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Sábado, 18 de Maio de 2013
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Montadoras do interior reduzem produção

Categoria: Agenda, Análise, Empresas, Indústria, Trabalho

João Carlos de Faria

Trabalhadores de montadoras localizadas no Vale do Paraíba vivem momentos de apreensão, seja pela diminuição das vendas, retraindo o mercado ou pela ameaça de fechamento de um turno, com possíveis e demissões na planta da General Motors, em São José dos Campos, a 90 quilômetros da capital paulista.
Em Taubaté, a Volkswagen já suspendeu a produção do sábado passado por excesso de veículos no estoque – cerca de 80 mil em todo o País – o que deverá ocorrer também amanhã, além da possível redução da produção hoje e nos dias 24 e 25 próximos.

Na Ford, que também tem uma fábrica na cidade, parte dos trabalhadores da fábrica de motores Sigma estão de férias coletivas há uma semana, mas o motivo é a readequação para receber novos investimentos anunciados pela empresa, no valor de R$ 500 milhões.
“Já existe um acordo com a Volkswagen, de flexibilidade da jornada, que eles utilizam conforme a sua necessidade”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo. Ele afirma que o fato não preocupa a entidade, pois o mercado, segundo ele, espera baixa dos juros por parte dos bancos, o que ainda não ocorreu.

Corte
A ameaça de demissões na fábrica da General Motors (GM) em São José dos Campos, continua na pauta do Sindicato dos Metalúrgicos local, que tentou sem sucesso, na quarta-feira, discutir o assunto com a direção da montadora. A tentativa ocorreu durante a reunião entre a entidade e a empresa com o objetivo de definir um valor para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) deste ano.
A GM se recusou a tocar no assunto e, segundo os sindicalistas deu indicação de um cenário de dificuldades para este ano. “Eles disseram que vão discutir isso depois”, disse o presidente do sindicato, Vivaldo Moreira.

Na cidade há uma preocupação com a falta de perspectivas da fábrica, que perderá os modelos Corsa, Classic, Meriva e a Zafira, permanecendo apenas a fabricação da S10, único investimento recebido nos últimos cinco anos. Os modelos Cruze, Cobalt e a minivan Spin foram para São Caetano e o novo compacto da marca, para Gravataí (RS).
A situação da planta pode resultar no fechamento de um turno da produção do MVA, causando a demissão de cerca de 1,5 mil trabalhadores.

Na semana passada, a direção do Sindicato chegou a se reunir com o prefeito Eduardo Cury (PSDB) para discutir o assunto. Cury se propôs a agendar um encontro com a empresa. Cury e membros do seu governo vinham acusando a entidade de ser radical e com isso afastar a possibilidade de investimentos por parte da empresa. Os sindicalistas, no entanto, negam haver intransigência de sua parte.

A empresa, que não se pronunciou sobre o assunto, tem 8 mil trabalhadores em São José dos Campos, deve se reunir com os sindicatos de São José e São Caetano do Sul nos próximos dias 16, 17 e 18.
Em Santa Branca, a 97 quilômetros da capital paulista, os trabalhadores da Wirex Cable deram início a uma paralisação na manhã da quarta-feira, em resposta às demissões realizadas pela empresa, sem nenhuma negociação com o sindicato.

Crise eleva juro para pequena empresa

Categoria: Bancos, Crédito, Economia Internacional, Empresas

Leandro Modé

As pequenas e médias empresas brasileiras já começam a sentir no dia a dia os efeitos da crise europeia. Relatos de empresários e banqueiros colhidos pelo Estado mostram que o custo dos financiamentos para companhias desse porte subiu nas últimas semanas. É um cenário semelhante ao de 2008, mas, por ora, com intensidade muito menor.

Mesmo com essa ressalva, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está preocupada. “Corremos sério risco de que, como em 2008, muitas empresas demitam na volta das férias coletivas, no início do ano que vem”, afirmou o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da entidade, José Ricardo Roriz Coelho.

Um banqueiro que pediu para não ser identificado mostra alguns números para ilustrar o tamanho do problema. Segundo ele, há cerca de um mês, uma empresa de pequeno porte pagava, em média, 28% ao ano por uma linha de crédito. Hoje, esse mesmo produto custa 32% ao ano.

No caso de uma companhia de porte médio, o custo subiu de uma média de 20% para 23% ao ano, também de acordo com o banqueiro.

Há cinco dias, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou um levantamento que confirma a tendência.

Segundo a pesquisa, a taxa média de juros no segmento empresarial saiu de 58,08% ao ano em outubro para 59,92% ao ano em novembro. “Apesar da redução da taxa básica de juros (Selic), os financiamentos estão ficando mais caros no Brasil”, disse o presidente da entidade, Miguel de Oliveira.

