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Terça-feira, 02 de Setembro de 2014
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BB anunciará amanhã novo corte de juros

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Juros

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

O Banco do Brasil anunciará amanhã, dia 1º, nova redução de juros para pessoas físicas e jurídicas. Entre as reduções que devem ser anunciadas, estão linhas para o crédito imobiliário. O corte, segundo a assessoria de imprensa do banco, é reflexo da redução na Selic, que ontem baixou para 8,5% ao ano.

Bradesco e a Caixa anunciaram hoje corte de juros seguindo a redução da taxa Selic. O banco público cortou taxas em linhas como crédito consignado, cartões e financiamento de veículos.

Desde abril, os bancos públicos e privados fizeram vários cortes nos juros, para pessoas físicas e empresas.

Negociação de dívidas deve ficar mais fácil

Categoria: Agenda, Análise, Crédito, Indicadores

Depois do anúncio das novas desonerações de tributos para estimular o aumento do crédito, o governo prepara um pacote de medidas para facilitar a renegociação de dívidas pelas pessoas físicas e empresas. A estratégia é diminuir a inadimplência para impulsionar os empréstimos bancários e acelerar o avanço da economia.

Em audiência ontem no Senado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou a nova etapa de medidas de “reestruturação da inadimplência” e antecipou outras ações que devem ser lançadas para evitar uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) inferior a 3%. São elas: mudanças na portabilidade, compensação dos Estados e municípios pela perda de arrecadação e novas desonerações do IPI para motos e outros setores. O BC também poderá liberar mais depósitos compulsórios (dinheiro dos bancos retidos no próprio BC) para aumentar a oferta de crédito pelas instituições.

“O BC usou ontem (na segunda) um pedacinho do compulsório e poderá usar mais”, disse o ministro. “O spread (diferença entre o que o bancos pagam e cobram de juros) é a bola da vez. Sairemos vitoriosos.” No arsenal de medidas, o ministro disse que o BC pode agir com a queda dos juros. O governo, assegurou Mantega, vai trabalhar para criar espaço para a redução da taxa básica, a Selic.

Mantega explicou que a reestruturação do calote permitirá que o cliente do banco troque a dívida velha por uma nova e mais barata, com a suspensão ou diferimento (adiamento) dos tributos que são pagos no ato da renegociação. “Temos mecanismos para reestruturar a inadimplência e estamos pensando em medidas que permitam isso”, afirmou.

Segundo Mantega, a regra atual dificulta essa operação porque o devedor tem que pagar todos os impostos de uma só vez. “Em vez de pagar tudo junto, no dia em que você faz a quitação, você paga ao longo das parcelas”, explicou.

O governo trabalha também para melhorar as regras da portabilidade do crédito habitacional. Mantega prometeu estender a isenção de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que hoje existe na portabilidade das contas salário para os demais tipos de portabilidades possíveis no sistema bancário.

Itaú puxa a fila de cortes nos bancos privados

Categoria: Bancos, comércio, Juros, Serviços

O Itaú puxa a fila de novas reduções de juros pelos bancos privados. A instituição baixou ontem o custo do financiamento em modalidades para pessoas físicas e empresas. Outros grandes do segmento — Bradesco e Santander — devem anunciar novos cortes nos próximos dias.

Com a divulgação de ontem, o Itaú é o primeiro grande banco a cortar juros pela segunda vez. “Temos um volume de crédito disponível para clientes pessoa física, micro e pequenas empresas superior os R$ 200 bilhões”, disse Roberto Setubal, presidente do Itaú.

Para pessoa física, as reduções valem para financiamento de veículos, crédito consignado para pensionistas e aposentados do INSS, crédito pessoal, cheque especial, e algumas operações de cartão de crédito. Mas há condições para ter acesso ao custo mais baixo. A principal é ter conta salário no Itaú. Neste caso, a taxa do especial sai de um intervalo entre 5,24% a 8,89% para 3,50% a 4,94%.

Para pessoas jurídicas, foram contemplados produtos para micro e pequenas empresas: além de capital de giro e antecipação de recebíveis foram incluídos cheque especial e desconto de cheques e duplicatas.

Calote em alta limita nova queda dos juros, diz Itaú

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Juros

Leandro Modé

O inesperado aumento da inadimplência, que reduziu o lucro do Itaú no primeiro trimestre do ano em 2,9%, limita o espaço para o maior banco privado do País diminuir novamente as taxas de juros cobradas de pessoas físicas e empresas. Na semana passada, a instituição cortou taxas em várias modalidades de crédito.

“Gostaríamos de poder reduzir mais (os juros), mas identificamos uma alta da inadimplência”, disse o diretor corporativo de controladoria do Itaú, Rogério Calderón, durante entrevista em que comentou os resultados do banco nos três primeiros meses de 2012 – lucro de R$ 3,4 bilhões, 2,9% inferior ao de igual período do ano passado.
A frase de Calderón é muitíssimo parecida com a declaração do presidente do banco, Roberto Setubal, ao Estado na última quarta-feira, dia em que o corte dos juros foi anunciado.

“Gostaríamos de poder reduzir mais as taxas, mas neste momento identificamos um cenário de inadimplência mais elevado do que o normal. É desejável diminuí-la para que tenhamos juros mais baixos”, afirmou.

O índice de inadimplência na carteira de crédito do Itaú alcançou 5,1% ao final do primeiro trimestre, ante 4,9% no quarto trimestre do ano passado e 4,2% nos três primeiros meses de 2011. Esses números englobam os atrasos acima de 90 dias.

