Estado.com.br
Domingo, 26 de Maio de 2013
Seu Bolso
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Dez simuladores e ferramentas para você cuidar do seu dinheiro

Categoria: Agenda, Análise, Bovespa, Internet, Investimentos

Yolanda Fordelone

As ferramentas de finanças pessoais disponíveis na internet têm sido uma porta de entrada para muitos investidores, principalmente no mercado de ações. Eles começam a conhecer a operação, simulando o que aconteceria com o dinheiro, caso tivessem a ‘coragem’ para arriscar. Checam resultados, começam a entender o mercado e, a partir daí, deixam o mundo virtual para efetivamente investir.

O publicitário David Barros, de 31 anos, percorreu esse caminho. No início, ele apenas simulava seu investimento no mercado de ações. O que ele chamou de ‘treinamento’ durou cinco meses. “Foi no fim de 2010. Tinha vontade de aprender como o mercado funcionava e procurei informações na internet”, lembra. “No final, fui convidado a entrar em um clube de investimentos e desde então parei de entrar no simulador”, diz.

Segundo especialistas, hoje há muitas ferramentas úteis, que imitam desde aplicações em renda fixa até ações. “Na internet, existe muita coisa de qualidade. As próprias corretoras e bancos desenvolveram simuladores próprios. Nesses casos, o investidor só precisa ficar atento para não ser direcionado para algum tipo de produto”, afirma o professor e educador financeiro Mauro Calil, gerente geral do Instituo Nacional de Investidores (INI). Ele acredita que essas ferramentas atendem a uma demanda maior por informações financeiras, que começou a surgir a partir do controle inflacionário.

Regra geral, os simuladores exigem um cadastro simples, com nome, CPF e e-mail. Não há necessidade de dados confidenciais, como número de conta corrente e senha. Depois disso, para ‘treinar’ no mercado de ações, o investidor monta sua carteira com os papeis de empresas e poderá acompanhá-la periodicamente.

Os simuladores também são usados para calcular as parcelas de um empréstimo ou mesmo projetar o valor final de uma aplicação em títulos públicos. Essas ferramentas costumam, ainda, oferecer a possibilidade de comparar o ganho entre diversas aplicações.

“O simulador é uma ferramenta importante para quem quer entender o mundo real dos investimentos”, diz a consultora da BM&F Bovespa, Tércia Rocha. “É possível experimentar um pouco. É um mundo real com dinheiro virtual”, resume.

A consultora Márcia Dessen, contudo, faz uma ressalva. “É preciso ficar atento à taxa de juros usada nas ferramentas que projetam a rentabilidade de uma aplicação. Segundo ela, em geral, as pessoas tendem a ser otimistas e colocar taxas altas, o que distorce o cálculo e acaba dando resultados distantes do que o investidor terá na realidade. Além disso, ela comenta que os bons simuladores são aqueles que já dão a rentabilidade líquida ao investidor, descontado o Imposto de Renda e custos.

De ações a títulos públicos. Entre as ferramentas de investimentos, as da Bolsa ganham destaque. No SimulAção e no Simulador do Tesouro, é possível fazer aplicações fictícias e verificar o resultado. No caso da ferramenta de ações, você simula o ambiente de um home broker, com todas as cotações em tempo real. No Tesouro Direto, é possível verificar qual a quantia a ser resgatada, de acordo com o título e as aplicações. Custos de transação e o Imposto de Renda já são descontados no cálculo. Além disso, o rendimento dos títulos é comparado ao da poupança – por enquanto, pela regra antiga. A Bolsa atualmente trabalha na atualização das regras.

Outra ferramenta interessante é o Escolha seu Fundo, do site Como Investir, da Anbima. Lá, o investidor consegue fazer diversos tipos de comparação entre as carteiras, usando filtros como aplicação inicial, taxa de administração, categoria do fundo, entre outros. Na mesma linha, mas um pouco mais simples, está o Portal do Investidor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Na pesquisa de tarifas bancárias há o Star da Febraban. Para comparar juros cobrados pelos bancos, há o Perfil Cidadão, do Banco Central. No BC, também há calculadoras de prestações de financiamento e juros para os endividados e um conversor de moedas para quem vai viajar para o exterior.

Depois de muito treinar, Barros agora só opera no “mundo real” e continua em busca de mais conhecimento financeiro. “Algumas coisas os simuladores não ensinam, como ter uma conta em uma corretora para aplicar, por exemplo”, afirma.