A explicação para o cenário está na crise da Europa. Em primeiro lugar, o risco de que alguns países da região deem calote elevou o juro que serve de referência no mercado global.

Fábricas de caminhões e ônibus devem ter férias coletivas maiores

Categoria: Empresas, Indústria, Trabalho

Marcelo Rehder

Apesar da desaceleração da economia, não há corrida na indústria para ampliação de férias coletivas neste final de ano. Segundo empresas e sindicatos de trabalhadores, na maioria dos casos os períodos de folga serão semelhantes aos concedidos nos últimos anos. Entre as exceções estão fabricantes de veículos, principalmente caminhões e ônibus, que esticaram o período em que a produção será interrompida.

Com vendas aquecidas neste final de ano e previsão de queda no primeiro trimestre de 2012, as montadoras de caminhões e ônibus aceleram a produção neste mês e já programam para janeiro férias coletivas de até 30 dias, maiores que as do ano passado, cuja período foi de 10 a 20 dias.

Na Scania, de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, por exemplo, 80% dos 3.600 funcionários da produção entram em férias coletivas no dia 2 de janeiro e só voltam a trabalhar no dia 2 de fevereiro.
“Houve uma antecipação de compras este ano”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre.

Em 2012, caminhões e ônibus passam a ser equipados com motores adaptados ao padrão Euro 5, que estabelecem menor emissão de poluentes. Por serem menos poluentes, os veículos vão custar em torno 15% a mais do que os atuais. Para fugir do aumento dos preços, os empresários do setor anteciparam compras que fariam em 2012. Com isso, as montadoras esperam uma redução nas vendas de caminhões em 2012, especialmente, no primeiro semestre.

Já no setor de eletroeletrônicos, cujas vendas também estão aquecidas, alguns fabricantes reduziram e até cancelaram as folgas de fim de ano. A Tecnicolor, que produz modems e decodificadores para sinal de TV por satélite e cabo na Zona Franca de Manaus, é uma delas. A empresa, que deu folga de dez dias aos funcionários em 2010, não vai parar neste final de ano. Hoje, a Tecnicolor emprega cerca de 780 pessoas, 60 a mais que em 2010. “Vamos reforçar a produção para atender a demanda maior e fazer frente ao avanço dos equipamentos importados da China”, conta Wilson Périco, diretor da Tecnicolor.

A indústria química deve manter a mesma política praticada no ano passado. “Pode ser que uma ou outra empresa amplie, mas no geral os períodos de férias coletivas serão normais”, afirma o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo. “Não é assim de hoje para amanhã que se pode parar uma planta química.”

Na capital paulista, 215 empresas já comunicaram o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Mogi das Cruzes e Região que darão férias coletivas para quase 38 mil trabalhadores. Em 2010, os números eram mais modestos: 80 empresas e 16 mil pessoas.

“O período em que os trabalhadores ficarão de férias não aumentou”, diz o presidente do sindicato, Miguel Torres. Na maioria das empresas, a folga será de 10 a 20 dias.

Nas principais montadoras de automóveis instaladas no País, normalmente o período médio de férias coletivas era de 20 dias. Em 2010, a média foi dez dias, porque as vendas estavam elevadas. Este ano, em setembro, Volkswagen, Fiat, Ford e Scania suspenderam temporariamente a produção para diminuir os estoques e se preparam para parar novamente. A maioria dos 8 mil metalúrgicos da fábrica da Volks em São Bernardo do Campo para no próximo dia 26 e retorna no dia 3 de janeiro. Mas não são férias coletivas, e sim compensação feita ao longo do ano, explica Sérgio Nobre, presidente do sindicato da categoria.

Na Ford, os trabalhadores de São Bernardo terão 23 dias de folga. Eles saem em coletivas no dia 12 e retornam no dia 30, que cai na sexta-feira. Como esse pessoal tem credito no banco de horas e emendará com as férias, o retorno ao trabalho será em 4 de janeiro, segundo sindicalistas.

Produção cai e fábricas ampliam férias coletivas

Categoria: Empresas, Indústria

Anne Warth

Com a redução do ritmo da atividade econômica e aumento dos estoques, as indústrias começam a anunciar férias coletivas. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, disse que 102 empresas da sua base informaram a intenção de dar férias coletivas a 34 mil trabalhadores.

No fim do ano passado, foram 80 empresas e 15 mil trabalhadores, ou seja, o número de companhias é 27,5% maior que o de 2010. Entre as empresas confirmadas pelo sindicato, estão a Fame, fabricante de chuveiros e material elétrico, Aliança Metalúrgica, FCI e Big Rodas.

Outro indicador de que as empresas já reagem ao desaquecimento da economia é a extensão das férias coletivas propostas. O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques da Silva, afirmou que as empresas da região, que concentra grande parte das montadoras e indústrias de autopeças do País, aumentaram a duração das férias neste ano comparativamente aos últimos três anos.

