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Terça-feira, 21 de Maio de 2013
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Caixa e BB vão reduzir tarifas bancárias

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Serviços

Renata Veríssimo
Adriana Fernandes / BRASÃLIA
Leandro Modé / SÃO PAULO

As notícias desta semana de que os bancos podem ter elevado as tarifas sobre produtos e serviços incomodaram a presidente Dilma Rousseff e desencadearam uma ofensiva no governo para reverter o movimento. Após forçar a queda dos juros dos financiamentos e as taxas de administração dos fundos de investimento usando os bancos públicos, a mesma estratégia será usada para levar os concorrentes privados a rever tarifas.

A ação é para evitar que os bancos compensem a perda de receitas com a queda dos juros dos empréstimos aumentando as tarifas. O Banco do Brasil recebeu ordens do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para reduzir as sete tarifas que foram reajustadas no início do ano e estão acima das praticadas pelas instituições financeiras privadas.

Segundo fontes do governo, a avaliação do ministro é que o aumento das tarifas representa pouco para o resultado do Banco do Brasil, mas foi um sinal negativo para o mercado. Por isso, a instituição terá de revê-las. As mudanças devem ser anunciadas, no máximo, até a segunda semana de outubro.

O BB foi o segundo banco de varejo que reajustou mais tarifas desde janeiro, atrás apenas do Bradesco. De 42 tarifas, oito delas aumentaram e uma diminuiu. O argumento apresentado pelo Banco do Brasil ao ministro da Fazenda é de que foi uma reposição tarifária, porque a instituição manteve as tarifas bancárias inalteradas entre 2008 e 2011.

A Caixa diz que reajustou apenas uma tarifa em produtos de pessoas físicas nos últimos meses. Mesmo assim, vai promover reduções, segundo informou ao Estado o vice-presidente de Finanças, Márcio Percival. Segundo ele, o anúncio ocorrerá nos próximos 10 dias. “Estamos sempre reavaliando a estrutura de custos e, nesse contexto, vamos reduzir algumas tarifas de empresas e de pessoas físicas.â€

Percival argumentou que esse corte não vai influenciar negativamente os resultados do banco. “Vamos compensar com o aumento do volume de negócios.â€

Segundo levantamento da Austin Rating, a Caixa é a instituição financeira que teve a maior expansão de receitas com tarifas bancárias entre os primeiros semestres de 2011 e 2012: 93%. “Mas não foi por causa de reajuste. A explicação é o aumento do número de clientes e de negóciosâ€, disse Percival.
Entre os privados, o levantamento mostra que a expansão no período foi de 36,4% no Santander, 16,7% no Itaú e 18,8% no Bradesco. O Santander não comentou, mas Itaú e Bradesco atribuíram as altas ao maior número de negócios.

“Nesse período, expandimos o crédito em 15%, o faturamento com cartões também em 15% e o número de correntistas cresceu 10%â€, disse o Itaú, em nota.
Também em nota, o Bradesco informou que “o aumento das receitas com prestação de serviços se deve a três fatores principais: abertura de mais de mil agências em 2011; acréscimo de 1,6 milhão de clientes e ampliação do portfólio de produtos e serviçosâ€.

O governo vem acompanhado o valor das tarifas desde abril, quando os bancos deram sinais de que poderiam usar os preços dos serviços para compensar as perdas provocadas pela redução das taxas de juros.

BC prevê menos crescimento e mais inflação

Categoria: Agenda, Análise, Indicadores, Inflação, Juros

Iuri Dantas

Em seu principal relatório sobre a economia, o Banco Central informou ontem que vê menos crescimento e mais inflação, além de sinalizar que a taxa básica de juros não deve aumentar no ano que vem, contrariando previsões do mercado financeiro. O Relatório Trimestral de Inflação reduziu a previsão de crescimento em 2012 de 2,5% para apenas 1,6%, patamar classificado de “piada†pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, há apenas três meses. Ontem, ele evitou a imprensa.

No mesmo documento, o BC projeta que a economia vai ganhar ritmo nos próximos meses e deve chegar ao fim do primeiro semestre de 2013 crescendo a 3,3% ao ano, distante da velocidade de 4% que Mantega espera nos próximos três meses. O corte na tarifa de energia também foi alvo de divergência entre BC e Fazenda. Mantega afirma que a redução da conta de luz vai reduzir a inflação em até 1 ponto porcentual no ano que vem. O BC vê uma contribuição “na vizinhança†de 0,5.