Para aperfeiçoar seu perfil investidor, ele já fez um curso pela própria Bolsa e atualmente se reúne uma vez por mês com os participantes do clube de investimento. “Definimos o que o clube vai comprar, vejo a opinião de outras pessoas e passo a observar ações que às vezes nem estava visualizando”, diz.

Direct Edge vem ao Brasil para concorrer com Bovespa

Categoria: Bovespa, Empresas, Investimentos

Fernando Scheller

A americana Direct Edge anunciou ontem a intenção de abrir uma bolsa no Rio de Janeiro para concorrer com a BM&FBovespa, que atualmente tem o monopólio do mercado de ações brasileiro. Segundo a empresa, que afirma concentrar 10% do movimento do mercado de capitais americano, o objetivo é que o projeto entre em operação em aproximadamente um ano. Esse período será utilizado para cumprir as obrigações regulatórias necessárias para a abertura do negócio.

A Direct Edge informa que fará no Brasil sua primeira experiência fora dos Estados Unidos, de acordo com o presidente da companhia, William O’Brien. Para competir no País, a empresa aposta em serviços que facilitem a vida das corretoras de valores e dos clientes. “O diferencial do serviço reside na qualidade e na rapidez com que seremos capazes de gerenciar os pedidos de nossos clientes, a um preço competitivo”, diz o executivo.

O’Brien afirma que, nos Estados Unidos, a Direct Edge movimenta entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões ao dia em pedidos de compra e venda de ações. “É um volume bem superior ao que o mercado brasileiro hoje movimenta como um todo”, explica. Ontem, o volume negociado na BM&F Bovespa ficou em R$ 11,5 bilhões, ou o equivalente a US$ 6,4 bilhões, considerada a cotação do dólar a R$ 1,80.

A Direct Edge escolheu o Rio de Janeiro como sede de sua operação tanto pelo ressurgimento da cidade no cenário econômico brasileiro quanto pelo interesse do governo do Estado em incentivar a atividade. O mercado de capitais deixou de existir na capital fluminense há 11 anos , quando a parcela de negócios que ainda restava na antiga Bolsa de Valores do Rio foi transferida para a Bovespa.

Regulação
Colocar a operação de uma nova bolsa em pé não é, porém, tarefa fácil. A Direct Edge terá de passar pelo crivo duplo do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de poder iniciar a operação brasileira. Segundo O’Brien, a Direct Edge ainda não ingressou com um pedido de registro de operadora de ações na CVM. O executivo afirma, no entanto, que a empresa e o órgão regulador já vêm “dialogando há algum tempo” sobre o tema. Por conta dos trâmites burocráticos, a empresa só pretende iniciar as atividades no Brasil no último trimestre de 2012.

Para ajudar na adaptação de suas intenções à complexa estrutura regulatória brasileira, a Direct Edge contratou os escritórios de advocacia Demarest & Almeida e Mattos Filho. Além disso, a companhia – que tem entre seus sócios o Goldman Sachs e o JP Morgan – afirma que busca parceiros brasileiros para facilitar sua operação. A empresa também procura atualmente um CEO para a Direct Edge Brasil, que deverá funcionar como uma entidade independente da matriz americana.

Para operar no Brasil, a empresa também terá de criar uma estrutura de liquidação e custódia, nos moldes da CBLC, que pertence à BM&FBovespa. A companhia diz que “está ciente” dessa obrigação e estuda diferentes possibilidades para cumpri-la. Segundo Otavio Yazbek, diretor da CVM, a criação da estrutura de liquidação e custódia é tão complicada quanto o da abertura da bolsa em si. “Nós ainda não conhecemos a proposta da Direct Edge, mas a legislação permite que a entidade seja própria ou operada por terceiros, desde que cumpra os requisitos da legislação brasileira.”

Em relação à chegada da concorrência, a BM&FBovespa afirmou que a legislação abriu o mercado a novos entrantes em 2007. A própria fusão da instituição – que uniu a negociação de ações e de mercadorias, com a criação da BM&FBovespa, em 2008 – foi uma forma de preparação para a nova realidade do mercado.

Saída em hora errada da bolsa traz prejuízo

Categoria: Investimentos

GISELE TAMAMAR

O sobe e desce da Bolsa de Valores têm assustado os investidores. Só este ano até setembro 17.604 pessoas deixaram o mercado de ações. Mas a orientação dos especialistas para quem ainda tem papéis na Bovespa é manter a calma para não antecipar a saída e evitar eventuais maiores perdas financeiras.

