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Sábado, 18 de Maio de 2013
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Público com mais de 40 anos adere ao intercâmbio

Categoria: Carreira, educação

GISELE TAMAMAR

Fazer intercâmbio não é programa só para jovens estudantes. O público com mais de 40 anos descobriu na modalidade um jeito de aprender uma nova língua ou se aperfeiçoar nela e também se divertir. As agências especializadas no setor registram aumento de até 45 % este ano em comparação com o ano passado na procura pelos cursos voltados para essa faixa etária com atrativos que envolvem passeios relacionados a estilo de vida, cultura, gastronomia e arte, além dos cursos com foco em negócios.

Aperfeiçoamento do inglês com foco nos negócios está entre os mais procurados. Os principais destinos são Nova York, Londres, São Francisco, Vancouver e Toronto. São cursos mais rápidos, em geral de duas semanas, e podem incluir visitas a empresas e hospedagem em casa de família de um executivo. Na Rede de Intercâmbio CI, a procura por este tipo de capacitação aumentou 30%.

Há quem busque aprimorar o idioma de forma mais prazerosa. “Eles querem fazer amizades, ter novas experiências. É outro focoâ€, destaca Luiza Vianna, gerente de cursos no exterior da CI. Como alternativa existem os programas de aprendizado customizados, que incluem passeios a museus com professor de história, visitas a vinícolas, aulas de dança e gastronomia. Nova Zelândia e Europa, com destaque para Espanha e Itália, são os locais preferidos.

Segundo a gerente de cursos do Student Travel Bureau (STB), Marcia Mattos, ao buscar programas com foco cultural, o estudante tem a possibilidade de fazer uma viagem de acordo com seus interesses. Na STB, o público com mais de 40 anos aumentou 45% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Mais de 50
A IE Intercâmbio também registra alta de clientes com mais de 50 anos. Em 2008, esse grupo representava 2% do total de clientes. Hoje, a participação é de 5%. “Este público descobriu que o intercâmbio traz mais benefícios que uma viagem de turismo comumâ€, afirma Marcelo Albuquerque, diretor da IE.

A acomodação vai variar de acordo com o perfil do viajante. Ele pode ficar em hotel, flat, residência estudantil e casa de família. A microempresária Márcia Aparecida Marsulo, de 54 anos, ficou na casa de uma senhora de 62 anos no Canadá em julho. “Viajei para a Inglaterra em 2008, quando minha filha morava lá. Por causa da viagem, resolvi retomar o curso de inglês e fazer intercâmbioâ€, conta. “Às vezes a gente pensa que não tem mais idade, que não está no nosso alcance, mas ao contrário. Uni o útil ao agradável. Foi uma experiência muito valiosaâ€, diz. Tanto que ela já programou uma nova viagem para 2012. Desta vez para a Nova Zelândia.

O destino preferido da artesã Yara Cattony, 51 anos, é a cidade francesa de Amboise. Em 2008, quando viajou com seu pai para a França ficou pensando numa maneira de voltar àquele país. Desde então, já voltou três vezes para aperfeiçoar o idioma e planeja mais uma ida no ano que vem. “Me apaixonei pelo lugar e tenho amigos nativosâ€, conta Yara, que conhece diversos lugares da América Latina, Estados Unidos e Europa, mas escolheu Amboise para fazer intercâmbio.

Incentivos fiscais são, na prática, reforma

Categoria: Agenda, Análise, Impostos

Lu Aiko Otta

Os incentivos fiscais, que não param de ser criados, são a verdadeira reforma tributária em curso no País, avalia o consultor da Câmara dos Deputados Marcelo Sobreiro Maciel. Ele avalia que há mais estímulos para o governo lançar mão desses instrumentos do que batalhar pela simplificação do sistema tributário.
Para o Executivo, desonerar determinados setores é uma forma rápida e segura de fazer políticas públicas, observa o pesquisador. E não há oposição a que o governo aja dessa maneira.

Para o empresariado, os incentivos fiscais são vistos como uma forma viável de ganhar competitividade. Também por essa razão, os parlamentares tampouco se opõem aos cortes tributários. Pelo contrário, eles pressionam para incluir outros beneficiados nos programas.

Assim, os incentivos fiscais ganham trânsito livre no Congresso, enquanto as propostas de reforma tributária clássica fracassaram uma a uma, pois elas impõem perdas a Estados e setores da economia.
Essa é a análise que consta da tese de mestrado em Ciências Políticas de Maciel pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj).

