Netflix ameaça estúdios e TV a cabo
- 27 de novembro de 2010 |
- 16h50 |
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Categoria: Consumo, Internet, Serviços, Tecnologia
Tim Arango*
David Carr*
Numa questão de meses, a locadora de filmes Netflix passou da cliente de primeira classe de mais rápido crescimento dos Correios americanos à maior fonte de tráfego de streaming na internet na América do Norte durante os horários nobres noturnos. A tecnologia de streaming permite receber o vídeo pela rede mundial de computadores no mesmo momento em que é assistido, como no YouTube.
Essa transformação — de negócio de entrega pelo correio a empresa de tecnologia — revoluciona a maneira como milhões de pessoas assistem à televisão, mas também dá uma grande dor de cabeça aos canais de TV e estúdios de cinema, que veem a Netflix cada vez mais como uma ameaça competitiva, apesar de venderem seu conteúdo a ela.
O dilema de Hollywood fica evidente num anúncio da Netflix esta semana de um novo serviço de assinatura: US$ 7,99 por mês para downloads ilimitados de filmes e programas de televisão, ante US$ 19,99 por mês para um plano que permite ao assinante retirar três discos de cada vez, enviados pelo correio, além de downloads ilimitados.
Para estúdios que vendiam DVDs novos por US$ 30, isso representa uma enorme queda nos lucros. Pela primeira vez, a Netflix gastará mais nos feriados para enviar filmes por streaming que despachando DVDs em seus familiares envelopes vermelhos (embora ainda esteja gastando mais de US$ 500 milhões em postagem este ano).
E essa mudança coincide com um desenvolvimento infeliz para as companhias de cabo, que por muito tempo controlaram o entretenimento doméstico: pela primeira vez em sua história, as assinaturas de televisão a cabo americanas caíram nos dois últimos trimestres – uma tendência que alguns atribuem à ascensão da Netflix, que permite que os consumidores contornem a TV a cabo para receber filmes e programas via streaming.
A Netflix tem agora o preço de suas ações para mostrar seu sucesso. Os papéis quase quadruplicaram de valor em relação a seu ponto mais baixo em 52 semanas, em janeiro. Com valor de mercado de quase US$ 10 bilhões, a Netflix vale mais que alguns estúdios de Hollywood que licenciam filmes para ela. (* do New York Times, com tradução de Celso M. Paciornik)

Clientes da Netflix nos Estados Unidos: empresa cresce na bolsa tem hoje valor de mercado de US$ 10 bilhões (Foto: Ed Zurga/New York Times)
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