O publicitário Alexandre Peregrino Rocha, de 34 anos, faz investimento de longo prazo na bolsa (Foto: Patrícia Cruz/AE)

O cenário de fuga dos investidores está ligado às oscilações do mercado. Depois de seis meses consecutivos de baixa, o Índice da Bolsa de Valores (Ibovespa) registrou alta de 11,49% em outubro, o maior ganho mensal desde maio de 2009, quando a valorização foi de 12,49%. No entanto, a Bolsa acumula queda de 15,34% no ano.

“O sobe e desce e a falta de perspectiva sobre o que vai acontecer fazem com que os investidores tirem dinheiro da Bolsa para colocar em outras aplicações. Muitas pessoas não conseguem conviver com essa situação de volatilidade”, destaca o diretor da Expo Money, Luis Abdal.

Em geral, os pequenos investidores entram no mercado de ações quando ficam sabendo de casos de sucesso. É alguém da família que comprou ações e ganhou dinheiro. Ou é um amigo ou vizinho que se deu bem no mercado. “As pessoas estão saindo porque não têm conhecimento sobre casos de sucesso. A Bolsa está andando de lado, ou seja, está sem tendência definida, há três anos”, afirma o professor do Insper Ricardo Almeida.

Segundo o especialista em finanças pessoais do MoneyFit, André Massaro, o investidor precisa ter um objetivo de ganho e um limite máximo de perda. Quem aplica em ações e tem horizonte de longo prazo precisa manter a calma. “Ficar consultando toda hora o valor das ações é um fator causador de angústia e pode levar a tomar decisões que podem não ser as melhores”, diz Massaro.

Mesmo com o cenário incerto, o professor do Insper afirma que o investidor deve manter a intenção de comprar ações, mas é preciso saber quanto tempo vai deixar o dinheiro aplicado.

Na visão de Abdal, é preciso ter um pouco de calma. “A volatilidade é normal, pode cair ainda mais, mas também pode se recuperar. Vai depender do cenário externo”, completa. Para quem pretende movimentar suas aplicações, Abdal indica a troca de papéis por aqueles que pagam bons dividendos, como os ligados aos setores de energia e saneamento.

Três fatores

O investidor da Bolsa precisa, basicamente, se enquadrar em três fatores. O primeiro é estar disposto a correr riscos e não ficar preocupado com a volatilidade. O segundo é quanto tem para investir. É importante ter um montante suficiente para diversificar as aplicações. O terceiro está ligado ao prazo. O investidor não deve investir um dinheiro que tem destino certo no curto prazo.

A recomendação para quem não se enquadra neste perfil é buscar um investimento mais conservador. “O mercado de ações é influenciado pela economia mundial e nada indica que a crise esteja no fim. Na minha opinião, agora é o momento para um investidor com estratégia, e não para um investidor comum, sem conhecimento”, opina Massaro.

É o caso do publicitário Alexandre Peregrino Rocha, de 34 anos, investidor desde 2001. Ele teve um início turbulento no mercado, impactado pelos atentados de 11 de setembro. Desde então, tomou gosto, estudou e aprofundou os conhecimentos no mercado financeiro. “Tenho uma estratégia de acordo com meu perfil e tenho planos de investimentos contínuos no longo prazo”, conta. A recomendação do publicitário para quem pretende comprar ações é não entrar sem conhecimento. “É preciso saber o que está fazendo.”

BM&FBovespa oferece cursos gratuitos em São Paulo

Categoria: Tecnologia

A BM&FBovespa oferece o curso Educar Master na cidade de São Paulo no dia 27 de outubro, das 9h às 16h, e nos dias 03 e 04 de novembro, das 19h às 22h30. Os cursos, gratuitos e voltados à população em geral, acontecem na sede a Bolsa, na Rua XV de Novembro, 275 – Centro.

O Educar Master é indicado para os interessados no planejamento financeiro pessoal, organização do orçamento, controle de despesas e alternativas de investimentos, como o mercado de ações e os títulos públicos, na formação de patrimônio no longo prazo. Além disso, os alunos receberão informações sobre juros, inflação e como administrar o dinheiro para a realização de sonhos.

Também já estão abertas as inscrições para o curso Como Investir em Ações, que acontece em 04 de novembro, das 13h às 18h30, também na cidade de São Paulo. O curso busca explicar aos alunos os conceitos e funcionamento do mercado de ações, a atuação da Bolsa, a importância do mercado de capitais para o desenvolvimento do País, além de discutir os principais tipos de investimentos para a pessoa física e os primeiros passos para se investir em ações.

