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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Cotação do real já reage à alta do IOF

Categoria: Tecnologia

Raquel Landim

Graças à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o governo federal conseguiu neutralizar, por enquanto, os efeitos sobre a taxa de câmbio da enxurrada de dólares jogada pelos Estados Unidos na economia mundial. O real se valorizou bem menos que outras moedas e descolou dos preços das commodities.

Ontem, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anunciou que vai comprar US$ 600 bilhões em títulos de longo prazo do governo americano para reativar a economia. Como a medida já era esperada desde o dia 21 de setembro, quando ocorreu a reunião anterior do Fed, os mercados reagiram com calma.

O dólar fechou ontem a R$ 1,6990 no mercado de balcão, uma queda de 0,47% em relação ao dia anterior, testando o nível de R$ 1,70 pela primeira vez em sete sessões. No entanto, desde que começaram as especulações sobre as medidas do Fed há seis semanas, o real acumula alta de apenas 1% em relação à moeda americana.

A perspectiva de novas medidas do Fed provocou uma desvalorização do dólar e elevou os preços das commodities nesse período. Em relação ao dia 21 de setembro, o dólar caiu 6,5% em relação ao euro. O CRB (Commodity Research Bureau, principal índice de preços de commodities) subiu 9,7%. Uma cesta formada pelas commodities exportadas pelo Brasil avançou ainda mais: 10,5%.

“A valorização do real foi menos significativa por causa da eficácia das medidas do governo. Países que não adotaram nenhum controle de capitais sofreram mais”, disse Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora. O dólar australiano, por exemplo, avançou 5,8% desde 21 de setembro e testou a máxima em relação ao dólar ontem.

As moedas de Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Noruega e Canadá estão entre as mais afetadas pela queda do dólar, porque esses países são grandes exportadores de commodities.

IOF

O Brasil elevou por duas vezes consecutivas o IOF, sua principal arma até agora na “guerra cambial”. No dia 4 de outubro, o imposto para o investimento em renda fixa subiu de 2% para 4%. O governo estava assustado com a queda do dólar, que bateu R$ 1,66 naquele dia.

O mercado achou a dose do remédio fraca e insistiu. O dólar chegou a R$ 1,65 já no dia seguinte (5 de outubro), nível mínimo atingido no período mais recente. Com o início das especulações de que o governo brasileiro adotaria medidas mais duras, a tendência começou a virar.

No dia 18 de outubro, o IOF para renda fixa subiu de novo, para 6%. O governo elevou ainda o IOF pago nas garantias para operar no mercado futuro de 0,38% para 6%. A pancada assustou os investidores e o real passou a oscilar perto de R$ 1,70.

Ouro lidera os ganhos em outubro

Categoria: Indicadores, Investimentos

Em outubro, a alta mais expressiva registrada na Bolsa de Valores de São Paulo foi ouro. O metal se valorizou 7,67% neste mês (Foto: André Fossati/AE)



Roberta Scrivano
Yolanda Fordelone

O mês de outubro foi positivo para os investimentos de uma maneira geral. Todos fecharam no azul, alguns com altas mais expressivas, como o ouro que se valorizou 7,67% e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) que ganhou 1,79% no mês. Até o dólar, que amargava quedas mensais consecutivas durante o ano, conseguiu recuperar 0,59%, por conta das novas medidas adotadas pelo governo federal para tentar brecar a valorização do real.

A elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 4% para 6% em recursos de estrangeiros que investem na renda fixa é o que mais impactou, segundo especialistas, nas cotações da moeda americana diante do real no mês passado. Levando em conta o ano, o dólar ainda acumula queda de 2,35%.

A perspectiva para a moeda como investimento, no entanto, não é otimista. “Creio que o dólar estará a R$ 1,60 em dezembro de 2011”, diz Roberto Padovani, estrategista de investimentos sênior para a América Latina do Banco WestLB do Brasil.

No caso do ouro, que liderou o ranking de outubro, dois motivos pesaram para a valorização, conforme explica o presidente do grupo Fitta, André Nunes. “As economias lá fora ainda estão muitos fracas, o que impede os Bancos Centrais de aumentar a taxa de juro”, diz. “Com isso, os investidores estão buscando aplicações mais rentáveis, em bolsa ou em commodities como o ouro”, avalia.

Além disso, no caso do Brasil, há um efeito sazonal em outubro que impactou nas cotações do metal. “As joalherias já começam a comprar ouro para produzir as joias que serão vendidas no Natal. Isso sempre pressiona o preço para cima”, diz.

Apesar de parte dos especialistas afirmar que o ouro não tem liquidez sobretudo para pequenos investidores, Nunes afirma que o número de negócios vem aumentando. “Na BM&F, o menor contrato custa em torno de R$ 20 mil. Por isso, as corretoras negociam barras menores, de 10 gramas ou R$ 1 mil.”

Brasil é o 3º entre países sob especulação

Categoria: Indicadores, Investimentos

Adriana Fernandes
Eduardo Rodrigues

Atrás apenas da África do Sul e Austrália, o Brasil está no topo da lista dos países que garantiram maior retorno aos investidores estrangeiros nas operações de “carry-trade”. Nessas operações, que o governo brasileiro tenta reduzir com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o investidor toma dinheiro emprestado em um país a juros baixos e aplica numa região que pague juros mais altos, como o Brasil.

A consequência é um fluxo maior de dólares para o país que paga juros elevados, e a valorização da sua moeda, prejudicando as exportações.

