%. Nos anos 90, a diferença entre o crescimento do Brasil e o do mundo chegou a ser de quase 16 pontos porcentuais.

A redução do ritmo de crescimento está atrelada ao ajuste populacional que o Brasil atravessa, sobretudo com a redução da taxa de fecundidade. De acordo com os dados do Banco Mundial, em 2010, a taxa de fecundidade no Brasil foi de 1,9 – em 1980 era de 4,1; dez anos mais tarde, passou para 2,8.

“Como tem menos nascidos, menos gente entra no mercado”, afirma o professor André Portela, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em economia do trabalho.

O crescimento da força de trabalho no Brasil ainda é maior se comparado ao verificado nas economias mais maduras. A força de trabalho na União Europeia, por exemplo, terá um crescimento de 1,2% nesta década.

Os dados da projeção populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a tese de baixo crescimento e envelhecimento da população. Em 2020, a porcentagem de idosos no Brasil terá um peso bem maior do que tinha em 1980. Em 2050, essa participação deverá se ampliar.

A redução do ritmo de crescimento da força de trabalho coloca em debate o desempenho da produtividade do trabalho do Brasil. “A economia vai depender cada vez mais da produtividade desses adultos para que eles sejam capazes de manter e aumentar a renda per capita da população”, diz Portela.

Para especialistas, a redução do ritmo da força de trabalho reafirma a necessidade de investimentos na melhora da produtividade e, sobretudo, na educação. “A gente sempre teve um gasto per capita grande com a população mais idosa. Mas os mais jovens foram crescendo com pouco preparo técnico”, afirma Regina Madalozzo, professora do Insper. “Nós temos de garantir que quem está nascendo agora, tenha uma boa educação e uma formação para que consigam sustentar o País”, diz Regina.

Baixa qualificação
Com o aquecimento do mercado de trabalho, a baixa qualificação dos profissionais ficou escancarada. Segundo Denise Delboni, professora de Relações Trabalhistas da Faculdade de Economia da FAAP, os jovens que entram no mercado estão tendo dificuldade para conseguir emprego por causa do pouco preparo. “Há poucos jovens qualificados, por isso muitos idosos continuam a trabalhar”, diz ela, para quem o crescimento da força de trabalho ainda dá “fôlego” para manter o desenvolvimento. “O aposentado segue trabalhando porque a aposentadoria é ruim e o filho dele não consegue entrar no mercado.”

Na avaliação de Portela, da FGV, a importação de mão de obra qualificada pode ser uma das alternativas para melhorar a competitividade do País. “Essas pessoas já são produtivas, ajudam o País, e podem treinar os novos trabalhadores.”

Participação feminina deve chegar a 45%

A participação das mulheres na força de trabalho do Brasil deve chegar a 45% ao fim desta década, de acordo com os dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) – em 1980, a presença das brasileiras era de 31,3% . 

“Essa previsão de crescimento já era esperada. Atualmente, mais de 30% das famílias são chefiadas por mulheres”, diz Denise Delboni, professora de Relações Trabalhistas da Faculdade de Economia da Faap.

Denise lembra que as mulheres ainda ganham cerca de 20% menos do que os homens que estão no mercado de trabalho. “Elas se candidatam a trabalhos mais rotineiros e que pagam menos”, afirma. “Com salários mais baixos das mulheres, o rendimento das famílias acaba sendo menor”, diz Denise.

A entrada das mulheres no mercado de trabalho é, na avaliação dela, outro fator que contribuiu para a redução do aumento da força de trabalho.