Estado.com.br
Sábado, 25 de Maio de 2013
Seu Bolso
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Brasil tem o 4º pior resultado entre os Brics

Categoria: Indicadores

Sergio Torres

A alta de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2010, manteve o Brasil na quarta posição entre os cinco países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Somente a África do Sul cresceu menos (1,3%).

No primeiro trimestre de 2011 o Brasil havia ficado à frente apenas da Rússia. Desta vez, o PIB russo, de 3,4%, superou o PIB brasileiro. A China, absoluta com 9,5%, e Índia, com 7,7%, lideram o Brics em relação ao crescimento da economia no segundo trimestre deste ano.

Apesar da liderança, tanto a China quanto a Índia registram desaceleração moderada no crescimento em relação aos trimestres anteriores. A expansão chinesa estancou a partir dos últimos três meses do ano passado, quando o PIB atingiu 9,8%. No primeiro trimestre deste ano baixou para 9,7%.

Na Índia, o PIB tem decaído há seis trimestres. No primeiro trimestre de 2011 chegou a 7,8%. Agora, caiu 0,1 ponto porcentual, patamar considerado inexpressivo quando se faz a avaliação dos cenários das contas nacionais.

A queda no PIB fez a África do Sul regredir aos resultados obtidos há dois anos. Em 2009, a crise financeira iniciada no ano anterior derrubou para 1,7% um crescimento que, em 2007, chegara a superar os 5%.

Também muito prejudicada pela crise mundial de 2008, a Rússia mantém o processo de queda do PIB. Taxada em 4,1% no primeiro trimestre do ano, a economia do país caiu para 3,4% nos três meses posteriores.

PIB percapita
Quanto ao PIB per capita, por causa das populações numerosas, o Brasil (cerca de 190 milhões de habitantes) só ficou atrás da Rússia (cerca de 140 milhões) no segundo trimestre. A produção de riquezas por brasileiro ficou em US$ 10,9 mil. Na Rússia, o PIB per capita foi de US$ 15,9 mil no último trimestre medido em 2011.

Na comparação internacional com 15 países desenvolvidos e em desenvolvimento selecionados pelo IBGE, o Brasil, empatado com a Coreia do Sul, registrou a terceira maior expansão do PIB (0,8%) no segundo trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior. O Chile obteve a maior alta, com 1,4%, e o México aparece em segundo, com crescimento de 1,1%. Bélgica é a quarta em expansão, com 0,7%. Noruega, a quinta, com 0,4%.

Os países desenvolvidos registraram avanços considerados insignificantes, como os Estados Unidos, a Espanha e o Reino Unido, todos com 0,2%, mesma taxa da União Europeia. Alemanha e Holanda registraram 0,1%. A França não cresceu nem decresceu. O Japão regrediu -0,3%.

LDO projeta PIB de 5% em 2012

Categoria: Contas públicas, Indicadores

O governo projeta um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% no próximo ano, segundo o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2012, distribuído na tarde desta sexta-feira pelo Ministério do Planejamento.

O porcentual é maior que a expectativa de expansão do PIB para este ano (4,5%), mas inferior à perspectiva para 2013 e 2014 (de 5,5% em cada ano).

No caso da inflação, o governo conta com uma desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 4,5% ante projeção de alta de 5% para este ano. Para 2013 e 2014, a expectativa é de uma taxa de 4,5% ao ano.

Com isso, a variação média da taxa básica de juros da economia, a Selic, deve desacelerar a partir deste ano de 5,80% para 4,60% em 2012 e 4,5% em 2013 e 2014.

Célia Froufe e Renata Veríssimo — Agência Estado

Estudo: Brasil terá o 4º PIB mundial em 2050

Categoria: Agenda, Análise, Indicadores

Jamil Chade*

A economia brasileira vai superar pela primeira vez a da França neste ano e já em 2013 vai ultrapassar a do Reino Unido, atingindo a sétima posição no planeta e se preparando para, em 2050, tornar-se a quarta maior economia do mundo. Mas um brasileiro terá de esperar pelo menos mais 40 anos para ter a renda média de hoje de um alemão.

Os dados fazem parte de um estudo da PricewaterhouseCoopers. Segundo o estudo, antes de 2020 as sete grandes economias emergentes já terão superado os tradicionais países do G-7 em tamanho do PIB. A constatação do levantamento é que, em meados do século, o cenário econômico mundial será bem diferente do atual, com China e Índia nos dois primeiros lugares e o atual líder — os Estados Unidos — apenas na terceira posição.

No caso do Brasil, o País subirá várias posições no ranking das maiores economias, incentivado por seu mercado doméstico e pela exportação de recursos naturais num primeiro momento. Se a comparação do PIB do Brasil for calculada em paridade de poder de compra (PPP), o País passaria da atual nona posição entre as maiores economias para a quarta, elevando PIB de US$ 2 trilhões em 2009 para US$ 9,7 trilhões em 2050.

A projeção é de que já este ano o Brasil supere a França em PIB. Em 2010, já havia superado a Espanha. Em 2013, superaria o Reino Unido. Finalmente, em 2025, passaria a Alemanha — o motor da economia europeia. Em 2037, seria a vez de superar a Rússia e, em 2039, o Japão.