A maior preocupação do sindicato, segundo Silva, é com as fabricantes de autopeças, que, além de acompanhar as paradas das montadoras, têm enfrentado a competição dos importados. “Antes, as férias coletivas se restringiam ao período entre o Natal e o Ano-novo. Mas, neste ano, algumas vão parar por 20 ou 30 dias”, afirmou. “Tem a ver, sim, com queda nas vendas”, admitiu Silva. As montadoras, no entanto, negam que os estoques estejam elevados e afirmam que as paradas são normais e ocorrem todos os anos.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Cláudio Gramm, a fábrica de motores da Renault em São José dos Pinhais (PR) vai parar por 20 dias a partir de 12 de dezembro. A empresa informou que a produção de automóveis ficará suspensa entre 26 de dezembro e 9 de janeiro.

A fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais (PR) também deve dar férias coletivas no fim do ano, segundo Gramm. Parte da produção parou entre 10 e 23 de outubro e deve parar por mais 10 dias depois de 15 de dezembro. “A empresa deu férias coletivas mesmo depois que os funcionários entraram em greve por 37 dias. Os estoques continuam elevados”, disse Gramm. A Volkswagen não confirmou a informação e disse que ainda não definiu as férias coletivas em suas unidades no Paraná, São Bernardo, São Carlos e Taubaté.

Na fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (SP), a unidade de automóveis para em 12 de dezembro e retorna em 4 de janeiro. A produção de caminhões vai parar em 2 de janeiro e retorna apenas no dia 24. As unidades de Taubaté (SP) e Camaçari (BA) não entrarão em férias coletivas, mas algumas áreas da unidade do interior paulista já haviam parado em setembro e outubro.

A Scania, em São Bernardo, vai entrar em férias coletivas no dia 2 de janeiro. A produção recomeça em 1.º de fevereiro. Segundo a empresa, nesse período a linha passará por ajustes para começar a produzir os motores de acordo com a nova norma técnica de emissão de poluentes.

A Peugeot Citroën, com fábrica em Porto Real (RJ), vai dar férias coletivas de 26 de dezembro a 24 de janeiro. A GM, com fábricas em São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP) e Gravataí (RS), ainda não definiu o período de férias coletivas.

Metalúrgicos ameaçam entrar em greve no dia 7

Categoria: Indústria, Trabalho

Os metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes rejeitaram a contraproposta de 7,5% a 8,5% de reajuste salarial apresentada por representantes das empresas e entraram em estado de greve. Em assembleia realizada ontem, eles decidiram que farão greve a partir de 7 de novembro, caso não seja apresentada uma nova proposta considerada por eles satisfatória.

A categoria, com data-base em 1.º de novembro, reivindica reposição salarial com aumento real, valorização do piso da categoria e redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.

Em uma pauta de 152 cláusulas, eles também pedem que as empresas estendam o pagamento de Participação nos Lucros (PLR) para todos os funcionários e aumentem o prazo da licença-maternidade para 180 dias, entre outros pleitos.

“A inflação dos últimos 12 meses encerrados em outubro deve ficar em torno de 7%. Queremos aumento real significativo e não vamos aceitar reajuste inferior a 10%. Os patrões têm até o dia 4 de novembro para reformular sua oferta, caso contrário, vamos começar a parar as fábricas a partir do dia 7”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres.

Segundo o sindicato, a greve poderá ser organizada por empresa, por segmento econômico ou por região. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes representa 270 mil trabalhadores. Além da entidade, participam da campanha salarial outros 53 sindicatos de metalúrgicos filiados à Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo e à Força Sindical. Ao todo, eles representam aproximadamente 800 mil pessoas.

Sem crise
Apesar da desaceleração da economia brasileira, Torres afirma que há “bastante espaço” para um aumento real neste ano. O sindicato diz que um aumento real de 5% está de acordo com a economia do País.

“O crescimento deste ano é em cima de uma base muito grande”, diz o metalúrgico. A projeção do Ministério da Fazenda é que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça entre 3,5% e 4%, um ritmo mais lento do que a expansão de 7,5% registrada em 2010.

A maior dificuldade do sindicato será convencer as empresas de que o momento é favorável a aumentos reais. No segmento automotivo, por exemplo, a produção de veículos caiu 19,7% em setembro, na comparação com o mês anterior, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

As empresas reagiram para conter os estoques. No início de outubro, Volkswagen, Fiat e General Motors deram férias coletivas para parte dos funcionários das fábricas brasileiras.

Segundo o sindicato, os trabalhadores estão mobilizados para pressionar as empresas caso elas relutem em atender às reivindicações. “O que eu vejo na categoria é que a disposição para a greve está muito forte”, diz Torres.