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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014
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Selic a 7,25% dá vantagem à poupança

Categoria: Agenda, Análise, Finanças pessoais, Indicadores, Inflação, Investimentos, Juros

Luiz Guilherme Gerbelli

O novo corte na taxa básica de juros anunciado ontem pelo Banco Central reforçou ainda mais o bom desempenho da poupança na comparação com os fundos de renda fixa.
A poupança antiga – cujo rendimento permanece em 0,5% ao mês mais a Taxa de Referência (TR) – continua com a rentabilidade preservada em 6,17% ao ano e bate todas os investimentos em fundo de renda fixa, de acordo com levantamento da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Já a nova poupança – atrelada a 70% da Selic – vai passar a ter um rendimento de 0,4138% ao mês (ou 5,08% ao ano mais a TR) e, mesmo assim, mantém rendimento superior a boa parte dos fundos de renda fixa. A nova poupança só vai perder para os fundos de renda fixa com taxas de administração entre 0,5% e 1% (ver ao lado). Com a Selic em 7,5%, a aplicação tinha um rendimento de 5,25% ao ano.

Na prática, se a Selic permanecer estável em 7,25% ao ano, um montante de R$ 10 mil aplicado na poupança antiga vai render R$ 617 no período. Na nova poupança, esse mesmo montante vai render R$ 508.
“A poupança antiga continua imbatível e a nova poupança, como não cobra taxa de administração, ganha na maioria das situações dos fundos de investimento”, diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac. Ele recomenda que o investidor sempre avalie a taxa de administração cobrada para obter o melhor ganho na aplicação. “Se a taxa for superior a 1% ao ano, o investidor deve avaliar a aplicação porque o fundo deve estar perdendo da poupança”, afirma.

Mais pesquisa. As seguidas reduções da taxa básica de juros – a de ontem foi a décima seguida – tiraram da zona de conforto o investidor acostumado com o ganho fácil do juro alto. Agora, na avaliação dos especialistas, um ganho maior pode ter como contrapartida mais risco e menor liquidez. “É natural que o investidor comece a enfrentar essa situação de baixo ganho e passe a ter mais risco e diversificação no portfólio”, diz Michael Viriato, professor do Insper. Entre as alternativas, ele sugere, por exemplo, aplicação na Bolsa de Valores ou em fundos imobiliários.

Para aplicação em Bolsa de Valores, o professor do Insper recomenda que o investidor descubra qual o seu perfil: mais moderado ou arrojado. “De acordo com esse perfil, se o investidor for mais moderado, por exemplo, sempre que ele fizer uma aplicação, deve alocar um porcentual escolhido para a Bolsa. Se fizer sempre isso, o investidor vai comprar tanto em momentos favoráveis como nos desfavoráveis”, afirma.
Na avaliação de Viriato, a diversificação no portfólio de investimento já deveria ter sido iniciada pelos investidores, pois as sucessivas quedas dos juros deixaram o investimento em renda fixa pouco atrativo há bastante tempo.

Para Keyler Carvalho Rocha, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), uma possibilidade de investimento pode ser em títulos indexados à inflação. “É uma possibilidade que o investidor fica garantido com a inflação. Num prefixado, corre o risco de a inflação subir e o rendimento ficar negativo”, afirma ele, para quem “há um risco muito grande de a inflação voltar a subir no ano que vem”.

No longo prazo, apesar do espaço mais curto para uma queda da taxa de juros nas próximas reuniões do BC, o cenário dos investimentos não deve ser muito alterado.
“A tendência é de uma estabilidade daqui para frente”, afirma o vice-presidente da Anefac.

Empresas devem R$ 17,5 bilhões ao FGTS

Categoria: Agenda, Análise, emprego, Trabalho

LUIZ GUILHERME GERBELLI

O montante não depositado pelas empresas referente ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) chegou a R$ 17,5 bilhões no ano passado. Em 2010, a dívida estava em R$ 16,2 bilhões. Ou seja, de um ano para outro o aumento foi de R$ 1,3 bilhão.

O número de processos de cobranças somou 351.073 no ano passado, segundo levantamento do Instituto FGTs Fácil. “Normalmente, quando a empresa não está recolhendo o Fundo, ela pode também não estar recolhendo o INSS”, afirma o presidente da entidade, Mario Avelino. “Isso cria um descaso com a maioria dos trabalhadores, porque ninguém deu aula de direitos trabalhistas para que eles pudessem acompanhar essas questões”, diz.

Na avaliação de Avelino, as fraudes se tornaram comuns porque as empresas devedores ao FGTS têm até 30 anos para regularizar as pendências.
Dados do o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que, no ano passado, foram emitidas 16.146 notificações fiscais para recolhimento do FGTS e da Contribuição Social.