“Imaginar que uma reforma abrangente aconteça facilmente é utópicoâ€, disse o consultor da Câmara dos Deputados Marcelo Sobreiro Maciel. “Mas, ao mesmo tempo, o sistema tem passado permanentemente por reformas.â€

Ele avalia que, tal como as tentativas anteriores desde a Constituição de 1988, a proposta do governo de Dilma Rousseff para simplificar o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não vai prosperar. “Ainda mais com essa crise internacional chegandoâ€, observou.

Naufrágio
As tentativas anteriores naufragaram por razões variadas. A tentativa do governo de Fernando Collor de Mello de simplificar o ICMS naufragou porque desembarcou no Congresso dias antes do início do processo de impeachment.

O governo de Fernando Henrique Cardoso, por sua vez, se deu por satisfeito após a aprovação da Lei Kandir, que desonerou produtos básicos e semielaborados do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Obstáculos
As crises do final dos anos 1990 impediram que as mudanças fossem adiante, devido às restrições fiscais que não permitiam ao governo correr o risco de perder arrecadação.
No governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto de reforma tributária deixou de ser prioridade com a crise de 2008 e 2009.

Agora, Maciel avalia que não há real interesse por parte do Executivo.
Há uma iniciativa dos senadores em pauta, a redução do ICMS interestadual nas importações, que foi encampada pelo Executivo. No entanto, não se vê movimentação em favor da proposta.

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, tem dito que se dedicará a negociar mudanças no ICMS depois de resolvida a questão dos royalties do petróleo. No entanto, essa discussão ainda está longe de um acordo.

Na lógica do governo, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços e os royalties do petróleo são dois temas que estão entrelaçados. A ideia é contrabalançar eventuais perdas com a reforma do tributo estadual com ganhos que a maior parte dos Estados terá com a nova divisão de recursos do petróleo.

Incentivos fiscais crescem 529% em 10 anos

Categoria: Agenda, Análise, Impostos, Indicadores

Lu Aiko Otta

O governo vai injetar R$ 146 bilhões em vários setores da economia no ano que vem, por meio de programas que só o Executivo pode criar e cujos resultados não são avaliados. São os chamados incentivos fiscais, ou desonerações tributárias, medidas pelas quais o governo abre mão de tributar um ou outro setor.

Os gastos por meio de renúncias de receitas deram um salto a partir do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo aponta estudo elaborado pelo consultor da Câmara dos Deputados Marcelo Sobreiro Maciel.

Segundo levantamento feito com base nos dados da Receita Federal, os incentivos fiscais equivaliam a 11,6% da arrecadação federal em 2002. Em 2009, ela já estava em 18,9%. Em 2012, a conta se aproximará dos 20%, conforme os números da Receita consultados pelo Estado. A conta de incentivos, que era de R$ 23,2 bilhões em 2002, chegará a R$ 116 bilhões este ano e a R$ 146 bilhões no ano que vem. É um salto de 529%.

“Os incentivos são cada vez mais usados, mas são medidas pontuais, sem planejamento de longo prazo e cuja eficácia é questionável, pois não há avaliaçãoâ€, comentou o consultor. “São benefícios que fogem do Orçamento, estão cada vez mais sob controle do Executivo e sobre os quais há pouca exigência de transparência.â€

Em seu trabalho, ele afirma que o crescimento dos incentivos indica “um renascimento do Estado capitalista brasileiro, no que se refere aos instrumentos tributários utilizadosâ€. Ele embasa a crítica na comparação entre a forma como são gastos os recursos arrecadados e devolvidos à sociedade como despesas do Orçamento e os incentivos – dinheiro que deixa de ser entregue aos cofres públicos. Do ponto de vista das contas públicas, também é um gasto. Procurado pela reportagem, o Ministério da Fazenda não se pronunciou.

Servidores vão ter três planos para se aposentar

Categoria: Aposentadoria

Edna Simão

O governo federal vai insistir na criação de um fundo único de previdência complementar para os servidores públicos, mas deverá permitir a existência de, pelo menos, três planos diferenciados para atender o Judiciário, Executivo e Legislativo. Essa foi a estratégia escolhida pelo Planalto para neutralizar as resistências, tanto do Judiciário quanto dos parlamentares petistas e aliados, que defendem a formação de vários fundos. O objetivo do governo é aprovar o projeto de lei ainda este ano.

A avaliação da equipe da presidente Dilma Rousseff é de que o fundo de previdência complementar e a definição de um teto de aposentadoria servirão para interromper o crescimento desenfreado do rombo da previdência do servidor público da União, tornando o regime sustentável no longo prazo.