Em 12 meses até o fim de setembro, o Brasil garantiu aos investidores um ganho de 14,5%. Na África do Sul, a rentabilidade em um ano foi de 18,2% e, na Austrália, de 15,8%. Na 8ª edição do boletim “Economia Brasileira em Perspectiva”, divulgada ontem pelo Ministério da Fazenda, a equipe econômica apresentou um ranking dos ganhos (no jargão econômico, chamado de carry return) com aplicações em renda fixa em vários países e alertou para o problema cambial dessas operações.

No documento, a Fazenda diz que o governo “usará todos os instrumentos para eliminar novo movimento especulativo no câmbio”. O aumento da liquidez internacional (maior quantidade de recursos disponíveis) e os juros brasileiros, destacou o boletim, atraíram investidores que buscam retorno nos juros e no mercado de câmbio. Com isso, a participação do real nas transações em mercados futuros e opções teve forte aumento no último ano, levando o Brasil a figurar nas primeiras posições com o maior número de operações no mercado de derivativos.

Segundo um assessor do ministro, o Brasil poderia estar numa situação pior se não tivesse adotado no ano passado a alíquota de 2% do IOF para o ingresso de investimentos estrangeiros para ações e renda fixa.

<bJuros

No boletim, a Fazenda também destacou que o ciclo de alta de juros foi interrompido e a tendência agora é de retomar o processo de queda. O documento ressaltou que a taxa real (descontada a inflação) voltou a ficar abaixo de 6%. A projeção de inflação medida pelo IPCA para 2010 é de 5,1%, convergindo para o centro da meta (4,5%) em 2011.

Governo eleva IOF para atenuar câmbio

Categoria: Dólar, Indicadores, Investimentos

Francisco Carlos de Assis

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na noite desta segunda-feira, 18, duas novas medidas com o objetivo de atenuar a pressão cambial sobre o real. Uma delas é o aumento de 4% para 6% da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos externos em renda fixa e a outra medida é a elevação do IOF para o recolhimento de margem na BM&FBovespa dos atuais 0,38% para 6%. “O que queremos é diminuir o apetite dos aplicadores estrangeiros de curto prazo. Aqueles que vêm aplicar de dois a três anos pagarão o IOF, mas não devem parar de investir no Brasil”, afirmou o ministro.

As novas medidas cambiais não vão afetar os investimentos estrangeiros para compra de ações, que continuam sujeitos a uma alíquota de IOF de 2%. “Isso (as medidas) não abrangem, por exemplo, as compras de ações. A compra de ações não foi mexida na mudança passada e continua em 2% como era antigamente”, afirmou Mantega.

Mantega disse que o estoque do volume de margem na BM&Bovespa é de US$ 20 bilhões e que esse montante pode lastrear US$ 200 bilhões. “Veja a taxa de alavancagem!”, destacou o ministro, ao justificar a razão de estar elevando para 6% a alíquota do IOF sobre o recolhimento de margens.

Ele disse acreditar que essas medidas surtirão efeito, contudo não descartou a possibilidade de novas medidas caso seja necessário. Mantega destacou que é importante aguardar os resultados das medidas anunciadas esta noite e explicou que o governo pretende dosar as medidas até porque não há interesse em prejudicar os investimentos estrangeiros diretos. “Queremos atenuar o excesso de variações. O que vai acontecer com o câmbio não sei dizer porque não faço projeções cambiais”, disse.

O ministro disse que há um apetite muito grande da parte dos investidores estrangeiros e que só no mês passado entraram no País US$ 16 bilhões, e adiantou que na última semana houve um forte ingresso de capital estrangeiro, mas sem citar números. O ministro adiantou ainda que nas conversas na semana passada, em Washington, percebeu que há um número significativo de grandes fundos estrangeiros querendo desembarcar no Brasil. “Para fazermos o moderador de apetite estamos avisando que quem vier investir no Brasil vai ganhar menos e que deve olhar também para outros países”, comentou, dando como exemplo a Austrália.

Entrada de dólares no País bate recorde

Categoria: Indicadores, Investimentos

A operação de aumento de capital da Petrobrás atraiu tantos estrangeiros que setembro terminou com novo recorde na entrada de dólares para investimentos financeiros no Brasil. Dados do Banco Central mostram que US$ 16,71 bilhões ingressaram no mês passado, maior valor da série iniciada em 1982.

Mesmo com as recentes medidas do governo federal para tentar conter a queda do dólar, o mercado acredita que a entrada de recursos deve continuar, já que o juro brasileiro é muito superior ao padrão internacional e o mercado acionário segue atrativo.

No mês em que a estatal Petrobrás realizou a maior oferta de ações da história, o Brasil recebeu volume recorde da moeda americana na chamada conta financeira, onde são registradas transferências de recursos para compra de ações e títulos de renda fixa, empréstimos, remessa de lucros e investimentos produtivos, entre outras transações.

Por essa via, foi batido o recorde anterior, de US$ 13,1 bilhões em outubro de 2009. Naquele mês, a filial brasileira do banco espanhol Santander atraiu muitos estrangeiros em um bem — sucedido lançamento de ações.

“A Petrobrás explica boa parte desse resultado forte, mas há outros fatores que não podem ser ignorados, como o mercado de renda fixa que continua bastante atrativo para o estrangeiro”, diz o economista da LCA Consultores, Homero Guizzo. Ele lembra que a renda fixa atrai muitos dólares, tanto que o governo dobrou a alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para essas operações no início da semana para tentar amenizar o efeito da entrada de dólares nas cotações do câmbio.

Na renda fixa, o interesse dos estrangeiros ocorre graças ao nível do juro brasileiro. Enquanto economias como Estados Unidos, Europa e Japão têm taxa efetiva — quando descontada a inflação — próxima de zero, o Brasil tem taxa real próxima de 6% — já que a Selic está em 10,75% e a inflação esperada para 2010 está em torno de 5%. (Fernando Nakagawa)