Este ano, segundo o MTE, entre janeiro e agosto, as notificações lavradas tiveram um crescimento de 11% ante o mesmo período de 2011 (10.783 para 11.711). Da mesma forma, o valor do FGTS recolhido e notificado na ação fiscal somou R$ 1,182 bilhão no período, superior ao verificado nos oito primeiros meses de 2011 (R$ 1,105 bilhão).

Por causa desse alto montante devido pelas empresas ao Fundo, é fácil encontrar quem já tenha sido prejudicado. Com um processo que corre na Justiça desde 2004, a analista de processos Heide Ferreira Santos, de 32 anos, tenta receber o valor referente ao FGTS devido pela empresa na qual trabalhou por cinco anos. “Já obtive ganho do processo em algumas instâncias, mas eles continuam recorrendo e ainda não recebi nada. É desanimador.”

Segundo a analista, a fraude, que também lesou outros 30 funcionários, envolvia a criação de uma conta “fantasma” no Fundo para o desvio da verba. “Eu até acompanhava se a empresa fazia os depósitos do meu FGTS em uma conta, mas nem sabia da existência da outra”, explica.

Heide relembra que esperava poder utilizar o valor – na época, cerca de R$ 20 mil – e que chegou a contrair dívidas para se reequilibrar financeiramente. “Meu nome foi parar em serviços de proteção ao crédito. Tive trabalho para regularizar tudo.”

Há dois meses sem trabalho, Danilo Alexandre também contava com o valor do FGTS em seu orçamento. “Como não recebi a quantia, fico privado de meus direitos, como o seguro-desemprego.”
Alexandre aguardou o prazo de dez dias após a rescisão do contrato e recebeu o valor devido, com exceção da parte do FGTS. Depois de 70 dias sem a resposta da empresa, o ex-funcionário entrou com uma ação trabalhista: “luto para reaver cerca de R$ 4 mil”.

O trabalhador pode acompanhar se o depósito do FGTS é realizado como determina a lei.
Segundo a Caixa Econômica Federal, um extrato com o saldo do FGTS é encaminhado bimestralmente para a casa do trabalhador. Se o documento não chegar, é possível atualizar o endereço pelo site www.caixa.gov.br/fgts, pelo telefone no 0800 726 01 01 ou em uma agência. No site da instituição, também possível realizar um cadastro para receber as informações do FGTS por e-mail ou por mensagem de celular.
Com Murilo Bomfim e Murillo Ferrari,
Especial para Jornal da Tarde

Caixa reduz taxa de administração de fundos de investimento em até 60%

Categoria: Bancos, Finanças pessoais, Investimentos, Serviços

Luiz Guilherme Gerbelli

A Caixa Econômica Federal anunciou ontem alterações em seus fundos de investimento, com reduções de até 60% nas taxas de administração. Segundo a Caixa, o objetivo é expandir a participação do banco na indústria de fundos.

As alterações nos fundos incluem a redução do valor de aplicação inicial, cortes nas taxas de administração e lançamento de produtos. A Caixa reduziu o valor de aplicação em mais 14 fundos, dos quais seis também tiveram cortes significativos na taxa de administração.

“Ocupamos hoje a 4.ª posição no segmento de renda fixa, com 11,92% de participação de mercado. Agora, a estratégia da Caixa também é expandir sua participação na indústria de fundos nas classes Ações e Multimercado, colocando à disposição dos clientes produtos ainda mais competitivos também nestes segmentos”, disse, em nota, o vice-presidente de Ativos de Terceiros da Caixa, Marcos Vasconcelos.

A decisão da Caixa faz parte da estratégia do governo federal de pressionar outros bancos a reduzirem juros e taxas. O Santander, por exemplo, fez uma leva de reduções em maio e informou que está avaliando outra redução.

O Banco do Brasil, que baixou as taxas em maio, informou que “reavalia permanentemente sua política de taxas de administração para fundos de investimento, com vistas a adequá-la à realidade do mercado.” No curto prazo, porém, o Estado apurou que não deve haver alteração.

O Bradesco, que também já reduziu as taxas em maio, não deve alterá-las por ora. Já o HSBC não fez reduções específicas e disse que as taxas “variam de acordo com o mercado e com o nível de relacionamento do cliente”. Já o Itaú informou que está sempre analisando a necessidade de alteração das taxas, devido a mudanças externas, como redução da taxa de juros e competitividade.

Mudança
O mercado de fundos deve passar por uma transformação nos próximos anos se o cenário de juros baixos for mantido. Na avaliação de especialistas, a Selic no piso histórico de 7,5% ao ano tirou a atratividade de boa parte desse mercado.

