Empresas têm prejuízo com sites de compra
- 29 de março de 2011 |
- 18h58 |
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Categoria: Empreendedorismo, Internet

Diretor do Big X Picanha, Helio Poli aprovou a oferta, apesar dos transtornos (Foto: Evelson de Freitas/AE-14/3/2011)
Naiana Oscar
Dona de uma pousada na cidade de Pirenópolis (GO), Marta Carvalho foi apresentada no fim de 2010 às maravilhas que um site de compra coletiva poderia proporcionar ao seu negócio. Teria a chance de vender centenas de diárias com desconto pela internet, atrair clientes, ocupar os quartos durante a semana e tornar a pousada conhecida sem investir um tostão em marketing. Fechou negócio na hora — antes de calcular os transtornos que poderia ter dali para frente.
Em uma semana, a promoção estava no ar: duas diárias com café da manhã pelo valor de uma. O desconto começou a ser divulgado à meia-noite de uma segunda-feira. Marta estava dormindo e só soube pela manhã, ao ser acordada por uma funcionária desesperada, que 600 pessoas haviam adquirido o cupom promocional no site de compra coletiva. A pousada tem apenas 12 apartamentos. “Entrei em pânico”, lembra. “As pessoas começaram a ligar ao mesmo tempo e ficaram revoltadas quando viram que não podíamos atender.”
Marta quase quebrou: teve de pedir o cancelamento da promoção e se certificar de que o site devolveria o dinheiro para todos os clientes. Foi obrigada a prestar contas ao Ministério Público e, após três meses, ainda convive com a implacável memória do Google — uma simples busca escancara a experiência desastrosa da empresária. “É um exemplo emblemático de que anunciar em sites de compra coletiva nem sempre é bom negócio”, diz o consultor de empresas Adir Ribeiro. “Ao contrário, pode ser um verdadeiro tiro no pé.”
O conceito de compra coletiva surgiu nos Estados Unidos, em 2008, e desembarcou no Brasil no início do ano passado. Os sites oferecem descontos em produtos e serviços que só serão válidos depois de atingirem um número mínimo de interessados. O modelo de negócio virou febre: já existem mais de mil sites como esses no Brasil.
Cautela
Não há dúvida entre consultores de marketing de que a compra coletiva pode realmente ser uma ferramenta de publicidade interessante para micro e pequenos empresários, que dificilmente reservariam parte do faturamento para investir em marca. “Eles pagam a publicidade com produtos e serviços”, diz o consultor do Sebrae SP, João Abdalla Neto. “Mas é preciso ter cautela.”
E fazer contas para responder perguntas básicas: quantos clientes a mais o estabelecimento é capaz de receber? Há funcionários suficientes para atender à demanda extra? Há linhas de telefone para agendar as reservas? Qual será o investimento?
Sim, porque, na prática, o empresário faz um investimento. A maioria dos sites de compra coletiva fica com mais de 50% do valor da oferta, que já está abaixo do preço normal. As empresas se sujeitam a receber um valor inferior ao de custo para ganhar publicidade no mailing dos sites de compra coletiva e ganhar novos consumidores.
Sem planejamento e eficiência, no entanto, o empresário pode ser surpreendido pelo efeito contrário, perdendo fregueses de longa data. Foi o que aconteceu com o Big X Picanha, responsável pela maior promoção já realizada no Brasil por um site de compra coletiva.
A rede de fast-food vendeu 30 mil cupons em menos de um dia: um sanduíche, com petit gateau, de R$ 26,90 por R$ 7,90. “Fizemos reuniões de emergência com gerentes, contratamos temporários, mas não foi suficiente”, disse o diretor de marketing da rede, Hélio José Poli.
