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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
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Inflação fecha o ano no teto da meta, em 6,5%

Categoria: Consumo, Inflação, Serviços, Trabalho

Daniela Amorim

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou no teto da meta do governo em 2011, de 6,5%. Embora tenha sido comemorada pela equipe econômica, a taxa foi a mais alta desde 2004. O aumento da renda e a expansão do emprego foram apontados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como os principais estímulos à inflação no ano.

O dado preocupa, porque tanto o rendimento do trabalhador quanto o mercado de trabalho devem continuar fortes em 2012. Além disso, o salário mínimo acaba de ser reajustado, o que indica mais pressões inflacionárias pela frente.

“A inflação veio mais forte no primeiro semestre, e a demanda aquecida foi o principal fator para o aumento dos preços. A causa foi a demanda interna, e a pressão deve continuar em 2012”, diz Bruno Brito, analista da Tendências Consultoria Integrada.

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca — fogões, geladeiras e máquinas de lavar — na reta final de 2011 foi fundamental para impedir que o aumento de preços ficasse acima do limite máximo esperado pelo governo para o ano.

Com os eletrodomésticos mais baratos em dezembro, os artigos de residência caíram 0,87% em dezembro, o que puxou o IPCA do mês para baixo em 0,03 ponto porcentual e suavizou o impacto do aumento dos alimentos e vestuário. A inflação no grupo alimentação e bebidas foi responsável por 58% do IPCA no mês.

“Na verdade, esses dois grupos apresentaram certa influência sazonal. Artigos de vestuário foi a demanda das festas de fim de ano. Alimentos também. Ficaram mais caros carnes e frango, produtos que são cíclicos de churrasco, de comemoração de fim de ano e de trabalho. As bebidas também aumentaram”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

No entanto, a alta dos alimentos foi menor do que a esperada pelo mercado, assim como a variação nula dos preços do grupo transportes. As passagens aéreas, que subiram 52,91% em 2011, tiveram recuo de 2,05% em dezembro.

Também contribuíram para segurar a inflação do grupo os preços mais baixos de automóveis usados e seguro voluntário.

Os preços administrados também contribuíram com boa parte do IPCA de 2011: 28% da taxa. Entre os itens que subiram mais estão taxas de água e esgoto, gás encanado, ônibus urbano, táxi e energia elétrica residencial.

Prévia da inflação oficial cai de 0,53% para 0,42%

Categoria: Agenda, Análise, Índice, Inflação

Daniela Amorim

Os preços dos alimentos deram uma trégua e a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, desacelerou de setembro para outubro, de 0,53% para 0,42%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado amenizou as preocupações do mercado quanto aos efeitos que a política monetária do Banco Central, que reduziu mais uma vez a taxa básica de juros, poderia ter sobre a trajetória dos preços, mesmo no longo prazo.

Analistas já revisaram para baixo suas projeções para o IPCA cheio de outubro. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 apresentou o primeiro recuo desde julho de 2010, de 7,33% em setembro para 7,12% em outubro. O movimento indica haver possibilidade de a inflação terminar o ano sem ultrapassar o teto da meta do governo, de 6,5%.

Além dos produtos alimentícios, itens de vestuário e despesas com empregados domésticos subiram menos, contribuindo para a desaceleração. O mesmo ocorreu com os custos de passagens aéreas e combustíveis, que não aumentaram tanto quanto no mês passado, embora continuem em níveis altos.

“A nossa previsão é que a inflação em 2011 fique dentro do teto da meta, em 6,3%”, disse Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, que revisou de 0,45% para 0,40% a inflação pelo IPCA cheio de outubro.

“A inflação nos últimos meses estava bastante pressionada pelos alimentos, por causa do período de entressafra. Mas já houve arrefecimento dos preços (dos alimentos) no atacado e a tendência se mantém até o fim do ano.”

Leite pasteurizado, frango, frutas e carnes reduziram o ritmo de aumento, enquanto produtos como hortaliças, tomate e alho ficaram consideravelmente mais baratos. Os itens não alimentícios medidos pelo IPCA-15 também desaceleraram, com destaque ainda para vestuário, que subiu menos em outubro (0,38%), após alta de 1% na leitura anterior. Os preços das roupas masculinas chegaram a cair 0,13%.

O aumento moderado das despesas pessoais (0,22%) também teria sido preponderante para acalmar a trajetória da inflação, na avaliação do economista Thiago Curado, da Tendências Consultoria Integrada. Os gastos com empregados domésticos subiram apenas 0,10% em outubro. “A desaceleração dos serviços e das despesas pessoais veio bem forte e surpreendeu, porque ela foi contra uma sazonalidade muito clara, sobretudo por não ter sido notada também nas despesas com saúde e alimentação fora da residência, que subiram mais”, contou Curado, que revisou a projeção do IPCA de outubro de 0,50% para 0,45%.

Os preços das passagens aéreas subiram menos em outubro, mas ainda pressionaram a taxa global. Aumentaram 14,23% (ante 23,4%), mantendo o item como o maior impacto individual (0,07 ponto porcentual) sobre a inflação de 0,42% do mês.

No grupo transportes, houve desaceleração também nos preços dos combustíveis, que ainda apontam alta: o etanol subiu 1,17% em outubro, enquanto a gasolina ficou 0,11% mais cara.

