Iata critica privatização de aeroportos
- 8 de fevereiro de 2012 |
- 12h57 |
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Categoria: Agenda, Análise, Impostos, Serviços
Jamil Chade *
A privatização dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília na segunda-feira significará passagens ainda mais caras e maiores impostos para as empresas aéreas. Foi assim que o setor aéreo mundial reagiu ao processo no Brasil, atacando abertamente o governo federal por ter adotado um modelo que ameaça prejudicar a indústria aérea e ainda não resolver o problema da falta de eficiência dos aeroportos nacionais.
A Iata — entidade que reúne as 280 maiores empresas do mundo — denuncia a falta de transparência no processo e diz que a inflação no preço da compra, comemorada pelo governo, não conseguirá ser compensada apenas com a exploração dos três aeroportos e acabará em novos impostos para os passageiros.

Representantes da Bovespa e do consórcio que venceu o leilão para o Aeroporto de Guarulhos comemoram (Foto: NILTON FUKUDA/AE – 6/2/2012)
Numa avaliação interna feita pela Iata e obtida pela reportagem, o processo da venda dos aeroportos provocou “forte preocupação” no setor privado. A entidade constatou que o valor das vendas foi muito acima do antecipado, chegando a R$ 24,5 bilhões, contra uma base de R$ 4,45 bilhões. Além disso, os contratos de concessão estipulam investimentos de R$ 16,2 bilhões nos três aeroportos.
Para a Iata, não haverá como recuperar esses recursos apenas na exploração da licença dos aeroportos, e o resultado será maiores impostos para todos. “Mesmo considerando que uma quantidade substancial de recursos pode ser atingida por meio de melhorias na eficiência dos aeroportos, em especial em Guarulhos, é difícil conciliar o montante pago com o potencial de receita”, alertou a entidade. “Essa diferença é de grande preocupação para a indústria”, indicou.
O que preocupa as empresas é o fato de que os impostos sobre combustíveis, sobre o espaço para escritórios e outros serviços “deixam espaço para interpretação”. Na prática, temem que a margem de manobra nesses setores abra a possibilidade de que esses impostos sejam elevados.
Caso Acsa
Para Perry Flint, chefe de Comunicações Corporativas da Iata nas Américas, um dos temores vem justamente do histórico da empresa sul-africana Acsa, que faz parte do consórcio que venceu a licitação do Aeroporto de Guarulhos.
Segundo ele, uma das primeiras medidas dessa companhia na África do Sul foi elevar de forma dramática os impostos quando assumiu nove aeroportos no País há uma década.
Preço alto
Segundo a Iata, o problema dos aeroportos do Brasil não é o fato de que as taxas aeroportuárias são baixas. “O problema é a baixa eficiência”, disse Flint. Um levantamento feito pela indústria revela que, na realidade, Guarulhos está entre os aeroportos mais caros do mundo. Para o pouso e decolagem de um avião A330, Guarulhos cobra taxas que seriam 93% superiores às do Aeroporto de Miami.
O Aeroporto Internacional de São Paulo também é 27,5% mais caro que o movimentado Charles de Gaulle, em Paris. Em comparação com o Aeroporto de Cingapura, Guarulhos é 2,5 vezes mais caro.
“É por isso que vamos monitorar essas negociações entre operadores e usuários”, alertou Flint. Segundo ele, porém, não ajuda o fato de o governo ser ao mesmo tempo o regulador dos aeroportos e ainda receber parte dos lucros.
“Isso dará margem para muita coisa. Antes e durante o processo de concessão, a Iata expressou suas preocupações em relação à estrutura da privatização, que deixa o governo na posição de ser parceiro dos novos proprietários e regulador”, acrescenta o executivo da Iata. * CORRESPONDENTE / GENEBRA
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Previsão de lucro do setor aéreo é revista
- 21 de setembro de 2010 |
- 20h35 |
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Categoria: Consumo, Empresas, Indicadores, Serviços
A International Air Transport Association (Iata, na sigla em inglês) revisou para cima hoje suas projeções para a indústria aérea em 2010. A entidade projeta agora um lucro de US$ 8,9 bilhões, valor superior aos US$ 2,5 bilhões previstos em junho. A revisão foi motivada pelo aumento da demanda e pela melhora da gestão da oferta, enquanto os custos estão estáveis.
Segundo o diretor geral Giovanni Bisignani, a recuperação do setor está sendo mais forte e rápida do que era esperado. “O lucro de US$ 8,9 bilhões que projetamos começará a recuperar a perda de quase US$ 50 bilhões na última década”, disse por meio de comunicado.
De acordo com o relatório da Iata, a demanda aquecida impulsionou o tráfego a um nível 3% a 4% superior ao período pré-crise de 2008. Em 2010, a demanda deve crescer 11%, enquanto a capacidade crescerá apenas 7%. A previsão anterior era de avanço de 10,2% na demanda e de 5,4% na oferta. A entidade destacou que o yield (valor médio que cada passageiro paga por quilômetro voado) deve crescer 7,3% por passageiro, ante projeção anterior de 4,5%. As receitas devem crescer para US$ 560 bilhões, US$ 15 bilhões acima da expectativa anterior. O resultado ficaria um pouco abaixo das receitas de 2008, de US$ 564 bilhões.
A Iata informou que o mercado da América Latina continua a se beneficiar do forte crescimento econômico regional, impulsionando viagens, transporte e lucros. A previsão de lucro para a região passou de US$ 900 milhões para US$ 1 bilhão. Na sua primeira previsão sobre 2011, a Iata estima que o lucro do setor cairá para US$ 5,3 bilhões. Apesar do mercado ficar firme na Ásia, Oriente Médio e América do Sul, o desempenho deve ser fraco na Europa e na América do Norte, onde o desemprego segue alto e a confiança do consumidor em queda. (Natalia Gómez)
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