Estadão.com.br
Sábado, 25 de Maio de 2013
Seu Bolso
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Apple paga dividendo pela 1ª vez em 17 anos

Categoria: Empresas, Investimentos, Tecnologia

A Apple anunciou ontem que vai pagar dividendo aos acionistas e recomprar até US$ 10 bilhões em ações. A companhia havia dito no domingo que faria uma conferência para divulgar os planos para seu caixa, do qual os acionistas cada vez mais têm demandado uma parte.

A decisão de pagar dividendo é uma mudança significativa para a empresa. O último pagamento havia sido em 1995, um ano antes da volta de Steve Jobs. O cofundador da Apple, que morreu no ano passado, era a favor de acumular caixa para “construir o futuro†da companhia.

Tim Cook, da Apple, disse que, mesmo com pagamento de dividendo, empresa continuará com recursos suficientes (Foto: ROBERT GALBRAITH/REUTERS – 7/3/2012)

Após o anúncio, a ação da Apple fechou, pela primeira vez na história, acima dos US$ 600. O papel apresentou alta de 2,7%, fechando a US$ 601,10. Na quinta-feira, a ação chegou a alcançar US$ 600,01 por alguns momentos, mas caiu para US$ 585,56 no fechamento.

O pagamento de dividendo custará à companhia US$ 9,88 bilhões por ano e terá um yield (retorno ao investidor) de 1,81%, abaixo do atual yield da Microsoft, de 2,45%, e da Intel, de 3,03%. As companhias de tecnologia estão entre as que têm mais fluxo de caixa no mundo corporativo, já que não gastam tanta verba em instalações, imóveis, equipamentos e estoques, como fazem fabricantes e varejistas.

Além disso, o conselho da Apple autorizou a recompra de ações, no valor de até US$ 10 bilhões, a partir de 30 de setembro, início do ano fiscal de 2013.

Bolsos cheios
Em 31 de dezembro, a Apple tinha cerca de US$ 97,6 bilhões em caixa, sendo um terço desse valor nos Estados Unidos. Com as medidas anunciadas ontem, a empresa mais valiosa do mundo usará cerca de US$ 45 bilhões num período de três anos.

“Mesmo com esses investimentos, podemos manter um fundo para oportunidades estratégicas e assegurar bastante dinheiro para tocar nosso negócioâ€, disse o presidente da Apple, Tim Cook, em comunicado. O diretor financeiro da companhia, Peter Oppenheimer, afirmou que a Apple vai revisar o pagamento de dividendo periodicamente, mas não forneceu um cronograma específico.

Na reunião anual de acionistas da Apple, em fevereiro, Cook disse que a companhia estava pensando sobre seu caixa e buscando estratégias para gerenciá-lo. “É bastante (dinheiro)â€, afirmou o presidente à época. “É mais do que precisamos para tocar a empresa.â€

Atualmente, a Apple vale cerca de US$ 560 bilhões, sendo a companhia mais valiosa do mundo. A empresa ultrapassou a marca de US$ 500 bilhões no fim de fevereiro.

A empresa tem tido sucesso em tablets e smartphones, também chamados de produtos “pós-PCâ€. Nos Estados Unidos e em outros países emergentes, o crescimento desses produtos tem prejudicado o mercado de PCs, com impacto em fabricantes como a HP e a Dell.

No trimestre passado, que incluiu as festas de fim de ano, a Apple vendeu 15,4 milhões de iPads, mais que o dobro dos 7,3 milhões vendidos no mesmo período do ano anterior. A empresa também vendeu mais de 37 milhões de iPhones.

Calote de empresas é o pior em dois anos

Categoria: Agenda, Análise, Crédito, Empresas, Inflação, Juros, Salário mínimo

A inadimplência das empresas cresceu 19% no ano passado, aponta um relatório divulgado ontem pela Serasa Experian. Trata-se do maior índice de calote no mercado em dois anos, mesmo assim, a alta foi inferior à observada em 2009 (25,1%). Naquele ano, os negócios no Brasil sofreram diretamente os impactos da crise mundial após a quebra de diversos bancos nos Estados Unidos.