Inflação sobe e se distancia da meta para este ano

Categoria: Agenda, Análise, Índice, Inflação

Daniela Amorim

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,53% em setembro. No acumulado de 12 meses, a taxa subiu para 7,31%, o maior patamar desde maio de 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado afastou-se ainda mais do teto da meta fixada pelo governo para a inflação oficial em 2011, de 6,5%.

Embora analistas esperem um recuo na taxa anualizada nas próximas leituras, o índice ainda não absorveu a alta acentuada do dólar. Produtos como eletrônicos, que vinham ajudando a conter a inflação, devem contribuir agora em sentido oposto.

“Acho que o governo está correndo um sério risco de estourar o teto da meta este ano. Os números estão bem ‘salgados’. Há possibilidade de nos próximos dois meses a inflação vir mais alta”, afirmou Monica Baumgarten de Bolle, sócia da Galanto Consultoria. “Não vejo nenhum alívio inflacionário.”

O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, afirma que a inflação em 12 meses vai desacelerar a partir de outubro, com taxas mensais menores que as registradas no fim do ano passado. No entanto, Velho lembra que o próprio Banco Central reconhece a gravidade do quadro inflacionário ao rever suas previsões de convergência para o centro da meta apenas em 2013.

“Não só em 2011, como em 2012, não vai ser cumprida a meta (de inflação de 4,5% ao ano). Este ano tende a superar o teto”, disse Velho.

“Não que o Banco Central tenha abandonado a meta, mas parece que ele está alargando um pouco o prazo do horizonte de cumprimento da meta de inflação mais para 2013”, apontou.

O aumento nos preços dos alimentos tem impulsionado a inflação em 12 meses, mas o setor de serviços também tem sido um fator importante de aumento no índice.

Alta da inflação reduziria poder de compra

Categoria: Indicadores, Inflação

Uma inflação mais alta deve corroer a renda dos trabalhadores e reduzir o ímpeto consumista da nova classe média no próximo ano. Esses brasileiros têm sido os aliados do governo federal na sustentação do crescimento. Mas, em 2012, passarão a ser uma pressão nos preços de serviços e bens não duráveis. Os dois itens, que respondem por mais da metade da inflação oficial, giram em torno de 9% ao ano, segundo o Banco Central.

Na avaliação de alguns economistas, como o governo não está reduzindo os gastos públicos, aumentando investimentos ou elevando os juros, o freio natural do consumo será a inflação mais elevada. Para o economista-chefe do Votorantim Corretora, Roberto Padovani, a equipe econômica deve ainda tornar o crédito mais restrito para diminuir o nível de compras dos brasileiros.

Na avaliação do ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a perspectiva de crescimento menor no País e a desaceleração do emprego também ajudarão a mudar os hábitos de consumo. “Vai haver uma corrosão do poder de compra.”

Segundo Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Data Popular, especializado na classe C, o aumento do preço dos produtos não deve afastar os novos consumidores. (POR IURI DANTAS, EDNA SIMÃO, VERA ROSA)

Brasileiro pode ter de pagar mais por pãozinho

Categoria: comércio, Consumo, Indústria

Daniela Amorim

Os problemas climáticos que afetaram a safra de trigo deste ano podem elevar o preço do produto, encarecendo itens como o pão francês, que tem peso individual de 1,16% na formação do cálculo da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

De janeiro a julho, o preço do pão francês acumula alta de 1,49%. No entanto, nos 12 meses encerrados em julho, o pãozinho já ficou 9% mais caro, por causa da expressiva alta do trigo no fim do ano passado.

Na avaliação de Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, um dos maiores da América Latina, o preço do trigo no mercado internacional já deve aumentar a partir de setembro.

O executivo, que atribui o movimento à demanda forte e à queda de produtividade em países como Estados Unidos e Canadá, calcula que um aumento de 20% no trigo se traduza em alta de 15% na farinha, e um encarecimento de, no mínimo, 4% do pão francês.

“A oferta está muito estreita em relação à demanda e o milho também está muito caro. Quando o milho sobe, o trigo vai junto, porque é seu substituto na ração animal”, explicou Pih.

No levantamento sobre o custo da cesta básica feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o pão francês tem peso de 0,93%. E, de janeiro a julho, acumulou alta de 3,93%. O aumento nos preços das bolachas e biscoitos foi de 3,11%, enquanto o de massas secas foi de 0,92%.

“Qualquer oferta de matéria-prima que caia aumenta o preço”, afirmou Cornélia Nogueira, coordenadora de Pesquisa de Preços do Dieese. A safra de trigo teve rendimento e qualidade prejudicados pelo clima, tanto no sul do Brasil quanto em países fornecedores importantes, como Argentina e Paraguai. Segundo o IBGE, a safra brasileira deve ser 14,8% menor que a de 2010.

O volume esperado é de 5,145 milhões de toneladas, quase 900 mil toneladas a menos. A área a ser colhida também teve redução, de 4,2%, e a produtividade deve cair 5,6%. Como resultado, o País terá de importar mais trigo, para atender a uma expectativa de 10,422 milhões de toneladas de consumo interno.

A queda já causou recuo de 1,8% na produção de derivados do trigo pela agroindústria no primeiro semestre do ano.