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Domingo, 28 de Dezembro de 2014
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Inflação bate aplicação atrelada à Selic

Categoria: Investimentos

YOLANDA FORDELONE

 A rentabilidade das aplicações atreladas ao juro básico (Selic) – fundos DI e poupança – tem ficado abaixo da inflação na maioria das carteiras disponíveis no mercado.

Dados do boletim mensal da Anbima mostram que, no ano, até agosto, 344 fundos DI – ou 76,8% do total da categoria – perdem para o IGP-M, o índice que regula os contratos de aluguel e reajusta escolas e tarifas do setor público. Na prática, esse resultado mostra que um dos investimento mais usados para proteção da renda não tem garantido sequer o poder de compra dos investidores.

Para se ter uma ideia, a alta da inflação pelo IGP-M é quase o dobro do retorno de um dos maiores fundos DI disponíveis ao pequeno investidor, ligado a um grande banco privado e que cobra uma taxa de administração de 3,9% ao ano.

Enquanto a alta do IGP-M acumulada no ano, até agosto, é de 6,07%, a rentabilidade desse fundo ficou em 3,19% no mesmo período. Segundo especialistas, para garantir um rendimento razoável em um fundo com esse perfil, o limite máximo da taxa de administração precisa ficar em 1%.

Na poupança, onde a regra de remuneração mudou no primeiro semestre para torná-la atrelada à Selic, a situação não é muito diferente. Até agosto, o ganho é de 3,72%, abaixo da inflação, o que também não garante o poder de compra do investidor.

“A rentabilidade das cadernetas antigas neste ano já está dada, uma vez que a Taxa Referencial (TR) ficará zerada, e deve ficar em 6,48%”, comenta o economista e matemático José Dutra Vieira Sobrinho, ao falar que o IGP-M vai ultrapassar, e muito, essa projeção de rendimento.

Para o fim do ano, o mercado espera que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumule inflação de 5,36%. “Haveria um ganho real pequeno. Mas, no caso dos fundos, outros pontos têm de ser considerados, como imposto de renda e taxa de administração”, diz.

“Em geral, com a queda do juros promovida pelo Banco Central, a rentabilidade de todos os ativos atrelados à Selic foi arrastada para baixo”, diz o professor do MBA em finanças da BBS Business School, Plínio Chapchap.

Segundo ele, houve uma mudança da política econômica do País. “O Banco Central se tornou menos rigoroso na inflação. Busca juros menores, mesmo que tenha que aceitar uma inflação um pouco maior”, afirma.

Taxas altas

Apesar de o mercado em geral ter reduzido as taxas de administração, em alguns produtos conservadores, como os DI, as tarifas ainda continuam altas. “Se o gestor cobrar uma taxa superior a 1%, a poupança já ganha desses fundos”, calcula Dutra Sobrinho. O IPCA, até agosto acumula alta de 3,18%, o que ainda torna a inflação maior do que 16 fundos, basicamente por conta da taxa de administração.

“O investidor tem de fugir dos fundos mais onerosos. Uma alternativa é ir para carteiras atreladas à inflação”, afirma Chapchap. O melhor posicionamento, segundo ele, seria ter migrado para este tipo de fundo no começo do ano, quando a inflação estava ainda mais baixa, mas o ingresso agora permitirá que o investidor salve pelo menos o poder aquisitivo.
“A perda do poder de compra não é brusca, é pouco a pouco. Mas no ano que vem, caso o investidor permaneça em fundos com baixa rentabilidade, o patrimônio com certeza comprará menos bens do que compraria hoje em dia”, compara.

Desempenho da Bolsa é o melhor desde fevereiro

Categoria: Agenda, Análise, Investimentos

Luiz Guilherme Gerbelli

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) teve em setembro valorização de 3,71%, a maior registrada desde de fevereiro. Essa também foi a terceira alta seguida da aplicação. Em julho, a Bolsa teve variação positiva de 3,21% e em agosto de 1,72%.

No ranking de investimentos de setembro, a melhor aplicação foi o ouro (4,46%) – refúgio tradicional dos aplicadores em período de crise financeira internacional.
“A Bolsa estava indo muito bem até meados de setembro, mas os receios com relação ao crescimento da China e com o restante do mundo acabaram prejudicando o desempenho da aplicação no fim do mês”, afirmou o Michael Viriato, professor de finanças do Insper. Ontem, por exemplo, o Ibovespa recuou 1,77%.

A alta inicial da Bolsa em setembro foi impulsionada, sobretudo, por causa do anúncio do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) de aumentar o estímulo da economia – em 13 de setembro, a entidade anunciou a compra US$ 40 bilhões em títulos da dívida imobiliária por mês e decidiu seguir com essa política até que o mercado de trabalho americano se recupere.

