Japão: produção de carros e chips ameaçada
- 16 de março de 2011 |
- 13h54 |
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Categoria: Agenda, Análise, Indústria, Tecnologia
Nell Irwin*
Howard Schneider*
Os danos provocados pelo terremoto no Japão interromperam a produção de automóveis, chips de computador e vários outros bens, e poderão obrigar ao fechamento prolongado de fábricas, criando um ponto de estrangulamento na economia global.
Na segunda-feira, as bolsas japonesas caíram 6,2%, quando os investidores começaram a calcular as dimensões da catástrofe. Ontem, a queda foi de 10,6%. Foi inútil a maciça injeção de ienes pelo Banco do Japão, na tentativa de dar sustentação ao sistema financeiro do país.
Nos Estados Unidos e na União Europeia, os mercados caíram ligeiramente. “O quadro completo da devastação causada pelo terremoto e pelo tsunami que engoliu o nordeste do Japão na sexta-feira só começou a ficar mais claro no fim de semana, mas o impacto econômico continua extremamente indefinido”, disse em um relatório John Higgins, analista da Capital Economics.
A parte do Japão que sofreu o impacto mais direto do terremoto representa uma fatia relativamente pequena da produção industrial da terceira maior economia mundial. Entretanto, os danos à infraestrutura – estradas, ferrovias, eletricidade – foram maiores.
A catástrofe comprometeu a capacidade das indústrias japonesas de obter suprimentos e energia para continuar produzindo e para que seus empregados cheguem ao trabalho. É muito cedo ainda para saber até que ponto a cadeia da oferta mundial dos principais bens será afetada.
Muitas fábricas de automóveis em todo o Japão fecharam as portas, pelo menos temporariamente, escreveu o analista do setor Paul Newton, da IHS Global Insight, segundo o qual a situação é “fluida”. A Toyota fechou todas as suas fábricas no país até hoje, interrompendo 45% de sua produção global. Nissan, Honda, Suzuki, Mazda e Mitsubishi informaram prejuízos e fechamentos temporários de suas fábricas japonesas.
Entre as maiores corporações estão algumas das principais marcas globais que transferiram a produção ao exterior. A Honda, por exemplo, já calculou que suas operações no mercado crucial da América do Norte não serão profundamente afetadas.
Também poderão ser interrompidos o fornecimento e o embarque de eletrônicos, particularmente de materiais usados na fabricação de painéis de cristal líquido, segundo o analista Dale Ford da IHS iSuppli, que pesquisa as cadeias de fornecimentos.
Analistas de todo o mundo acompanharão atentamente como essa nova onda de incertezas econômicas será recebida pelos mercados, avaliando a possibilidade de recuperação da economia americana com o aumento dos preços do petróleo e de outros riscos em potencial.
O Japão tem capacidade de crédito para reagir à tragédia, disse Mohamed El-Erian, CEO de investimentos da Pimco. Provavelmente os recursos virão também dos investimentos no exterior, fenômeno que pode ter influenciado a valorização do iene na sexta-feira, após o desastre.
O país perdeu cerca de 6.800 megawatts de geração de energia depois do dano às usinas nucleares, talvez 7% ou mais de seu fornecimento total, afirmaram analistas da Barclays Capital.
Pelo menos a curto prazo, “as consequências da tragédia do Japão se estenderão a outros países sob a forma da redução da demanda global e da interrupção da cadeia de suprimentos”, afirmou El-Erian. (*do The Washington Post/Tradução Anna Capovilla)
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Empresas investem para ‘turbinar’ smartphones
- 27 de janeiro de 2011 |
- 6h37 |
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Categoria: Empreendedorismo, Empresas, Internet, Tecnologia
LUCIELEVELLUTO
O crescimento do mercado de smartphones e tablets (aparelhos com acesso à internet) no Brasil traz oportunidades para micro e pequenas empresas faturarem alto com venda de aplicativos (programas e jogos). A expectativa de quem está nesse mercado é de dobrar o faturamento este ano, já que os serviços para turbinar os aparelhos começam a ser descobertos pelos brasileiros.
Até metade de 2010, os smartphones correspondiam a 10% do mercado de celulares do País. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), quase 18,9 milhões de consumidores brasileiros têm acesso à internet móvel (3G) no País e a expectativa do mercado é que, em 2014, essa parcela suba para 40% da população brasileira. “E o Brasil ainda tem um grande mercado para ser explorado com mais de 200 milhões de linhas de telefone celular. É o ano do smartphone”, explica José Lecy Costa Júnior, gerente de inovação da Vivo, que cuida da área de aplicativos para telefonia móvel.
No mercado nacional já há diversas empresas criando aplicativos para smartphones com versões para os sistemas operacionais da Apple (iPhone e iPad), Android e BlackBerry. E a expectativa é que esse mercado estoure de vez neste ano, principalmente no caso de aplicativos desenhados sob encomenda para empresas que querem oferecer serviços diferenciados para seus clientes.
“O Brasil acordou no ano passado para essa área de mobilidade. As empresas que têm site querem também estar nos celulares e tablets. E estar sempre na mão do cliente é o que se espera para este ano”, afirma Marcio Pissardo, diretor da Livetouch, empresa que desenvolve aplicativos.
Há dois anos e meio, quando a empresa começou, o mercado ainda era incipiente. Porém, 2010 foi o ano em que a companhia cresceu 300% e em 2011 a aposta é dobrar de tamanho. “O consumidor está descobrindo os aplicativos e na era da internet esse crescimento vai muito rápido”, diz Pissardo.
A Livetouch desenvolve produtos para o mercado corporativo atingir seu público. Para a BM&F Bovespa criou aplicativos que permitem o acesso a informações da Bolsa de Valores e para a Graber Rastreamento, um sistema que permite ao cliente saber onde está seu veículo por meio do celular.
A Livetouch também vende aplicativos diretamente ao usuário, produtos que são encontrados nas lojas dos fabricantes dos smartphones. Um desses é o Nutrabem, um programa para controle de dieta, vendido a R$ 4,99 na Apple Store e que já registrou 17 mil downloads. “Porém esse mercado ainda é muito novo. O corporativo tem proporcionado mais receita no momento”, diz o diretor da Livetouch.
Outra que já está faturando com o mercado corporativo é a agência de comunicação digital Enken. A empresa desenvolveu para a Gafisa um aplicativo que permite ao usuário andar com uma “imobiliária de bolso”. “A tendência do mercado é oferecer serviços que facilitem o dia a dia das pessoas e não apenas a publicidade. Mobilidade é a grande aposta para este ano”, diz David Reck, sócio-diretor da empresa.
Fidelização
Outra agência de comunicação que se dedica a negócios em aplicações móveis é a Fluida. A empresa também pegou o gancho corporativo e esse mercado já corresponde a 20% do seu faturamento. “É um serviço no qual as empresas estão de olho para a fidelização e contato com a marca. Tem tudo para crescer neste ano”, comenta Daniel Mendes, diretor da agência.
Um dos produtos desenvolvidos pela Fluida foi um aplicativo de corrida para iPhone, que permite à pessoa acompanhar o seu treinamento e aprimorá-lo conforme as informações são abastecidas.
O serviço é oferecido por uma grande rede de artigos esportivos. “É um mercado que começa a ter demanda natural, pois 45% da classe A já está conectada por tecnologia móvel. Quem quer trabalhar com esse público tem que investir nisso”, afirma Mendes.
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