Segundo os economistas da Serasa Experian, em 2011 as empresas passaram por vários fatores que afetaram seu fluxo de caixa e, dessa forma, o desempenho desses empreendimentos ficou prejudicado. Entre eles, está o aumento da inflação, que pressionou os custos do empresário, os juros elevados – eles começaram a cair apenas no finalzinho do ano – e queda da atividade econômica de maneira geral.

Economistas acreditam que a inadimplência e o endividamento tendem a diminuir neste ano. Mas esse cenário pode mudar para pior caso os problemas econômicos enfrentados pela Europa se intensifiquem com a quebra de instituições financeiras, como ocorreu em 2008.

Vale lembrar que a perspectiva de redução da inadimplência, ocorre, sobretudo, por causa da alta de 14% no salário mínimo – saltou de R$ 545 para R$ 622 – associada aos baixos índices de desemprego e a perspectiva de queda da inflação ao fim de 2012. Espera-se que o dinheiro extra ajude o consumidor a quitar suas dívidas.

“Ao contrário do ano passado, o salário mínimo teve aumento real, o que melhora o poder de compra do consumidorâ€, explica o economista da consultoria LCA, Wermeson França. Segundo os especialistas em finanças, a inadimplência deve permanecer estável no primeiro trimestre de 2012 e entrar em trajetória de queda a partir do segundo.

Mesmo assim, o empresário deve redobrar os cuidados com o caixa da empresa. Isso porque o acesso ao crédito tende a ficar mais difícil caso persista a crise na Europa. “Podemos ter a repetição de 2008, quando grandes empresas que se financiavam no exterior buscaram dinheiro no mercado doméstico e, para financiá-las, os bancos reduziram o crédito para pequenas e microempresasâ€, lembra Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.

Émpréstimo
Roberto Miranda sabe bem como a falta de dinheiro pode impactar negativamente um negócio.
Empreendedor desde os 17 anos, ele abriu em 2001 uma escola de educação corporativa. Tudo ia muito bem e Miranda até tomou empréstimo para financiar a expansão da empresa. Com a crise de 2008, entretanto, ele acabou por se endividar demais.

Sem reservas em caixa, o empresário viu sua dívida crescer e a empresa encolher. A solução foi trocar o espaço de mil metros quadrados, onde ficava a escola, por um modesto escritório de 33 m².

Para aumentar o caixa, o empresário decidiu criar novos cursos e também passou a usar salas alugadas para a realização das aulas. “Transformei despesas fixas em variáveisâ€, explica o empresário.
Em um ano, Miranda conseguiu quitar todas as dívidas e hoje a escola voltou a ter sede própria, retomando assim o caminho do crescimento. “Agora prefiro negociar diretamente com os meus fornecedoresâ€, afirma o empreendedor paulistano.

Microempresa deve começar já a planejar 2012

Categoria: Crédito, Empreendedorismo, Empresas, Investimentos

LUCIELE VELLUTO

O final do ano está chegando e é hora do micro e pequeno empreendedor olhar para o futuro. O que quer para a sua empresa em 2012? Aonde quer chegar? Quer investir? Quer readequar as finanças, contratar mais funcionários, abrir uma filial? Tudo isso pode ser pensado desde já por meio do planejamento financeiro da empresa para o próximo ano.

O planejamento financeiro, que é utilizado como guia de investimentos e metas para as grandes companhias, também pode ser adaptado em menores proporções para empresas de pequeno porte. Uma loja de roupa que quer vender uma nova marca, um pequeno comerciante que precisa trocar o carro da empresa, um ateliê com necessidade de atrair mais clientes e comprar mais equipamentos, por exemplo. Tudo isso pode estar nesse plano que será montado para nortear o empreendimento, de acordo com os especialistas.

“O planejamento nunca acaba, tem de ser de forma contínua. É imprescindível para quem está começando e necessário para quem está com o negócio em operaçãoâ€, afirma Luis Lobrigatti, consultor do Serviço de Apoio à Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP).