“Com os juros mais baixos, os bancos precisam reduzir o custo da taxa de administração e diminuir o valor mínimo da aplicação”, disse Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Essa expectativa de juros baixos por um longo período deve mudar o tipo de fundos ofertados. “Vamos ver nos próximos dois anos uma fase de adaptação”, diz Alexandre Chaia, professor de economia do Insper. / COM MURILO BOMFIM E MURILLO FERRARI, ESPECIAL PARA O ESTADO

Desempenho da Bolsa é o melhor desde fevereiro

Categoria: Agenda, Análise, Investimentos

Luiz Guilherme Gerbelli

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) teve em setembro valorização de 3,71%, a maior registrada desde de fevereiro. Essa também foi a terceira alta seguida da aplicação. Em julho, a Bolsa teve variação positiva de 3,21% e em agosto de 1,72%.

No ranking de investimentos de setembro, a melhor aplicação foi o ouro (4,46%) – refúgio tradicional dos aplicadores em período de crise financeira internacional.
“A Bolsa estava indo muito bem até meados de setembro, mas os receios com relação ao crescimento da China e com o restante do mundo acabaram prejudicando o desempenho da aplicação no fim do mês”, afirmou o Michael Viriato, professor de finanças do Insper. Ontem, por exemplo, o Ibovespa recuou 1,77%.

A alta inicial da Bolsa em setembro foi impulsionada, sobretudo, por causa do anúncio do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) de aumentar o estímulo da economia – em 13 de setembro, a entidade anunciou a compra US$ 40 bilhões em títulos da dívida imobiliária por mês e decidiu seguir com essa política até que o mercado de trabalho americano se recupere.

Já as aplicações de renda fixa foram corroídas pelo IGP-M, cuja alta foi de 0,97% em setembro. O piso histórico da taxa básica de juros – em 7,5% ao ano – também prejudica o desempenho das aplicações mais conservadores, inclusive da nova poupança, que agora tem o rendimento atrelado a 70% da Selic.

“Nas aplicações com juros, não tem muito o que fazer. O investidor precisa olhar as taxas de administração, procurar alongar o prazo para pagar menos Imposto de Renda. Mas mesmo com tudo isso, os rendimentos ficam próximos de zero quando comparados com a inflação”, disse Fabio Colombo, administrador de investimento.

O dólar comercial (-0,05%) foi a pior aplicação em setembro. Apesar do desempenho negativo no mês, a moeda americana ainda é a segunda melhor aplicação do ano (8,56%) – no acumulado de 2012, a liderança disparada é do ouro (22%).

“O dólar não tem muito mais espaço este ano. A valorização que houve até agora foi decorrente do início do ano”, afirmou Keyler Carvalho Rocha, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Futuro?
Na avaliação de Viriato, professor de finanças do Insper, a Bolsa deve continuar como um dos melhores investimentos até o fim deste ano.

De acordo ele, as expectativas em relação ao cenário internacional já estão precificadas na Bolsa de Valores. “Se não existir nenhuma descontinuidade muito grande, a Bolsa já está bem descontada. Não tem porque ela ir pior”, afirmou Viriato.
No ano, a valorização da Bolsa é de 4,27%.

Proposta de bancos pode acabar com a greve

Categoria: Agenda, Análise, Bancos, Trabalho

Luiz Guilherme Gerbelli

O comando nacional de greve da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) vai propor que as assembleias que serão realizadas hoje aceitem a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e encerrem a greve dos bancários.

A paralisação deve prosseguir hoje – será o nono dia de paralisação – e a recomendação ainda será votada pelas assembleias dos 137 sindicatos. A decisão foi anunciada ontem depois de um encontro entre sindicalistas e integrantes da Fenaban, em São Paulo.

A nova proposta apresentada pela Fenaban prevê reajuste de 7,5% – com aumento real de 2,02%. A entidade também propõe um reajuste no salário pago aos caixas, de R$ 1.900 para R$ 2.056,89. Na Participação de Lucros e Resultados (PLR), os banqueiros ofereceram 90% do salário e um acréscimo de R$ 1.544.

A paralisação das agências começou em 18 de setembro e atingiu todos os 26 Estados e o Distrito Federal. Os bancários exigem um reajuste de 10,25% (aumento real de 5%), enquanto a proposta inicial dos bancos foi de 6% (aumento real de 0,58%).

Antes do encontro de ontem, sindicalistas e representantes da Fenaban não haviam negociado desde 28 de agosto, data da única propostas apresentada pela Fenaban. Uma assembleia dos trabalhadores em 13 de setembro definiu o início da greve.

Segundo o último balanço divulgado pela Contraf-CUT, na segunda-feira, sétimo dia de paralisação, foram fechadas 9.386 agências das 21.714 em funcionamento no Brasil.

No mesmo dia, em São Paulo, maior centro financeiro do País, a paralisação dos bancários teve a adesão de 35 mil trabalhadores, segundo o último balanço do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. A base do sindicato tem 138 mil trabalhadores.