Já as aplicações de renda fixa foram corroídas pelo IGP-M, cuja alta foi de 0,97% em setembro. O piso histórico da taxa básica de juros – em 7,5% ao ano – também prejudica o desempenho das aplicações mais conservadores, inclusive da nova poupança, que agora tem o rendimento atrelado a 70% da Selic.

“Nas aplicações com juros, não tem muito o que fazer. O investidor precisa olhar as taxas de administração, procurar alongar o prazo para pagar menos Imposto de Renda. Mas mesmo com tudo isso, os rendimentos ficam próximos de zero quando comparados com a inflação”, disse Fabio Colombo, administrador de investimento.

O dólar comercial (-0,05%) foi a pior aplicação em setembro. Apesar do desempenho negativo no mês, a moeda americana ainda é a segunda melhor aplicação do ano (8,56%) – no acumulado de 2012, a liderança disparada é do ouro (22%).

“O dólar não tem muito mais espaço este ano. A valorização que houve até agora foi decorrente do início do ano”, afirmou Keyler Carvalho Rocha, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Futuro?
Na avaliação de Viriato, professor de finanças do Insper, a Bolsa deve continuar como um dos melhores investimentos até o fim deste ano.

De acordo ele, as expectativas em relação ao cenário internacional já estão precificadas na Bolsa de Valores. “Se não existir nenhuma descontinuidade muito grande, a Bolsa já está bem descontada. Não tem porque ela ir pior”, afirmou Viriato.
No ano, a valorização da Bolsa é de 4,27%.

IGP-M fica em 0,59% na 1ª prévia de setembro

Categoria: Agenda, Análise, Indicadores

Fernanda Nunes

A primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de setembro subiu 0,59% após apresentar aumento mais intenso, de 1,21%, em igual prévia do mesmo índice no mês passado. A informação foi divulgada nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A taxa ficou levemente acima do piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam uma elevação entre 0,54% e 1,23%, com mediana das expectativas em 0,84%.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a primeira prévia do IGP-M de setembro. O Índice de Preços no Atacado – Mercado (IPA-M) teve alta de 0,75% na primeira prévia do índice este mês, em comparação com a alta de 1,73% na primeira prévia de agosto. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor – Mercado (IPC-M) apresentou alta de 0,29% na prévia anunciada hoje, após subir 0,08% na primeira prévia de agosto. Já o Índice Nacional da Construção Civil – Mercado (INCC-M) teve elevação de 0,16% na primeira prévia deste mês, após registrar aumento de 0,39% na primeira prévia de agosto.

O IGP-M é muito usado para reajuste no preço do aluguel. Até a primeira prévia de setembro, o índice acumula aumentos de 6,69% no ano e de 7,66% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo da primeira prévia do IGP-M de setembro foi do dia 21 a 31 de agosto.

Armadilhas ocultas para quem compra imóvel

Categoria: Agenda, Análise, Casa própria, Imóveis

JOSÉ GABRIEL NAVARRO

As armadilhas ocultas na compra de um imóvel podem implodir o orçamento familiar. A compra de uma casa ou apartamento inclui valores além do anunciado pelos agentes de venda, sendo que alguns podem ser ilegais ou abusivos. Os custos extras foram detalhados pela Tapai Advogados, dedicada a questões imobiliárias, a pedido do JT. A palavra-chave na aquisição de um bem caro como esse é planejamento.

“A melhor dica no momento de comprar um imóvel é fazer um planejamento detalhado, não ter pressa e colher todas as informações necessárias”, recomenda o sócio do escritório de advocacia Marcelo Tapai.
Segundo o advogado, um imóvel novo de R$ 300 mil pode acarretar gastos paralelos de mais de R$ 20 mil, por exemplo. Uma das despesas vem do reajuste das parcelas a serem pagas, feito a partir do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) durante a construção e, após a conclusão da obra, a partir do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M).

O primeiro, atualmente, está acumulado em 7,5% nos últimos doze meses. O segundo, em 7,72%. Ambos estão acima da inflação, já que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 5,24% no acumulado de 12 meses.
Há outros custos a que se deve ficar atento. Para imóveis cuja promessa de compra e venda foi feita por escritura pública, é preciso desembolsar R$ 2.497,31 ao assinar o contrato de aquisição.

Os bancos que financiam imóveis também cobram por processos como abertura de crédito, análise de documento, avaliação de imóvel, o que pode chegar a 1% do valor da casa. Paga-se ainda despesas de registro e de averbação de matrícula que, para o empreendimento de R$ 300 mil citado no exemplo, é de cerca de R$ 1.600, mais Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) de 2 % sobre o valor total (R$ 6 mil).

