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Sábado, 25 de Maio de 2013
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Estrelas do esporte no mundo dos negócios

Categoria: comércio, Serviços, Trabalho

Glauber Gonçalves

Gramados, pistas e ringues dão lugar a escritórios e salas de reunião. Embalados pelo bom momento da economia e pela onda de popularidade em que o Brasil surfa, personalidades do esporte têm se lançado em negócios internacionais.
Com a imagem como principal ativo, figuras conhecidas do futebol, do automobilismo e das artes marciais unem-se a sócios para atuar em áreas inusitadas, longe da tríade restaurante-casa noturna-academia de ginástica.

Para quem estranha ver o ex-técnico Carlos Alberto Parreira por trás de uma consultoria de comércio exterior, ele logo justifica sua ligação com o negócio. “Minha rede de contatos e meu conhecimento no exterior vão ajudar”, diz o tetracampeão mundial de futebol, que já treinou equipes em países como Kuwait, Arábia Saudita, Turquia, Estados Unidos e África do Sul.

A nova empresa oferecerá um serviço de importação e exportação “porta a porta”. Através de parceria com 80 agentes em todo o mundo, a Next Global vai buscar no exterior produtos que atendam à demanda dos clientes brasileiros e cuidará de todos os trâmites burocráticos e de logística da importação. Da mesma forma, vai auxiliar empresas brasileiras que queiram exportar.

Parreira não menciona a conjuntura econômica mundial, que envolve uma forte expansão monetária na Europa e nos Estados Unidos e a consequente valorização do real, mas conhece bem o impulso que o intrincado cenário dá a seu negócio.

“Hoje, importa-se de tudo: palitos, alfinetes, algodão, barcos e helicópteros”, diz, ilustrando o fato de que, com a valorização da moeda nacional, ficou mais barato comprar no exterior.
Os primeiros contratos já foram fechados. Um deles envolve a importação de máquinas para o setor de construção, encomenda de um cliente do Rio. A companhia também pretende atender pessoas físicas que queiram comprar bens de alto valor lá fora, como carros de luxo, diz a sócia Michelle Fernandes.

Michelle resume a principal vantagem de ter Parreira no negócio: ele abre portas. “A carreira dele foi feita no exterior. Ele é uma pessoa querida em qualquer lugar”, diz.
Michelle não revela o valor do investimento nem previsão de faturamento, mas tem como meta conquistar 500 clientes em um ano e meio. Para Parreira, a dedicação a um novo ramo veio depois da aposentadoria.

Aposta na cachaça
Outros, como Nelsinho Piquet, preferem acumular tarefas. No ano passado, o piloto, que recentemente conquistou sua primeira vitória na norte-americana Nascar, lançou no mercado brasileiro a B!, uma cachaça de alambique com mel e limão.

Mirando o mercado internacional, o produto premium deve desembarcar nos Estados Unidos este ano.
“Percebi que poderia usar minha imagem nas corridas, principalmente nos EUA, para divulgar o produto”, disse, por telefone, da Carolina do Norte, onde mora. “A Nascar é um dos maiores esportes dos EUA e tem cobertura enorme pela televisão. Para mim, acaba saindo de graça divulgar a B!”, diz.

Entre uma corrida e outra, Nelsinho participa de reuniões nos Estados Unidos. Em algumas semanas, deve mostrar o produto em uma exposição em Las Vegas. A cena era inimaginável há alguns anos. O piloto não gosta de bebidas fortes, mas se rendeu à cachaça depois que conheceu uma versão adocicada da bebida em um final de ano que passou em Trancoso (BA).

O sabor agradou tanto que ele resolveu lançar um produto semelhante com amigos que o acompanhavam na virada. Ele não conta quanto o grupo investiu, mas dá pistas. “Óbvio que não tínhamos nenhum investimento financeiro por trás, como R$ 10 milhões, para dar um pulo alto no começo. Não investimos muito dinheiro”, diz.

Campeões de MMA (artes marciais mistas, em português), os irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotauro colocaram no mercado uma linha de suplementos alimentares, chamada X-Fight, com investimento de R$ 2 milhões. Além do Brasil, o produto é vendido no Japão, em países do Oriente Médio e nos Estados Unidos.

A dupla também possui uma rede de academias. No mês que vem, inauguram uma unidade em Orlando, que se juntará às que já possuem em Miami e San Diego, também nos Estados Unidos. A rede também está presente no Rio, com uma filial, e em Zurique, na Suíça, com três.

Mantega: ‘governo vai evitar valorização do real’

Categoria: Dólar, Empresas, Impostos

CÉLIA FROUFE
RENATA VERÍSSIMO

A queda da inflação permite que o governo seja mais proativo nos estímulos à economia, disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após participar da reunião da presidente Dilma Rousseff com 28 dos principais empresários do País. Ele fez a afirmação ao comentar a prévia do IPCA do mês, que ficou em 0,25%, abaixo do esperado pelos analistas do mercado financeiro, que calculavam até 0,42%.