Fazer um plano para as finanças ajuda o empreendedor não só a conhecer melhor o caixa, custos e gastos do negócio como também a sanar falhas.

“O planejamento pode resolver até 70% dos problemas de uma empresa, que na maior parte das vezes estão ligados à falta de capacidade de gestão de quem comando o negócio e que não estavam sendo visualizadosâ€, diz Dariane Castanheira, professora de planejamento financeiro do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (Proced), da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Quando Leonardo Silva Leandro, de 34 anos, resolveu investir na empresa de terceirização de serviços Expansão, há cinco anos, a companhia estava em decadência.

“Estava confuso, demorei pelo menos três meses para entender os custos, os ganhos e aonde o dinheiro ia pararâ€, conta o sócio-diretor. “O que conseguimos perceber no planejamento financeiro é que estávamos pagando por pessoas que estavam ociosas, o que reduzia muito o lucro da empresa. Remanejamos essa mão de obra para atender os clientes, conseguimos economizar em logística e material de limpeza e salvamos o negócioâ€, conta.

Para Leandro, a parte mais difícil foi entender o fluxo de caixa e adaptá-lo acordo com os gastos que surgiam no mês. “Com a distribuição das entradas e saídas, nunca mais entramos no cheque especial ou precisamos de empréstimo. Agora, consigo ter sobras e até dinheiro para marketing. Montamos nosso site e tenho tempo de visitar os clientes.â€

Equilíbrio
O professor de economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), José Eduardo Amato Balian, afirma que no planejamento financeiro não deve entrar apenas o quanto se paga e se recebe, mas também a parte de provisão para manter o caixa da empresa equilibrado em períodos de queda nas vendas. “Tem de pensar nos gastos extras, como 13º dos funcionários e férias, ou em períodos como janeiro, em que as vendas são menores. Apagar o incêndio pode sair muito mais caroâ€, diz.

Além de construir o plano financeiro com conhecimento profundo do caixa, patrimônio e vendas da empresa no final de ano pensando no período seguinte, o empreendedor deve trabalhar nesse planejamento ao longo do ano. “Ele precisa ter acompanhamento mensal, ver o que está sendo cumprido ao longo do ano e receber pelo menos duas revisões a longo de 12 meses. Não é para esquecerâ€, ressalta Dariane.

Para montar um plano de finanças do negócio, o empreendedor não precisa de softwares específicos; ele pode fazer isso com ajuda de planilhas. Quem tem dificuldade de administrar o caixa e quer se capacitar, há instituições e faculdades que podem oferecer cursos – alguns gratuitos – de extensão para ajudar o pequeno empresário na gestão do dinheiro da empresa.

Eficiência sobe nas pequenas e médias

Categoria: comércio, Empresas, Serviços

Ligia Tuon

As pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras se recuperaram da crise de 2009. É o que indica o novo índice de eficiência medido pelo Serasa Experian, que registrou um patamar de 57,6 pontos para o segmento (que vai até 100) — último recorde da série. Os setores de comércio e serviço foram os maiores destaques.

O índice é mais alto para companhias que geram mais resultado com menos custos. “Com um número menor de insumos, as empresas que melhor transformaram gastos em resultado tiveram nota máximaâ€, explica Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado do Serasa Experian.

O que ajudou as empresas dos setores de comércio e serviços foi o aquecimento da economia interna do País. “O câmbio desvalorizado ajudou bastante esse setor, pois barateou o custo das mercadorias. Uma parte eles repassam para os consumidores e outra para o lucroâ€, diz Rabi.

Porém, segundo o especialista do Serasa Experian, o real valorizado diante do dólar prejudicou a indústria, que não se recuperou do tombo em 2009. “O cambio desvalorizado prejudica a rentabilidade do setor, por causa da competitividade com importados.â€

Para ganhar eficiência, as empresas devem investir na gestão, para administrar melhor seus negócios. “Um exemplo de boa gestão no atual cenário refere-se aos juros altos. As companhias têm de operar gerando o próprio capital de giro, sem recorrer a financiamentosâ€, aconselha o consultor do Sebrae-SP Pedro Gonçalves.