O Ãndice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano vai ser maior do que previamente estimado. Em junho, o BC falava em 4,9%. A projeção do novo relatório indica 5,2% em 2012, 4,9% em 2013 e 5,1% no terceiro trimestre de 2013. Os valores estão acima do centro da meta de 4.5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas dentro da margem de tolerância de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Apesar dos números pouco animadores, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton de Araújo, não descartou novos cortes na taxa básica de juros, hoje em 7,5%. “Não faria sentidoâ€, por exemplo, aumentar os juros para combater a alta de preços de alimentos provocada pela seca nos EUA. Ele também apostou que há chances de um cenário mais benigno para a inflação no ano que vem, indicando que o BC não elevará os juros. O mercado espera que a taxa atinja 8,25% em 2013.

“O espaço para o corte de juros diminuiuâ€, disse Araújo, citando a última redução da taxa. Ao mesmo tempo, o diretor disse esperar bom comportamento dos preços no ano que vem. “Entendo que há mais risco para baixo do que para cima (no comportamento da inflação).†Essas duas afirmações foram entendidas por analistas como um sinal que os juros permanecerão nos atuais 7,5% por bastante tempo.

No relatório, o BC também alfineta o Ministério da Fazenda em relação à política fiscal. Essa variável era tratada pelo BC como um auxílio no corte de juros, mas ontem foi classificada como “ligeiramente expansionista†– ou seja, o governo vem aumentando os gastos, o que pode pressionar a inflação.

O efeito dos pacotes econômicos foi outro ponto minimizado nas contas do BC. As medidas não impedirão que a indústria tenha queda de 0,1%, nem ajudarão o PIB a crescer forte.

Mantega diz que juros do cartão de crédito são ‘escorchantes’

Categoria: Agenda, Análise, Inflação, Juros

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os bancos estão cobrando taxas “escorchantes” no cartão de crédito, que são injustificáveis. “Esses disparates têm de desaparecer”, afirmou, em entrevista ao ‘Estado’, na sexta-feira à tarde, em seu escritório em São Paulo. “Estamos preocupados com os cartões de crédito. E, se nós estamos, é bom que eles (os bancos) também se preocupem.”

Os spreads bancários se tornaram uma das principais brigas do governo Dilma Rousseff, que quer ver chegar ao consumidor o efeito do forte corte promovido na taxa Selic, utilizada como referência para os empréstimos no País. Normalmente comedido ao falar dos rumos da Selic, Mantega, dessa vez, foi categórico. “Não há necessidade de alta de juros”, disse.

O ministro está seguro de que os preços vão se manter sob controle no ano que vem, apesar da recuperação da economia e ao contrário do que projetam consultorias renomadas. Não só a crise global vai elevar a oferta de produtos internamente a preços baixos, diz o ministro, como também as medidas adotadas pelo governo vão ajudar.

Para o titular da Fazenda, a desoneração da folha de pagamentos, a redução do custo da energia e o corte de IPI para carros colaboram para manter os preços estáveis. “E também não pode levar em consideração choque de oferta”, frisou, referindo-se ao aumento do preço dos grãos, provocado pela quebra da safra americana. “Não adianta elevar juro para diminuir preço nos Estados Unidos.”

Câmbio
Mantega também não mediu palavras para garantir que não permitirá que a injeção de liquidez promovida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) impacte a moeda brasileira. “Nós não vamos deixar o real se valorizar.”

Ele negou que exista um “piso” para o dólar, que está há quatro meses acima de R$ 2, e repetiu que o câmbio é “flutuante”, mas deixou clara sua preferência. “O câmbio vai continuar flutuante, mas nós esperamos que flutue mais para o lado oposto. Antigamente ele flutuava em uma direção. Agora, ou tem estabilidade ou vai flutuar na outra.”

O ministro reagiu com ironia às acusações dos Estados Unidos de que o Brasil tomou uma medida protecionista ao elevar os impostos de importação para 100 produtos. “Quem nos acusa? É cara de pau. É um dos que mais tomaram medidas protecionistas. Fizemos tudo dentro das regras da OMC (Organização Mundial de Comércio)”.

Mantega admitiu, no entanto, que o governo interferiu diretamente na negociação de preços entre os setores, ao elevar as alíquotas de produtos como aço, mas mandou um recado direto para as siderúrgicas que reajustarem preços. “Nós queremos que a indústria de aço continue prosperando no Brasil, Mas é muito simples. Se subir o preço, volto atrás e reduzo a zero a tarifa.”

Folha de pagamento: vem aí mais desoneração

Categoria: Agenda, Análise, Indústria

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo

Depois do pacote de redução do custo de energia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve anunciar amanhã a terceira rodada de desonerações da folha de pagamentos das empresas. Ele deve sugerir a sanção da inclusão, no sistema, da maior parte dos setores que foram aprovados pelo Congresso Nacional durante a votação da Medida Provisória 563 e a inclusão de novos setores. Todos receberão o benefício a partir de 2013.