O câmbio foi apontado pelos empresários como um desafio importante, pois há uma política de desvalorização cambial em vários países, o que coloca os produtos brasileiros em situação de inferioridade, segundo o ministro. “Temos prejuízos da importação e exportação. E essa questão é vista por empresários como uma questão crucial.”

Segundo ele, o real não pode se valorizar, caso contrário a mercadoria brasileira fica mais cara. “O governo tranquilizou os empresários. Vamos continuar a fazer políticas de intervenção no câmbio que não permitam que o real se valorize. Isso é um compromisso do governo”, garantiu.

Para Mantega, o Brasil é um dos países que mais fazem essa política sem atrapalhar os investimentos. “Temos uma política que tem dado resultados. Desde o segundo semestre do ano passado, o câmbio está em situação mais favorável. Posso afirmar que vai continuar assim.”

Os empresários se queixaram sobretudo dos custos elevados de produzir no País. O ministro admitiu que, apesar de o Brasil estar em pleno emprego, é preciso reduzir o custo da mão de obra. Por isso, a desoneração da folha de salários das empresas foi discutida.

Curso ensina empresário a ser importador

Categoria: educação, Empreendedorismo, Trabalho

GISELE TAMAMAR

O pequeno empresário que busca se destacar diante dos concorrentes ou quer começar um negócio pode encontrar o caminho para o crescimento na importação de insumos ou produtos para revenda. E para ajudar o empreendedor entender as fases do procedimento, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP) lançou o curso gratuito online Iniciando na Importação. Cerca de 700 pessoas já acompanharam as aulas desde o começo do ano.

A capacitação dura três horas e inclui exemplos, depoimentos e tarefas para facilitar o aprendizado. O empresário pode acompanhar as aulas de acordo com sua disponibilidade de tempo e tem até 15 dias para finalizar o curso. “É um tema com muita demanda no Sebrae e as questões que chegam à consultoria são sempre abordadas no curso”, diz Gilberto Campião, consultor do Sebrae.

Roberto Rodrigues Júnior está em fase de planejamento para começar importar produtos para pizzarias (Foto: ALEX SILVA/AE)

O especialista pontua a necessidade de fazer a gestão para o processo de importação funcionar do momento da compra até a entrega. “É importante conhecer a legislação e saber o que pedir aos parceiros, como o despachante aduaneiro e os transportadores”, conta ele.

O pequeno empresário não deve se esquecer do planejamento para diminuir os riscos da transação. Um erro durante o processo pode deixar a mercadoria parada no porto e gerar multas para a empresa. “A característica do empresário é ser ansioso. Mas fazer alguma coisa sem pensar, sem planejar, pode dar errado. E o erro resulta em despesas desnecessárias, o que pode ser fatal para o negócio”, ressalta Campião.

Planejamento
O empresário Roberto Rodrigues Júnior tem planejado iniciar a importação de produtos alimentícios para as pizzarias Quick Pizza, no Morumbi, e Glória e Maria, no Butantã, das quais é sócio. A ideia principal com a importação é manter a qualidade dos produtos. Isso porque ao depender dos importadores, Rodrigues Júnior fica refém dos produtos definidos pelas empresas.

“Uma hora eles (os importadores) podem trazer um determinado item, mas depois trazem de outra marca. Isso pode gerar diferença na qualidade”, diz o empresário. Entre os produtos vindos de fora estão aliche, alcachofra, queijos, azeitonas e vinhos. “Queremos manter a sequência do produto e desenvolver fornecedores em outros países, como Espanha e Itália”, diz Rodrigues Júnior.

O Sebrae-SP ainda oferece uma série de outros cursos online, como sucessão em empresas familiares, controle de gastos, negociação, preço de venda, inovação e planejamento estratégico. Até dezembro, a ideia é lançar mais duas opções: exportação de mercadorias e exportação de serviços.

Já quem procura cursos presenciais conta com uma opção do Senac. O curso ‘Importação: Rotinas e Procedimentos’ tem aulas nas unidades 24 de Maio, Santo Amaro e Santo André. A carga horária é de 24 horas e custa R$ 409. Segundo o professor José Robinson Paiuca, as aulas ajudam o empresário a entender como realizar esse tipo de operação.

“Os pequenos negócios estão engatinhando nesse mercado, mas é uma área importante. Se a empresa quer crescer, ela também vai precisar comprar”, afirma o professor. Entre os temas discutidos na capacitação estão: órgãos controladores, despesas alfandegárias, riscos e modalidades de pagamento.

Brasil pune produto chinês ‘made in Paraguai’

Categoria: Impostos, Indústria

Renata Veríssimo

O governo puniu ontem o primeiro caso de triangulação na importação de mercadorias. Os cobertores de fibras sintéticas importados do Uruguai e do Paraguai foram sobretaxados em US$ 5,22 o quilo. O governo concluiu que os produtos são provenientes da China e passam por uma transformação marginal nos dois países antes de entrarem no Brasil.