Além disso, o fluxo de caixa deve ser observado. “Se o cliente está pagando a compra à prazo, esse valor pode entrar no faturamento sem que tenha de fato entrado no caixa. Por isso, a inadimplência merece atençãoâ€, acrescenta a professora Dariane Castanheira do Proced/FIA.

Empreendedor busca gestão profissional

Categoria: Empreendedorismo

Ligia Aguilhar

Quando a bioquímica Lisabeth Braun abriu em 1978 a farmácia de manipulação que daria origem à loja de cosméticos Dermage, no Rio de Janeiro, era ela quem cuidava de tudo: da manipulação das fórmulas ao fluxo de caixa. Em 2000, quando boa parte das 35 lojas e 77 pontos de venda da marca já funcionavam, ela se deparou com um dilema típico de quem comanda um negócio que evoluiu para um estágio mais avançado: a necessidade de profissionalizar a gestão.

De repente, as horas de trabalho diárias já não eram suficientes para a empreendedora dar conta de tantas pendências. Tampouco ela conseguia acompanhar tudo o que acontecia na empresa de perto. A administração ficou mais complexa e faltava conhecimento técnico para lidar com essas questões. Afinal, seu ponto forte era o desenvolvimento e a venda de produtos.

“Percebemos que precisávamos contratar profissionais com experiência em grandes empresas para nos ajudarâ€, lembra a filha de Lisabeth, Ilana Braun, hoje presidente da Dermage.

Em 2004, ela assumiu a vice-presidência como parte do processo de reorganização da companhia. Outros dois executivos, das áreas comercial e financeira, foram contratados para dar novo fôlego ao negócio.

“Quando o empreendedor se torna um gargalo da sua própria empresa, é o momento de reconhecer que é preciso contratar profissionais com as competências que ele não temâ€, diz Marcos Simões, gerente de serviços empreendedores da Endeavor.

Transição
A dificuldade de crescer de tantas empresas reside, justamente, na transição entre o que dá certo em um pequeno negócio — a flexibilidade e a falta de uma estrutura rígida, que favorece o crescimento — com os desafios impostos por essa evolução: a criação de rotinas, a busca por mão de obra especializada e a adoção de sistemas para medir os resultados.

“Quando o negócio vai bem, é necessário ter alguém no escritório para analisar os resultados e gerar indicativos que ajudem na tomada de decisão do empreendedorâ€, analisa André Moraes, sócio da consultoria de gestão e negócios Excelia.

O químico Ricardo Ferreira, que há 22 anos fundou a sorveteira Ice by Nice, em Jaboticabal, no interior de São Paulo, acaba de passar por essa experiência.

Com 13 lojas, uma fábrica própria e um faturamento médio de R$ 3 milhões, há cinco anos ele começou a padronizar processos, investir em maquinário e em sistemas de gestão. Ainda assim, faltava o apoio de um especialista na área comercial.

“Como tenho mais habilidade com a produção, sentia que a parte comercial estava fragilizada. Tanto que eu dizia que eram as pessoas que compravam o meu sorvete, não eu que vendia a elasâ€, analisa Ferreira.

Para resolver o problema, Ferreira queria contratar um amigo de longa data, o engenheiro Fábio Cirilo, na época diretor comercial do Walmart. Sem ter como arcar com os custos da contratação, ofereceu a ele uma sociedade na qual ele teria participação de 50% na empresa. “Eu queria alguém com tanto comprometimento quanto eu e que sentisse o peso desse compromisso no bolsoâ€, conta.

O investimento compensou. Após a entrada de Cirilo, foram feitas pesquisas de mercado usadas como base para a reformulação das embalagens dos produtos, do layout dos pontos de venda e que também ajudaram no desenvolvimento de novos sabores. As vendas cresceram 50% e agora os sócios sonham em entrar no concorrido mercado paulistano. “O Ricardo é um gênio do sorvete, mas não em gestão. A nossa soma é muito favorávelâ€, diz Cirilo.