As inscrições para os cursos Educar Master e Como Investir em Ações devem ser feitas pelo site http://www.bmfbovespa.com.br/cursos e as vagas são limitadas.

Saiba mais:

Curso Educar Master
Data: 27/10/2011
Horário: das 9h às 16h

Data: 03 e 04/11/2011
Horário: das 19h às 22h30
Local: BM&FBovespa (Rua XV de Novembro, 275 – Centro).
Vagas Limitadas

Curso Como Investir em Ações
Data: 04/11/2011
Horário: das 13h às 18h30
Local: BM&FBovespa (Rua XV de Novembro, 275 – Centro).
Vagas Limitadas

Aprender para investir melhor

Categoria: Investimentos

LUCIELE VELLUTO

Por que a Bolsa de Valores caiu nos últimos meses? É melhor aplicar em renda fixa ou renda variável? Qual a diferença entre elas? Como eu faço para guardar dinheiro? Para responder a essas questões, escolas e instituições estão com vagas abertas em palestras e cursos, alguns gratuitos, destinados a quem quer aprender a administrar o próprio dinheiro ou se tornar um investidor.

Segundo especialistas, conhecimento é fundamental e saber o básico sobre investimentos é o primeiro passo para evitar perdas e até ajudar a administrar melhor o que entra e o que sai da conta bancária. “Falta educação e cultura financeira para o brasileiro. Ele precisa aprender a usar seu dinheiro com racionalidade”, explica Janes Teixeira, professor de finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA) e da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

Para Teixeira, desenvolver o conhecimento e buscar educação financeira é uma forma de ampliar a cidadania das pessoas. “O cidadão precisa saber trabalhar, cuidar melhor do seu dinheiro até para ter uma vida melhor”, diz.

Jorge Nahas começou a fazer cursos desde os 17 anos para investir na Bolsa e, hoje, se sente mais seguro para administrar suas ações (Foto: JOSE PATRICIO/AE)

O professor de educação financeira da BM&F Bovespa, José Alberto Netto Filho, explica que para fazer os cursos e participar de palestras voltadas para finanças não precisa ter a aspiração de se tornar um investidor profissional, mas vontade de entender sobre seu próprio dinheiro e o que acontece com a economia brasileira e mundial, e como isso afeta o dia a dia.

“E não é porque a pessoa fez um curso que não vai errar. Mas ela precisa pelo menos ter uma noção de como funciona a Bolsa de Valores para entrar nesse mercado, saber que não é lugar de ganhar dinheiro fácil, por exemplo”, comenta o professor de educação financeira.

Netto também comenta que para procurar um curso a pessoa não precisa ter conhecimento prévio sobre mercado financeiro. “Muitas vezes há perguntas que parecem muito elementares que surgem nos cursos. Mas para essa pessoa é uma dúvida importante que precisa ser respondida. Tem que perguntar, tem que ir atrás de informação”, afirma.

Na BM&F Bovespa, com a queda da Bolsa nas últimas semanas por causa da crise econômica internacional, o número de inscritos no curso de finanças deu um salto, segundo o professor. O curso de educação financeira “Educar”, com turmas para adultos, jovens, mulheres e idosos, passou de 35 alunos por sala para 56 de junho a julho, uma alta de 62,5%. Já o curso de “Como Investir em Ações” passou de 597 inscritos para 1.121 no período, um aumento de 87,7%.

Experiência
Antes de aplicar seu dinheiro na Bolsa, o empresário Jorge Nahas, de 31 anos, foi procurar alguns cursos para aprender o funcionamento do mercado de ações.

“Eu tinha 17 anos quando me interessei sobre o assunto. Fiz um curso de matemática financeira para aprender a calcular o retorno dos meus investimentos e depois quis me aprofundar mais para entender como vender e comprar ações, analisar os indicadores e entender a economia”, conta.

Para Nahas, buscar informação ajudou a fazer dele um investidor mais seguro. “Eu não me desespero quando a Bolsa cai, como está ocorrendo agora”, diz.

O analista de sistemas Vinícius Cristiano de Almeida, de 28 anos, teve que recorrer a palestras para entender porque as ações que comprou pararam de valorizar.

“Eu entrei na Bolsa em 2009, quando ela estava em um período de recuperação. Isso trouxe uma falsa sensação de que tudo subia, achei que era fácil. Mas depois o mercado entrou em estabilidade e comecei a ter dificuldades”, diz.

Os cursos e palestras dos quais Almeida participou o ajudaram a continuar aplicando. “Se eu não tivesse investido em conhecimento, teria saído da Bolsa”, acrescenta.