Outro indicador, que mede os atrasos entre 15 e 90 dias, subiu de 4,4% em dezembro para 4,8% em março. Significa dizer que a tendência para o índice ainda é de alta. “Esperamos que a inadimplência se estabilize apenas no fim do ano”, disse Calderón.

O executivo reconheceu que o próprio banco tem tido dificuldades para entender a alta do calote nos últimos trimestres, uma vez que o ambiente macroeconômico brasileiro é marcado por taxa de desemprego historicamente baixa e renda do trabalhador em expansão. “Nos fazemos essa pergunta (sobre o porquê da inadimplência em expansão) continuadamente”, disse.

Em relatório divulgado nesta semana, a Votorantim Corretora cita declarações do economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, para quem “a inadimplência (recente) pode ser explicada pelo excesso de endividamento das famílias e o crescimento exagerado das concessões de crédito entre 2009 e 2010, particularmente nas operações de financiamento de veículos”.

A estratégia do Itaú, segundo explicação de Calderón, bate com a análise de Rabi. “Passamos a ser mais cautelosos nas concessões de crédito entre o fim de 2010 e o início de 2011”, disse o executivo. “O problema é que isso só se reflete na melhora da nossa carteira mais à frente”, argumentou.

No período descrito por Calderón, a emissão de cartões de crédito para não correntistas caiu de uma aprovação em cada 3 solicitações para uma em cinco. O banco também segurou os financiamentos para a compra de automóveis. “Precisamos evitar o superendividamento.”

Acomodação da inadimplência deve ocorrer no 2º tri

Categoria: Agenda, Análise, Consumo, Crédito

Francisco Carlos de Assis

Os indicadores de inadimplência que tanto surpreenderam pelo movimento de alta nos primeiros três meses deste ano devem se acomodar já a partir do segundo trimestre, preveem os economistas-chefes da Serasa Experian, Luiz Rabi, e da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas. A discussão sobre atrasos nos pagamentos de dívidas, tanto de pessoas físicas quanto de jurídicas, voltou à tona com a onda de divulgação de balanços de bancos relativos ao primeiro trimestre deste ano.

O Bradesco, por exemplo, divulgou nesta segunda-feira, em seu balanço trimestral, que suas despesas com provisões para devedores duvidosos cresceu 16,3% no primeiro trimestre comparativamente ao quarto trimestre de 2011, para R$ 3 bilhões. O aumento do provisionamento teria ocorrido em resposta ao aumento da inadimplência, de um nível de 3,9%, no quarto trimestre de 2011, para 4,1%, no primeiro trimestre deste ano, segundo dados da própria instituição.

Mas na avaliação dos economistas da Serasa e da Acrefi, o aumento da inadimplência e do provisionamento não deve assustar, pois é um reflexo da deterioração da saúde financeira do consumidor e das empresas no primeiro trimestre. “A inadimplência surpreendeu no acumulado dos primeiros três meses. Os dados do Banco Central já mostraram isso e, agora, os balanços dos bancos estão trazendo estes dados também”, relativizou Tingas.

De acordo com o economista da Acrefi, alguns indicadores antecedentes com histórica aderência à curva de inadimplência e ao fluxo de cheques devolvidos, como as pesquisas da Serasa Experian, por exemplo, já contemplam uma expectativa de acomodação. “Nós também estamos com esta expectativa. Primeiro, porque o consumo espontâneo do consumidor diminuiu no primeiro trimestre, com a compressão dos orçamentos e, segundo, porque as carteiras mais antigas que tinham atrasos estão vencendo e, desde o segundo semestre de 2011, reestruturações das dívidas estão ocorrendo”, explicou Tingas.

Para Rabi, o efeito de 2011 está aparecendo agora nos balanços dos bancos, que reportam o saldo total da carteira. “Houve uma deterioração ao longo de 2011, que ainda se reflete nos balanços deste primeiro trimestre”, disse Rabi. Para ele, os dados de ponta, que são os considerados pela Serasa Experian, já estão com um movimento mais favorável em termos de volume de negativação. “A inadimplência já está desacelerando, principalmente para pessoa física”, afirma o economista.

Empresas
Para pessoas jurídicas, segundo o economista da Serasa, a melhora demora um pouco mais para aparecer porque, entre o início da regularização dos contratos em atraso de pessoas físicas até o começo da regularização das dívidas das empresas, há uma defasagem de cerca de três meses. De acordo com Rabi, à medida que a inadimplência der mostras de diminuição, o provisionamento dos bancos para devedores duvidosos também deve diminuir.

“Os bancos são obrigados, pela Resolução 2.682 do Banco Central, a aumentar o provisionamento conforme a inadimplência cresce. É um negócio quase que reativo”, afirmou o economista da Serasa Experian. Não há, de acordo com Rabi, nenhuma conspiração por trás do aumento do provisionamento anunciado pelos bancos. “Eles são obrigados, por força de uma resolução do BC, a aumentar o provisionamento. É claro que, quando fazem isso, os bancos ficam com menos dinheiro para emprestar”, explicou Rabi.

De acordo com dados da Serasa Experian, no primeiro trimestre comparativamente aos três primeiros meses de 2011, a inadimplência do consumidor brasileiro registrou alta de 18,2%, e as devoluções de cheques sem fundos pela segunda vez cresceram 2,04%.