Somente no ano passado, o déficit da previdência social dos servidores públicos somou R$ 52 bilhões para atender a 950 mil funcionários. A expectativa é de que chegue a R$ 57 bilhões no fim deste ano. Já o rombo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi de R$ 42 bilhões em 2010 para beneficiar 23 milhões de aposentados e pensionistas. Para 2011,o saldo negativo deve variar entre R$ 34 bilhões e R$ 39 bilhões.
Uma das pressões para as contas públicas é que, pelas regras atuais, o funcionário da administração pública não tem teto para aposentadoria.

Com a aprovação do projeto de lei, seria fixado o mesmo teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de R$ 3.691,74, para o servidor. Com base nesse valor, o trabalhador, que passar no concurso depois da aprovação do projeto, terá de fazer uma contribuição adicional. “No curto prazo, as despesas vão aumentar porque o Estado vai aportar recursos para pagar os atuais aposentados e pensionistas e pagar a contribuição (7,5% do salário total) do novo servidor. Mas depois de 10 anos, o gasto começa a reduzirâ€, afirmou uma fonte do governo ligada às negociações.

O economista Marcelo Caetano, especialista em previdência social, concorda com a ideia do governo de manter a proposta de se ter um fundo único de previdência para reduzir custos administrativos. Ele sugere, no entanto, que a criação de planos não esteja ligado à setores ou categorias, o que poderia acarretar uma enxurrada de pedidos por planos específicos. Caetano explicou que a existência de vários planos deve ter como objetivo dar opções de investimento para o servidor.

Para ter uma maior representatividade do Judiciário, Executivo e Legislativo na gestão dos recursos do fundo, o governo pensa ainda em permitir a formação de comitês gestores, que teriam três representantes dos servidores. “Não teria poder de decidir. Seria um órgão fiscalizadorâ€, frisou a fonte.

Terceirização
Outro ponto polêmico do projeto é a obrigatoriedade de que o fundo seja administrado por uma empresa privada. Isso deverá ser retirado do texto. Os partidos aliados e o PT não aceitam a terceirização. A avaliação de alguns parlamentares e de uma parte do governo é de que a medida poderia retirar a liberdade de investimento em alguns projetos considerados importantes para o País.

Além disso, para se investir em títulos públicos, por exemplo, não seria necessário um administrador terceirizado para tomar a decisão. A terceirização custaria caro para o fundo. Para Caetano, a alteração é positiva pois impede o engessamento na gestão do fundo.

O projeto de lei que trata da criação do fundo para os servidores públicos estava parado desde 2007 na Câmara dos Deputados e era um dos principais pontos da reforma feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Calcinha à brasileira é sucesso em varejo britânico

Categoria: Consumo, Empresas

O presidente da rede de varejo britânica Marks & Spencer, o executivo holandês Marc Bolland, tem de agradecer às lingeries em estilo brasileiro pelo gordo bônus recebido.

Segundo o jornal The Guardian, o generoso pacote de incentivos conquistado por Bolland está diretamente ligado ao sucesso de uma linha de roupas íntimas com apelo brasileiro que ajudou a aumentar as vendas totais da empresa em 3,2% no segundo trimestre de 2011, em comparação com o mesmo período do ano passado.

A remuneração do executivo, que pode chegar a US$ 24 milhões no longo prazo, foi alvo de críticas quando ele foi escolhido para o cargo no ano passado, em meio a uma forte crise da rede varejista.

No entanto, a mais recente reunião de acionistas da Marks & Spencer mostrou que o resultado da linha de lingeries falou mais alto do que o barulho inicial: 97% dos presentes votaram a favor do pagamento do bônus ao presidente da companhia nos termos do contrato.

A empresa vendeu 460 mil unidades da linha de lingeries cavadas, oferecidas em pacotes de três unidades a preços populares (10 libras, o equivalente a US$ 16). Para dar visibilidade à coleção popular, foi contratada a supermodelo brasileira Ana Beatriz Barros, que já trabalhou para a tradicional linha americana Victoria’s Secret.

Apesar do sucesso da coleção de lingerie – e do resultado geral das vendas da empresa -, a qualidade do restante da área de moda da Marks & Spencer não agradou. Os acionistas disseram que muitas das escolhas foram erradas: a qualidade dos suéteres foi considerada “deplorávelâ€, assim como a das meias e a das roupas para idosos.

A falta de cuidado foi refletida no resultado específico do segmento, que ficou estável no último trimestre.