Segundo apuração, mais de dez setores devem ter a folha de salários desonerada do pagamento da parte patronal ao INSS e migrar para o pagamento de uma contribuição sobre o faturamento.
O setor de medicamentos será um dos beneficiados na nova lista em elaboração pelo Ministério da Fazenda. O setor de papel e celulose, que enfrenta forte concorrência da importação de produtos chineses, poderá entrar de última hora.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, se reuniu ontem para fechar os últimos detalhes da medida, que tem como foco principal aumentar a competitividade da indústria de transformação, embora o benefício também abranja setores de serviço intensivos em mão de obra. O martelo só será batido hoje pelo ministro Mantega.

Inicialmente, a ideia era incluir cerca de dez novos setores, mas a lista ainda não está fechada e poderá ser estendida. Técnicos do ministério estão fechando os cálculos sobre o tamanho da desoneração.
Como viaja na semana que vem para a França e a Inglaterra, Mantega tem preferência em divulgar logo a ampliação da lista junto com a sanção pela presidente Dilma Rousseff da MP 563.

Além dos 15 setores beneficiados com a desoneração da folha pela MP, o Congresso incluiu novos setores, como transporte rodoviário e aviação. Dilma deve manter a maior parte deles.
Essa ampliação proposta pelos parlamentares implicará uma renúncia inferior a R$ 5 bilhões. Todas as desonerações incluídas pelo Congresso e a nova lista entram em vigor apenas em 2013, quando o governo entende que terá mais espaço fiscal para implementar as medidas. Isso porque o Tesouro terá de repor as perdas da Previdência Social.

Mantega cobra taxa menor de bancos

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Juros

No dia seguinte à decisão do Banco Central de cortar a taxa básica de juros para o novo recorde histórico de 7,5%, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a cobrar dos bancos privados a redução das taxas cobradas nos financiamentos. Durante reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, o ministro atribuiu parte da culpa do baixo crescimento econômico à atuação das instituições financeiras.

“Uma das razões do baixo crescimento da economia brasileira foi a escassez de crédito e os altos juros praticados pelas instituições bancáriasâ€, afirmou o ministro. “O crédito está voltando, principalmente através dos bancos públicos. Espera-se que os bancos privados sigam essa trajetória. Só assim teremos o crédito necessário.†A queda dos juros também foi festejada pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso no Conselhão. “Hoje, os juros têm um patamar bem mais civilizado que há um ano e o câmbio não está na situação em que estavaâ€, afirmou.

“Graças a esse compromisso, que eu acho que é do conjunto da sociedade brasileira, com a solidez fiscal, nós criamos esse ambiente para que a taxa de juros caísse. Ela não caiu por nenhum produto de nenhum voluntarismo. Ela é produto de um longo caminho, de uma longa trajetória, que vem de outros governos, no sentido de buscar que o Brasil seja um País que tem a capacidade de andar sobre os seus próprios pés.â€

A presidente também voltou a mencionar o spread bancário, a diferença entre o que os bancos gastam para captar dinheiro e o que cobram dos clientes para emprestar os mesmos recursos. Mas garantiu que o Brasil chegará a “spreads condizentes com o que se pratica no resto do mundo.†O spread bancário no Brasil ainda é um dos maiores do mundo, de acordo com Mantega, que reclamou sobre o tema em sua fala. Mesmo depois de alguma queda, o spread ainda está longe do patamar adequado. “A boa notícia é que temos lastro para gastar, o que pode ter novos efeitos positivos na economiaâ€, disse Mantega, que tem orientado bancos públicos a oferecer taxas mais baixas e forçar a concorrência.

Dilma aproveitou a reunião do Conselho para reforçar a intenção do governo de reforçar a parceria com o setor privado, evidenciada na semana passada com a divulgação do pacote de concessões de ferrovias e rodovias. A presidente ressaltou a importância de ampliar a competitividade do País, contando com a ajuda dos empresários para isso.

“Neste momento, uma das nossas maiores preocupações é ampliar o nível de investimento do nosso país, principalmente em logística e energia, ou seja, infraestrutura. O governo e a iniciativa privada devem se unir para dotar o Brasil de uma infraestrutura capaz de reduzir os custos de produção, e tornar o país mais competitivo em todos os mercadosâ€, afirmou.

Na semana que vem, o governo deverá anunciar um pacote para reduzir os custos de energia, incluindo a redução de encargos setoriais e a reversão de algumas concessões cujos prazos estão vencendo, afirmou Dilma.

Em seguida, a presidente prometeu anunciar um pacote de portos e aeroportos , que ainda não estão fechados e seguem sob análise da Casa Civil. Lisandra Paraguassu