Em uma comparação que leve em conta a taxa de câmbio do mercado, conhecido como PIB nominal, o Brasil também chegaria em 2050 na quarta posição entre as maiores economias, com US$ 9,2 trilhões de PIB. Hoje o País ocupa a 8ª posição. Por esses cálculos, o Brasil superaria a Itália em 2017, passaria o Reino Unido em 2023 e ultrapassaria a França em 2027. Em 2032, seria a vez de superar a Alemanha e, em 2044, passaria o Japão.

Renda

O avanço do Brasil pode impressionar. Mas, para o autor do levantamento, ser a quarta maior economia do mundo não significa que a pobreza será automaticamente erradicada. “Isso dependerá de uma política de Estado para garantir a distribuição da riqueza”, afirmou ao Estado o economista John Hawksworth, chefe do grupo que realizou a projeção.

Ele lembra que, hoje, um brasileiro tem em média uma renda equivalente a 22% da renda de um americano. Em 40 anos, ganhará ainda menos da metade do que será a renda de um trabalhador nos Estados Unidos. No Brasil, a renda passaria dos atuais US$ 10 mil por ano para quase US$ 40 mil em 2050. Na prática, a renda média de um brasileiro levará mais 40 anos para alcançar a de um alemão hoje.

Em termos de expansão do PIB, a consultoria destaca que o Brasil não estará entre os líderes e, mesmo na quarta posição mundial, o País terá em 40 anos um PIB que não difere do tamanho atual da economia chinesa. A projeção é de um crescimento de 4,4% ao ano. Mas abaixo do crescimento de México, Argentina, Indonésia, China e Índia. Ainda assim, duas vezes mais rápido que o dos Estados Unidos e quatro vezes superior ao do Japão.

Emergentes

Outra constatação do relatório é a nova posição dos emergentes no cenário internacional. Em 2050, os sete maiores emergentes (China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia) terão um PIB duas vezes superior ao tradicional G-7, formado por países industrializados. Isso, se ocorrer, será uma transformação importante em comparação com 2007, quando os ricos ainda tinham uma economia três vezes maior que a dos emergentes.

Mas as projeções indicam que, antes de 2020, a China já superará os EUA em paridade de poder de compra. A crise atual já havia possibilitado à China superar o Japão e se tornar a segunda maior economia do planeta. Em PIB nominal, porém, terá de esperar até 2032. (* correspondente em Genebra)

Estímulo nos EUA é ameaça ao Brasil

Categoria: Dólar, Investimentos

Jamil Chade*

A injeção de US$ 600 bilhões anunciada ontem pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na economia dos Estados Unidos (EUA) e novas medidas de estímulo podem ser o elemento que faltava para o risco da formação de uma verdadeira bolha de ativos nos países emergentes, como o Brasil. O alerta foi feito ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelas Nações Unidas (ONU).

Na avaliação da OCDE, os recursos já injetados nos países ricos nos últimos meses deram demonstrações claras de que não estão sendo escoados nas economias locais. Parte substancial teria se destinado às economias emergentes. Segundo a entidade que reúne as nações ricas, as novas medidas anunciadas nos EUA ameaçam fortalecer essa tendência, criar bolhas de ativos e colocar ainda mais pressão sobre o câmbio do Brasil, África do Sul e outros emergentes.

De acordo com a OCDE, a recuperação da economia mundial perdeu seu ritmo diante da gradual retirada de medidas de estímulo à produção. A entidade apontou que a recuperação do comércio também perdeu fôlego. Nos países ricos, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 deve ser de 2,5% a 3%. Para 2011, deve cair para 2% a 2,5%. Nos países emergentes, a expansão do PIB continua mais robusta. Mas a projeção é de que também percam força.

O secretário-geral da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento, Supachai Panitchpakdi, também alertou para o impacto negativo que a nova medida pode ter para o Brasil e outros emergentes. Supachai alerta que a economia americana já demonstrou que não tem a capacidade para absorver esses recursos e essa liquidez. O resultado tem sido a transferência desse recurso para mercados emergentes em forma de capital especulativo. “Mais uma vez, o problema nos países ricos está sendo exportado.”

Supachai Panitchpakdi teme que a crise financeira global provocada por excesso de liquidez volte a se repetir (Foto: Denis Balibouse/Reuters – 28/7/2005)



Para ele, o Brasil corre o risco de ter sua economia desestabilizada diante da bolha de ativos que está se formando com a entrada de capitais. “Corremos o sério risco de ver uma bolha de ativos se formar nos mercados emergentes”, disse Supachai. “O que vemos é que os americanos estão inundando o mercado. Não podemos esquecer que a crise financeira em 2008 surgiu por causa de um excesso de liquidez no mercado. Agora, corremos o risco de ver uma repetição de tudo isso no Brasil e em outros emergentes, com uma desestabilização das economias.”

Para Supachai, a pressão sobre o real e outras moedas é apenas um efeito da inundação de dólar. “Desde 2009, temos visto que os recursos nos países ricos que não foram absorvidos pelas economias domésticas acabaram indo para as economias emergentes. Esse dinheiro está indo especialmente para o mercado de ações nos emergentes”, alertou. “O problema não é a entrada dos recursos, mas sim quando eles saírem”, completou. *(correspondente em Genebra, colaborou Daniela Milanese)

Posts Relacionados

Tópicos Relacionados

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,