Em algumas unidades, o tempo de espera para sentar chegou a duas horas. Em outras, faltou ingrediente para o preparo da sobremesa. A empresa teve de planejar uma ação para reconquistar clientes insatisfeitos. Apesar dos transtornos, Poli diz que o resultado final foi positivo. A rede já está pensando numa nova oferta, com uma estratégia diferente da primeira. Essa terá pré-reservas para dias de menor movimento e será feita só com produtos que sejam especialidade da casa (o petit gateau não era).
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Facebook enfrenta as telas de cinema
- 2 de outubro de 2010 |
- 20h26 |
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Seria possível que o indivíduo que criou o Facebook, que conectou tantas pessoas a ponto de ser difícil de acreditar (500 milhões e não para aí) alguém incapaz uma ligação pessoal mais próxima? É possível que o bilionário mais jovem do mundo, um garoto de 26 anos cuja criação permitiu às pessoas se unirem em 207 países, usando 70 línguas, seja o jovem mais solitário do planeta?
Se isso soa para você como uma lorota, você não conhece metade da história. Escrito por Aaron Sorkin, dirigido por David Fincher e ancorada pelo desempenho perfeitamente ajustado de Jesse Eisenberg, o filme A Rede Social, que chegou ontem aos cinemas norte-americanos, conta uma história excelente.
Mas, embora hoje nada esteja mais em moda do que o fenômeno Facebook, A Rede Social é um filme bem sucedido porque sua história é o ingrediente de filmes dramáticos arquetípicos. Ele une a tradição de épicos como A Vida do Dr. Ehrlich, Madame Curie e Edison, o Mago da Luz, com a história familiar do poder corrupto da ambição e do sucesso, que permite que o público sinta que as vidas quotidianas dessas pessoas têm mais significado do que aquelas dos ricos e famosos.
Em alguns aspectos, A Rede Social foge desses filmes biográficos citados e um deles é que, na interpretação de Jesse Eisenberg, o protagonista Mark Zuckerberg é retratado como um jovem estudante de Harvard, de 19 anos, extremamente antipático, não heroico, socialmente desajeitado e temivelmente inteligente.
Jesse está excelente no papel de uma pessoa cujo sucesso é alimentado por ressentimentos de todas as formas e tamanhos. O seu Mark Zuckerberg é tão consumido pelo ímpeto de conquistar cada vez mais status que ninguém é páreo para ele na combinação de um objetivo implacável e na frieza desinteressada que ele consegue expressar.
Embora o filme seja baseado no livro Bilionários por Acaso, de Ben Mezrich, o roteirista Aaron Sorkin realizou sua própria pesquisa da história e o tratamento que deu a ela não foi nada redundante. Mesmo que tenha se falado que A Rede Social teria alguns elementos de Rashomon (em que a história é mostrada a partir de vários pontos de vista), essa é uma pista falsa. Os personagens do filme naturalmente têm pontos de vista diferentes e os detalhes podem ser contestados, mas o impulso básico da história jamais balança, independente dos fatos narrados.

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, não colaborou com a produção do filme, chamando-o de ficção em entrevista no programa da apresentadora norte-americana a Oprah Winfrey (Foto: Marcio Jose Sanchez/AP Photo)
Rejeição
A Rede Social começa propondo que foi um ressentimento social muito específico que impeliu Zuckerberg na sua trajetória para os bilhões. O filme tem início num bar de universitários perto do campus de Harvard no outono de 2003, com Zuckerberg sendo passado para trás pela namorada.
Sair com ele, ela diz asperamente, é “como ter um encontro com um aparelho de musculação”. Furioso por ser rejeitado dessa maneira, ele entra pisoteando em seu dormitório e, com a ajuda do colega de quarto e seu melhor amigo, o brasileiro Eduardo Saverin (interpretado por Andrew Garfield), ele se vinga invadindo sistemas da universidade e criando o Facemasch, um site que permite aos estudantes votarem quais as garotas “mais quentes” de Harvard. Em duas horas ele consegue 22 mil respostas e derruba o sistema da universidade. (Kenneth Turan, do Los Angeles Times. Tradução de Terezinha Martino)
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