Fora tudo isso, é preciso saber quais itens estão inclusos na compra, como pisos de quartos e sala, luminárias, duchas, aquecedores e outros acabamentos. “Isso deve ser checado no memorial descritivo. É lá que se vê o que vai ser entregue pela incorporadora e o que não vai ser”, avisa o advogado do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP) Rodrigo Bicalho. As despesas vêm em uma série de necessidades, nem todas obrigatórias.

Ilegal
Existem gastos apresentados ilegalmente como obrigatórios. Para obter financiamento bancário, muitas incorporadoras indicam empresas de assessoria para providenciar a documentação necessária. “Esses serviços podem custar até R$ 1 mil”, diz Tapai. Mas a contratação dessas empresas é opcional. “E o cliente pode contratar a consultoria que quiser”, lembra Bicalho, do Secovi-SP. “É melhor se for a assessoria recomendada por questão de conveniência, mas o preço pode ser negociado diretamente com ela, sem passar pela incorporadora”, comenta o advogado.

Apresentar a taxa por “serviço de assessoria técnico imobiliária” como obrigatória, porém, é proibido, vai contra o Código de Defesa do Consumidor e deve ser denunciado no Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP).
Após comprar um apartamento com o marido quatro anos atrás, a servidora pública Juliana Monteiro Vieira, de 31 anos, conseguiu em primeira instância que uma incorporadora seja condenada a lhe devolver cerca de R$ 3,5 mil. “Se não tivéssemos uma reserva de dinheiro, que na época juntamos para uma reforma, não conseguiríamos ter pago tudo isso.”

Inflação supera maioria das aplicações em agosto

Categoria: Agenda, Análise, Investimentos

Luiz Guilherme Gerbelli

A inflação corroeu o rendimento da maioria dos investimentos em agosto. No mês passado, o IGP-M de 1,43% só foi superado pelo ouro (alta de 4,67%) e Ibovespa (1,72%). Na lanterna do ranking, ficou o dólar comercial, com desvalorização de 0,83%. “Em épocas de crise, o ouro vira um refúgio para os investidores”, afirma Fábio Colombo, administrador de investimentos.

Entre janeiro e agosto, a inflação medida pelo IGP-M ficou em 6,07% e só foi superada pelo ouro (16,79%) e o dólar comercial (8,61%). A pior aplicação do ano é o Ibovespa, com uma valorização de apenas 0,54%.
O Ibovespa poderia ter tido um melhor desempenho em agosto, mas somente nesta semana a desvalorização foi de 2,34%.

“Se não fosse esse fim de mês, com uma piora da aversão ao risco internacional, a bolsa poderia ter liderado. Também houve uma preocupação muito forte com o crescimento chinês, o que afeta as ações da Vale”, diz Michael Viriato, professor de Finanças do Insper.

A Vale tem forte peso no índice da Bovespa e é grande exportadora de minério de ferro para a China. Em agosto, as ações da Vale PNA recuaram 9,20%, e a Vale ON caiu 9,61%.
Na avaliação de Michael Viriato, a bolsa deve se firmar como uma boa alternativa até o fim do ano. O Ibovespa chegou a liderar o ranking de investimento em julho, com alta de 3,21% .

O administrador de investimentos Fábio Colombo lembra, por exemplo, que essa instabilidade do Ibovespa deixou alguns papéis com um preço bastante interessante para os investidores. “Quem investir e tiver paciência vai ter boas chances de ganho no futuro. Eu sempre recomendo comprar gradativamente ao longo das baixas e vender gradativamente ao longo das altas”, afirma Colombo.

Ele também acredita que a melhora nos mercados será gradual. “Não vamos ter nenhuma bala mágica”, diz.
Acelerado. A alta do IGP-M tem acelerado nos últimos meses e prejudicado as aplicações mais conservadoras. A atratividade da renda fixa também fica cada vez menor com a queda da taxa de juros básicos. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) fez o nono corte seguido da Selic, agora em 7,50% ao ano.

“Vai ficar cada dia mais evidente que as pessoas vão ter de diversificar mais o investimento. E a diversificação vai ocorrer na renda fixa com quatro alternativas de investimento, por exemplo, ou na renda variável, com um pacote de ações”, diz Mauro Calil, educador financeiro.

Perfil
A rentabilidade das aplicações, segundo Mauro Calil, tem acompanhado o momento de transição econômica pelo qual passa o Brasil, sobretudo com as seguidas reduções da taxa básica de juros. “Até o fim do ano passado, você sempre ficava com uma alternativa clara: ou era renda variável que ganhava em tudo ou era renda fixa que se destacava. Agora, neste ano, esse meio de campo esta embolado.”

Para o futuro, Calil diz que será necessário realizar um planejamento financeiro customizado para ter boa rentabilidade. Dentro disso, ele diz que o investidor deve responder três questões básicas: quanto tem para investir, qual o prazo e qual o objetivo da aplicação.