A manobra é para evitar o pagamento de uma taxa aplicada desde abril de 2010 contra os cobertores chineses para neutralizar a prática de dumping.

A importação de tecidos de felpas longas da China também foi sobretaxada em 96,6%. O tecido é usado no Brasil para a produção de cobertores. Segundo a investigação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), também há uma mera “montagem”.

“Há uma agregação de valor marginal no Brasil, apenas com a mão de obra para costura do barrado. Até a etiqueta vem da China”, explicou ao Estado a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres.

Em fevereiro de 2011, a empresa brasileira Jolitex, fabricante de cobertores, alegou que as importações de tecidos de felpa longa de fibra sintética, de origem chinesa, e importações de cobertores do Paraguai e do Uruguai, fabricados com esses tecidos, estariam frustrando os efeitos do direito antidumping aplicado contra cobertores chineses.

A decisão inédita de punir a triangulação foi tomada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). A circunvenção, como é tecnicamente classificada a triangulação, é considerada uma prática desleal de comércio. As empresas exportadoras se utilizam desse mecanismo para fugir da sobretaxa aplicada a um produto que entra no País com preço abaixo do cobrado no mercado de origem (dumping).

“Conseguimos fechar a porta para um desvio do direito antidumping implementado”, destaca a secretária. “Este é um novo mecanismo que traz resultados concretos para garantir a eficácia do direito antidumping e para combater práticas elisivas.”

Desde o início da investigação, a importação de cobertores estava sob licenciamento não automático para permitir o monitoramento dos fluxos de entrada no Brasil. Neste regime, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC tem até 60 dias para conceder a licença de importação.

O ministério constatou que as importações brasileiras de tecidos de felpa longa subiram de 2,188 mil toneladas em 2009 para 4,924 mil toneladas em 2010. Neste mesmo período, as importações brasileiras de cobertores de fibras sintéticas do Uruguai subiram 163% e do Paraguai, 217%. No ano de 2008, não houve registro de importação de cobertores destes dois países.

Calçados
O MDIC tem ainda em curso uma investigação para apurar a denúncia de triangulação nas importações de calçados sociais e esportivos da Indonésia e Vietnã. A suspeita é que estes mercados estejam sendo usados por exportadores chineses para evitar o pagamento da sobretaxa aplicada desde março de 2010, de US$ 13,85 por par, para combater o dumping.

A suspeita é que os fabricantes chineses passaram a montar o produto na Indonésia e no Vietnã, o que tornou estes países grandes exportadores para o Brasil. Também houve um aumento das exportações da China de componentes (solados e cabedais) de calçados para o Brasil, para que os produtos sejam montados em território brasileiro.

No Brasil, entrada de dólares cresce e mercado prevê medidas

Categoria: Agenda, Análise, Dólar

Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa

O fluxo de dólares para o País, que ganhou força na semana passada, alimentou a expectativa no mercado financeiro de que o governo voltará a adotar novas medidas cambiais contra a valorização do real. Até o dia 20, a entrada de moeda americana superou a saída em US$ 6,65 bilhões.

Como a tendência é de continuidade desse movimento nas próximas semanas, analistas esperam para breve que o BC volte a intervir no mercado cambial, comprando dólares e evitando, assim, variações bruscas da cotação da moeda ante o real.

O ingresso de dólares pelo chamado segmento financeiro deu um salto de US$ 5,12 bilhões, na semana passada, passando de um saldo negativo de US$ 41 milhões para uma entrada líquida positiva de US$ 5,03 bilhões. É por esse segmento que entram no País as divisas para aplicações de estrangeiros em ações, títulos de renda fixa e Investimentos Estrangeiros Direto (IED), destinadas ao setor produtivo. Já o fluxo comercial, que registra a entrada de dólares para operações de importação e exportação, fechou positivo em US$ 1,57 bilhão no período.

Os dados sobre o fluxo de dólares revelaram com mais precisão as razões da preocupação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, manifestada desde a semana passada, com os rumos da taxa de câmbio. Diante da retomada dessa entrada mais forte de dinheiro, que derrubou a cotação da moeda, o ministro voltou a falar em novas medidas cambiais.

Especulação
Segundo fonte ouvida pelo Estado, a Fazenda vê nesse quadro a possibilidade de mais uma vez estar ocorrendo um movimento especulativo, principalmente de arbitragem com o euro. Nessas operações, os investidores tomam empréstimos no exterior com juros baixos e aplicam no Brasil, onde recebem mais de 10% ao ano.

Os dados divulgados ontem pelo BC também revelam mudança significativa da estratégia dos bancos para o câmbio. As instituições que antes registravam débito de US$ 1,58 bilhão passaram a ter sobra de US$ 4,84 bilhões em caixa da moeda americana. Essa sobra é a maior desde novembro de 2009.

Apesar da entrada forte de dólares nos últimos dias, o BC tem se mantido discreto e, por enquanto, não atuou. Como o Banco Central não agiu, a sobra de moeda acabou sendo adquirida pelos bancos, o que justificou a mudança na posição dessas instituições.